Cérebro tem sistema de alarme contra erros

Por Bruno Garattoni

Quando você vai fazer alguma tarefa, e faz errado, um grupo específico de neurônios dispara para registrar aquilo – e gera um alerta que é enviado para várias áreas do cérebro, como as relacionadas à memória, às emoções e ao planejamento. Esse grupo de “neurônios juízes”, que tocam o alarme, foi descoberto por cientistas do hospital Cedars Sinai (1), nos EUA.

Eles monitoraram a atividade cerebral de 34 voluntários que têm epilepsia, e haviam recebido implantes de eletrodos no cérebro. Os pacientes foram submetidos a dois testes de reconhecimento de padrões  (identificar números exibidos numa tela e dizer em qual cor uma palavra estava escrita).

Só que ambos eram projetados para induzir erros – a palavra “verde”, por exemplo, aparecia escrita em vermelho. Os neurônios detectores de erros ficam no córtex pré-frontal medial, que coordena a tomada de decisões.

Segundo os cientistas, a hiperatividade deles pode ser a causa do transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), em que a pessoa refaz muitas vezes as mesmas tarefas. 

Fonte 1. The geometry of domain-general performance monitoring in the human medial frontal cortex. Z Fu e outros, 2022.

Conjunto de neurônios é especializado em detectar quando erramos em alguma tarefa – e dispara um alerta que se propaga por várias regiões cerebrais

Cérebro tem sistema de alarme contra erros

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Covid longa: as novas descobertas e os possíveis tratamentos

Texto Bruno Garattoni e Tiago Cordeiro
Ilustrações Tiago Araujo
Design Carlos Eduardo Hara

Ela atinge pelo menos um em cada dez infectados e tem consequências persistentes, que podem durar meses ou anos: danos vasculares, cerebrais e no sistema imunológico. Mas a ciência começa a decifrá-la, e já testa um arsenal de medicamentos contra a Covid longa – a herança maldita da pandemia.

Covid longa: as novas descobertas e os possíveis tratamentos

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Por que algumas pessoas têm fotofobia?

Portadores de fotofobia sentem muito desconforto nos olhos ao entrar em contato com a claridade. Desvende a seguir o mecanismo da hipersensibilidade à luz e conheça maneiras de driblar o incômodo.

Como a luz é absorvida pelos olhos?

E em quem tem fotofobia?

Nesse caso, alguma parte do trajeto de recepção e leitura dos estímulos luminosos está sensibilizada ou desajustada. Em geral, a íris se contrai ao menor contato com a luz, reduzindo o tamanho da pupila para tentar conter a quantidade absorvida pelos olhos. Mas nem sempre isso acontece ou é o suficiente para reduzir o incômodo. 

O que pode causar a hipersensibilidade?

Olhos claros: Os pigmentos verdes e azulados absorvem menos luz, permitindo que mais raios alcancem a retina e causando a sensibilidade. Enxaqueca: Desordens em áreas do cérebro ou na sua conexão com a retina geram fotofobia — daí a relação com dores de cabeça crônicas. Sol demais: A córnea fica irritada com a exposição prolongada ao sol. É um processo semelhante ao que acontece com a pele. HormôniosMudanças hormonais nas mulheres fazem com que elas tenham até três vezes mais olho seco, que pode levar à fotofobia. Problema ocular: Astigmatismo, inflamações e alterações na retina ou lesões na córnea afetam a passagem. Pupilas mais dilatadas também. Infecções: Alguns micro-organismos gostam de infectar os olhos, como os causadores de toxoplasmose e tuberculoseFalta de cuidado: O hábito de coçar os olhos com frequência, mau uso de lentes de contato e a falta de visitas ao oftalmo também conspiram. Telas em excesso: A questão é a secura e o cansaço visual. O ideal é se lembrar de piscar, fazer intervalos regulares e olhar para pontos distantes. + Leia também:Vida longa à vista: a saúde visual em tempos de pandemia

Existe tratamento para a fotofobia?

