Caverna espanhola era estúdio de arte há mais de 58 mil anos

Um terremoto sacudiu o sul da Espanha há 200 anos. A consequência inesperada foi uma descoberta arqueológica: os tremores revelaram a entrada da Cueva de Ardales, um sistema de cavernas que tem mais de mil obras de arte rupestre em suas paredes.

O lugar foi explorado já em 1821. Mas ainda não estava claro quem – e quando – fez os desenhos em vermelho de animais, humanos, formas abstratas e impressões de mãos. Agora, novas escavações e análises trouxeram ideias mais precisas aos cientistas.

Há cerca de 58 mil anos, neandertais e, mais tarde, os primeiros humanos modernos teriam pintado a Cueva de Ardales. A conclusão está em um estudo publicado este mês na revista PLOS One, conduzido por José Ramos-Muñoz, da Universidade de Cádiz (Espanha).

Há mais de mil obras de arte rupestre na Cueva de Ardales, que teria sido visitada por neandertais e por antigos humanos.

Caverna espanhola era estúdio de arte há mais de 58 mil anos

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O assobio dos golfinhos varia de acordo com o lugar em que vivem

Várias espécies de golfinho têm assobios específicos para cada indivíduo – como se fossem um nome. Eles os usam para se identificarem, se comunicarem e manterem vínculos, e são capazes de imitar os assobios de amigos e familiares próximos.

Um novo estudo revelou que a localização e a demografia dos golfinhos têm influência maior nas diferenças desses assobios de assinatura do que a genética.

Os cientistas coletaram 188 horas de gravações de golfinhos nariz-de-garrafa (Tursiops truncatus) no Mar Mediterrâneo e analisaram as diferenças nos assobios de seis populações diferentes. Assim como temos sotaques, os golfinhos tinham semelhanças em seus apitos de assinatura de acordo com onde viviam. Golfinhos de regiões com algas marinhas tinham assobios mais agudos e mais curtos, se comparados com os de áreas onde o fundo do mar era lamacento, por exemplo. 

“A transmissão do som em águas rasas é altamente variável e depende de sedimentos, profundidade e inclinação, mas também de eventos de maré, gradientes de temperatura, entradas de água doce, obstáculos no caminho do som e a interação entre o sedimento e as plantas ou animais que vivem no fundo,” escrevem no artigo.

tamanho dos grupos também altera os assobios – quanto menores as populações, maiores as mudanças de tom. Os cientistas, então, concluíram que tanto as condições ambientais quanto a demografia influenciam fortemente os apitos próprios; enquanto a variação genética não apresenta o mesmo poder.

Golfinhos usam assobios para se comunicarem uns com os outros, e esses apitos variam entre ambientes e populações – como sotaques do reino animal.

O assobio dos golfinhos varia de acordo com o lugar em que vivem

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Mulher recebe implante de orelha feita com as próprias células

Uma orelha impressa em 3D foi transplantada com sucesso em uma mulher com uma deformidade na orelha. A operação foi o primeiro teste clínico da tecnologia, feita pela companhia 3DBio Therapeutics.

A mulher era acometida de microtia, uma condição em que uma ou as duas orelhas não se desenvolvem plenamente ou estão ausentes. Os pacientes geralmente têm seus implantes feitos com materiais sintéticos ou enxertos de costela, que envolvem uma cirurgia complicada.

“Esse novo implante requer um procedimento menos invasivo do que usar cartilagem da costela na reconstrução. Também esperamos que resulte em uma orelha mais flexível do que a reconstrução com um implante de polietileno poroso”, conta Arturo Bonilla, o cirurgião que realizou a operação.

A nova tecnologia aplicada, por outro lado, usa um tecido personalizado e dura poucas horas. O processo recolhe amostras de células que formam a cartilagem da pessoa, então eles multiplicam a pequena amostra em várias células. A companhia as mistura com uma base de colágeno e as usa para imprimir uma réplica da orelha não afetada do paciente.

As células vivas continuam produzindo cartilagem durante a vida da pessoa; além disso, o implante é menos propenso a ser rejeitado pelo corpo, pois é feito das próprias células.

