Cientistas treinam formigas para detectar câncer de mama em humanos

Quanto mais cedo acontece o diagnóstico do câncer, maiores são as chances de recuperação do paciente. Por isso, alguns cientistas trabalham para facilitar esse processo – e novas descobertas indicam que as formigas podem ser uma possibilidade promissora.

Segundo estudo realizado por Baptiste Piqueret, da Universidade de Sorbonne Paris Nord (França), e outros pesquisadores de instituições francesas, formigas da espécie Formica fusca seriam capazes de detectar o câncer de mama em humanos.

Assim como outras doenças, o câncer deixa pistas olfativas no corpo do paciente, porque as células afetadas acabam produzindo e liberando certos compostos orgânicos voláteis – que conferem odores característicos a elas.

Pesquisas anteriores já demonstraram que cachorros seriam capazes de sentir esses odores e, assim, detectar diferentes tipos de câncer a partir da pele, da respiração ou dos fluidos e secreções de alguém – sangue, urina ou suor, por exemplo.

E as formigas? Para alguns cientistas, os insetos seriam uma boa ferramenta de detecção já que são relativamente fáceis de manusear, podem ser criados em grande quantidade e treinados para reconhecer odores específicos em poucos testes.

Em experimento, os insetos distinguiram o odor da urina de camundongos saudáveis e daqueles que receberam implantes de células cancerígenas.

Cientistas treinam formigas para detectar câncer de mama em humanos

publicado em superinteressante

Arqueólogos encontram cidade de 3,4 mil anos no rio Tigre

Uma cidade de 3,4 mil anos emergiu do reservatório de Mosul (Iraque), às margens do rio Tigre, depois que o nível de água diminuiu. Arqueólogos curdos e alemães realizaram escavações antes que o local ficasse submerso novamente e encontraram edifícios e tábuas de argila cobertas de cuneiforme – um antigo sistema de escrita.

As escavações aconteceram entre janeiro e fevereiro deste ano, e as descobertas foram anunciadas nesta segunda-feira (30). Acredita-se que o sítio arqueológico em questão, chamado Kemune, corresponda à antiga cidade de Zakhiku, pertencente ao Império Mitani (1550 a 1350 a.C.), que foi destruída em um terremoto.

Os arqueólogos encontraram uma grande fortificação com muros e torres, um edifício de vários andares e um complexo fabril, segundo comunicado da Universidade de Tübingen (Alemanha). Essas construções acompanham um palácio que foi descoberto em 2018, também em uma época de seca no reservatório.

Edifícios emergiram de reservatório no Iraque, depois que o nível de água diminuiu. Também foram encontradas mais de cem tabuletas cuneiformes no local.

Arqueólogos encontram cidade de 3,4 mil anos no rio Tigre

publicado em superinteressante

Maior planta do mundo é uma alga marinha na costa da Austrália

Nesta semana, pesquisadores australianos encontraram a maior planta do mundo – uma alga marinha da espécie Posidonia australis. Com 200 quilômetros quadrados de extensão (18,5 campos de futebol), ela está localizada na Área de Patrimônio Mundial de Shark Bay, na costa oeste da Austrália.

estudo que encontrou a gigante começou na tentativa de identificar a diversidade genética das algas marinhas da região. A equipe colheu amostras de algas de vários ambientes ao longo da baía, analisando marcadores genéticos e criando uma base de dados comparável. Foi como criar um registro da impressão digital de cada planta.

Ela tem 200 quilômetros quadrados de extensão – mais do que 18 campos de futebol. Entenda por que ela é tão grande.

Maior planta do mundo é uma alga marinha na costa da Austrália

publicado em superinteressante

Comunicação de chimpanzés pode ser mais complexa do que se pensava

Em um novo estudo, pesquisadores analisaram quase 5 mil gravações de chamados de chimpanzés do Parque Nacional Taï, na Costa do Marfim. Ao examinarem a estrutura dos áudios captados, encontraram 390 sequências vocais únicas.

