Covid-19: por que a Ômicron não pode ser considerada leve?

Por Fabiana Schiavon

A variante Ômicron do coronavírus provocou uma explosão de quadros de Covid-19. Segundo o Instituto Todos pela Saúde, desde dezembro de 2021 essa cepa é a responsável por quase a totalidade dos casos da infecção. Recentemente, uma de suas subvariantes, a BA.2, foi identificada por aqui. Segundo análises de outros países, ela seria ainda mais transmissível.

Embora a gente tenha voltado a registrar um número expressivo de mortes – só ontem foram mais de 1 200 óbitos –, a situação poderia ser muito mais dramática se olharmos para a quantidade de novos casos diagnosticados atualmente. Para ter ideia, do início de 2022 até agora, já contabilizamos mais testes positivos de Covid-19 do que em todo o segundo semestre de 2021.

Por essas e outras, muito se falou sobre a possibilidade de a Ômicron levar a um quadro mais leve. Mas será que faz sentido?

“Leve não não é bem a palavra. Podemos afirmar que a Ômicron tem uma capacidade menor de provocar um quadro grave da doença porque tende a afetar mais o trato respiratório superior [nariz e garganta]”, esclarece a infectologista Rosana Richtmann, do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, em São Paulo.

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“Há poucos dados ainda, mas o que se sabe é que ela atinge as células de um jeito diferente, por isso tem menos impacto no pulmão”, completa Jorge Elias Kalil Filho, diretor do Laboratório de Imunologia do Incor (Instituto do Coração) do Hospital das Clínicas da FMUSP.

“Mas em quem não está vacinado, a doença pode evoluir e chegar aos mesmos sintomas graves de sempre, como a falta de ar”, ressalta o médico.

Outro motivo para não usar o termo “leve” para se referir à Ômicron é o fato de ela se espalhar por aí muito rápido, contaminando geral.

A variante até tem menor potencial de causar quadros graves, mas, diante da alta transmissibilidade, não dá para ficar tranquilo. Sobretudo sem vacinação

Covid-19: por que a Ômicron não pode ser considerada leve?

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Vacinação mudou perfil de hospitalizados e mortos por Covid, indica estudo

Por Fabiana Schiavon

vacinação mudou o perfil dos hospitalizados por Covid-19 no Brasil e também das pessoas que morrem em decorrência da doença. Um estudo conduzido em São José do Rio Preto, no interior de São Paulo, registrou o início desse processo.

A equipe do Laboratório de Pesquisas em Virologia da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (Famerp) analisou retrospectivamente dados de 2 777 pacientes atendidos entre 5 de janeiro e 12 de setembro de 2021 no Hospital de Base, que é referência para toda a região.

Nessa época, a variante gama (P.1) do Sars-CoV-2 predominava no estado, e os idosos eram maioria no grupo de brasileiros com o esquema vacinal completo (duas doses, até então).

Todos os internados com Covid-19 no período foram divididos entre vacinados e não vacinados. E os pesquisadores compararam as características dos integrantes de cada grupo – desde idade, sexo e presença de comorbidades até os sintomas que apresentaram, as condutas clínicas adotadas durante a internação e os desfechos (recuperação ou óbito).

Os dados completos foram divulgados este mês no Journal of Infection.

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“Nosso objetivo era descobrir qual é o melhor preditor de mortalidade entre os vacinados”, conta Maurício Lacerda Nogueira, professor da Famerp e autor correspondente do estudo, que contou com apoio da Fapesp por meio de três projetos.

Entre os 2 518 participantes não imunizados a idade média era de 51 anos e 71,5% apresentavam uma ou mais comorbidades, sendo as mais comuns cardiopatia, diabetes e obesidade.

Já entre os 259 hospitalizados que haviam recebido duas doses de vacina, a idade média era de 73 anos e 95% tinham doenças de base.

Na análise estatística, os fatores que se correlacionaram com risco aumentado de hospitalização e morte entre os não vacinados foram idade superior a 60 anos e a presença de uma ou mais das seguintes condições: cardiopatia, distúrbios no fígado ou neurológicos, diabetes, comprometimento imunológico e doença renal.

Já entre os imunizados, somente idade acima de 60 anos e insuficiência renal se configuraram como preditores de mortalidade.

“Essa é uma evidência clara de que a vacina protege muito bem e salva vidas”, afirma Nogueira.