Em primeiro lugar, é preciso entender a origem da condição. Pode ser que haja uma causa tratável por trás, seja uma doença ocular ou um distúrbio como o astigmatismo — que, muitas vezes, passa batido pois não embaça a visão como a miopia. 

Vontade incontrolável de fechar os olhos, incômodo persistente e até dor de cabeça. Não é fácil a vida de quem tem sensibilidade à luz. Entenda o problema

Por que algumas pessoas têm fotofobia?

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Cientistas da China criam mapa da Lua mais detalhado até agora

Material disponível online mostra mais de 12 mil crateras e é uma síntese do que se sabe sobre a composição, estrutura e evolução da superfície do satélite.

Cientistas da China criam mapa da Lua mais detalhado até agora

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Dormir com alguém pode melhorar a qualidade do sono, sugere estudo

Uma pesquisa da Universidade do Arizona indicou que dormir acompanhado pode melhorar a qualidade do sono. Cerca de mil adultos dos Estados Unidos responderam a pesquisas sobre a sua rotina de sono, bem como questionários de qualidade de vida.

Comparados com as pessoas que dormiam sozinhas, os que dividiam a cama com um cônjuge relataram menos cansaço e mais facilidade para dormir – também apresentaram índices mais baixos de depressão, ansiedade e estresse. 

Por outro lado, os que compartilhavam a cama com filhos na maioria das noites relataram insônias mais severas e menos controle do sono do que os solitários.

Geralmente, as pessoas em bons relacionamentos amorosos apresentam melhor saúde física e mental do que os solteiros. Sendo assim, não está claro se as melhorias são fruto do sono conjunto ou da qualidade do romance em geral.

A maioria dos estudos que discutem as diferenças na companhia do sono se baseiam em auto relatos – assim como este. Os próprios participantes contam como percebem seu descanso. São poucas as pesquisas que abordam a influência nas fases neurológicas do sono. Mas elas existem. 

Pesquisa da Universidade do Arizona indica que quem passa as noites acompanhado tende a dormir melhor e ter mais saúde mental – mas ainda não está claro se existe um efeito direto, ou apenas uma correlação, entre as coisas. Entenda por que.

Dormir com alguém pode melhorar a qualidade do sono, sugere estudo

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Arqueólogos encontram mais de 8 mil ossos de sapos em Cambridge

Um misterioso enterro em massa está intrigando arqueólogos na Inglaterra. Mais de oito mil ossos de sapos e rãs foram encontrados dentro de uma vala próxima a Cambridge, cerca de 75 quilômetros ao norte de Londres.

A descoberta foi feita pelo Museu de Arqueologia de Londres (Mola) e aconteceu em escavações realizadas entre 2016 e 2018, em uma área de 234 hectares. Essas investigações rolaram em meio à construção de uma estrada inglesa chamada A14 – que também revelou ossos de mamutes e rinocerontes pré-históricos.

Acredita-se que os ossos encontrados pertençam a cerca de 350 anfíbios. Enterrados em uma vala de 14 metros de comprimento, eles estavam próximos ao que restou de um assentamento que existiu por ali entre 400 a.C. e 43 d.C. (durante a chamada Idade do Ferro).

Os restos mortais de cerca de 350 anfíbios estavam em uma vala, perto de um assentamento da Idade do Ferro; pesquisadores tentam entender a descoberta misteriosa.

Arqueólogos encontram mais de 8 mil ossos de sapos em Cambridge

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O assobio dos golfinhos varia de acordo com o lugar em que vivem

Várias espécies de golfinho têm assobios específicos para cada indivíduo – como se fossem um nome. Eles os usam para se identificarem, se comunicarem e manterem vínculos, e são capazes de imitar os assobios de amigos e familiares próximos.

Um novo estudo revelou que a localização e a demografia dos golfinhos têm influência maior nas diferenças desses assobios de assinatura do que a genética.