Parecidas com frases, essas sequências são montadas vindas de combinações de tipos de chamados (como gritos, grunhidos e outros barulhos). Apesar de não parecerem tão detalhadas quanto a linguagem humana, já representam um enorme avanço no que se sabia sobre a comunicação primata.

Pesquisadores descobriram que sequências vocais similares às frases que montamos também são articuladas por esses primatas.

Comunicação de chimpanzés pode ser mais complexa do que se pensava

publicado em superinteressante

Edição genética pode alterar o comportamento de hamsters

Cientistas bloquearam a ação de um neurotransmissor, e esperavam que os bichinhos se tornassem menos sociáveis – mas aconteceu justamente o contrário

Edição genética pode alterar o comportamento de hamsters

publicado em superinteressante

Estudo confirma: mais gente leva tiro onde a lei facilita porte de arma

A Segunda Emenda à Constituição dos Estados Unidos dá à população o direito de portar armas, em prol de sua legítima defesa. Quem lê isso pode lembrar que essa liberdade para se defender é justamente o argumento do presidente Jair Bolsonaro em suas tentativas de aprovar no Congresso leis que facilitem o acesso de brasileiros civis a armas de fogo. Remonta à frase de Juracy Magalhães, embaixador no período da Ditadura Militar: “se é bom para os EUA, é bom para o Brasil”. Só que há duas questões importantes a se considerar aqui.

1 – A Segunda Emenda foi elaborada no século 18, mais especificamente em 1791, e nasceu num contexto de luta por independência das antigas colônias britânicas e espanholas no país. Ter grupos de cidadãos armados era uma forma de proteger o território, já que não havia Forças Armadas capazes de abranger toda a vastidão americana.

2 – Se teve sua função séculos atrás, hoje estudos confirmam que facilitar o acesso às armas não é bom para os Estados Unidos. Nem seria para o Brasil.

A prevalência da vontade de políticos conservadores manteve até hoje, ainda que com alterações, a lei de séculos atrás. E o resultado é que os EUA são, de longe, o país com mais tiroteios em massa entre os países desenvolvidos. Mas de longe mesmo: entre 1998 e 2019, houve 101 desses massacres no país. Na França, o segundo lugar desse ranking, houve 8. 

No Texas, onde um atirador matou 19 crianças de 7 a 10 anos, a legislação permite que adultos carreguem armas sem autorização especial nem treinamento.

Estudo confirma: mais gente leva tiro onde a lei facilita porte de arma

publicado em superinteressante

Psicobióticos: os remédios feitos de bactérias que prometem tratar ansiedade e depressão

Por Bruno Garattoni

O útero é o lugar mais seguro do mundo. O bebê recebe tudo o que precisa, e fica completamente protegido: a placenta impede a passagem de micróbios. Mas essa limpeza absoluta, que é vital para o bom desenvolvimento do feto, termina no nascimento.

Quando a criança nasce de parto normal, ela recebe um batismo da natureza: ao passar pelo canal vaginal da mãe, é colonizada por diversas espécies de bactéria, que irão formar a sua primeira microbiota, o conjunto de microorganismos que vivem no corpo humano.

Eles são incrivelmente numerosos: um adulto carrega em média 39 trilhões de bactérias (1), e elas vivem em harmonia com os 30 trilhões de células do organismo. Em números, você é mais microbiano do que humano.

São mais de 300 espécies de bactéria, a maioria vivendo no sistema digestivo. E ele tem sua própria rede de neurônios: 500 milhões, distribuídos ao longo de uma faixa que começa no esôfago, percorre todo o intestino e termina no reto. O intestino também produz mais de 30 neurotransmissores, incluindo 50% de toda a dopamina e 90% da serotonina do organismo.

O sistema digestivo tem mais de 500 milhões de neurônios, e produz neurotransmissores – incluindo 50% da dopamina e 90% da serotonina do organismo.