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Na avaliação de Cássia Fernanda Estofolete, primeira autora do estudo e integrante do Laboratório de Pesquisas em Virologia da Famerp, o avanço da vacinação mudou “drasticamente” o perfil do paciente internado por Covid-19 e também a história natural da doença, ou seja, a forma como ela evolui.

“Hoje, com a volta das cirurgias eletivas, o avanço da vacinação e a emergência da Ômicron, temos visto um panorama diferente nos hospitais. Muitos pacientes são internados para fazer uma cirurgia agendada ou por trauma e acabam descobrindo que estão com Covid-19, ou seja, não é o vírus que leva a pessoa ao hospital. E também há muitos idosos com comorbidades que acabam sendo internados porque a Covid-19 exacerba a doença de base – descompensa o diabetes ou a insuficiência renal, por exemplo. A maioria já não é internada por SRAG [síndrome respiratória aguda grave], como era na época em que o estudo foi feito”, conta.

Levantamento com mais de 2 500 pessoas deixa claro como as vacinas protegem muito bem e salvam vidas

Vacinação mudou perfil de hospitalizados e mortos por Covid, indica estudo

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Estudo aponta altas taxas de depressão, ansiedade e estresse pós-Covid

Por Fabiana Schiavon

Em estudo feito com 425 pacientes que se recuperaram das formas moderada e grave da Covid-19, pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) observaram uma alta prevalência de déficits cognitivos e transtornos psiquiátricos. As avaliações foram conduzidas no Hospital das Clínicas entre seis e nove meses após a alta hospitalar.

Mais da metade (51,1%) dos participantes relatou ter percebido declínio da memória após a infecção e outros 13,6% desenvolveram transtorno de estresse pós-traumático.

transtorno de ansiedade generalizada foi diagnosticado em 15,5% dos voluntários, sendo que em 8,14% deles o problema surgiu após a doença. Já o diagnóstico de depressão foi estabelecido para 8% dos pacientes – em 2,5% deles somente após a internação.

Os resultados completos da pesquisa, que contou com apoio da Fapesp, foram divulgados na revista General Hospital Psychiatry.

“Um dos principais achados é que nenhuma das alterações cognitivas ou psiquiátricas observadas nesses pacientes se correlaciona com a gravidade do quadro. Também não vimos associação com a conduta clínica adotada no período de hospitalização ou com fatores socioeconômicos, como perda de familiares ou prejuízos financeiros durante a pandemia de Covid-19”, conta Rodolfo Damiano, médico residente do Instituto de Psiquiatria da Faculdade de Medicina (FM-USP) e primeiro autor do artigo.

O estudo integra um projeto mais amplo, coordenado pelo professor da FMUSP Geraldo Busatto Filho, no qual um grande grupo de pessoas atendidas no Hospital das Clínicas entre 2020 e 2021 vem sendo acompanhado por profissionais de diversas áreas, entre elas otorrinolaringologia, fisiatria e neurologia, a fim de avaliar eventuais sequelas deixadas pelo Sars-Cov-2.

“Durante meu doutorado, eu coordenei a avaliação neuropsiquiátrica, cujos resultados preliminares foram descritos neste artigo”, conta Damiano à Agência Fapesp. O trabalho foi orientado pelo professor da FMUSP Eurípedes Constantino Miguel Filho.

“Uma de nossas preocupações era entender se esse vírus e a doença por ele causada têm impacto no longo prazo, produzindo manifestações tardias no sistema nervoso central”, conta E. Miguel.

Boa parte dos voluntários relatou declínio da memória e estresse pós-traumático depois da infecção, independentemente da gravidade da doença

Estudo aponta altas taxas de depressão, ansiedade e estresse pós-Covid

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Os efeitos do colágeno e quando realmente vale suplementar

Por Fabiana Schiavon

O colágeno é uma proteína produzida naturalmente pelo corpo humano a partir da alimentação. Aliás, 25% de toda a proteína presente em nosso organismo é representada por ele. Quando falamos na substância, logo pensamos na sua importância para a beleza da pelejá que ela ajuda a formar e renovar fibras de sustentação da cútis. Mas as funções vão além e incluem manter a saúde de músculos, tendões, articulações e até das artérias.

