Radar da saúde: uma pandemia de perda auditiva e outros destaques

Mais de 1,5 bilhão de seres humanos convivem com a perda de audiçãosegundo a estimativa do projeto Global Burden of Disease em cima de dados colhidos em 2019. A iniciativa faz revisões e projeções de doenças pelo planeta com base em informações populacionais de centenas de países.

No caso do déficit auditivo, 62% dos indivíduos com o problema têm mais de 50 anos, e ao redor de 403 milhões de pessoas encaram prejuízos em nível moderado ou severo. Com o envelhecimento mundo afora, o trabalho prevê que, em 2050, haverá 2,45 bilhões de pessoas com perda de audição.

Isso conclama ações de prevenção e controle urgentes. Os pesquisadores encorajam medidas como o rastreamento de déficit auditivo na infância, o manejo de infecções capazes de comprometer o ouvido e o maior acesso a aparelhos auditivos e procedimentos como o implante coclear.

Levantamento internacional indica que uma em cada cinco pessoas no mundo sofre com algum grau de prejuízo para ouvir. Veja esta e outras notícias

Radar da saúde: uma pandemia de perda auditiva e outros destaques

publicado originalmente em Veja saúde

Ômega-3 contra a enxaqueca

ômega-3 pode ter ação contra a enxaqueca, segundo uma nova pesquisa. Publicado no periódico The British Medical Journal (BMJ), o estudo foi feito por pesquisadores americanos com 182 pessoas que relatavam enxaquecas frequentes. Elas foram divididas em três grupos e receberam diferentes estilos de alimentação.

Durante o experimento, os participantes anotaram o número e a intensidade das crises e quantas vezes precisaram recorrer a remédios para controlá-las. Quem seguiu a dieta com mais peixes gordurosos, que concentram altos níveis de ômega-3, apresentou uma redução de 30 a 40% nas dores.

“Esse ácido graxo age no sistema nervoso central, onde reduz moléculas inflamatórias envolvidas na fisiopatologia da enxaqueca”, explica a nutricionista Camila Caverni, da Sociedade Brasileira de Cefaleia. “Os efeitos são sentidos quando o consumo é diário.”

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Quem sofre de enxaqueca precisa redobrar a atenção na hora de montar o prato:

O que deve entrar

  • Azeite: Gorduras do bem como a avaliada na pesquisa estão presentes também nesse óleo.
  • Arroz integral: Assim como a banana e o maracujá, ele tem triptofano, que eleva a serotonina, substância ligada ao bem-estar.
  • Temperos: Itens como orégano, gengibre e canela inibem a histamina, cujo acúmulo provoca enxaqueca.

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O que cortar

  • Embutidos: Salsichas e afins contêm compostos como nitritos, que causam vasodilatação e latejamentos.
  • Vinho: O problema aqui são os fenóis, aldeídos e sulfetos. Eles causam constrição dos vasos que irrigam a cabeça.
  • Queijos: A tiranina, presente também no chocolate, libera o hormônio prostaglandina, um gatilho para a dor.

Em estudo, o benefício do nutriente foi notado após 16 semanas de consumo

Ômega-3 contra a enxaqueca

publicado originalmente em Veja saúde

Demora no diagnóstico de artrite reumatoide reduz a qualidade de vida

Cerca de 2 milhões de brasileiros sofrem de artrite reumatoide, segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR). Falamos de uma doença autoimune que faz o próprio corpo atacar as articulações. Com isso, provoca inchaço, rigidez, dores nas juntas, além de poder deixar o indivíduo impossibilitado de fazer as tarefas mais simples do dia a dia, como pentear os cabelos.

Mas não precisa ser assim. Quando o tratamento começa a ser feito sobretudo nos primeiros três meses após o início dos sintomas, é possível impedir ou minimizar a progressão dessa condição inflamatória.

O problema é que na vida real isso não ocorre com frequência. Uma pesquisa feita pelo Instituto Ipsos a pedido da farmacêutica Janssen aponta que 54% dos pacientes demoram anos para chegar ao diagnóstico correto. Para o levantamento, foram ouvidos 144 brasileiros com artrite reumatoide e outras doenças autoimunes.

