Por outro lado, ter ômega-3 nas células aliviava o processo inflamatório. “Decidimos verificar, então, se a presença do nutriente contribui para a recuperação dos infectados”, conta a engenheira-agrônoma Inar Castro, coordenadora do projeto.
Assim, seu time coletou amostras sanguíneas de 180 pessoas na hora da internação para avaliar o status de ômega-3 e o desenrolar da doença. Os resultados estão em análise e, embora as expectativas sejam boas, Inar pondera: é cedo para sair comprando cápsulas.
O estudo do FoRC-USP leva em conta o nível de ômega-3 já presente no organismo. Então, é provável que esse índice dê pistas sobre a dieta das pessoas no momento da infecção — o nutriente está basicamente em peixes como sardinha, atum e salmão e algumas sementes.
Outros trabalhos devem determinar o impacto das cápsulas e qual seria a hora de tomá-las: antes ou depois da infecção. “Até porque a gente precisa da inflamação inicial para ativar o sistema imune”, explica Inar. Por ora, é prematuro incentivar a suplementação nesses casos.
Pesquisadores brasileiros buscam respostas. Até lá, pedem cautela
Não era para ser assim. Quando tudo começou, as previsões mais realistas diziam que a pandemia estaria mais ou menos resolvida até meados de 2021, com a vacinação em massa. O Sars-CoV-2 já estava sofrendo mutações, mas lentamente (mérito da nsp14, proteína que funciona como uma espécie de “corretor”, reduzindo a quantidade de alterações genéticas na replicação do vírus). Mesmo assim, uma hora ele começou a evoluir mais rápido, e aí vieram as variantes. As vacinas continuaram funcionando, a situação começou a ser controlada, a vida deu sinais de que poderia voltar ao normal. Então o mundo foi surpreendido pela Ômicron, absurdamente mais contagiosa – a ponto de a OMS prever que, mesmo com vacinas, máscaras e demais medidas, 50% da população da Europa será infectada até o começo de março, e a médica Janet Woodcock, diretora da FDA (a Anvisa dos EUA), ter dito que “a maioria das pessoas vai pegar Covid”.
Se no início da pandemia alguém projetasse um cenário desses, seria tachado de delirante. É importante lembrar disso ao tentar prever o que vai acontecer daqui para a frente. Você deve ter visto por aí a ideia de que a Ômicron pode significar o fim da pandemia (porque se ela contaminar a maioria da população, o vírus não terá mais quem infectar). Pode até ser. Mas talvez essa previsão se revele tão ingênua quanto aquele roteiro inicial previsto em 2020. Enquanto o vírus continuar circulando e infectando muita gente, sempre poderá surgir uma nova variante capaz de mudar o jogo. Ao mesmo tempo, já é possível enxergar um caminho mais concreto para o futuro da pandemia – que começa na quarta dose da vacina. Sim, ela vem aí; e será diferente das atuais.
A evolução da imunidade
As mutações do coronavírus começaram a se tornar um problema com a variante Delta, cuja transmissão as vacinas não conseguiam mais impedir. A solução foi partir para uma terceira dose – com isso, elas voltaram a oferecer mais de 90% de eficácia contra infecção. Ótimo. Pena que a Ômicron acabou com isso. Contra ela, as três doses oferecem bem menos proteção contra o contágio: 67,3%.
Foi o que constatou o Centers for Disease Control (CDC) americano em um estudo com 70 mil pessoas (1). 67% é um número até razoável (e, vale lembrar, a terceira dose da vacina reduz em 90% o risco de Covid grave (2)), mas não será suficiente para frear a circulação do coronavírus – inclusive porque a proteção contra contágio diminui com o tempo, conforme os níveis de anticorpos no sangue vão caindo, e porque esses dois estudos só consideraram as vacinas de RNA (Pfizer e Moderna, que têm maior eficácia e são as mais usadas nos EUA, mas não no resto do mundo).
Então veio a ideia de uma quarta dose. Israel saiu na frente: em dezembro, começou a aplicá-la em todas as pessoas que tivessem mais de 60 anos, algum comprometimento do sistema imunológico ou fossem profissionais de saúde. Não deu o resultado esperado. Uma análise feita no Sheba Medical Center, em Tel Aviv, revelou que a quarta dose da vacina Pfizer eleva em 5 vezes o nível de anticorpos.
Pfizer e Moderna já desenvolveram vacinas adaptadas para a variante Ômicron. Elas poderão ser usadas após três doses do imunizante atual. Mas, no primeiro teste, a vacina da Moderna teve resultados decepcionantes.
