Há quem não consiga ficar sozinho por um momento que seja. Já eu gosto da experiência de estar comigo mesma ( salvo raras exceções) e dou muito valor a essas oportunidades. Considero uma benção conseguir colocar as ideias em ordem, no silêncio que minha solidão me proporciona. Nestas horas sem companhia externa, consigo enxergar com mais clareza o que se passa comigo, trazendo para mais perto de mim, o que de mais precioso eu possuo, minha própria experiência interna, a vivência comigo mesma e com todas as minhas nuances.
Nem sempre é fácil, com certeza, porém é tão profundo e gratificante, que realmente indico a todos que consideram que a multidão é o melhor lugar. Já ouviu falar que nascemos e morremos sós? Realmente, como espiritualista não creio na literalidade desta sentença, entretanto, se analisarmos que cada um é o responsável pelas suas escolhas, ela toma todo um amplo sentido.
Isso me fascina e desperta… óbvio que também assusta, mas é tão bonito e poderoso saber que dentro de cada um de nós há um Universo de sabedoria e amor para ser descoberto e explorado, que sempre que tenho uma ocasião propícia, busco ficar sozinha, para que lá , nós duas, cara a cara, possamos fazer planos, tentar resolver dilemas, compreender questões, e nesta louca aventura chamada vida, ir em busca da profunda verdade e beleza que só existem dentro de mim…e sem dúvida nenhuma dentro de você. Por isso, da próxima vez que você estiver sozinho (a) agradeça e aproveite, é mais uma oportunidade feliz de se reconectar consigo mesmo e transpor outro degrau nesta infinita jornada da evolução.
Pode parecer clichê, mas não há nada mais decepcionante do que uma expectativa. Sério, analise você mesmo…cada vez que lançamos uma ilusão sobre uma situação presente ou futura, aí está… decepção à vista. Muito pessimista? Não, realista como a lei da gravidade, a ilusão sobre uma situação, solução ou uma pessoa, cabe dentro da nossa perspectiva, não ( e quase nunca) dentro das prioridades, capacidades, ou vontades do outro lado. É um fato da vida. Não é uma delícia quando você, do nada, recebe uma notícia, visita ou elogio ? E quando você espera uma dessas coisas e ela não vem? Decepção, outra vez, e outra, e tantas quantas você teimar em insistir.
Meu objetivo aqui não é jogar areia em seus sonhos, muito pelo contrário, quero mais é ajudar na rega, na poda e no cultivo. Sem nunca, jamais, esquecer dos meus próprios, porque sem acreditar e investir em mim, não sobra muito pra contar. Gostaria sim, de compartilhar minha visão sobre este assunto e, confesso, buscar uma forma também de mudar essa prática em mim. No geral, bem, não sei vocês, reagimos com tristeza e raiva à decepção. Como se de alguma maneira mágica as coisas sempre fossem se desenrolar exatamente como planejávamos que fossem. Ledo engano…”O homem planeja e Deus ri.” , já diz o ditado.
E assim, mais uma vez o dilema da expectativa versus decepção se anuncia… hora de começarmos a mudança, concorda? Se não nos abrirmos a entender que cada qual tem sua maneira de pensar e reagir às circunstâncias, nunca teremos tranquilidade suficiente para seguir adiante com coragem e confiança nos outros e na vida. O mais engraçado é que mesmo tendo consciência das verdades inegáveis destes fatos, volta e meia, novamente, lançamos nossa expectativa em algo, alguém ou alguma situação, que já previsivelmente, irá nos mostrar o quanto não temos controle sobre absolutamente nada.
Então, amigos, nada a fazer além de viver, amar e deixar viver… não, não é simples nem fácil, de outra forma não seria a vida…e é esse o objetivo da existência, o aprimoramento da experiência, da jornada e das convivências. Vamos sim, observar a nós mesmos e começar por aí, a mudança que tanto almejamos nos outros e na humanidade. É possível, é alcançável e é nossa mais sublime missão.
Da janela da casinha, casinha de tijolos,cimento, histórias e calos…dessa janela assisto o vento bater nas árvores. É uma batida contínua, sincrônica até, diria eu, amorosa. Vai e volta com um cinismo e um charme que só poderia esperar do vento. Esse mesmo,que vêm de não sei onde, remexe tudo depois parte. Assim, sem deixar endereço, sentimento ou telefone. Elas, as árvores, já deveriam estar acostumadas, em especial aqui, onde esse intrépido cavaleiro surge dia sim , outro talvez. Mas não, cada nova visita têm ares de estréia. A paixão e o fascínio só aumentam, pois que a cada rompante ele chega diferente, soando como se mil harpas e liras tocassem juntas em torno e dentro da minha alma. Sim, sou um pouco ,ou muito, como essas árvores. Provo dessa dúbia relação com o vento, mas entre mortos e feridos salva-se a delícia de ter os cabelos embaraçados e os arrepios nos braços. Assim como as árvores, com seus galhos revoltos e as folhas ao léo. Agora chega de adular o vento,mesmo ele sendo meu predileto, a vida e a paisagem aqui não me deixam dúvidas de que natureza é sábia e de que a vida no campo é uma das maravilhas da existência. Dá para ver muito mais aqui desta janela,podem acreditar…muito além das vacas pastando, ou dos pássaros que a todo momento cantam e piam como se não houvesse amanhã. Toda essa movimentação me motiva, esse verde trás a tona tudo que pudesse estar adormecido, e mesmo quando bate a preguiça, fruto do friozinho e da garoa, é esta janela tão frugal que dá o tom do dia. Quem dera a alma possa ter uma abertura como essa, já que seria de tanta valia, saber olhar e recolher cada momento como as árvores recolhem o vento, como se acolhe alguém ou algo que nem se sabe, mas se anseia. Acontece que nada vêm de graça ou sozinho, e esse vento matreiro não seria excessão. A partir de agora ele divide espaço com o sol, e essa mistura deliciosa faz qualquer um sair da toca e querer provar esse momento pitoresco. Sabe do que me dei conta agora? Desde que estou aqui ainda não vi nem um sapo …nem um, nem pra remédio, como diria minha vó. Já vi cobras e lagartos, sem trocadilho, mas sapo… estão é passando ao longe…