Esse conjunto de neurônios e neurotransmissores forma o “sistema nervoso entérico”, que existe em todos os animais vertebrados e tem uma função primordial: controla o processamento da comida, extraindo energia dos alimentos e expulsando eventuais toxinas.

Os micróbios do intestino afetam o sistema nervoso, e podem influenciar o estado mental. Agora, a indústria está começando a transformar essas bactérias em medicamentos. Conheça-os – e veja o que aconteceu quando nosso editor passou 30 dias tomando um deles.

Psicobióticos: os remédios feitos de bactérias que prometem tratar ansiedade e depressão

publicado em superinteressante

Enxaqueca não é só dor de cabeça

Os sintomas de enxaqueca estão fortemente associados à dor de cabeça – que pode, muitas vezes, ser incapacitante –, mas não se restringem a apenas isso. Entre outras repercussões, pacientes enxaquecosos podem apresentar também dores no pescoço e até mesmo na musculatura dos ombros. Isso é o que aponta um estudo publicado na Cephalalgia , a revista oficial da International Headache Society (IHS) , que avaliou os músculos trapézios (que fica na região dos ombros) de pessoas com enxaqueca, a partir de exames de ressonância magnética. No estudo, foram avaliados 21 indivíduos com enxaqueca e 22 pessoas sem histórico da doença para se estabelecer o comparativo. Nos resultados, os pesquisadores verificaram que todos aqueles com enxaqueca tinham pontos de gatilho miofasciais no músculo trapézio, além de sinais que indicavam processos inflamatórios na musculatura.  “A enxaqueca é uma queixa comum e que frequentemente está associada a outras dores. A anamnese desses pacientes inclui a investigação de dores nos ombros, na face e na coluna cervical, quase sempre confirmadas por eles”, diz o médico neurologista Paulo Faro, especialista em cefaleia e membro da Sociedade Brasileira de Cefaleia.  Faro ressalta que a cervicalgia (dor no pescoço), por exemplo, é frequente em pacientes com enxaqueca: “Há evidências de processos inflamatórios no músculo trapézio e isso é bem visto na prática clínica. O estudo em questão veio reforçar esse achado.” No estudo, entre aqueles que apresentaram alterações musculares, não houve diferenças significativas em relação à idade, sexo, índice de massa corporal ou número de pontos de gatilho miofasciais. “Porém, o que se constatou foi que todos os pacientes com enxaqueca apresentaram esses pontos nos músculos trapézios, de forma significativamente maior quando comparado ao grupo controle, ou seja, aqueles sem a condição”, continua o especialista. “Essa pesquisa está alinhada com as evidências que revelam um processo inflamatório periférico provocado pela enxaqueca, provando, mais uma vez, que a doença não é apenas uma simples dor de cabeça.” +Leia também: Uma cirurgia para enxaqueca?

Afinal, qual é a relação?

Faro explica que o complexo trigêmino-cervical é a estrutura chave para compreender o fenômeno que explicita a relação enxaqueca e dor muscular. “Há uma conexão de nervos que levam a informação de dor na cabeça e nos ombros. Em uma enxaqueca pesada, por exemplo, ramos do nervo trigêmeo, responsável pela sensibilidade da região da cabeça, ativam os nervos cervicais, estimulando-os e também estimulando os músculos da região, que se tornam sensibilizados”, explica. O médico comenta que, em casos de enxaquecas frequentes (diárias ou semanais), a provocação de estímulos repetitivos torna a musculatura da face, pescoço e ombros cada vez mais sensível, levando a pessoa a sentir dores espontâneas. Na pesquisa, os resultados da ressonância magnética foram divididos em sequências e cada uma mostrava uma alteração em dada estrutura estudada. Na sequência utilizada, foi demonstrado o processo inflamatório hiperintenso (ou seja, mais claro na imagem), sugerindo que aquela região está inflamada. “ A enxaqueca ativada provoca um processo inflamatório na musculatura do trapézio, que foi o músculo alvo do estudo. Porém, outros músculos também demonstram essa inflamação”, esclarece Faro. Trabalhos futuros podem validar esse achado em amostras maiores, mas os pesquisadores acreditam que esse fator inflamatório pode ter potencial para se tornar um biomarcador viável. *Este conteúdo foi produzido pela Agência Einstein.