É menos do que a terceira (3), que gera um aumento de 8 a 25 vezes (dependendo de quais vacinas a pessoa tomou antes). Mas o maior problema é que ela não consegue impedir o contágio. “Nós vimos muitos infectados pela Ômicron entre os vacinados com a quarta dose”, declarou a epidemiologista Gili Regev-Yochay, coordenadora do estudo. “A conclusão é que a vacina é excelente contra as variantes Alfa e Delta, mas contra a [transmissão da] Ômicron ela não é suficiente”, afirmou.
A Ômicron reacendeu a pandemia. Mas vem aí uma nova geração de vacinas e medicamentos antivirais para combatê-la. Veja como eles prometem mudar o jogo – e até onde as variantes podem ir.
Um programa de exercícios para ser feito em casa, sem auxílio de equipamentos e sob a supervisão remota de profissionais de educação física se mostrou seguro e eficaz para combater duas possíveis sequelas da Covid-19: o endurecimento das artérias e a perda de força dos músculos envolvidos na respiração.
No grupo havia homens e mulheres, com idade média de 52 anos.
“Apesar do número relativamente pequeno de participantes, conseguimos ver diferenças estatisticamente significativas nessas duas variáveis. E vale ressaltar que a intervenção foi segura, mesmo feita em casa. Nenhum voluntário teve efeito adverso causado pelos exercícios”, diz Emmanuel Ciolac, professor da Faculdade de Ciências (FC-Unesp), em Bauru, e coordenador da investigação.
Cerca de um mês após a alta hospitalar, os voluntários passaram por uma bateria de exames e foram aleatoriamente divididos em dois grupos.
Parte recebeu apenas uma orientação genérica para praticar atividade física e retornar à universidade após 12 semanas para uma nova avaliação. Os demais assistiram a uma aula presencial, na qual foram ensinados exercícios aeróbicos e de força, e depois receberam uma cartilha com orientações.
Esse segundo grupo foi monitorado a distância pelos pesquisadores semanalmente, por meio de telefonemas e mensagens.
“Eles receberam a recomendação de praticar exercícios resistidos (para força muscular) pelo menos três vezes por semana, além de 150 minutos de atividade aeróbica no período”, conta Vanessa Teixeira do Amaral, mestranda do Programa de Pós-Graduação em Ciências do Movimento da Faculdade de Ciências (FC-Unesp) e primeira autora do artigo.
Ao final das 12 semanas todos passaram por nova bateria de exames. Além de peso e índice de massa corporal (IMC), foram medidos pressão sanguínea, frequência cardíaca e a chamada velocidade de onda de pulso carótido-femoral (PWV, na sigla em inglês) – parâmetro usado para medir a rigidez arterial.
“Para fazer esse exame, sensores são colocados nas artérias carótida [no pescoço] e femoral [na virilha]. Eles enviam as informações para um software, que calcula a velocidade com que o sangue bombeado pelo coração vai de um ponto ao outro. Quanto maior é a rigidez arterial, mais alta é a velocidade. Valores acima de 10 metros por segundo [m/s] já são preocupantes, pois representam risco de complicações cardiovasculares”, explica Amaral.
Voluntários fizeram um treino domiciliar por 12 semanas e apresentaram melhora em diversos aspectos
Em estudo divulgado no ano passado, pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) descobriram que ser ativo turbina a resposta imune às vacinas da Covid-19. Agora, em um desdobramento do trabalho, eles perceberam que manter o corpo em movimento também faz o efeito das doses durar mais tempo.
Para chegar a essa conclusão, os cientistas analisaram 748 pacientes do Hospital das Clínicas de São Paulo com doenças reumáticas autoimunes – como artrite reumatoide, lúpus, esclerose sistêmica, miopatias inflamatórias, entre outras.
Nessas pessoas, o sistema imunológico não funciona tão bem quanto deveria (são os imunossuprimidos). Dessa maneira, elas não só ficam mais suscetíveis a quadros graves de Covidcomo tendem a apresentar uma resposta imune menor ao tomarem vacinas. Daí porque são grupos prioritários para receber novas doses do imunizante.
Na pesquisa da USP, primeiro os cientistas comprovaram a segurança e a efetividade das duas doses da CoronaVac entre esse pessoal e, depois de seis meses da vacinação, realizaram exames de sangue nos voluntários – esse é o tempo que leva para a resposta ao imunizante do Instituto Butantan começar a cair, conforme estudos prévios.
