Covid longa: as novas descobertas e os possíveis tratamentos

Texto Bruno Garattoni e Tiago Cordeiro
Ilustrações Tiago Araujo
Design Carlos Eduardo Hara

Ela atinge pelo menos um em cada dez infectados e tem consequências persistentes, que podem durar meses ou anos: danos vasculares, cerebrais e no sistema imunológico. Mas a ciência começa a decifrá-la, e já testa um arsenal de medicamentos contra a Covid longa – a herança maldita da pandemia.

Covid longa: as novas descobertas e os possíveis tratamentos

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Menos exercício e vegetais, mais depressão: a vida brasileira na pandemia

A saúde e os hábitos dos brasileiros pioraram na pandemia de Covid-19, elevando o risco de doenças crônicas como diabetescâncerobesidade e hipertensão. É o que revela a nova pesquisa Covitel, que ouviu por telefone 9 mil brasileiros de todas as regiões do país.  O levantamento foi desenvolvido pela Vital Strategies e pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel), com apoio da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco). Os participantes foram questionados sobre seu estilo de vida e doenças em dois momentos: antes da pandemia e no primeiro trimestre de 2022.  Entre os principais achados, um aumento de 91% na porcentagem de brasileiros que avaliam mal a própria saúde e de 41% no diagnóstico de depressão. Além disso, menos de 40% das pessoas relataram comer verduras e legumes periodicamente (queda de 12% em relação ao período pré-pandêmico) e 52% estão acima do peso.  [abril-whatsapp][/abril-whatsapp] “O Covitel mostrou que a pandemia atrapalhou o enfrentamento das doenças crônicas não transmissíveis no Brasil, aumentando alguns comportamentos de risco, como a inatividade física”, reforçou em comunicado à imprensa o epidemiologista Pedro Hallal, professor da UFPel e um dos coordenadores da pesquisa. 

Hábitos alimentares 

Além dos legumes e verduras, as frutas também deram uma sumida do cardápio dos brasileiros. Antes da pandemia, 43% dos respondentes comiam regularmente. Agora, o número está em 38%. O ideal, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), é comer cinco porções de vegetais ao dia para prevenir doenças e ter mais qualidade de vida. + Leia também:A conta certa de vegetais por dia para você ter mais saúde A alta no preço dos alimentos e a crise econômica podem explicar essa mudança. Tanto que apenas 27% das pessoas que não estão trabalhando relataram ingerir regularmente legumes e verduras, ante 43% dos empregados.  Por outro lado, o consumo de bebidas açucaradas, como refrigerantes e sucos artificiais, cinco ou mais vezes na semana caiu de 22 para 17%. Uma boa notícia, já que a categoria é uma das mais associadas ao excesso de peso, que foi relatado por mais da metade dos participantes.  A obesidade atinge 21% da amostra, porcentagem condizente com a prevalência estimada da doença no país.

Nova pesquisa investiga como os hábitos e o estado de saúde de milhares de pessoas mudaram com a chegada do coronavírus

Menos exercício e vegetais, mais depressão: a vida brasileira na pandemia

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Novos dados sobre impacto da Covid no pulmão dão pistas para tratamento

Por Fabiana Schiavon

Pesquisadores brasileiros descobriram um mecanismo ligado ao agravamento da Covid-19 nos pulmões, abrindo uma nova possibilidade para tratamentoEstudo publicado na revista científica Biomolecules mostrou, pela primeira vez, que a atividade enzimática e a expressão de dois tipos de metaloproteinase, MMP-2 e MMP-8, aumentaram significativamente nos pulmões de pacientes graves infectados pelo Sars-Cov-2. Essa espécie de “tempestade de enzimas” ajuda no processo de inflamação exacerbada do pulmão, que acaba alterando as funções do órgão. Normalmente, as metaloproteinases (grupo de enzimas que participam do processo de degradação de proteínas) são importantes na cicatrização e no remodelamento do tecido, mas, com a produção excessiva, é como se elas atuassem para lesionar o pulmão. Outros estudos já haviam comprovado que a resposta hiperinflamatória à Covid-19 é caracterizada pela “ tempestade” de citocinas, levando à síndrome do desconforto respiratório agudo (SDRA). Agora, o grupo de cientistas desvendou um mecanismo de desregulação das metaloproteinases, que pode estar associado à formação de fibrose no órgão, deixando sequelas nos pacientes. Foram analisadas amostras de líquido aspirado traqueal de 39 pessoas internadas com casos graves de Covid-19, intubadas em Unidades de Tratamento Intensivo (UTIs) da Santa Casa e do Hospital São Paulo, ambos em Ribeirão Preto, entre junho de 2020 e janeiro de 2021. 

