E se todos os países adotassem bitcoin?

No dia 7 de setembro de 2021, El Salvador se tornou o primeiro país a reconhecer o bitcoin como moeda oficial (junto com o dólar americano – eles não têm moeda própria). No mesmo dia, a  cotação da criptomoeda caiu 9%.

Um dia antes, o governo de El Salvador havia comprado 400 bitcoins por US$ 20 milhões, preparando-se para a mudança. Isso ajudou o valor da cripto saltar para US$ 52 mil. Porém, bastaram algumas horas e a cotação já havia caído para US$ 47 mil. Duas semanas depois, a cripto baixou outros 14%, para US$ 40 mil.

Nada disso teve relação com a atitude de El Salvador. Mas deixou clara uma obviedade acerca da cripto: sua flutuação de preço no mercado ainda é instável demais para que ela faça a contento o papel de uma moeda de verdade. Pessoas comuns dificilmente aceitariam usar como meio universal de troca algo cujo poder de compra é imprevisível.

Mas vamos jogar com a hipótese de que dê a louca nos Bancos Centrais e eles decidam que não existem mais moedas nacionais. Só bitcoin.

A inflação acabaria num piscar de olhos…. e isso não seria nada bom para a economia

E se todos os países adotassem bitcoin?

publicado originalmente em superinteressante

Marinheiros italianos sabiam da existência da América 150 anos antes de Colombo

O dia 12 de outubro é conhecido como Dia de Cristóvão Colombo: foi nesta data que, em 1492, o navegador italiano chegou à América – e abriu caminho para um período de colonização do chamado “novo mundo” pelos europeus.

É comum a ideia de que o explorador alcançou o continente por acaso – quando queria, a princípio, chegar à Índia. Mas talvez não tenha sido bem assim. Um novo estudo indica que navegadores italianos já tinham conhecimento sobre a existência da América do Norte 150 anos antes de Colombo.

O estudo consistiu na análise de um documento chamado “Cronica universalis”, escrito em 1345 pelo italiano Galvaneus Flamma, mas que só foi descoberto em 2013. No documento, Galvaneus menciona histórias de navegadores islandeses sobre “Markland” (ou “Marckalada”), uma terra no noroeste do Atlântico que seria hoje Terra Nova e Labrador, no Canadá.

Os historiadores já sabiam que as viagens de Colombo aconteceram depois das expedições escandinavas ao Canadá, no século 11 – o que se contrapõe à ideia de que Colombo foi o primeiro europeu a pisar por aqui. Mas a nova hipótese proposta pela pesquisa é que informações sobre a América já circulavam no norte da Itália antes mesmo de Colombo nascer.

“Estamos na presença da primeira referência ao continente americano, ainda que de forma embrionária, na região do Mediterrâneo”, afirma Paolo Chiesa, pesquisador da Universidade de Milão e responsável pelo estudo.

Galvaneus era um frade que vivia em Milão e estava relacionado a uma família que governava a cidade. Ele é autor de muitas obras em latim, principalmente registros históricos como este.

A conclusão veio após a análise de uma obra de 1345. O estudo indica que marinheiros de Gênova, na Itália, já sabiam da existência da América do Norte.

Marinheiros italianos sabiam da existência da América 150 anos antes de Colombo

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Poluição do ar causou 1,1 milhão de mortes na África em 2019, indica estudo

A poluição do ar está custando caro aos países africanos. Segundo um novo estudo, ela foi responsável por 1,1 milhão de morte em 2019 – o que corresponde a 16,3% do total de óbitos no continente. Isso coloca a poluição como a segunda maior causa de morte na África, atrás somente da Aids.

Os cientistas apontam que, à medida que os países do continente se desenvolvem economicamente e as cidades se expandem, os impactos da poluição do ar tendem a aumentar. O estudo é considerado a avaliação mais abrangente da poluição do ar no continente africano até o momento. Ele foi liderado por pesquisadores do Boston College (Estados Unidos) e pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA).

Os cientistas analisaram as tendências da poluição do ar em 54 países africanos, mas dedicaram atenção especial a três países – Etiópia, Gana e Ruanda –, que encontram-se em pontos críticos de desenvolvimento econômico.

As mortes atribuíveis à poluição do ar resultam de infecções respiratórias, isquemia cardíaca, doença pulmonar obstrutiva crônica e acidente vascular cerebral. Além disso, a poluição pode causar lesões cerebrais em bebês e crianças pequenas, o que pode levar a declínios cognitivos.

Poluição do ar ambiente e do ar doméstico são a segunda maior causa de mortes no continente. Pesquisadores afirmam que os países estão em posição única para alcançar prosperidade sem combustíveis fósseis.

Poluição do ar causou 1,1 milhão de mortes na África em 2019, indica estudo

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O mundo perdeu 14% de seus recifes de coral na última década, aponta relatório

Os recifes de coral são grandes centros de biodiversidade: embora estejam presentes em só 0,2% do solo oceânico, eles abrigam pelo menos um quarto de todas as espécies marinhas. Além disso, são responsáveis por um punhado de “serviços ecossistêmicos” (como fornecer alimento e proteção costeira) e por injetar US$ 36 bilhões todos os anos na economia global, devido ao turismo e outras atividades relacionadas a eles.

