Esta pode ser a imagem mais detalhada já feita de uma bactéria viva

As bactérias gram-negativas recebem esse nome devido à cor que adquirem após um processo químico denominado coloração de Gram. Enquanto elas ficam vermelhas, as bactérias chamadas gram-positivas ficam azuis – contraste que ocorre por causa das diferentes paredes celulares. As bactérias gram-negativas possuem uma membrana externa que parece barrar a ação de diversos antibióticos, o que pode ser considerado uma ameaça para a saúde pública. 

Estamos falando de bactérias como a Pseudomonas aeruginosa, uma das principais causadoras de infecções hospitalares, e a Salmonella, que causa intoxicação alimentar. Uma equipe de pesquisadores britânicos e americanos decidiu olhar as gram-bactérias mais de perto, buscando entender a composição de sua membrana externa e sua relação com a resistência aos antibióticos. Usando um microscópio de alta potência, os cientistas capturaram as imagens mais detalhadas já vistas de uma bactéria viva, e publicaram o estudo na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).

Cientistas ingleses usaram um microscópio de força atômica, com uma agulha microscópica, para ‘tatear’ a superfície da E.coli, que pode causar intoxicação alimentar

Esta pode ser a imagem mais detalhada já feita de uma bactéria viva

publicado originalmente em superinteressante

Implante cerebral permite que mulher cega veja formas simples

Pesquisadores criaram e testaram com sucesso uma forma de visão artificial. Após receber um implante cerebral, Bernardeta Gómez, de 57 anos, pôde identificar letras, linhas e formas simples – e conseguiu até jogar uma versão simplificada do jogo Pac-Man.

Gómez perdeu a visão há 16 anos por uma lesão do nervo óptico chamada neuropatia óptica tóxica. Em uso inédito da tecnologia, a equipe de pesquisadores implantou um arranjo de 96 microeletrodos, com 4 mm por 4 mm, no córtex visual da ex-professora de biologia, para fazê-la enxergar.

Durante os experimentos, Gómez usou óculos especiais, equipados com uma câmera. Os dados visuais coletados pelos óculos eram codificados e enviados para os eletrodos. Eles estimulavam diretamente o cérebro da voluntária, que transformava os sinais elétricos em imagens. 

Os pesquisadores ativaram os eletrodos gradualmente nos testes, para aumentar a complexidade da estimulação à medida que o cérebro de Gómez aprendia a distinguir as imagens. Ela começou visualizando pontos, avançou para a identificação de barras (exemplificada neste vídeo) e, posteriormente, pôde perceber um rosto humano.

Os experimentos aconteceram durante um período de seis meses e foram relatados em um estudo publicado recentemente na revista Journal of Clinical Investigation. Segundo os pesquisadores, não houve complicações para a implantação e posterior retirada dos eletrodos. Também não se percebeu influência do implante para além do córtex visual, e os eletrodos não prejudicaram a função de neurônios próximos.

Pesquisadores inseriram um conjunto de eletrodos no córtex visual da voluntária; dispositivo estimulou diretamente os neurônios, enviando sinais elétricos que o cérebro interpretou como imagens

Implante cerebral permite que mulher cega veja formas simples

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Blue Origin pretende construir nova estação espacial

Nesta segunda-feira (25), a Blue Origin, empresa de Jeff Bezos, anunciou seus planos de construir uma nova estação espacial: a Orbital Reef. Outras instituições privadas, como a Sierra Space e a Boeing, também estão envolvidas no projeto, que deve ser entregue até 2030. O fim da década marcará também a possível aposentadoria da Estação Espacial Internacional (ISS), que no auge de seus vinte e poucos anos já vem apresentando problemas técnicos. 

É possível que a Nasa entre com dinheiro em algum momento, mas os empresários envolvidos não querem se prender à possibilidade. Por enquanto, todo o financiamento virá da iniciativa privada, com cada uma das empresas sendo responsável por um segmento: a Blue Origin, por exemplo, fornecerá seu foguete New Glenn para levar os primeiros equipamentos da estação ao espaço. Enquanto isso, a Sierra Space cuidará das habitações e também do transporte de astronautas. A última função também deve ser executada pela Boeing. 