Os participantes ainda relataram como eram seus hábitos no que diz respeito à prática de exercícios. Para ter ideia, 421 se exercitavam, enquanto 327 eram inativos.
A partir desses dados, constatou-se o seguinte: seis meses depois da aplicação da vacina, as taxas de anticorpos (tanto do tipo IgG como neutralizantes) eram significativamente maiores naqueles indivíduos que praticavam exercícios físicos em comparação aos sedentários.
Há benefícios em começar agora?
Essa é uma escolha que sempre vale a pena, defende o especialista em fisiologia do exercício Bruno Gualano, líder da pesquisa e professor do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da USP. Até porque se mexer está comprovadamente relacionado a uma redução no risco de diversas doenças crônicas, como diabetes, hipertensão e câncer.
No estudo da USP, foi considerado ativo o sujeito que praticava alguma atividade física moderada ou vigorosa por pelo menos 150 minutos por semana. Ou seja, coisa de 30 minutos, cinco vezes na semana.
Os pesquisadores não chegaram a avaliar há quanto tempo essas pessoas mantinham uma rotina ativa antes de receber as duas doses da injeção, mas outros pontos foram levados em conta.
“Perguntamos se elas haviam feito exercícios uma semana antes da vacina, por exemplo, e também como era a movimentação no lazer, no trabalho, nos deslocamentos diários e nas atividades domésticas”, explica o professor da USP. A resposta à vacina foi proporcional à quantidade de atividade praticada.
O pesquisador comenta que alguns dos voluntários faziam 50 minutos diários de exercícios, acima do mínimo exigido pela Organização Mundial de Saúde (OMS), e demonstraram uma resposta imune maior do que os demais.
“Cada sistema do corpo responde de uma maneira à atividade física, inclusive o imunológico. Assim que a pessoa muda a rotina, ela vai sentir os benefícios no organismo com o tempo. E eles vão aumentando conforme essa prática fica regular”, analisa Gualano.
Em estudo com mais de 700 pessoas, número de anticorpos se mostrou significativamente maior após seis meses de vacinação naquelas com hábito de se exercitar
A variante Ômicron do coronavírus provocou uma explosão de quadros de Covid-19. Segundo o Instituto Todos pela Saúde, desde dezembro de 2021 essa cepa é a responsável por quase a totalidade dos casos da infecção. Recentemente, uma de suas subvariantes, a BA.2, foi identificada por aqui. Segundo análises de outros países, ela seria ainda mais transmissível.
Embora a gente tenha voltado a registrar um número expressivo de mortes – só ontem foram mais de 1 200 óbitos –, a situação poderia ser muito mais dramática se olharmos para a quantidade de novos casos diagnosticados atualmente. Para ter ideia, do início de 2022 até agora, já contabilizamos mais testes positivos de Covid-19 do que em todo o segundo semestre de 2021.
Por essas e outras, muito se falou sobre a possibilidade de a Ômicron levar a um quadro mais leve. Mas será que faz sentido?
“Leve não não é bem a palavra. Podemos afirmar que a Ômicron tem uma capacidade menor de provocar um quadro grave da doença porque tende a afetar mais o trato respiratório superior [nariz e garganta]”, esclarece a infectologista Rosana Richtmann, do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, em São Paulo.
“Mas em quem não está vacinado, a doença pode evoluir e chegar aos mesmos sintomas graves de sempre, como a falta de ar”, ressalta o médico.
Outro motivo para não usar o termo “leve” para se referir à Ômicron é o fato de ela se espalhar por aí muito rápido, contaminando geral.
A variante até tem menor potencial de causar quadros graves, mas, diante da alta transmissibilidade, não dá para ficar tranquilo. Sobretudo sem vacinação
Em estudo feito com 425 pacientes que se recuperaram das formas moderada e grave da Covid-19, pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) observaram uma alta prevalência de déficits cognitivos e transtornos psiquiátricos. As avaliações foram conduzidas no Hospital das Clínicas entre seis e nove meses após a alta hospitalar.
Mais da metade (51,1%) dos participantes relatou ter percebido declínio da memória após a infecção e outros 13,6% desenvolveram transtorno de estresse pós-traumático.
O transtorno de ansiedade generalizada foi diagnosticado em 15,5% dos voluntários, sendo que em 8,14% deles o problema surgiu após a doença. Já o diagnóstico de depressão foi estabelecido para 8% dos pacientes – em 2,5% deles somente após a internação.
Os resultados completos da pesquisa, que contou com apoio da Fapesp, foram divulgados na revista General Hospital Psychiatry.