Com a idade, mais ou menos depois dos 30 anos, o nosso corpo vai perdendo a capacidade de fabricar essa molécula com a mesma destreza. É nesse momento, e principalmente de olho em sua atuação na parte estética, que os suplementos de colágeno começam a seduzir o consumidor.

Mas não basta sair comprando um potinho de pílula ou gomas na farmácia. O tema é complexo.

Para começar, o colágeno é uma molécula muito grande. Para ser absorvida, ela precisa passar pela hidrólise, que é basicamente uma “quebra”. Dessa maneira, é transformada em partes menores, os aminoácidos – sobretudo lisina e prolina.

Daí porque é tão comum encontrar suplementos de colágeno hidrolisado – significa que já passaram por essa mudança.

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Há, ainda, os peptídeos de colágeno bioativos: nesse caso, essas “quebras” são feitas com a intenção de chegar a aminoácidos específicos, que trabalhem diretamente no órgão alvo, como pele, músculos, articulações, etc.

“Também conhecidos como componentes peptídeos, eles são o colágeno formado por fragmentos com menor peso molecular para que a substância seja mais facilmente absorvida no organismo”, esclarece Tiago Lazzaretti, médico do esporte do Instituto de Ortopedia e Traumatologia do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (HCFMUSP).

Garantia de benefício?

Segundo alguns especialistas, esses processos não bastam para assegurar o total aproveitamento do colágeno, independentemente do objetivo.

“Além de passar pela hidrólise, a lisina e prolina dependem de alguns micronutrientes para serem captadas e surtirem efeito”, defende Juliano Burckhardt, médico cardiologista, geriatra e nutrólogo, membro titular da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG).

A vitamina C é o principal deles. Mas os minerais zinco, ferro e selênio também auxiliam na missão, segundo o médico.

Só que tem mais um detalhe: Burckhardt conta que não adianta estar com os micronutrientes em dia se houver um monte de açúcar na circulação. Isso valeria inclusive para a versão encontrada nas frutas.

“O excesso de frutose quebra a função da lisina. Então, se houver exagero no consumo de alimentos como laranja e acerola com a intenção de aumentar os níveis de vitamina C, por exemplo, a conta não vai bater”, avalia o geriatra.

Estudos apontam que o uso do suplemento só faz sentido quando estiver aliado a uma rotina saudável e ministrado sob supervisão médica

Os efeitos do colágeno e quando realmente vale suplementar

publicado originalmente em Veja saúde

Leucemia linfoide aguda: diagnóstico precoce faz a diferença no tratamento

As células-tronco, que se encontram em nossa medula óssea, passam por um processo natural de diferenciação para se tornar maduras e adultas. No entanto, para algumas pessoas que apresentam problemas genéticos específicos, pode haver alterações nesse processo de diferenciação, o que faz com que as células-tronco permaneçam imaturas e fiquem estagnadas nos seus primeiros estágios de desenvolvimento, sem conseguir se transformar em uma célula sanguínea funcional1.

Se essa célula mutante não for combatida de maneira prematura, começa a se multiplicar continuamente, atrapalhando o desenvolvimento das saudáveis e dando início a uma doença chamada leucemia linfoide aguda, conhecida como LLA1. Segundo o Instituto Nacional de Câncer, o Inca, são mais de 10 000 casos desse mal por ano no país, e os principais sintomas são aumento dos gânglios linfáticos, febre, sangramento da gengiva, manchas roxas e infecções frequentes2.

A boa notícia é que, se o diagnóstico for feito precocemente e o tratamento adequado entrar em cena com rapidez, as chances de remissão do quadro são grandes. Em crianças num estágio menos avançado, a LLA apresenta resultados favoráveis à cura – hoje, em torno de 90%3.

O administrador de empresas Felipe Assef Gonsales, de São Paulo, faz parte dessa estatística. Ele já tinha ido ao hospital por estar se sentindo muito cansado e com dores de garganta, mas o caso foi tratado como amidalite. Algum tempo depois, Gonsales, na época com 27 anos, começou a ter dores na região do reto e mais uma vez procurou o pronto-socorro. Mas dessa vez só voltou para casa 48 dias depois. “Por sorte, o médico que estava de plantão pediu um exame de sangue que apontou uma anemia intensa, que tinha baixado minha imunidade e provavelmente era a razão dos sintomas anteriores, e me internou imediatamente”, conta. Depois de diversos exames para descobrir a causa do quadro, chegaram à LLA.