É um passo importante para a criação de tecidos artificiais e implantes. “Acreditamos que os teste clínicos podem nos dar não só evidências do valor desse produto inovador e do impacto positivo nos pacientes de microtia, mas também demonstra o potencial dessa tecnologia em fornecer implantes de tecidos vivos em outras áreas futuramente”, conta Daniel Cohen, cofundador da 3DBio Therapeutics.

Feito a partir de uma impressão 3D, o modelo usou células de cartilagem tiradas da paciente.

Mulher recebe implante de orelha feita com as próprias células

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De dentadura a caviar: Uber divulga lista de objetos esquecidos em viagens

Por Rafael Battaglia

Carteiras, celulares e guarda-chuvas são coisas normais de se esquecer dentro do carro. Mas e meio quilo de caviar? Ou uma dentadura? Ou ainda, quem sabe, uma fantasia de pizza?

No último dia 3, a Uber divulgou a 6ª edição da Uber Lost & Found Index, o levantamento anual da empresa de itens esquecidos pelos seus passageiros. A lista de achados e perdidos se refere às viagens realizadas em 2021.

Como você deve imaginar, telefones, carteiras e chaves lideram a lista dos objetos mais deixados para trás. Confira o top 10 dos Estados Unidos:

1 – Celular/câmera

2 – Carteira

3 – Chaves

4 – Mochila/bolsa

5 – Fone de ouvido

6 – Óculos

7 – Roupas

8 – Cigarro eletrônico (vape)

9 -Joias

10 – Documento de identidade

Mas o mais legal é que a Uber divulgou também os itens mais inusitados encontrados nos carros: um avental do Boba Fett (de Star Wars); um cortador de grama; um ukulele da Billie Eilish (que custa módicos R$3.100); uma placa de funcionário do mês; um capacete do Darth Vader (seria o mesmo dono do avental?); uma pintura do Kung Fu Panda; uma tartaruga (pobre animal) e uma antiga bengala com uma espada dentro.

Cortador de grama, fantasia de pizza, capacete do Darth Vader… Veja também quais são as cidades brasileiras campeãs em deixar pertences para trás.

De dentadura a caviar: Uber divulga lista de objetos esquecidos em viagens

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“Fingir demência”, “surtado” e outras expressões capacitistas para banir do vocabulário

Nas entrelinhas do que (e como) falamos, está nossa visão de mundo. Afinal, as línguas se desenvolvem de acordo com o ambiente em que estão inseridas e com a cultura de seus falantes.

Até aí, tudo bem. O problema é que, por conta disso, aspectos nada louváveis das sociedades podem acabar aparecendo em uma série de palavras e expressões – que, às vezes, usamos sem perceber.

Um exemplo é o capacitismo: a discriminação e o preconceito contra pessoas com deficiência (PCD) física ou mental. A mentalidade capacitista pressupõe que esses indivíduos são necessariamente menos aptos a realizar tarefas do cotidiano ou incapazes de vivenciar determinadas experiências.

Isso se manifesta no oferecimento de tratamento desigual – desfavorável ou favorável demais. Sabe quando alguém despreza as PCD ou fala como se fossem indivíduos “especiais”, dignos de pena ou ajuda? Esses são comportamentos capacitistas a serem evitados – e não só porque ofendem essas pessoas (embora isso já seja motivo suficiente).

“O preconceito e o estigma colocam diversas barreiras no diagnóstico e tratamento de transtornos mentais”, diz o psiquiatra Thiago Rodrigo, professor colaborador da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Isso porque essa mentalidade constrange e afasta do convívio social quem tem esses transtornos – ou mesmo pessoas próximas a eles – e dificulta a adesão ao tratamento.

A língua carrega preconceitos enraizados na sociedade. Mas é possível mudar: entenda o que é capacitismo e como escrever (e falar) de forma mais inclusiva.

