Janela dos meus olhos

Da janela da casinha, casinha de tijolos,cimento, histórias e calos…dessa janela assisto o vento
bater nas árvores. É uma batida contínua, sincrônica até, diria eu, amorosa.
Vai e volta com um cinismo e um charme que só poderia esperar do vento. Esse mesmo,que
vêm de não sei onde, remexe tudo depois parte. Assim, sem deixar endereço, sentimento ou
telefone. Elas, as árvores, já deveriam estar acostumadas, em especial aqui, onde esse
intrépido cavaleiro surge dia sim , outro talvez.
Mas não, cada nova visita têm ares de estréia. A paixão e o fascínio só aumentam, pois que a
cada rompante ele chega diferente, soando como se mil harpas e liras tocassem juntas em
torno e dentro da minha alma. Sim, sou um pouco ,ou muito, como essas árvores. Provo dessa
dúbia relação com o vento, mas entre mortos e feridos salva-se a delícia de ter os cabelos
embaraçados e os arrepios nos braços. Assim como as árvores, com seus galhos revoltos e as
folhas ao léo.
Agora chega de adular o vento,mesmo ele sendo meu predileto, a vida e a paisagem aqui não
me deixam dúvidas de que natureza é sábia e de que a vida no campo é uma das maravilhas da
existência.
Dá para ver muito mais aqui desta janela,podem acreditar…muito além das vacas pastando, ou
dos pássaros que a todo momento cantam e piam como se não houvesse amanhã. Toda essa
movimentação me motiva, esse verde trás a tona tudo que pudesse estar adormecido, e
mesmo quando bate a preguiça, fruto do friozinho e da garoa, é esta janela tão frugal que dá o tom do dia.
Quem dera a alma possa ter uma abertura como essa, já que seria de tanta valia, saber olhar e
recolher cada momento como as árvores recolhem o vento, como se acolhe alguém ou algo
que nem se sabe, mas se anseia.
Acontece que nada vêm de graça ou sozinho, e esse vento matreiro não seria excessão. A
partir de agora ele divide espaço com o sol, e essa mistura deliciosa faz qualquer um sair da
toca e querer provar esse momento pitoresco.
Sabe do que me dei conta agora? Desde que estou aqui ainda não vi nem um sapo …nem
um, nem pra remédio, como diria minha vó. Já vi cobras e lagartos, sem trocadilho, mas sapo…
estão é passando ao longe…

… continua

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4 respostas para “Janela dos meus olhos”

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