Em seguida, ele foi transferido para um hospital especializado onde foi dado início ao primeiro ciclo de quimioterapia. Quando voltou para o segundo ciclo, a doença já estava em remissão, ou seja, não estava mais avançando. “Mesmo assim, fiz dez sessões de quimioterapia e dez de radioterapia, além de um ano de quimioterapia ambulatorial e mais um ano de quimioterapia oral, e também a ingestão de medicamentos para evitar problemas ligados à baixa da imunidade desencadeada pelo câncer”, conta Gonsales, que atualmente tem 31 anos e superou a doença.

Transplante de medula óssea

Diferentemente do tratamento de Gonsales, em muitos casos o combate à LLA requer transplante de medula. Ele pode ser autólogo, ou seja, usando a medula do próprio paciente, ou alogênico, quando as células vêm de um doador4. No segundo caso, é necessário que haja compatibilidade entre o doador e o receptor, o que é determinado por meio de testes laboratoriais específicos feitos com amostras de sangue dos dois8. Mas a missão de encontrar um doador compatível não é nada fácil. Quando ambos têm o mesmo pai e a mesma mãe, há uma chance de um para quatro de o resultado ser positivo11. Se forem de genitores distintos, essa possibilidade pula de um para 100 0005. Por essa razão, o fato de atualmente as famílias serem menores atrapalha o processo. Além disso, a mistura de etnias no Brasil influencia negativamente na possibilidade de o resultado do exame da afinidade entre o material do doador e do receptor ser confirmada6. Por outro lado, o banco de doadores cresceu bastante nos últimos tempos, aumentando a esperança de quem aguarda a notícia de que vai receber uma medula nova7.

Detectar a doença com rapidez aumenta chances de remissão. Por isso, é importante ter mais informações sobre a LLA e, diante de dúvida, procurar um médico

Leucemia linfoide aguda: diagnóstico precoce faz a diferença no tratamento

publicado originalmente em Veja saúde

Melatonina: suplemento não é solução para insônia e pode ser prejudicial

Por Fabiana Schiavon

Alguns meses após a liberação da venda de melatonina – substância conhecida como hormônio do sono – pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), as prateleiras das farmácias se encheram de opões do produto.

Especialistas e a própria agência, no entanto, concordam que não há evidências de que essas cápsulas promovam benefícios diretos a quem sofre de insônia.

Há casos bem específicos em que a melatonina é prescrita por médicos, e consumir fora desse padrão pode ser arriscado.

Primeiro é preciso entender o que é a melatonina. Trata-se de um hormônio produzido naturalmente pelo organismo e que serve como regulador e indutor do sono, entre outras funções. Ela também aparece em alguns alimentos.

A produção é realizada pela glândula pineal – localizada no cérebro – e começa quando o sol se põe ou quando o corpo percebe a queda da luz e entende que deve se preparar para dormir. Acompanhar esse ciclo de claro e escuro ajuda a ir para a cama mais cedo e acordar mais disposto na manhã seguinte.

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Ao contrário de vitaminas e minerais, cujas concentrações podem ser medidas no sangue com um exame simples, a melatonina não tem como ser aferida tão facilmente.

“Ela é um hormônio. Então não é possível dizer se uma pessoa precisa de reposição e em qual medida”, explica a neurologista Dalva Poyares, pesquisadora do Instituto do Sono (SP).

Não é solução para a insônia

Segundo os médicos, ter aprovação e regulação da Anvisa ajuda a controlar a qualidade, a produção e a venda desse produto no Brasil, antes vendido apenas em farmácias de manipulação. As pílulas chegavam, ainda, por pessoas que viajavam a outros países.

De qualquer forma, os especialistas seguem preocupados com a possibilidade de o consumo ocorrer de forma errada.

Cerca de 35% das pessoas que sofrem de insônia usam medicações, como a melatonina, sem acompanhamento médico, informa Caio Bonadio, médico psiquiatra da Vigilantes do Sono.

“Dormir mal não significa somente ter insônia. Existem cerca de 50 doenças do sono catalogadas. Como o nosso corpo produz a melatonina naturalmente, é preciso fazer uma avaliação médica completa antes de decidir prescrevê-la”, reitera o especialista, pesquisador do tema.

