Técnica permite rastrear origem dos “tesseracts” nazistas da 2ª Guerra

Urânio e plutônio são os principais ingredientes de uma bomba atômica. Em 1938, cientistas alemães descobriram que poderiam fissionar o núcleo desses átomos instáveis, liberarando uma grande quantidade de energia no processo. No ano seguinte, nascia o programa nuclear da Alemanha nazista. Cientistas do país começaram a produzir cubos de urânio – que seriam usados em um reator nuclear para produzir plutônio –, mas o projeto nunca foi concluído.

Se a foto acima parece familiar, é porque o objeto é a cara do Tesseract – o cubo fictício que guarda a joia do infinito no Universo Cinematográfico da Marvel. Mas o nome oficial dele é “cubo de Heisenberg”, em homenagem ao físico que ajudou a criá-los. Werner Heisenberg trabalhava em um laboratório localizado embaixo de uma igreja, na cidade alemã de Haigerloch.

Em 1945, tropas americanas e britânicas encontraram 664 cubos nesse laboratório e os enviaram para os Estados Unidos. Só tem um problema: atualmente, os cientistas só sabem o paradeiro de doze deles. Muitos provavelmente foram usados em armas nucleares americanas, enquanto outros foram parar nas mãos de colecionadores. Não sabemos quantos desses cubos podem estar por aí.

Centenas de cubos de urânio foram produzidos durante o programa nuclear alemão – inclusive em um laboratório comandado pelo físico Werner Heisenberg.

Técnica permite rastrear origem dos “tesseracts” nazistas da 2ª Guerra

publicado originalmente em superinteressante

“Nova cloroquina”: entenda a polêmica por trás da proxalutamida

Após a cloroquina, azitromicina e ivermectina, surge o quarto cavaleiro do apocalipse: a proxalutamida. Assim como seus antecessores, trata-se de um medicamento normalmente usado para outra doença que está sendo promovido pelo presidente Jair Bolsonaro para combater a covid-19 – mesmo sem eficácia comprovada. 

A droga, desenvolvida pela farmacêutica chinesa Suzhou Kintor, é um bloqueador hormonal desenvolvido com o intuito de tratar o câncer de próstata. O medicamento ainda se encontra em fase de testes, e não é liberado pra comercialização em nenhum lugar do mundo. Ou seja: nem as pessoas com câncer de próstata, que são de fato o público-alvo do produto, têm acesso a ele.

Porém, o endocrinologista Flavio Cadegiani, que atua na clínica de emagrecimento Corpometria Institute, em Brasília, considerou que seria uma boa ideia testar a proxalutamida no Brasil para casos graves de covid-19. 

Vale dizer que países como China, Reino Unido e França, que exploraram mais profundamente o reposicionamento de drogas (ou seja, o uso do remédio para fins que não o original), já haviam descartado a proxalutamida contra a covid-19. Mas este ainda não é o ponto. O grande problema é que os experimentos no Brasil – já no estágio dos testes clínicos, quando o remédio é usado em humanos –, estavam sendo conduzidos sem autorização da Conep (Comissão Nacional de Ética em Pesquisa), o que é proibido. 

O medicamento – um bloqueador hormonal usado contra câncer de próstata – foi testado no Brasil contra covid-19 sem aprovação da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa. E houve erros de metodologia graves nos ensaios clínicos.

“Nova cloroquina”: entenda a polêmica por trás da proxalutamida

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Entenda o que é o marco temporal – e como ele afeta os povos indígenas

Nesta quinta-feira (26), teve início a votação da tese do marco temporal no Supremo Tribunal Federal (STF), que deve ser retomada na próxima quarta (1º). Diante disso, povos indígenas e apoiadores, que temem os impactos da medida sobre a demarcação de terras indígenas, se juntaram em Brasília para protestar. Mais de 6 mil indígenas foram ao Distrito Federal e formaram o acampamento “Luta pela vida”. É uma das maiores manifestações já feitas por povos originários.

Para entender essa discussão, é preciso voltar alguns anos. Em 2009, o STF teve que resolver um conflito envolvendo indígenas e produtores de arroz, que disputavam pela Terra Indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima. Na época, a decisão foi favorável aos povos originários, sob alegação de que estes já estavam no território quando foi promulgada a Constituição Federal, em 5 de outubro de 1988. 