“Antes de chegar ao reumatologista, que é o profissional habilitado para identificar a doença e indicar o tratamento, essas pessoas passaram por cinco especialidades diferentes. Na saúde pública, isso pode levar anos”, afirma Dawton Torigoe, reumatologista da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo e membro da SBR

Para mudar esse cenário, pessoas com sintomas, como inchaço, dor nas juntas e rigidez, devem visitar o médico certo para dar início ao tratamento eficaz

Demora no diagnóstico de artrite reumatoide reduz a qualidade de vida

publicado originalmente em Veja saúde

O que são os anticorpos monoclonais aprovados para tratamento da Covid-19

Recentemente, novas opções de medicamentos para o tratamento da Covid-19 foram aprovadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Muitas fórmulas que receberam o aval da entidade fazem parte do grupo dos anticorpos monoclonais.

Eles são feitos em laboratório e têm a função de mimetizar a ação dos anticorpos produzidos pelo nosso próprio corpo. Além disso, são programados para agir diretamente na proteína do vírus que possibilita a sua reprodução dentro do organismo. Por isso, mostram-se eficazes na hora de impedir que a infecção se agrave.

“Esses medicamentos imitam os anticorpos do tipo neutralizantes”, resume o biólogo Sergio Surugi de Siqueira, professor de Imunologia na Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR) e membro titular da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep).

Até a durabilidade desses anticorpos fabricados pode ser manipulada. “É possível dotá-los de uma vida biológica mais longa do que a dos nossos anticorpos naturais”, afirma Siqueira.

Eles são indicados para os primeiros dias de infecção, quando são detectados os sintomas iniciais. Ou seja, esse, sim, seria um tratamento precoce vantajoso, à base de remédios com ação benéfica realmente comprovada.

Cresce a lista de remédios dessa classe liberados pela Anvisa. Mas, devido ao alto custo e avanço da vacinação, eles devem ficar restritos a poucos grupos

O que são os anticorpos monoclonais aprovados para tratamento da Covid-19

publicado originalmente em Veja saúde

Algoritmos captam sinais de depressão nas redes sociais

Relatos, opiniões e sentimentos expostos nas mídias sociais dão uma boa ideia de como anda o estado mental de alguém. De olho nisso, o cientista da computação Felipe Giuntini, do Sidia Instituto de Ciência e Tecnologia, desenvolveu um sistema de inteligência artificial para identificar comportamentos depressivos nesse meio.

Os algoritmos vieram à luz após treinos e testes com 415 mil usuários de uma rede, e podem ser aplicados em qualquer plataforma que disponha de textos (Facebook, Instagram…). “Nosso trabalho mostra que os depressivos se aproximam mais de depressivos e a maioria tem uma piora nos sentimentos negativos”, conta Giuntini.

“Fora analisar as emoções e os períodos de silêncio dos usuários, o programa prediz seus sentimentos pelos 15 dias seguintes com uma taxa de confiança de 83%”, diz. A expectativa é que o sistema, que provê uma interface para os terapeutas, possa ser utilizado por profissionais para acompanhar a evolução dos pacientes.

O que o computador pesca?

Programa criado por Felipe Giuntini é fruto de um doutorado na USP

Conexão com pessoas similares: usuários com depressão tendem a ser mais próximos de quem tem o mesmo problema, reforçando achados de outros estudos.

Sentimentos mais presentes: na análise, destacaram-se vergonha, culpa, tristeza e nervosismo, e eles aparecem sobretudo em contextos ligados a dor ou violência.

Fases de silêncio: outro padrão observado entre os depressivos foram os períodos em que o usuário fica pelo menos três dias sem postar nada.

Emoticons na leitura: as figuras mais encontradas traduziam raiva ou tristeza e ajudam o programa a identificar sentimentos em frases neutras.

Solução de inteligência artificial criada por brasileiros pode apoiar acompanhamento do problema

Algoritmos captam sinais de depressão nas redes sociais

publicado originalmente em Veja saúde

O bruxismo está à solta

A tensão dos últimos tempos não poupou ninguém. Nem a boca. Um dos reflexos de toda a reviravolta que enfrentamos por causa da Covid-19 foi o aumento nos casos de bruxismo, uma condição que faz a pessoa pressionar e desgastar inconscientemente os dentes, inclusive ao dormir.

A constatação vem de estudos mundo afora. Um deles reuniu pesquisadores poloneses e israelenses e analisou quase 1 800 cidadãos desses dois países. Os cientistas apuraram e cruzaram os efeitos da ansiedade e da preocupação despertadas pela pandemia com os índices de bruxismo e disfunção temporomandibular (DTM), quadro que provoca alterações e dores na articulação que liga a mandíbula ao crânio. O resultado foi claro: ambos foram intensificados.