Pesquisa realizada por consórcio de cientistas de diversas universidades brasileiras levantam possibilidade de testar novas drogas contra a doença

Novos dados sobre impacto da Covid no pulmão dão pistas para tratamento

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Os desafios da dor crônica em tempos de pós-Covid

Por Diogo Sponchiato

dor crônica vive um paradoxo. Talvez não haja condição mais incômoda para quem sofre com ela e, ao mesmo tempo, tão menosprezada pelos outros (às vezes, até por profissionais de saúde). “Invisível”, “subjetiva” e “complexa”, como se rotula por aí, ela é um dos principais desafios de saúde pública hoje. E, se não bastassem as dificuldades para o diagnóstico e o tratamento − que envolvem falta de exames específicos, abuso de algumas medicações, carência de outras e ainda terapias sem comprovação científica −, a Covid-19 veio meter o bedelho na história. É significativo o número de pessoas que, após a remissão da infecção, ficam com dores pelo corpo. Para entender o cenário atual da dor crônica, um problema que afeta ao redor de 20% da população adulta mundial (30% entre os idosos), e o que ela tem a ver com a Covid longa, entrevistamos uma médica brasileira radicada no Canadá que se tornou uma das maiores experts na área, Andrea Furlan. Professora da Universidade de Toronto e cientista sênior do Instituto de Reabilitação de Toronto, a fisiatra atuou na elaboração das últimas diretrizes para o tratamento da condição e o uso de opioides no Canadá e participa, neste dia 6 de abril, de um debate sobre novas tecnologias para o diagnóstico e o controle da dor crônica (clique aqui para se inscrever) em um evento online de aquecimento da Hospitalar, principal feira do segmento da América Latina.

Autoridade no assunto, médica brasileira radicada no Canadá conta o que precisa evoluir no controle da dor crônica, uma das sequelas na Covid longa

Os desafios da dor crônica em tempos de pós-Covid

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Quem são os indivíduos imunocomprometidos? Só Covid preocupa?

Por Fabiana Schiavon

Com a pandemia, passamos a falar muito sobre os imunocomprometidos, indivíduos cujo sistema imune não funciona como deveria. Eles são considerados grupos de risco porque têm maior probabilidade de desenvolver formas graves da Covid-19 e, portanto, são prioridade na vacinação. Para ter ideia, é para esse pessoal que se indica, hoje, a quarta dose do imunizante, além dos idosos. Em linhas gerais, o público é dividido em dois principais grupos. Um deles é formado por quem nasce com um problema genético que afeta o sistema imunológico A condição pode se manifestar ainda na infância ou ser descoberta já na fase adulta. “São mais de 400 doenças desse tipo. Podemos citar a mais comum e benigna delas, a deficiência seletiva de imunoglobulina, e a mais preocupante, a imunodeficiência combinada grave, em que dificilmente a criança sobrevive até o primeiro ano de vida”, ensina Ekaterini Simões Goudouris, médica alergista, coordenadora do Departamento Científico de Imunodeficiência da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (Asbai). O outro grupo inclui quem acaba desenvolvendo doenças graves ou crônicas, que abalam o sistema de defesa. “Um alcoólatra ou uma pessoa com diabetes entram nessa lista, porque seu organismo é mais frágil. Portanto, eles têm maior probabilidade de enfrentar infecções graves, que ainda podem deixar sequelas”, explica Ekaterini. [abril-whatsapp][/abril-whatsapp] Portadores de HIV também se encaixam aqui, porque o vírus se instala nas células de defesa do corpo e, se não controlado com medicamentos, compromete a imunidade. Nessa turma entram ainda aqueles que tomam medicamentos que afetam o sistema de defesas. É o caso dos portadores de doenças autoimunes, como o lúpus. “Esse males ocorrem quando o próprio sistema imunológico se volta contra o organismo. Então o tratamento é feito com medicamentos que suprimem o processo de defesas”, explica a alergista. Pacientes com câncer são outro exemplo, já que os tratamentos utilizados para combater o tumor costumam debilitar a imunidade. Os transplantados, por sua vez, precisam tomar medicamentos imunossupressores pelo resto de suas vidas.

Esse grupo é muito mencionado quando se fala em prioridade na vacinação contra o coronavírus. Entenda se a quarta dose vale para todos que fazem parte dele…

Quem são os indivíduos imunocomprometidos? Só Covid preocupa?

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Vacina contra Covid-19 também no zoológico

Ainda que não sejam tão ameaçados pelo vírus Sars-CoV-2 como nós, humanos, alguns animais são suscetíveis à infecção, sobretudo felinos, primatas e mustelídeos (família que engloba furão, texugo, lontra…). Por isso, a farmacêutica Zoetis decidiu criar e estudar um imunizante específico para os bichos. Aprovado para uso experimental nos Estados Unidos, ele começa a ser testado no Brasil no Zoológico Municipal de Curitiba — o grupo que receberá o produto inclui de chimpanzés a tigres. O objetivo é entender até que ponto a fórmula blinda os animais e ajuda a quebrar a cadeia de transmissão viral. Por enquanto, nenhum animal doméstico será vacinado no país.

Estudo vai avaliar imunizante próprio para animais no Zoológico de Curitiba

Vacina contra Covid-19 também no zoológico

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