Estudo confirma a presença de pontos de gatilho no músculo trapézio, comprovando a existência de processos inflamatórios que fazem a dor ir além da cabeça

Enxaqueca não é só dor de cabeça

publicado em superinteressante

Imagen: como funciona a inteligência artificial do Google que transforma texto em imagem

No mundo da inteligência artificial, existem os chamados geradores texto-imagem. É um nome bem autoexplicativo: baseado na frase que o usuário digita, o sistema devolve uma imagem correspondente ao que foi escrito.

Até então, o líder no campo desse tipo de programa era o DALL-E, software criado pelo laboratório OpenAi. Agora, o Google resolveu entrar na jogada com o Imagen, anunciado na última terça (24).

O Imagen funciona da mesma forma que os outros geradores: com base em um texto, ele gera uma imagem. Na página dedicada ao programa, ele é descrito como tendo um “grau de fotorrealismo sem precedentes e uma profunda compreensão de linguagem”. De fato, basta observar as imagens divulgadas pela empresa para entender o potencial da nova ferramenta:

Alguns exemplos de imagens geradas pelo Imagen: a legenda embaixo é a tradução do texto em inglês que originou a imagem.

As imagens são geradas a partir de frases de variados graus de complexidade.

Segundo o Google, o Imagen produz imagens melhores do que o DALL-E. Para chegar a essa conclusão, a empresa criou uma métrica de comparação, chamada de DrawBench. Não é nada muito complexo: eles usaram o mesmo texto para criar imagens em diversos geradores. As produções foram submetidas a juízes humanos, que escolheram suas preferidas. E os resultados do Imagen foram escolhidos mais vezes do que os dos concorrentes.

Os resultados da nova ferramenta impressionam. Mas ela ainda vai demorar para ficar disponível ao público. Entenda por quê.

Imagen: como funciona a inteligência artificial do Google que transforma texto em imagem

publicado em superinteressante

Campo magnético da Terra tem ondas de 7 anos

Por Bruno Garattoni

A Terra contém ferro e níquel derretidos, na forma líquida. Conforme esses metais se movem e se misturam, a interação entre eles gera um campo magnético – que envolve todo o planeta e pode ser detectado por pombos, tartarugas, tubarões e algumas espécies de aves migratórias, que o utilizam para se orientar (em 2019, uma experiência feita no Instituto de Tecnologia da Califórnia revelou que o cérebro humano também consegue detectar, em um nível inconsciente, o campo geomagnético (1)).

Ele também se desloca com o tempo: desde o começo do século 20, o polo norte magnético está indo do Canadá para a Sibéria. A novidade é que, além desses fenômenos, também há uma oscilação rápida e misteriosa.

Um estudo publicado por cientistas franceses (2) constatou que, a cada sete anos, aparece uma onda magnética na região da linha do Equador, que se desloca para oeste na velocidade de 1.500 km por ano.

Os pesquisadores descobriram isso analisando registros de satélites (dotados de sensores magnéticos) entre 1999 e 2021. Segundo eles, a onda poderá ajudar a entender a formação do campo geomagnético – e prever melhor suas futuras mudanças. 

Fontes (1) Transduction of the Geomagnetic Field as Evidenced from alpha-Band Activity in the Human Brain. J. Kirschvink e outros, 2019. (2) Satellite magnetic data reveal interannual waves in Earth’s core. N Gillet e outros, 2022.

Estudo revela que o geomagnetismo sofre flutuações periódicas – e enigmáticas.

Campo magnético da Terra tem ondas de 7 anos

publicado em superinteressante