“Já sabíamos que ela é a principal causa de AVC, tanto isquêmico quanto hemorrágico, eventos com sintomas agudos e capazes de deixar sequelas, mas agora temos evidências de que também ataca a microcirculação cerebral, provocando danos cumulativos e mais difíceis de detectar em longo prazo”, contextualiza o neurocirurgião Feres Chaddad, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
Perda de memória recente, apatia, dificuldade progressiva para andar e se localizar e depressão são alguns dos sinais de alerta emitidos por quadros de demência. “É importante procurar ajuda, pois é possível agir antes da piora”, defende Chaddad. Não dá para ficar com aquele argumento de que “é coisa da idade”.
Por outro lado, ter ômega-3 nas células aliviava o processo inflamatório. “Decidimos verificar, então, se a presença do nutriente contribui para a recuperação dos infectados”, conta a engenheira-agrônoma Inar Castro, coordenadora do projeto.
Assim, seu time coletou amostras sanguíneas de 180 pessoas na hora da internação para avaliar o status de ômega-3 e o desenrolar da doença. Os resultados estão em análise e, embora as expectativas sejam boas, Inar pondera: é cedo para sair comprando cápsulas.
O estudo do FoRC-USP leva em conta o nível de ômega-3 já presente no organismo. Então, é provável que esse índice dê pistas sobre a dieta das pessoas no momento da infecção — o nutriente está basicamente em peixes como sardinha, atum e salmão e algumas sementes.
Outros trabalhos devem determinar o impacto das cápsulas e qual seria a hora de tomá-las: antes ou depois da infecção. “Até porque a gente precisa da inflamação inicial para ativar o sistema imune”, explica Inar. Por ora, é prematuro incentivar a suplementação nesses casos.
Pesquisadores brasileiros buscam respostas. Até lá, pedem cautela
“Nenhum clareamento com produtos caseiros se mostrou eficaz em nossa análise. O único branqueamento feito em casa que funciona é aquele recomendado por um dentista e realizado com material adequado”, resume a professora Fernanda Panzeri, orientadora do trabalho.
A pesquisa, que durou dois anos, testou em laboratório as receitas miraculosas da internet e avaliou minuciosamente seus efeitos na estrutura dental. Nenhuma passou pelos testes!
“Friccionar carvão ativado nos dentes, por exemplo, deixa a superfície deles rugosa, o que aumenta a incidência de cáries”, alerta Fernanda. Já o uso de cúrcuma e casca de banana pode manchar os dentes.
Para manter o sorriso bonito
O que realmente ajuda a deixar os dentes brancos e saudáveis
Boa higiene Escovar os dentes pelo menos três vezes ao dia é o básico. Evita doenças e deixa a dentição vistosa.
Os manchadores Café, vinho e curry podem alterar a coloração e provocar manchas. Capriche na limpeza após a ingestão.
Manias perigosas Ficar mordendo tampa de caneta ou qualquer outro objeto mais duro é prejudicial ao esmalte dental.
Apoio profissional Está insatisfeito com a cor dos seus dentes? Melhor que ir atrás dos conselhos de redes sociais é procurar um dentista.
Algumas ideias não só são ineficazes como prejudiciais
Dentro de um pote de mingau de cevada, esquecido por dias e dias, ocorreu uma surpreendente transformação. Graças à ação das leveduras, a mistura tornou-se efervescente, borbulhou e deu origem à bebida ancestral da cerveja.
Assim como essa mágica, que aconteceu há milhares de anos na região da Mesopotâmia, diversos micro-organismos se aproveitam de descuidos na cozinha para se multiplicar. Infelizmente, porém, na maioria das vezes o resultado não costuma ser dourado, com espuma clarinha e sabor refrescante, muito menos digno de brinde.
Pelo contrário, chega a levar as pessoas ao hospital. Vírus, fungos, vermes e, sobretudo, bactérias são os principais responsáveis pelas doenças transmitidas por alimentos, as DTAs.
O professor coordenou um trabalho de análise das práticas de higienização, manipulação e armazenamento da comida em residências dos quatro cantos do Brasil. “Por meio de um questionário online, coletamos informações de 5 mil cidadãos de todas as regiões do país”, relata.
Entre os “erros” detectados no estudo, destaca-se o costume de comer ovos crus ou malcozidos — hábito de 17% dos participantes. “Também observamos que mais de 50% descongelam os alimentos de forma incorreta”, aponta Pinto. E apenas 35% lavam direito frutas e hortaliças.
Dar uma escorregada vez ou outra até faz parte da rotina atribulada e nem sempre vai acarretar danos. Tudo vai depender das condições de saúde de cada um e da existência e da quantidade de micróbios na cozinha.