A tese, que teve a votação iniciada nesta quinta-feira (26), deve impactar 303 territórios indígenas em processo de demarcação.

Entenda o que é o marco temporal – e como ele afeta os povos indígenas

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Cientistas percebem maior “renovação” do cérebro durante o sono REM

O sono é um momento de descanso e recuperação. Mas o que ainda não está claro para os cientistas é como o fluxo sanguíneo cerebral, importante para remover resíduos e fornecer oxigênio e nutrientes, muda enquanto estamos dormindo. Uma equipe liderada por pesquisadores da Universidade de Tsukuba, no Japão, se dedicou a investigar isso. Em seu estudo, eles encontraram novas evidências de aumento do fluxo sanguíneo e renovação cerebral durante o sono REM: a fase em que acontecem os sonhos.

A equipe estudou camundongos durante os estados de vigília e sono, visualizando o movimento dos glóbulos vermelhos do sangue nos capilares cerebrais – vasos sanguíneos muito finos responsáveis pela distribuição e recolhimento do sangue nas células.

Em estudo com camundongos, o fluxo sanguíneo cerebral, importante para fornecer oxigênio e nutrientes, aumentou durante essa fase do sono, em que acontecem os sonhos.

Cientistas percebem maior “renovação” do cérebro durante o sono REM

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Montanha mais alta da Suécia está encolhendo com as mudanças climáticas

Um estudo recente descobriu que a montanha mais alta da Suécia, chamada Kebnekaise, está diminuindo de tamanho por conta das mudanças climáticas. A Kebnekaise faz parte dos Alpes Escandinavos e tem dois picos: um ao sul, coberto por uma geleira em processo de derretimento, e outro ao norte – rochoso e, portanto, estável.

Em 14 de agosto deste ano, o pico sul da montanha estava a 2.094,6 metros de altitude. Essa é a altura mais baixa registrada desde a década de 1940, quando pesquisadores da Universidade de Estocolmo iniciaram as medições. A altura registrada agora também é dois metros mais baixa do que a altura registrada em agosto de 2020.

Os pesquisadores usam métodos fotogramétricos para mapear a geometria do cume. Eles consideram uma margem de erro de 0,2 metro e realizam as comparações acompanhando as diferenças de altura da geleira ao longo do ano. Normalmente, a altura do pico sul pode variar de dois a três metros entre o verão e o inverno, por exemplo, devido ao deslocamento da neve e derretimento do gelo com o clima quente.

A montanha Kebnekaise encolheu 2 metros em um ano devido ao derretimento da geleira que cobre seu pico sul. Agora, apresenta a altura mais baixa desde 1940.

Montanha mais alta da Suécia está encolhendo com as mudanças climáticas

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Cientistas encontram cérebro de caranguejo-ferradura de 310 milhões de anos

Vestígios como ossos, dentes e conchas de animais podem ser preservados em fósseis por milhões de anos. Já os tecidos moles, como os órgãos internos, são mais delicados e propensos à deterioração rápida, então é raro que sobrevivam para contar a história. Por isso, a descoberta recente de um cérebro de 310 milhões de anos em Illinois, nos Estados Unidos, animou os cientistas.

O cérebro pertenceu a um caranguejo-ferradura – que, apesar do nome, é uma espécie mais próxima das aranhas e dos escorpiões do que dos caranguejos em si. É o primeiro cérebro fossilizado já encontrado da espécie. A descoberta foi feita no depósito Mazon Creek, um local conhecido por abrigar registros geológicos do Período Carbonífero (de 360 a 290 milhões de anos atrás).

Como há poucos registros fósseis de tecidos moles de animais, os cientistas não sabem muito sobre a evolução e a própria fossilização desses tecidos. A nova descoberta, descrita em um estudo na revista Geology, preenche algumas das lacunas de conhecimento.

Órgãos internos são delicados e mais propensos à deterioração rápida. A descoberta do cérebro milenar revela um mecanismo de fossilização raro.

Cientistas encontram cérebro de caranguejo-ferradura de 310 milhões de anos

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Voo espacial privado: as Grandes Navegações do século 21

Aos olhos de parte do público, a corrida espacial particular entre Jeff Bezos e Richard Branson se reduziu a uma rinha egomaníaca de bilionários. Mas ela é, potencialmente, o início de uma revolução comparável às Grandes Navegações. Para entender por quê, é preciso rememorar o que aconteceu nos últimos 60 anos.