“Um dos principais achados é que nenhuma das alterações cognitivas ou psiquiátricas observadas nesses pacientes se correlaciona com a gravidade do quadro. Também não vimos associação com a conduta clínica adotada no período de hospitalização ou com fatores socioeconômicos, como perda de familiares ou prejuízos financeiros durante a pandemia de Covid-19”, conta Rodolfo Damiano, médico residente do Instituto de Psiquiatria da Faculdade de Medicina (FM-USP) e primeiro autor do artigo.
O estudo integra um projeto mais amplo, coordenado pelo professor da FMUSP Geraldo Busatto Filho, no qual um grande grupo de pessoas atendidas no Hospital das Clínicas entre 2020 e 2021 vem sendo acompanhado por profissionais de diversas áreas, entre elas otorrinolaringologia, fisiatria e neurologia, a fim de avaliar eventuais sequelas deixadas pelo Sars-Cov-2.
“Durante meu doutorado, eu coordenei a avaliação neuropsiquiátrica, cujos resultados preliminares foram descritos neste artigo”, conta Damiano à Agência Fapesp. O trabalho foi orientado pelo professor da FMUSP Eurípedes Constantino Miguel Filho.
“Uma de nossas preocupações era entender se esse vírus e a doença por ele causada têm impacto no longo prazo, produzindo manifestações tardias no sistema nervoso central”, conta E. Miguel.
Boa parte dos voluntários relatou declínio da memória e estresse pós-traumático depois da infecção, independentemente da gravidade da doença
Com a acelerada disseminação da Covid-19 no Brasil provocada pela variante Ômicron, muitas pessoas com sintomas da suspeitos (ou que tiveram contato com alguém infectado) encontraram dificuldade para realizar testes em farmácias, laboratórios e hospitais. Em meio a esse contexto, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou a venda de autotestes no Brasil.
Mas, para o consumidor encontrar esses produtos nos balcões das farmácias, as empresas fornecedoras ainda precisam obter o registro e a liberação para vendas pela agência. Isso deve acontecer em fevereiro.
A ideia é que o teste de Covid-19 — feito pela própria pessoa em casa, em poucos minutos — ajude a identificar mais rápido indivíduos infectados. Mas ele deve ser usado com cuidado. Na decisão da Anvisa, é recomendado à população que o dispositivo não seja utilizado para “definir um diagnóstico, o qual deve ser realizado por um profissional de saúde”.
No documento de aprovação, a agência define o produto como mais uma ferramenta de enfrentamento à pandemia, porque permite “a identificação precoce e o isolamento de pessoas infectadas com o vírus Sars-CoV-2 que estão assintomáticas, pré-sintomáticas ou apenas com sintomas leves, mas que transmitem o vírus”.
Em nota técnica, o Ministério da Saúde já tinha pontuado que o autoteste de Covid-19 deve funcionar como uma pré-triagem aos sistemas de saúde. Ele não será válido como atestado médico ou autorização para viagem.
Uma polêmica levantada durante as discussões sobre a aprovação diz respeito à notificação dos resultados. É que a venda indiscriminada desses itens pode fazer as autoridades se perderem no cálculo dos casos confirmados – já prejudicado pelo recente apagão de dados, que deixou o sistema instável desde dezembro.
Objetivo do teste é desafogar farmácias e hospitais, mas é preciso saber o momento ideal e a forma correta de realizar o procedimento
Como era de se esperar, o início da vacinação infantil contra a Covid-19 gerou um aumento repentino de interesse (e uma porção de dúvidas) sobre o tema. De acordo com o Google, as buscas relacionadas ao termo “vacina e crianças” dobraram durante a semana de 9 a 15 de janeiro.
Os resultados dão pistas ainda da disposição dos pais para vacinar os filhos, a despeito das campanhas de desinformação em curso. As buscas por “pré-cadastro vacina infantil” cresceram dez vezes desde o anúncio da chegada do primeiro lote.
Além disso, no período, o Brasil se tornou um dos dez países que mais realizou pesquisas sobre doses para crianças em todo o mundo. A seguir, respondemos às cinco perguntas mais digitadas na ferramenta:
Como fazer o cadastro para vacinar as crianças?
Grande parte das prefeituras e governos estaduais disponibilizam sites para o pré-cadastro, como aconteceu com os adultos. Em São Paulo, é o Vacina Já. Basta inserir os dados dos pais ou responsáveis e as informações de contato.