Aprovado pela Anvisa, produto passa a ser encontrado na farmácia e vendido sem prescrição. Especialistas temem uso incorreto e consequências sérias à saúde

Melatonina: suplemento não é solução para insônia e pode ser prejudicial

publicado originalmente em Veja saúde

Os perigos de cortar o comprimido ao meio sem indicação correta

Por Fabiana Schiavon

Seja pela indisponibilidade da dose certa na farmácia ou uma tentativa de fazer o medicamento render mais, cortar os comprimidos na metade pode gerar riscos à saúde.

Além de não garantir uma proporção igual do princípio ativo do remédio nas duas partes, a prática pode interferir no tratamento do paciente.

“O medicamento é uma mistura do princípio ativo [substância responsável pelo efeito do remédio] com outros excipientes [ingredientes] farmacêuticos. Isso tudo é misturado e prensado. Por isso, não é possível garantir que a metade direita e a metade esquerda tenham a mesma quantidade”, explica Leonardo Pereira, professor da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo.

Pesquisadores da Universidade Católica de Pelotas (UCPel) chegaram a mesma conclusão ao testar o medicamento hidroclorotiazida – diurético indicado para o tratamento da hipertensão – e analisar as consequências de cortar o comprimido em pedaços. Após testar cerca de 750 pílulas, os autores do estudo identificaram discrepâncias nas partes divididas.

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“A avaliação do processo de partição apresentou diferenças significativas na uniformidade de massa e de conteúdo, verificando-se que há grande variação de teor. Considerando que a hipertensão é uma doença grave e que requer esquema posológico rígido, variações na dosagem podem influenciar significativamente no tratamento do hipertenso”, destacam os pesquisadores no artigo publicado na Revista de Ciências
Farmacêuticas Básica e Aplicada.

Além disso, partir ao meio pode anular os recursos do medicamento. Pereira, que também é membro da Associação Brasileira de Ciências Farmacêuticas, lembra que certos remédios são revestidos por uma fina película protetora que evita que o comprimido sofra ação no estômago antes de ser absorvido no duodeno, a primeira parte do intestino, ou que possuam um mecanismo de liberação mais lenta no sangue. “Se cortar, estraga a tecnologia”, explica ele.

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Quando é indicado cortar?

Apesar da contraindicação no geral, a divisão do comprimido pode ser sugerida em dois casos:

• Quando a orientação dos especialistas é que o paciente aumente a dose de um remédio aos poucos;
• Quando o paciente deve parar de tomar a medicação, mas gradualmente, em um processo chamado de “desmame”. Neste caso, o tratamento não pode ser interrompido de forma abrupta e, por isso, a quantidade de miligramas é reduzida lentamente.

A divisão dos medicamentos não garante uma proporção igual do princípio ativo nas duas partes e pode prejudicar o tratamento

Os perigos de cortar o comprimido ao meio sem indicação correta

publicado originalmente em Veja saúde

Treinamento de atenção para as crianças com autismo

Prestar atenção é algo trivial para a maioria das pessoas, mas isso envolve um processo cognitivo complexo que muitas vezes é comprometido entre quem tem transtorno do espectro autista.

Para minimizar as dificuldades, um estudo da Universidade de Birmingham, na Inglaterra, atesta que exercitar o foco das crianças com a condição traz ganhos em leituraescritaaprendizado das palavras e atenção no geral.

Na pesquisa, metade dos pequenos passou pelo CPAT, sigla em inglês para treinamento computadorizado progressivo da atenção, baseado em jogos que recrutam essa habilidade; o restante ficou só com jogos normais de computador. Conclusão: o grupo do CPAT teve melhora em todos os índices avaliados.

“É bárbaro poder utilizar games para a criança interagir com o ambiente e superar dificuldades como essas”, comenta a neuropsicóloga Carla Guth, de São Paulo.

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As características do espectro autista

Desatenção e dificuldade para se comunicar e socializar estão entre elas

Olhar disperso
Evitar o contato olho no olho e manter uma expressão mais evasiva são comportamentos comuns nessas crianças, o que repercute na vida familiar e social.

Pouca interação
O pequeno não atende pelo nome e sofre para iniciar ou responder as interações. Dependendo do grau de autismo, tem aversão a muitos estímulos externos.

Isolamento
Há menos interesse por atividades coletivas e uma preferência clara por ações repetitivas e mais individuais, que fazem sentido dentro do seu próprio universo.