“Fingir demência”, “surtado” e outras expressões capacitistas para banir do vocabulário

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Mosquitos cansados preferem dormir a comer

Cientistas descobriram que mosquitos sonolentos preferem recuperar o sono perdido a procurar comida no dia seguinte. O estudo mostra que até mesmo insetos dependem de um sono adequado.

Essa ação de recuperar o sono perdido é chamada de “rebote do sono”. Quando um indivíduo não dorme a quantidade necessária de horas, ou fica sob estresse elevado quando acordado, o corpo pode precisar de mais horas de sono no dia seguinte. O rebote de sono acontece com humanos e animais, inclusive insetos como moscas de fruta e mosquitos.

Os pesquisadores tomaram precaução extra ao desenvolver os protocolos para o estudo. A observação pode afetar o resultado do experimento, especialmente ao analisar os mosquitos.

Esses pequenos insetos sentem a presença de pessoas através do nosso calor corporal, movimento, vibrações e até do gás carbônico que exalamos ao respirar. É difícil observar o sono deles quando eles te enxergam como uma ceia de Natal.

Os cientistas montaram o experimento em uma parte mais tranquila do campus da Universidade de Cincinnati, onde não havia circulação de pessoas, e instalaram câmeras e sensores infravermelhos para gravar os movimentos dos insetos sem incomodá-los.

Mosquitos dormem muito em laboratório. Algo entre 16 e 19 horas por dia, dependendo da espécie. Mas não é fácil reconhecer um mosquito cochilando – quando não estão rondando atrás de alimento, eles se empoleiram por longos períodos para conservar energia.

Os insetos também sentem os efeitos da privação do sono – e não ficam muito dispostos quando dormem mal.

Mosquitos cansados preferem dormir a comer

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Cientistas recriam perfume usado por Cleópatra. Saiba qual cheiro ele tinha

Ruínas, ferramentas, ornamentos, documentos. São achados desse tipo que geralmente orientam arqueólogos no estudo de sociedades antigas. Mas, recentemente, alguns pesquisadores passaram a se dedicar também a coisas intangíveis – como cheiros.

Nesse tipo de trabalho, os cientistas buscam identificar moléculas de substâncias aromáticas preservadas em objetos antigos. E não só: às vezes, tentam também reconstruir alguns desses cheiros.

É o caso da equipe liderada por Robert Littman e Jay Silverstein, arqueólogos da Universidade do Havaí, que afirmam ter descoberto qual era o perfume usado por Cleópatra. A última rainha do Antigo Egito, que esteve no poder entre 51 a.C. e 30 a.C., provavelmente recorria a uma fragrância popular entre a elite egípcia: o perfume mendesiano, fabricado na antiga cidade de Mendes.

Em 2021, escavações em Thmouis, nos arredores de Mendes, descobriram os restos do que seria uma fábrica de perfumes de 2,3 mil anos, com fornos e recipientes feitos de argila que continham resíduos das fragrâncias. Neste lugar, acredita-se, eram produzidos perfumes que ficaram famosos em todo o Mediterrâneo.

Os pesquisadores estudaram a composição química dos resíduos nos frascos e consultaram escritos antigos, gregos e romanos, que indicariam a receita do perfume mendesiano. As tentativas de recriar a fragrância incluíram ingredientes como óleo de tâmara, mirra, canela e resina de pinheiro.

Segundo os cientistas, a base para os perfumes e unguentos egípcios não era álcool, mas sim óleo vegetal ou gordura animal. Os fabricantes obtinham os aromas a partir da fumaça da queima de resinas, cascas e ervas, ou da maceração de flores, especiarias e madeira.

Em estudo publicado na revista Near Eastern Archaeology, a equipe de Littman e Silverstein explica como alcançou um perfume que seria próximo ao mendesiano, apelidado “Eau de Cleopatra”. Ele seria uma mistura forte, mas agradável e adocicada, produzido a partir de mirra e canela. O aroma famoso entre membros da elite também seria duradouro (qualidade associada aos perfumes egípcios), permanecendo potente por cerca de dois anos.

Para montar a receita da fragrância, estudo analisou resíduos de uma fábrica de perfumes egípcia de 2,3 mil anos, além de antigos escritos gregos e romanos.