No dia da picada, é necessária a presença de um responsável pela criança e a apresentação do documento de identidade. Também é recomendado levar a carteira de vacinação.
A principal razão é a proteção da própria criança. Os mais novos também podem ter quadros graves e morrer de Covid-19 – lembrando que há risco de a doença causar sequelas –, embora isso não seja tão comum.
Além disso, os mais novos estão, neste momento, entre os mais suscetíveis à super transmissível variante Ômicron, justamente por não estarem imunizados ainda. Quanto maior o número de infectados, maior o risco desses “casos raros” de quadros severos e óbitos acontecerem no público infantil.
Por fim, espera-se que, com mais pessoas vacinadas, seja mais fácil controlar a circulação do vírus.
Nos estudos, tanto a Comirnaty (Pfizer) quanto a Coronavac demonstraram ser seguras para crianças. Também são eficazes, garantindo uma proteção superior a 90% contra hospitalizações e óbitos. Os efeitos colaterais, em sua maioria, são os já esperados para vacinas, como febre e dor no local da aplicação.
A Coronavac é uma vacina de vírus inativado, uma tecnologia antiga, similar à do imunizante da gripe, onde o vírus é apresentado “morto” ao organismo – portanto, incapaz de causar doença.
A dose da Pfizer é mais moderna, feita com RNA mensageiro, uma molécula sintética, que se degrada rapidamente e é considerada uma revolução na medicina.
Os dados de vida real confirmam o que aconteceu nos ensaios. Mais de 8 milhões de crianças nos Estados Unidos tomaram as vacinas de RNA mensageiro, como as da Pfizer. E, só no Chile, 3 milhões de crianças maiores de três anos receberam a Coronavac. Na China, 150 milhões de meninos e meninas foram vacinados.
Nos Estados Unidos, todos os casos de síndrome inflamatória multissistêmica (MIS-C) ocorridos entre julho e dezembro de 2021 acometeram crianças não vacinadas. Trata-se da pior complicação da Covid-19 nos mais novos.
Por outro lado, nenhum óbito foi relacionado à vacina e houveram poucos casos de miocardite, a reação adversa rara e controlável das doses de RNA. Mais de 30 países no mundo já estão imunizando as crianças.
Com a chegada dos primeiros lotes, as buscas na internet por informações referentes à vacinação dos pequenos dobraram em uma semana
No terceiro ano de pandemia, estamos no pior estágio mundial em termos de contaminação. Isso acontece, em boa parte, por causa do surgimento de uma variante mais transmissível, a Ômicron. Felizmente, devido ao avanço da vacinação, a explosão de casos não foi acompanhada por uma alta nas taxas de mortes.
Diante dessa situação aparentemente menos grave, muitos países decidiram rever as recomendações de quarentenaentre infectados pelo coronavírus. Foi o caso do Brasil.
No dia 10 de janeiro, o Ministério da Saúde atualizou a quantidade de dias de isolamento indicada para pessoas com casos leves e moderados de Covid-19.
Antes, o consenso era de que indivíduos com quadros sintomáticos e assintomáticos deveriam ficar isolados por 10 dias — em casos graves, muitas vezes eram necessários até 20 dias de afastamento. Mas, agora, o isolamento pode chegar somente a 5 dias, dependendo de sintomas e testagem.
Basicamente, as novas diretrizes recomendam sair do isolamento em:
–> 5 dias: se a pessoa estiver assintomática no quinto dia após a detecção da doença (sem febre ou sintomas respiratórios nas 24 horas anteriores sem o uso de antitérmicos) e fizer um teste (antígeno ou PCR) com resultado negativo;
–> 7 dias: se não houver sintomas após sete dias de isolamento (isto é, febre ou sintomas respiratórios nas 24 horas anteriores sem o uso de antitérmicos) , é possível sair da quarentena sem a necessidade de realizar um teste;
–> 10 dias: se no sétimo dia ainda houver sintomas ou o teste der positivo, tem que prolongar o isolamento para 10 dias. Em caso de melhora (não apresentar febre ou sintomas respiratórios nas 24 horas anteriores sem o uso de antitérmicos), pode sair do isolamento ao final do décimo dia sem teste;
–> Mais de 10 dias: vale para pessoas que, ao final desse prazo, ainda estejam com sintomas. Os especialistas recomendam consultar um médico (pode ser por telemedicina), explicar o caso e pedir orientações.
Em meio à falta de testes e aumento de casos ou suspeita de Covid-19, o tempo de isolamento caiu, gerando confusão. Esclarecemos as principais questões