Em Roma, escritores-fantasma já escreviam discursos sob encomenda para políticos

Os mercenários do mercado editorial são os ghost writers: escritores profissionais pagos para escrever trabalhos que serão assinados por outras pessoas.

Esses redatores-fantasma são mestres do ofício: enquanto autores comuns se esforçam para forjar um estilo cativante e facilmente reconhecível, ghost writers são camaleões, capazes de emular diferentes vozes conforme as exigências da encomenda. Por exemplo: Tom Clancy, que escrevia best sellers com histórias de espionagem da Guerra Fria, ficou tão famoso que usou assombrações editoriais para multiplicar sua produção nos bastidores.

O tema veio à tona nesta quinta-feira (9), quando Bolsonaro pediu desculpas pela balbúrdia no Dia da Independência em uma nota oficial. A internet teve um ligeiro surto ao saber que o texto teve uma mãozinha – ou melhor, um braço inteiro – de Michel Temer. “Ele colaborou com algumas coisas na nota, eu concordei e publicamos”, disse o atual presidente à imprensa. Seu antecessor não foi um camaleão muito eficaz: a redação é exatamente a que se espera de um professor de Direito. 

A internet veio abaixo ao descobrir que Temer redigiu a nota de desculpas de Bolsonaro. Mas a história dos ghost writers deixa claro: difícil é encontrar um poderoso que seja autor das próprias falas.

Em Roma, escritores-fantasma já escreviam discursos sob encomenda para políticos

publicado originalmente em superinteressante

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