Mas, quanto mais se dá chance ao azar, maior a probabilidade de a família encarar dissabores depois. Prudência e canja de galinha — devidamente cozida — não fazem mal a ninguém.
Da higiene ao tipo e tempo de cozimento, passando pelo descongelamento dos alimentos, há um monte de deslizes que cometemos ao preparar as refeições
Cerca de 20 milhões de brasileiros vivem com arritmias cardíacas, problema que leva à morte súbita mais de 320 mil de pessoas por ano, segundo dados da Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas (SOBRAC). Mas, hoje, existem tecnologias que podem prevenir ou até mesmo reverter essa condição.
De acordo com o cardiologista Eduardo Saad, que, atualmente, é coordenador do setor de Arritmia Cardíaca do Hospital Pró-Cardíaco, a arritmia cardíaca é quando o coração sai da batida ou do ritmo normal, seja de forma mais lenta ou de forma mais acelerada. “Há vários subtipos de arritmias dentro dos dois tipos principais, que são as bradiarritmias, quando o coração bate mais lento do que o normal, e as taquicardias, quando o coração bate mais rapidamente do que deveria”, explica.
As arritmias podem ser ocasionadas pela idade, por hábitos da vida moderna, como estresse e privação de sono, além de fatores como alimentação, consumo de álcool, e terem origem genética, inclusive. Elas podem causar sintomas leves, como palpitações, sensação de coração acelerado e cansaço excessivo; sintomas mais graves, como desmaios, dores fortes no peito e tonturas e, até mesmo, Acidente Vascular Cerebral (AVC) e morte súbita. “A arritmia pode ser passageira e não causar nenhum tipo de risco e sintoma ao paciente. Outras formas da condição, no entanto, podem oferecer riscos muito graves, mesmo que a pessoa não sinta nada.”
Dispositivos conectados
É justamente por conta dos riscos apresentados e da possibilidade de atuar de forma silenciosa que as arritmias precisam ser investigadas continuamente por meio de exames. Sendo detectada a condição, é preciso entender de qual tipo ela é e qual é o melhor tratamento para combatê-la.
Hoje, médicos e pacientes podem contar com dispositivos tecnológicos e conectados para lidar com a doença. Os dispositivos Neutrino™, trazidos pela Abbott — empresa líder global de cuidados para a saúde — ao Brasil, funcionam de duas formas: sincronizando os batimentos das câmaras cardíacas, restaurando o padrão natural de batimentos e, até mesmo, exercendo a função de um desfibrilador. “Ou seja, se o paciente tiver uma arritmia muito rápida a ponto de causar perda da contração no coração, o aparelho emite um choque interno capaz de reverter o quadro, salvando a pessoa de uma arritmia súbita”, ressalta Saad.
Tecnologias da Abbott têm a função de tratamento e diagnóstico e permitem acompanhamento remoto via aplicativo
Um programa de exercícios para ser feito em casa, sem auxílio de equipamentos e sob a supervisão remota de profissionais de educação física se mostrou seguro e eficaz para combater duas possíveis sequelas da Covid-19: o endurecimento das artérias e a perda de força dos músculos envolvidos na respiração.
No grupo havia homens e mulheres, com idade média de 52 anos.
“Apesar do número relativamente pequeno de participantes, conseguimos ver diferenças estatisticamente significativas nessas duas variáveis. E vale ressaltar que a intervenção foi segura, mesmo feita em casa. Nenhum voluntário teve efeito adverso causado pelos exercícios”, diz Emmanuel Ciolac, professor da Faculdade de Ciências (FC-Unesp), em Bauru, e coordenador da investigação.
Cerca de um mês após a alta hospitalar, os voluntários passaram por uma bateria de exames e foram aleatoriamente divididos em dois grupos.
Parte recebeu apenas uma orientação genérica para praticar atividade física e retornar à universidade após 12 semanas para uma nova avaliação. Os demais assistiram a uma aula presencial, na qual foram ensinados exercícios aeróbicos e de força, e depois receberam uma cartilha com orientações.
Esse segundo grupo foi monitorado a distância pelos pesquisadores semanalmente, por meio de telefonemas e mensagens.
“Eles receberam a recomendação de praticar exercícios resistidos (para força muscular) pelo menos três vezes por semana, além de 150 minutos de atividade aeróbica no período”, conta Vanessa Teixeira do Amaral, mestranda do Programa de Pós-Graduação em Ciências do Movimento da Faculdade de Ciências (FC-Unesp) e primeira autora do artigo.
Ao final das 12 semanas todos passaram por nova bateria de exames. Além de peso e índice de massa corporal (IMC), foram medidos pressão sanguínea, frequência cardíaca e a chamada velocidade de onda de pulso carótido-femoral (PWV, na sigla em inglês) – parâmetro usado para medir a rigidez arterial.