Cientistas recriam perfume usado por Cleópatra. Saiba qual cheiro ele tinha

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Altura pode ser fator de risco para doenças, indica estudo

Pessoas altas são mais propensas à neuropatia periférica e a infecções de pele e ossos. Essa foi a descoberta da maior investigação sobre altura e saúde já realizada, publicada na última quinta-feira (2). O estudo foi feito com cerca de 300 mil pessoas e liderado por Sridharan Raghavan, do Rocky Mountain Regional VA Medical Center, nos EUA.

A estatura já foi associada a alguns problemas médicos, mas os cientistas não têm certeza se ela é mesmo um fator de risco para eles – ou se outros fatores que podem afetar a altura, como a genética, os hábitos alimentares e as condições socioeconômicas, são os verdadeiros vilões. 

Raghavan e seus colegas tentaram encontrar pistas para resolver o problema e analisaram as conexões entre várias doenças e a altura de uma pessoa, assim como as conexões com a altura prevista pela genética de cada um. 

Pessoas altas são mais propensas a infecções de pele e mais resistentes a doenças cardíacas, diz estudo que analisou os dados médicos de 300 mil americanos.

Altura pode ser fator de risco para doenças, indica estudo

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A real do homeschooling

O governo Bolsonaro comemorou, assim como a bancada evangélica. A oposição se revoltou. O motivo das reações distintas foi a aprovação, na Câmara dos Deputados, dia 18 de maio, do projeto de lei que regulamenta o homeschooling (ou ensino domiciliar) no Brasil. O PL precisou incluir uma alteração no Código Penal: por enquanto, pais que optam por educar suas crianças e adolescentes em casa, e não na escola, podem ser acusados de crime por abandono intelectual dos filhos. Até porque muitos realmente não dão conta de ensiná-los, e o avanço educacional de meninas e meninos fica comprometido.

Sim, no Brasil a lei diz que todo brasileiro de 4 a 17 anos deve frequentar uma escola. Pais que não matriculam seus filhos podem ter problemas com o conselho tutelar. O objetivo da legislação é garantir que toda criança ou adolescente tenha acesso à educação. Dentro de casa, com pais mal preparados (ou sem as mínimas condições) para ensinar, esse acesso está longe de ser garantido. 

Então por que o atual governo brigou tanto pelo direito ao homeschooling? Bolsonaro conta com o apoio dos evangélicos e toma uma série de medidas para atender às reivindicações dos políticos que falam em nome de parte desses religiosos. Em casa, sem uma educação formal, que tenha base científica, filhos de evangélicos correm o risco de receber uma formação exclusivamente baseada nos dogmas dos templos, e não nos livros didáticos. Aprender que o mundo começou com Adão e Eva, em vez de conhecer a teoria do Big Bang, por exemplo. 

Projeto de lei aprovado pelo Congresso coloca em risco educação de crianças e adolescentes, além de seu contato com um ambiente plural.

A real do homeschooling

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Arqueólogos encontram 250 sarcófagos de 2,5 mil anos no Egito

A necrópole de Saqqara, a cerca de 25 quilômetros de Cairo, no Egito, tem sido alvo de escavações desde 2018. E é lá que, recentemente, arqueólogos encontraram 250 sarcófagos e cerca de 150 estatuetas de bronze. A descoberta foi divulgada na segunda-feira (30) pelo Ministério do Turismo e Antiguidades do país.

Os sarcófagos de madeira pintada ainda estavam selados e guardam múmias bem preservadas. Assim como o restante dos artefatos encontrados, eles datam de cerca de 2,5 mil anos atrás – no chamado Período Tardio do Antigo Egito. É a primeira vez que objetos dessa época são encontrados em Saqqara.

Outras 150 estatuetas de divindades egípcias também estavam na necrópole de Saqqara. É a primeira vez que artefatos do Período Tardio do Antigo Egito são encontrados por lá.

Arqueólogos encontram 250 sarcófagos de 2,5 mil anos no Egito

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