Papo animal: as estratégias brilhantes que os bichos usam para conversar

Depois de passar o dia atrás de sustento, o sujeito volta para casa e comunica: “Encontrei comida. Existe uma fonte de alimento a 1,7 quilômetro daqui. Para chegar lá, é só ir sentido Leste, seguindo um ângulo de 52 graus em relação ao Sol”. Sem mapa, a família encontra o banquete e volta para casa de barriga cheia.

Conversas assim rolam todos os dias entre as abelhas. Os artrópodes alados não usam números para traduzir distâncias e localizações, mas transmitem mensagens com esse grau de precisão. A informação fica codificada em um zigue-zague feito pelo inseto que encontrou néctar. Quanto maior o tempo do rebolado, mais distante está a fonte. A direção depende de para onde a abelha aponta – o ângulo entre o teto da colmeia e a direção do zigue-zague é o mesmo  que liga o Sol, a colmeia e a comida.

A tradução dessa dança é a obra-prima do biólogo Karl von Frisch, que dedicou a vida a estudar o comportamento de insetos. Por conta do achado, levou o Nobel de Medicina em 1973 (que às vezes reconhece feitos da biologia). Desde então, pesquisadores têm descoberto formas cada vez mais complexas de comunicação entre todos os seres vivos.

Sim, porque comunicação é algo mais amplo do que a fala e a escrita – por ora, exclusividades do Homo sapiens. Comunicação é algo que ocorre quando um indivíduo, de qualquer espécie, emite um sinal que muda o comportamento de outro. E, como já deu para perceber, o sinal não precisa ser necessariamente vocal. Os pesquisadores em comunicação animal dividem-na formalmente em quatro tipos: química, visual, tátil e sonora.

Vamos conhecer algumas delas, a começar pelo primeiro tipo de comunicação nos 3,5 bilhões de anos da história da vida na Terra: a química.

Macacos criam palavras para batizar predadores, enquanto os golfinhos se chamam pelo nome. A ciência avança a passos largos para decifrar a comunicação no mundo animal (e vegetal). Conheça as descobertas mais surpreendentes.

Papo animal: as estratégias brilhantes que os bichos usam para conversar

publicado originalmente em superinteressante

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