A disputa entre EUA e URSS durante a Guerra Fria não foi um esforço para desbravar uma nova fronteira; foi, mais que isso, uma tentativa de demonstrar supremacia tecnológica com caráter bélico. Os mesmos foguetes que tinham a capacidade de pôr veículos em órbita eram os que deveriam transportar ogivas nucleares em caso de conflito aberto entre as duas superpotências. O R-7, primeiro míssil balístico intercontinental da história, desenvolvido pela União Soviética, foi também responsável pelo lançamento do Sputnik, em 1957.

A corrida entre Bezos e Branson pode parecer um exercício fútil de vaidade tecnológica. Mas o 14-Bis também era. Entenda por que os voos turísticos são o primeiro passo para baratear e massificar as viagens espaciais.

Voo espacial privado: as Grandes Navegações do século 21

publicado originalmente em superinteressante

Insulina: 100 anos salvando vidas

Eram anos inebriantes. Depois de uma grande guerra e de uma grande gripe, a liberdade e o frenesi irrompem no início da década de 1920. As mulheres conquistam o direito ao voto em boa parte do mundo ocidental, abandonam espartilhos e cortam o cabelo à la garçonne. O jazz domina a cena musical e O Garoto, de Charles Chaplin, estreia no cinema. Nesse contexto disruptivo, dois cientistas canadenses identificam um hormônio essencial à vida e mudam para sempre o destino das pessoas com diabetes, uma doença até então fatal.

Em um laboratório da Universidade de Toronto, o médico Frederick Banting e seu assistente Charles Best conseguem isolar a insulina no pâncreas de um animal. “Eles sabiam que a substância era fabricada em áreas específicas do órgão, sabiam que a falta dela provocava o diabetes, mas ninguém havia conseguido separar aquele produto para uso terapêutico em humanos”, conta o endocrinologista Carlos Eduardo Barra Couri, pesquisador da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (USP).

No centenário de um dos medicamentos mais importantes da história, traçamos seus feitos e mostramos o que está por vir no tratamento do diabetes

Insulina: 100 anos salvando vidas

publicado originalmente em Veja saúde

Línguas separatistas: a história de 13 conflitos linguísticos pelo mundo

O português brasileiro ainda é a mesma língua usada em Portugal? Alguns especialistas argumentam que não. O idioma falado por aqui foi imposto aos indígenas por clérigos e disseminado na boca de uma população majoritariamente formada por marinheiros, artesãos e outros lusitanos pobres e marginalizados. Eles sequer sabiam ler e escrever. Com o passar dos séculos, esse modo de falar incorporou traços de várias línguas nativas e africanas. Hoje, temos um vocabulário e uma gramática bem diferentes do idioma ibérico.

Por que, então, não chamamos nossa língua de “brasileiro”? A resposta é simples: não há interesse popular. A língua, mais que um código de comunicação, é uma ferramenta política – um pilar da identidade de povos e nações. O Brasil deseja manter laços diplomáticos com os demais países lusófonos, e inclusive exporta sua cultura às ex-colônias portuguesas na África e para Portugal, que assiste novelas em português brasileiro com toda a naturalidade. Não há motivo para briga.

Uma língua é mais que um código compartilhado: é o cerne da identidade de um povo. E quando as fronteiras não correspondem aos idiomas, começa a confusão.

Línguas separatistas: a história de 13 conflitos linguísticos pelo mundo

publicado originalmente em superinteressante

Gráfico: como é o consumo de cafeína ao redor do mundo?

Um estudo analisou como são os hábitos de 56 países na hora de tomar café, chá, refrigerantes de cola e outras bebidas do tipo. Confira.

O Brasil é quem mais produz e exporta café – mas, na hora de entornar xícaras, ficamos bem atrás da Finlândia. Já o México dá um baile nos Estados Unidos quando o assunto é Coca-Cola.

Um estudo da Universidade Northwestern, dos EUA, utilizou dados do Euromonitor Internacional para traças os hábitos do consumo de cafeína em 56 países. Veja alguns resultados no gráfico abaixo:

Gráfico: como é o consumo de cafeína ao redor do mundo?