Também estão envolvidas as empresas Redwire Space, Genesis Engineering Solutions e a Universidade Estadual do Arizona. Enquanto as duas primeiras cuidam do envio de material e excursões turísticas, a instituição de ensino estará envolvida na parte de consultoria de pesquisa. 

A empresa de Jeff Bezos, em parceria com outras instituições privadas, tem planos de colocar o módulo em órbita até 2030. A estação poderá substituir a ISS.

Blue Origin pretende construir nova estação espacial

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Astrônomos podem ter detectado o primeiro exoplaneta fora da Via Láctea

Pela primeira vez na história, astrônomos podem ter descoberto um planeta além da Via Láctea. Ele estaria na galáxia M51 (ou Whirlpool) orbitando um “binário de raios-X” – um sistema composto por dois corpos celestes, uma estrela com massa cerca de 20 vezes a do Sol e uma estrela de nêutrons ou buraco negro.

A descoberta pode abrir novas possibilidades para a busca de exoplanetas – que orbitam estrelas que não o Sol e pertencem a sistemas planetários diferentes do nosso. A maioria dos exoplanetas (ou candidatos a exoplanetas) conhecidos até agora está a cerca de três mil anos-luz da Terra. Enquanto isso, o candidato em M51 está a 28 milhões de anos-luz de distância.

A equipe internacional de cientistas realizou as descobertas a partir de dados coletados pelo Observatório de Raios-X Chandra, um telescópio espacial lançado pela Nasa. O estudo foi publicado na revista Nature Astronomy

Eclipse de raios-X sugere a presença de um planeta orbitando um sistema luminoso na Galáxia M51 (ou Whirlpool), a cerca de 28 milhões de anos-luz da Terra

Astrônomos podem ter detectado o primeiro exoplaneta fora da Via Láctea

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Evento de extinção matou 60% dos primatas na África há 34 milhões de anos

Um dos principais motores para a extinção de espécies são as mudanças climáticas. Atualmente, muitos animais encontram-se ameaçados graças ao aquecimento global intensificado pela ação humana. Mas há 34 milhões de anos, a Terra vivia uma transição climática contrária: estava passando de um período quente (chamado greenhouse) para um clima mais frio, o qual vivemos até hoje (chamado icehouse).

Foi uma mudança e tanto: ao longo de milhares de anos, a temperatura caiu cerca de 8ºC, o nível do mar diminuiu, e a Antártica ficou coberta de gelo. Dois terços dos animais da Europa e Ásia foram extintos no processo. Essa mudança climática marcou a transição do Eoceno (de 56 milhões a 34 milhões de anos) para o Oligoceno (de 34 a 23 milhões de anos atrás).

Os cientistas acreditavam que a África tivesse passado ilesa. Afinal, sua posição próxima ao equador poderia ter amenizado o frio. No entanto, um estudo realizado pela Universidade Duke, nos Estados Unidos, mostrou um declínio de 63% nas populações de primatas, roedores e carnívoros. 

Os pesquisadores usaram centenas de fósseis de períodos distintos (da metade do Eoceno ao Oligoceno) para reconstruir a linha do tempo evolutiva de cinco grupo de mamíferos africanos: dois primatas (Strepsirrhini e Simiiformes), dois roedores (Anomaluridae e Hystricognathi) e um grupo de carnívoros extintos chamados “hienodontes” – que se alimentavam justamente de primatas e roedores.

A extinção também atingiu roedores e animais carnívoros. O evento foi causado pela transição climática do período greenhouse para o icehouse. Entenda

Evento de extinção matou 60% dos primatas na África há 34 milhões de anos

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Dinossauros viviam em grupo há 193 milhões de anos, indica estudo

Cem ovos e 80 esqueletos de dinossauros compõem a descoberta paleontológica que está sendo considerada, por alguns especialistas, como uma das principais deste ano. O conjunto de fósseis encontrado na Argentina é a evidência mais antiga conhecida de que dinossauros viviam em grupos – e ficavam separados de acordo com suas idades.