Em suma: os corais são importantes. Mas estão sob ameaça. Entre 2009 e 2018, o mundo perdeu cerca de 14% de seus recifes de coral. A conclusão vem de um grande relatório internacional, produzido pela Rede Global de Monitoramento de Recifes de Coral (GCRMN, na sigla em inglês) e publicado na última terça-feira (5).

O estudo é considerado a análise mais detalhada até o momento sobre o estado dos recifes de coral no mundo. Os cientistas apontam que, desde 2009, existe um declínio constante desses seres vivos (sim, corais são animais) em escala global – e a culpa é principalmente das mudanças climáticas, que aumentam a temperatura nas águas dos mares.

O relatório foi produzido a partir de dados coletados ao longo de 40 anos por mais de 300 cientistas, em 73 países. 1,2 mil lugares foram observados em dez grandes regiões portadoras de recifes de coral – incluindo o Brasil.

Eles abrigam um quarto de todas as espécies marinhas, mas estão levando a pior em função do aquecimento dos oceanos. Veja o que pesquisadores têm a dizer sobre as possibilidades de recuperação.

O mundo perdeu 14% de seus recifes de coral na última década, aponta relatório

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Falésias em Marte revelam que antigo rio marciano era turbulento

Marte é frio e extremamente árido. Atualmente, não há água líquida no Planeta Vermelho, mas há cerca de 3,7 bilhões de anos o cenário era bastante diferente. A cratera Jezero, por exemplo, localizada no hemisfério norte de Marte, abrigava um grande lago, alimentado por um rio cujo delta desaguava ali. 

Sabemos pouco sobre o lago, mas imagens de alta resolução fornecidas pelo robozinho Perseverance, da NASA, podem ajudar os cientistas. Elas revelam como a água ajudou a moldar a paisagem da cratera há bilhões de anos, além de fornecer pistas que podem guiar a busca por evidências de vida no planeta.

O Perseverance registrou imagens de falésias (paredões de rocha) que antigamente eram as margens do rio, hoje completamente seco. Uma equipe de pesquisadores analisou as imagens em um novo estudo e percebeu afloramentos de rochas que registram a evolução do fluxo de água por ali.

Imagens feitas pelo rover Perseverance mostram que a cratera Jezero era originalmente um lago abastecido por um rio, e que o fluxo nesse rio aumentou muito em algum ponto do passado.

Falésias em Marte revelam que antigo rio marciano era turbulento

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Entenda o corte de R$ 600 milhões no orçamento da ciência brasileira

Na última quinta-feira (7), o Congresso Nacional votaria um projeto de lei que previa liberação de R$ 690 milhões à ciência brasileira. O CNPq, principal órgão nacional de fomento à pesquisa, contava com esse dinheiro para pagar bolsas a pesquisadores. No entanto, após uma modificação na proposta, o dinheiro do CNPq desapareceu do dia para a noite. 

O projeto de lei nº 16 (PLN 16) foi proposto em agosto deste ano. Originalmente, ele destinaria R$ 690 milhões ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. Desse valor, R$ 655,4 milhões sairiam do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), que é subordinado ao MCTI.

Esse é um fundo para o qual os outros órgãos de ciência podem pedir financiamento quando as contas apertam. O CNPq, por exemplo, precisa pegar dinheiro desse fundo para pagar bolsas de pesquisa (já que o orçamento “garantido” do CNPq só daria para pagar 13% das bolsas aprovadas).

Os outros R$ 34,6 milhões viriam de créditos suplementares (um reforço no orçamento que estoura o teto de gastos e por isso precisa ser aprovado no Congresso) e iriam para a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), outro órgão subordinado ao MCTI. Esse dinheiro seria dedicado principalmente à produção de radiofármacos contra o câncer.

Recentemente o Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen) declarou que precisaria de 89,7 milhões para manter a produção de radiofármacos até dezembro – ou seja, os R$ 34,6 milhões não seriam suficientes. A produção desses medicamentos está interrompida desde o dia 20 de setembro, por falta de recursos. 

Grande parte do dinheiro para pagamento de cientistas pelo CNPq, a maior agência de fomento do país, desapareceu da noite para o dia após canetada encomendada pelo Ministério da Economia.

Entenda o corte de R$ 600 milhões no orçamento da ciência brasileira

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O que você precisa saber sobre a primeira vacina contra a malária recomendada pela OMS

Na última quarta-feira (06), a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomendou o uso em larga escala da primeira vacina aprovada contra a malária, chamada RTS,S/AS01 – ou Mosquirix. A decisão chega após um programa-piloto de vacinação conduzido desde 2019 em três países africanos: Quênia, Malawi e Gana.

A malária é uma doença parasitária que mata meio milhão de pessoas todos os anos, praticamente todos residentes da África Subsaariana. Dentre as vítimas, 260 mil são crianças com menos de cinco anos de idade. 