Atenção seletiva
A criança fica prolongadamente concentrada numa mesma atividade, que pode até ser agitada. É diferente, portanto, de um quadro de TDAH.

Emoções turvas
Há uma dificuldade de expressar emoções e desejos específicos. Mas, com a terapia adequada, os autistas podem melhorar nesse e nos demais aspectos.

Trabalhar o foco desses pequenos, inclusive com ferramentas tecnológicas, melhora vida escolar

Treinamento de atenção para as crianças com autismo

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O impacto da suplementação na gravidez

Por Thais Manarini

Uma pesquisa do Hospital Materno-Infantil de Brasília e da Bayer acaba de calcular os efeitos da falta de suplementação nutricional na gestação no Brasil: são mais de 1,4 milhão de ocorrências como parto prematuro, anemia e defeitos no desenvolvimento do bebê e um custo de 2,47 bilhões de reais devido a essas complicações e suas consequências para o sistema de saúde.

A análise se debruçou sobre estimativas do número de gestantes e nascidos vivos no Brasil em 2019 em atendimentos realizados pelos SUS.

“Ela mostra que intervenções nutricionais resultam em impactos duradouros e pela vida toda”, resume Cristina Hegg, diretora de marketing para o negócio de Consumer Health da Bayer no Brasil.

“Prover os nutrientes essenciais na gravidez colabora com gerações mais saudáveis, que precisarão recorrer menos a hospitais no futuro, diminuindo a sobrecarga sobretudo na rede pública”, defende.

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Eles não podem faltar

  • Ferro
  • Ácido fólico
  • Zinco
  • Vitamina D
  • Cálcio

De olho nas complicações

Faltam nutrientes, sobram encrencas na gestação:

Malformações
Associados à falta de ácido fólico e vitamina B12, os defeitos no fechamento do tubo neural podem causar lesões nervosas, paralisia e mesmo morte nos bebês.

Pré-eclâmpsia
A elevação da pressão arterial, uma complicação perigosa para a mamãe, pode ser prevenida pela suplementação de cálcio, zinco e vitaminas D, C e E.

Anemia
As gestantes são um dos grupos mais suscetíveis à carência de ferro. Não à toa, anemia é um problema detectado em uma a cada duas grávidas no mundo.

Parto prematuro
ômega-3 na dieta materna reduz o risco de a criança nascer antes da hora. E há indícios de que, pela amamentação, promove ganhos cognitivos ao bebê.

O aporte correto de nutrientes previne danos à mãe e ao bebê — e gastos evitáveis para o sistema

O impacto da suplementação na gravidez

publicado originalmente em Veja saúde

Retrato do lúpus no Brasil

Coordenado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com apoio da farmacêutica GSK, um levantamento com 300 pacientes de todas as regiões traçou um perfil detalhado sobre a incidência e as complicações do lúpus no país.

“O mapeamento mostrou mais manifestações cutâneas no Nordeste e mais acometimento renal no Sudeste”, aponta a reumatologista Mirhelen Abreu, coordenadora do Ambulatório de Lúpus da UFRJ e principal autora do trabalho.

O acesso ao tratamento, por sua vez, é mais precário no Norte, onde se pode levar até 11 horas para chegar a uma consulta.

“Os modelos epidemiológicos construídos para a pesquisa apontam que fatores étnicos, clínicos e ocupacionais se associam nos desfechos da doença. Saber disso nos ajuda a traçar diretrizes regionais de cuidados”, explica a reumatologista.

Ficha técnica da doença

Nomelúpus eritematoso sistêmico

O que causa: o sistema imune ataca o organismo, provocando inflamações

Sintomas: fadiga, dores nas articulações, febre, queda de cabelo e manchas avermelhadas no rosto

Principais órgãos acometidos: pele, rins, pulmões e articulações

Prevalência no Brasil: a estimativa é de 65 mil pessoas com a doença

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Como é que se trata?

Os primeiros medicamentos prescritos costumam ser os anti-inflamatórios — se necessário, os corticoides, que são eficazes, porém têm mais reações adversas. Outro recurso são os imunossupressores, que freiam o sistema imune, mas podem expor o paciente a infecções oportunistas.

Em alguns casos, recorre-se aos remédios biológicos, capazes de conter a progressão do lúpus.

Há diferenças regionais nas manifestações e no acesso ao tratamento

Retrato do lúpus no Brasil

publicado originalmente em Veja saúde