Os achados aconteceram na Formação Laguna Colorada, no sul da Patagônia, famosa por abrigar fósseis de dinossauros da espécie Mussaurus patagonicus. Foram esses que a equipe internacional de cientistas encontrou por meio de escavações ao longo dos últimos anos, e analisou no estudo publicado na revista Scientific Reports.

Não é novidade que os dinossauros eventualmente viviam em bandos. Mas o comportamento só era encontrado em animais que existiram até 150 milhões de anos atrás. As descobertas recentes sugerem que eles já viviam em comunidade 40 milhões de anos antes: no início do período Jurássico.

Mussaurus patagonicus era um dinossauro herbívoro, cujo peso aproximado de 1,5 tonelada se distribuía em um corpo de 3 metros de altura e 8 de comprimento. A espécie faz parte de um grupo chamado sauropodomorfo, composto por dinossauros de pescoço e cauda longa.

Ovos e esqueletos do Mussaurus patagonicus indicam que a espécie se organizava em “panelinhas” separadas por idade.

Dinossauros viviam em grupo há 193 milhões de anos, indica estudo

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No século 19, sobreviventes da febre amarela já usavam passaportes de imunidade

Em 1804, o território de Gibraltar, localizado ao sul da Península Ibérica, passou por uma epidemia de febre amarela. Ao longo de quatro meses, mais de 2,2 mil pessoas morreram pela doença, que é transmitida pelo mosquito Aedes aegypti. As autoridades de saúde tentavam frear o problema, mas essa não era uma tarefa fácil – já que naquela época ninguém sabia explicar como ocorria a transmissão. 

Gibraltar era um território estratégico, já que ficava ao lado da única rota que permitia a entrada no Mediterrâneo pelo Oceano Atlântico. Era um Território Britânico Ultramarino, e servia de fortaleza para muitos militares. As pessoas viviam amontoadas dentro dos muros da colônia, dividindo um quarto para dez pessoas, por exemplo.

Além disso, nenhum rio ou nascente atravessava o território – a população precisava coletar a água da chuva em baldes para consumo próprio. Era a receita para o desastre: a água parada combinada ao ambiente quente do verão formam um prato cheio para o Aedes aegypti. As infecções só cessariam com a chegada do inverno. 

A epidemia de 1804 não foi a única: também ocorreram surtos em 1810, 1813, 1814 e 1828. Uma pesquisa publicada no periódico científico BMJ Global Health mostra que as autoridades já estavam mais preparadas para o segundo surto. Foi criado um acampamento de quarentena, para onde os infectados eram levados à força até que a situação no território melhorasse. Cerca de 4 mil pessoas passaram por lá.

Moradores de Gibraltar, na Península Ibérica, recebiam “passes de febre” que liberavam a circulação no território. Dois deles estão guardados em um museu nacional.

No século 19, sobreviventes da febre amarela já usavam passaportes de imunidade

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Um princípio econômico pode explicar a evolução das cores em caudas de lagartos

A teoria da seleção natural, proposta por Charles Darwin, diz que apenas os animais mais aptos sobrevivem. As espécies que hoje habitam a Terra, então, teriam evoluído na medida certa para prosperar.

Porém, não é tão simples olhar para um animal e entender logo de cara por que ele possui (ou não) certas características. Um exemplo são os lagartos com caudas coloridas: ao mesmo tempo que a traseira do bichinho pode ser útil para camuflagem, ela é também um chamariz para predadores.

Em economia, há um princípio que explica essa relação. É o trade-off, que acontece quando se escolhe uma opção em detrimento de outra. Ir a um encontro com o crush é ótimo – mas você talvez precise abdicar daquela reunião com os amigos, marcada para o mesmo dia. Em um jogo de damas, você pode abrir mão de uma peça para conseguir capturar duas na próxima rodada.

Segundo pesquisadores da da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), esse tipo de relação pode ser a chave para entender a cauda dos lagartinhos. Em parceria com a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e a Universidade de Auburn em Montgomery, nos EUA, eles exploraram a função da cauda colorida nestes répteis, explorando seus custos e benefícios.

Pesquisa brasileira tenta entender por que alguns répteis possuem caudas vermelhas – que trazem, ao mesmo tempo, vantagens e desvantagens ao animal.