Os cientistas coletaram 188 horas de gravações de golfinhos nariz-de-garrafa (Tursiops truncatus) no Mar Mediterrâneo e analisaram as diferenças nos assobios de seis populações diferentes. Assim como temos sotaques, os golfinhos tinham semelhanças em seus apitos de assinatura de acordo com onde viviam. Golfinhos de regiões com algas marinhas tinham assobios mais agudos e mais curtos, se comparados com os de áreas onde o fundo do mar era lamacento, por exemplo. 

“A transmissão do som em águas rasas é altamente variável e depende de sedimentos, profundidade e inclinação, mas também de eventos de maré, gradientes de temperatura, entradas de água doce, obstáculos no caminho do som e a interação entre o sedimento e as plantas ou animais que vivem no fundo,” escrevem no artigo.

tamanho dos grupos também altera os assobios – quanto menores as populações, maiores as mudanças de tom. Os cientistas, então, concluíram que tanto as condições ambientais quanto a demografia influenciam fortemente os apitos próprios; enquanto a variação genética não apresenta o mesmo poder.

Golfinhos usam assobios para se comunicarem uns com os outros, e esses apitos variam entre ambientes e populações – como sotaques do reino animal.

O assobio dos golfinhos varia de acordo com o lugar em que vivem

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Fluconazol: o que é, para que serve e como funciona esse remédio

Por Fabiana Schiavon

O fluconazol é um antifúngico que serve para combater a candidíase e outras doenças provocadas por fungos que pertencem à classe das leveduras. O remédio age contra doenças infecciosas na pele e em diversos órgãos internos – até por isso, pode ser incluído no tratamento de infecções hospitalares. O princípio ativo fluconazol é produzido por diferentes farmacêuticas e tem vários nomes comerciais, como Zoltec, Fluconan, Pronazol e Candizol. Mas já está disponível como genérico – com o nome de fluconazol mesmo. O uso inadequado pode gerar reações adversas como arritmia e mesmo resistência fúngica. Saiba mais:

O que é o fluconazol e para que serve?

O remédio é voltado para infecções causadas por fungos do gênero candida, que pertencem ao grupo das leveduras. A doença mais comum provocada por esses micro-organismos é a candidíasevaginal, mas há outros males relacionados a eles. “São patógenos oportunistas, presentes naturalmente na microbiota do corpo humano e de animais. Eles colonizam a pele e a mucosas dos tratos digestivo, urinário e bucal”, explica Giselle Pratini, farmacêutica do Hospital Moinhos de Vento, de Porto Alegre. O fluconazol é hoje o antifúngico mais usado no Brasil, porque grande parte dos fungos continua sensível a ele, completa a infectologista Dania Abdel Rahman, coordenadora do setor de Infectologia Clínica e Controle de Infecção Hospitalar do Hospital Albert Sabin (HAS). “A infecção hospitalar mais frequente é provocada pela candida albicans, e o fluconazol é bastante eficaz contra ela”, reitera. + Leia também:“Super fungo”: o que tirar do primeiro caso de Candida auris no Brasil O remédio age contra uma boa lista da mesma classe de fungos.

Esse antifúngico serve principalmente para tratar a candidíase. Entenda como o fluconazol age e quais as indicações e reações adversas das doses

Fluconazol: o que é, para que serve e como funciona esse remédio

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Mulher recebe implante de orelha feita com as próprias células

Uma orelha impressa em 3D foi transplantada com sucesso em uma mulher com uma deformidade na orelha. A operação foi o primeiro teste clínico da tecnologia, feita pela companhia 3DBio Therapeutics.

A mulher era acometida de microtia, uma condição em que uma ou as duas orelhas não se desenvolvem plenamente ou estão ausentes. Os pacientes geralmente têm seus implantes feitos com materiais sintéticos ou enxertos de costela, que envolvem uma cirurgia complicada.

“Esse novo implante requer um procedimento menos invasivo do que usar cartilagem da costela na reconstrução. Também esperamos que resulte em uma orelha mais flexível do que a reconstrução com um implante de polietileno poroso”, conta Arturo Bonilla, o cirurgião que realizou a operação.