Segundo Pedro Alonso, diretor do programa de malária da OMS, essa é uma decisão histórica. A primeira vacina contra a malária (e contra qualquer doença parasitária) foi desenvolvida pela farmacêutica britânica GlaxoSmithKline. Ela treina o sistema imune da criança para combater o Plasmodium falciparum, um dos cinco parasitas causadores da malária. O falciparum é o mais letal e é o que predomina na África.

O imunizante levou 34 anos para ser desenvolvido – e é o primeiro aprovado para uma doença parasitária.

O que você precisa saber sobre a primeira vacina contra a malária recomendada pela OMS

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Estes cachorros “geniais” aprenderam o nome de até cem brinquedos

O seu cachorro de estimação provavelmente identifica imediatamente (e com bastante alegria) a palavra “passear”. Talvez ele também conheça alguns comandos, como “sentar” ou “deitar” – mas talvez seja mais distraído quanto aos nomes de objetos do dia a dia, como os de seus brinquedos. Isso é comum entre os cães: de algum modo, eles têm maior facilidade com palavras associadas a ações.

Mas existem alguns cachorros excepcionalmente talentosos com palavras. Em um novo estudo, pesquisadores descobriram cães que podem aprender até 12 novos nomes de brinquedos em uma semana – e lembrar das palavras por pelo menos dois meses.

Os animais apresentaram suas habilidades ao Genius Dog Challenge (“desafio do cachorro gênio”, em inglês), realizado por pesquisadores da Hungria e que reúne aqueles que seriam os cães mais espertos do mundo. O desafio consiste em uma série de experimentos transmitidos ao vivo em redes sociais, nos quais os pets mostram suas habilidades, e faz parte de um projeto maior de pesquisa sobre aprendizagem e processamento de línguas em cachorros.

Uma nova pesquisa da Hungria descobriu pets com bastante talento para decorar nomes de objetos – um deles, inclusive, é brasileiro. Confira.

Estes cachorros “geniais” aprenderam o nome de até cem brinquedos

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Cientistas descobrem dinossauro parente do T. Rex – do tamanho de uma galinha

Há 200 milhões de anos, um dinossauro do tamanho de uma galinha habitava o que conhecemos hoje como País de Gales. Apesar de parecer pouco ameaçador, o animal era carnívoro e estava no topo da cadeia alimentar. O Pendraig milnerae, como foi batizado, era um terópode típico, que andava sobre duas pernas como seus primos T. Rex e Velociraptor. A única diferença é que ele habitou a Terra bem antes de seus parentes.

Sua história começou no Período Triássico Superior (período que vai de 237 a 201 milhões de anos atrás). Ele foi descoberto por pesquisadores do Museu de História Natural de Londres, no Reino Unido. A descrição completa do réptil foi publicada nesta quarta-feira (6) na revista Royal Society Open Science.

Para começar a conhecê-lo, vale entender a história por trás de seu nome: Pendraig milnerae. Pendraig significa “dragão chefe” – uma referência à posição de predador diante dos outros animais na época em que viveu. Milnerae, por sua vez, é uma homenagem à paleontóloga Angela Milner, que faleceu em agosto deste ano e teve grande importância para a descrição da espécie.

Fósseis encontrados no País de Gales sugerem que o terópode passou por um processo evolutivo conhecido como nanismo insular. Entenda.

Cientistas descobrem dinossauro parente do T. Rex – do tamanho de uma galinha

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35% do PIB mundial depende da catálise de reações químicas, premiada no Nobel

No século 19, a química ainda era uma ciência jovem, recém-separada da alquimia, e muitos conceitos que hoje são conteúdo tedioso de vestibular eram novidades excitantes. Por exemplo: se você colocar peróxido de hidrogênio (H2O2) em um vidro com prata, ele se separa repentinamente em água (H2O) e oxigênio (O2). Com a prata, nada acontece: o metal permanece idêntico.

Em 1835, o químico sueco Jacob Berzelius percebeu que havia um padrão aí. À exemplo da prata, muitas outras substâncias participavam de reações químicas apenas incentivando a transformação de uma coisa na outra. Ao final do processo, elas permaneciam intactas. Berzelius batizou essas substâncias de catalisadores.

Hoje sabemos que o DNA é um livro de receitas para fabricar proteínas, e que uma parte considerável dessas proteínas são enzimas – o nome que se dá aos catalisadores biológicos, que evoluíram por seleção natural.

Enzimas guiam e facilitam quase todas as reações químicas que mantêm seu corpo funcionando. São elas que digerem sua comida, processam sua ressaca no fígado e fazem cópias do seu material genético quando uma célula se multipica.

As indústrias, como os seres vivos, têm muito interesse em acelerar e controlar reações químicas. Imagine, por exemplo, o quanto seria difícil fabricar um remédio em larga escala se não houvesse uma maneira confiável de forçar duas moléculas a reagirem para formar uma terceira?

Da baterias a remédios, setores importantes da indústria precisam acelerar e controlar interações entre moléculas usando catalisadores. Os ganhadores da láurea de Química deste ano revolucionaram a área.

35% do PIB mundial depende da catálise de reações químicas, premiada no Nobel

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