Um princípio econômico pode explicar a evolução das cores em caudas de lagartos

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Pesquisadores criam diretrizes éticas globais para estudos com DNA humano antigo

Pesquisas com DNA humano apresentam uma série de implicações éticas. O material genético encontrado em ossos ou tecidos mumificados, por exemplo, dizem respeito à ancestralidade de algumas populações. 

Pensando nisso, arqueólogos, antropólogos e geneticistas de 31 países elaboraram diretrizes éticas globais para serem aplicadas em estudos com DNA humano antigo. Os cientistas publicaram o artigo na última quarta-feira no periódico Nature – e uma versão em português também está disponível online.

As diretrizes éticas incluem a necessidade de seguir regulamentações locais, além de se engajar e respeitar os interesses das comunidades nas quais foram coletados os materiais. Elas são genéricas de propósito: a ideia é que possam ser aplicadas globalmente, se adequando a variados contextos. 

As diretrizes surgem como alternativa ao documento vigente de boas práticas para esse tipo de estudo: um modelo estadunidense, baseado na Lei de Proteção e Repatriação de Sepulturas de Nativos Americanos (NAGPRA). Essa lei define que as instituições de pesquisa devem transferir os remanescentes humanos de indivíduos antigos para povos nativos.

“O problema é que esse modelo não é aplicável em todos os contextos”, afirma Mercedes Okumura, do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP). “Então, havia uma necessidade de pensar em diretrizes para um contexto global, com particularidades que variam muito em cada região do mundo”, explica a professora, única brasileira que participou do artigo.

Os pesquisadores apontam, por exemplo, que o significado de indigeneidade varia globalmente. Em algumas regiões, as pessoas não reconhecem populações locais antigas como seus antepassados. Já outras comunidades apresentam relações complexas relacionadas aos seus territórios atuais – que incluem deslocamentos e rupturas forçadas, por exemplo.

Um modelo estadunidense era referência para lidar com remanescentes humanos. Agora, cientistas propuseram diretrizes que podem ser aplicadas globalmente. Entenda

Pesquisadores criam diretrizes éticas globais para estudos com DNA humano antigo

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Quais são as regras para o uso de armas de fogo em sets de filmagem?

Na última quinta (21), a diretora de fotografia Halyna Hutchins morreu após um disparo acidental dentro do set do filme Rust, no estado do Novo México, nos EUA. O autor do tiro foi o ator Alec Baldwin, que usava uma arma cenográfica durante a filmagem. O diretor do longa, Joel Souza, também se feriu.

Nascida na Ucrânia, Hutchins se formou em jornalismo e, depois, mudou-se para Los Angeles, onde começou a trabalhar com cinema. A diretora de 42 anos chegou a ser atendida em um hospital na cidade de Albuquerque, mas não sobreviveu.

Rust é um faroeste que se passa no estado do Kansas no final do século 19. Conta a história de um menino de 13 anos que, após a morte dos pais, foge junto ao irmão mais novo e seu avô (Baldwin), um homem sentenciado à morte pelo assassinato acidental de um fazendeiro local.

A morte de Hutchins paralisou a gravação do filme, que ainda não tem data para reiniciar. No momento, a polícia do condado de Santa Fe investiga as circunstâncias do acidente: qual tipo de munição foi utilizada, se houve uma falha no equipamento – ou se algo se alojou no cano.

Balas de mentira, armas de verdade

Antes de tudo, é importante frisar: na maior parte das vezes, as armas cenográficas usadas em sets de filmagens são, na verdade, armas de verdade. O que muda é a munição.

As balas de festim (ou em inglês, “blanks”, que significa “vazio” ou “espaço em branco”) são como balas normais, a não ser por um detalhe decisivo: elas não possuem projétil, a parte da munição que atinge o alvo. É por isso que elas são usadas em filmes, séries de TV e novelas, já que reproduzem o barulho de um disparo real.

A morte da diretora de fotografia Halyna Hutchins, vítima de um disparo acidental, levantou questões sobre o uso desses equipamentos no cinema. Conheça os principais protocolos de segurança.

Quais são as regras para o uso de armas de fogo em sets de filmagem?

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