A nova tecnologia aplicada, por outro lado, usa um tecido personalizado e dura poucas horas. O processo recolhe amostras de células que formam a cartilagem da pessoa, então eles multiplicam a pequena amostra em várias células. A companhia as mistura com uma base de colágeno e as usa para imprimir uma réplica da orelha não afetada do paciente.

As células vivas continuam produzindo cartilagem durante a vida da pessoa; além disso, o implante é menos propenso a ser rejeitado pelo corpo, pois é feito das próprias células.

É um passo importante para a criação de tecidos artificiais e implantes. “Acreditamos que os teste clínicos podem nos dar não só evidências do valor desse produto inovador e do impacto positivo nos pacientes de microtia, mas também demonstra o potencial dessa tecnologia em fornecer implantes de tecidos vivos em outras áreas futuramente”, conta Daniel Cohen, cofundador da 3DBio Therapeutics.

Feito a partir de uma impressão 3D, o modelo usou células de cartilagem tiradas da paciente.

Mulher recebe implante de orelha feita com as próprias células

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Teste do pezinho ampliado: esperança para pessoas com mucopolissacaridoses

É indiscutível que podemos mudar o curso de muitas doenças quando o diagnóstico ocorre precocemente. Daí a importância do teste do pezinho, um exame simples e rápido que encurta a jornada de muitas doenças raras até o diagnóstico. Ele consegue detectar, antes mesmo da manifestação dos sintomas, doenças de origem genética, metabólica ou infecciosa que afetam o desenvolvimento do bebê. Atualmente, o teste do pezinho disponível na rede pública detecta apenas seis doenças. Mas há uma versão ampliada, capaz de rastrear mais de 50 distúrbios, que finalmente começará a ser disponibilizada no Sistema Único de Saúde (SUS) – ela já é comercializada no sistema privado. Essa versão do exame consegue detectar doenças lisossômicas, entre elas as mucopolissacaridoses (MPS). Essa ampliação da triagem neonatal no SUS é extremamente necessária, e representa um ganho para a população. +Leia também:  A revolução da genética No convívio com o filho, os pais usualmente não relacionam os sinais apresentados pela criança com os de uma doença rara. Especificamente no caso das MPS, as otites recorrentes, a hérnia umbilical ou inguinal, o aumento das amígdalas e das adenoides, os problemas respiratórios, o abdômen protuberante e outras manifestações geram idas constantes a um consultório médico mas, em um primeiro momento, não levam a pensar numa doença rara como a MPS. Ora, tais manifestações podem acontecer em muitas situações comuns na infância. Crianças com esses sinais e sintomas chegam a consultar diversos especialistas. São oito em média (incluindo cirurgião, gastro, otorrino, ortopedista e neurologista), antes que o diagnóstico da doença rara seja estabelecido. [bloco_busca_medicamentos] O processo todo pode levar de quatro a cinco anos. Às vezes, o diagnóstico só chega quando sequelas irreversíveis já se estabeleceram. O teste do pezinho ampliado abrevia essa jornada e ameniza os sofrimentos e os custos com ela relacionados. Ele ajuda a diagnosticar os mesmos pacientes, mas mais precocemente, quando os tratamentos são mais eficazes. Em 2020, segundo o Ministério da Saúde, 2,2 milhões de bebês brasileiros fizeram o teste, e 2 746 recém-nascidos foram diagnosticados com uma das seis doenças identificadas pelo teste convencional. Muitos mais serão beneficiados quando o teste for ampliado. Entre as MPS, a do tipo II (conhecida como Síndrome de Hunter) é a mais prevalente no Brasil, com 10 a 20 casos novos por ano. É uma doença progressiva, com o bebê nascendo como qualquer outro. Mas ele desenvolve os sintomas paulatinamente, o que compromete não só a qualidade como também a expectativa de vida. Quando o diagnóstico é feito, usualmente entre os 4 e os 6 anos de idade, sequelas irreversíveis já podem ter se instalado – inclusive no sistema nervoso. 

No Dia Nacional do Teste do Pezinho, um especialista explica a importância de incorporar uma versão ampliada desse exame na rede pública

Teste do pezinho ampliado: esperança para pessoas com mucopolissacaridoses

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