A Maldição do Farol ( segunda parte)

Já se passou quase uma hora e Lionel decide seguir viagem, o celular continua sem sinal de vida, e seus amigos logo estarão no local combinado. Tira umas fotos, com um bom enquadramento , a luz do fim da tarde deixa tudo mais luminoso. Não dava para imaginar que a brisa que soprava em instantes se transformaria em um vendaval fortíssimo, onde mal daria para parar de pé ,os raios e trovões reluziam de uma maneira que transformava todo redor em um cenário de filmes de horror.

Ele estava bem próximo á porta do prédio, e foi com alívio que entrou no abrigo do farol. Lá dentro, obviamente, era escuro feito breu, e a lanterna do celular iluminou á sua volta…foi uma questão de segundos e a porta bateu, vítima de uma rajada de vento, o aparelho voou longe, deixando Lionel assustado, sozinho na escuridão. Abaixado para procurar o telefone , ele não estava muito a vontade ali, a fobia começava a dar as caras. Ele não percebe quando um vulto escuro surge a seu lado e toca de leve sua nuca, como que transferindo algo de escuro e sinistro, algo que nem em seus pesadelos Lionel poderia supor que existisse. Quase que imediatamente a porta se abre, e ele consegue ver o celular mais a frente, o apanha e se levanta. Com a luz tênue da lanterna ele vê a escada e a curiosidade substitui a cautela… Lionel resolve dar uma espiada no topo do farol , sem dúvidas a vista de lá renderá ótimas fotos.


Uma escada em caracol íngreme e corroída pelo tempo o leva até lá em cima, onde o lume do farol há tempos não ilumina mais nada. Esse lugar já teve sua época de glória, quando era um importante marco para os navegantes e para os moradores locais, que se orgulhavam de abrigar em sua cidade tão imponente prédio.
Voltemos no tempo, há muitas, muitas décadas atrás…nos idos de mil novecentos e quarenta…
A segunda grande guerra se alastrava pela Europa, a sombra da morte e do medo também lançavam fagulhas por aqui. O grande Farol da Enseada, como era conhecido, vivia seus melhores dias, ponto importante para a cidade, iluminando a lagoa e dando o norte aos navegantes e moradores.

Ali morava Matias, o faroleiro, na casa dos quarenta anos, solitário e comprometido com o dever, sem dar muita conversa para ninguém , assim gostava de levar a vida. Nunca havia se casado . Na juventude chegara a ficar noivo, mas a moça o abandonou, indo para a cidade grande com outro homem. A vida e as obrigações corriam tranquilas, com uma notícia ou outra da guerra e do resto do mundo…pelo menos era o que parecia, pois aquele lugar tinha seus segredos , e o sangue de muitos havia sido derramado ali para erguer esses tijolos, pode crer no que te digo…por muitos anos esse fato permaneceu como que hibernando, mas agora devido a tanto mal acontecendo, tanta gente com medo, algo muito sinistro começava a despertar ali, neste farol no sul do Brasil.

continua…

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