Especialistas brasileiros chegaram a conclusões semelhantes examinando os próprios… dentistas. Num trabalho envolvendo a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e a Universidade de São Paulo (USP) em Bauru, observaram, entre 641 profissionais de odontologia, que ficar confinado teve mais repercussões negativas no estado dos entrevistados do que trabalhar ativamente. De modo geral, a situação levou a uma piora na qualidade do sono e a sintomas de bruxismo em mais da metade do grupo.

Na mesma linha, um levantamento englobando 50 alunos de pós-graduação em odontologia e psicologia da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS) revela, em seus achados preliminares, que os casos de bruxismo durante o sono mais que triplicaram (pulando de uma incidência de 8 para 28% no período pandêmico) e os do chamado bruxismo de vigília, aquele que ocorre com a pessoa acordada, dobraram (mudança de 6 para 12%).

Os profissionais têm sentido o impacto detectado pelos estudos no seu dia a dia de consultório. “Não há dúvida de que este momento tão complicado que estamos encarando tem ligação com esse tipo de problema. Inclusive, uma análise feita pela Associação Americana de Odontologia indica que queixas de bruxismo tiveram um aumento de mais de 50% por lá, e aqui não é diferente”, diz a dentista Juliana Stuginski Barbosa, pesquisadora da USP de Bauru e membro da Sociedade Brasileira de Disfunção Temporomandibular e Dor Orofacial.

Apertar e ranger os dentes tem tudo a ver com estresse. E a incidência do problema deu um salto! Saiba o que ele pode aprontar e como escapar dos seus danos

O bruxismo está à solta

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Prêmio internacional é lançado para prestigiar enfermeiros brasileiros

Eles estão na linha de frente, nos bastidores, na retaguarda e ao lado dos pacientes. São os enfermeiros, um grupo de mais de 1,6 milhão de brasileiros que, sobretudo na pandemia de Covid-19, demonstraram seu papel crucial no ecossistema de cuidado à saúde.

Para prestigiar esses profissionais e reconhecer quem trabalha para fazer a diferença, chega ao Brasil o Prêmio de Enfermagem Rainha Silvia da Suécia, uma iniciativa internacional que, idealizada pela majestade sueca, já conta com edições nesse país escandinavo, na Alemanha, na Lituânia, na Polônia, na Finlândia e nos Estados Unidos.

Organizada no Brasil pela healthtech Vibe Saúde, a premiação tem como temática em seu primeiro número “ideias, ações, projetos ou soluções transformadoras que impulsionam impacto social para a sociedade brasileira e que possibilitem um cuidado mais próximo e humanizado aos pacientes, além de projetos que envolvam cuidados especiais com idosos.”

A distinção é voltada a enfermeiros formados e estudantes de enfermagem do estado de São Paulo (a partir do ano que vem, outras regiões também serão contempladas). As inscrições acontecem pelo site oficial do prêmio e vão até 1º de novembro deste ano. As submissões serão avaliadas por um júri multidisciplinar e o profissional vencedor será anunciado no dia 23 de dezembro.

Prêmio de Enfermagem Rainha Silvia da Suécia ganha edição brasileira e vai revelar profissionais que fazem a diferença nos cuidados com a saúde

Prêmio internacional é lançado para prestigiar enfermeiros brasileiros

publicado originalmente em Veja saúde

De onde vem o herpes-zóster?

Estima-se que até um terço da população acima dos 75 anos possa apresentar o herpes-zóster, também conhecido como cobreiro, que faz pipocarem lesões na pele e provoca dores intensas, mesmo depois que vai embora. Veja como o problema aparece e como lidar com ele:

Quem é o culpado?

Na infância, quase todos temos contato com o vírus varicela-zóster, causador da catapora, mesmo que a doença em si e suas típicas manchas vermelhas não apareçam. Depois desse primeiro encontro, o invasor se esconde no sistema nervoso, mais especificamente nos gânglios dorsais — uma espécie de raiz dos nervos localizada na medula espinhal. Ali, o patógeno fica adormecido, controlado pelo nosso sistema imune.

O (re)despertar

Quando acontece uma queda expressiva na imunidade, seja pela idade, seja por uma doença ou por estresse, o vírus encontra um terreno fértil para voltar a se replicar. As cópias caminham dos gânglios dorsais para os nervos sensoriais, que se conectam com a pele. O processo afeta a circulação sanguínea dos arredores e dá início a uma inflamação. Daí vêm as dores típicas — nas costas, no rosto etc.

Veja as causas e como é feito o tratamento dessa infecção comum na terceira idade, cuja incidência aumentou na pandemia

De onde vem o herpes-zóster?

publicado originalmente em Veja saúde