“Para fazer esse exame, sensores são colocados nas artérias carótida [no pescoço] e femoral [na virilha]. Eles enviam as informações para um software, que calcula a velocidade com que o sangue bombeado pelo coração vai de um ponto ao outro. Quanto maior é a rigidez arterial, mais alta é a velocidade. Valores acima de 10 metros por segundo [m/s] já são preocupantes, pois representam risco de complicações cardiovasculares”, explica Amaral.
Voluntários fizeram um treino domiciliar por 12 semanas e apresentaram melhora em diversos aspectos
Em estudo divulgado no ano passado, pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) descobriram que ser ativo turbina a resposta imune às vacinas da Covid-19. Agora, em um desdobramento do trabalho, eles perceberam que manter o corpo em movimento também faz o efeito das doses durar mais tempo.
Para chegar a essa conclusão, os cientistas analisaram 748 pacientes do Hospital das Clínicas de São Paulo com doenças reumáticas autoimunes – como artrite reumatoide, lúpus, esclerose sistêmica, miopatias inflamatórias, entre outras.
Nessas pessoas, o sistema imunológico não funciona tão bem quanto deveria (são os imunossuprimidos). Dessa maneira, elas não só ficam mais suscetíveis a quadros graves de Covidcomo tendem a apresentar uma resposta imune menor ao tomarem vacinas. Daí porque são grupos prioritários para receber novas doses do imunizante.
Na pesquisa da USP, primeiro os cientistas comprovaram a segurança e a efetividade das duas doses da CoronaVac entre esse pessoal e, depois de seis meses da vacinação, realizaram exames de sangue nos voluntários – esse é o tempo que leva para a resposta ao imunizante do Instituto Butantan começar a cair, conforme estudos prévios.
Os participantes ainda relataram como eram seus hábitos no que diz respeito à prática de exercícios. Para ter ideia, 421 se exercitavam, enquanto 327 eram inativos.
A partir desses dados, constatou-se o seguinte: seis meses depois da aplicação da vacina, as taxas de anticorpos (tanto do tipo IgG como neutralizantes) eram significativamente maiores naqueles indivíduos que praticavam exercícios físicos em comparação aos sedentários.
Há benefícios em começar agora?
Essa é uma escolha que sempre vale a pena, defende o especialista em fisiologia do exercício Bruno Gualano, líder da pesquisa e professor do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da USP. Até porque se mexer está comprovadamente relacionado a uma redução no risco de diversas doenças crônicas, como diabetes, hipertensão e câncer.
No estudo da USP, foi considerado ativo o sujeito que praticava alguma atividade física moderada ou vigorosa por pelo menos 150 minutos por semana. Ou seja, coisa de 30 minutos, cinco vezes na semana.
Os pesquisadores não chegaram a avaliar há quanto tempo essas pessoas mantinham uma rotina ativa antes de receber as duas doses da injeção, mas outros pontos foram levados em conta.
“Perguntamos se elas haviam feito exercícios uma semana antes da vacina, por exemplo, e também como era a movimentação no lazer, no trabalho, nos deslocamentos diários e nas atividades domésticas”, explica o professor da USP. A resposta à vacina foi proporcional à quantidade de atividade praticada.
O pesquisador comenta que alguns dos voluntários faziam 50 minutos diários de exercícios, acima do mínimo exigido pela Organização Mundial de Saúde (OMS), e demonstraram uma resposta imune maior do que os demais.
“Cada sistema do corpo responde de uma maneira à atividade física, inclusive o imunológico. Assim que a pessoa muda a rotina, ela vai sentir os benefícios no organismo com o tempo. E eles vão aumentando conforme essa prática fica regular”, analisa Gualano.
Em estudo com mais de 700 pessoas, número de anticorpos se mostrou significativamente maior após seis meses de vacinação naquelas com hábito de se exercitar
A informação é relevante para combater ou tentar reduzir o número de episódios na população. Afinal, trata-se de um problema crônico que pode levar à morte – são 46 mil óbitos relacionados a essa versão da doença por ano em todo o mundo.
Estima-se que 300 milhões de pessoas vivem com asma ao redor do globo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), sendo que de 5% a 10% desses pacientes têm o quadro grave.
“Quando uma pessoa sem a doença aspira pó, por exemplo, ela espirra ou tosse para se livrar dele. Mas um asmático entra em crise. É que os tubos que levam ar para o pulmão ficam obstruídos, ocasionando uma reação exagerada”, explica o pneumologista Ciro Kirchenchtejn, professor na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
O estudo envolveu mais de 1 400 pessoas que sofrem ataques graves e chegou a esses cinco principais fatores desencadeantes:
Em estudo, contato com vírus respiratórios apareceu entre os fatores que mais estimulam crises. Mudanças de clima também foram citadas
A variante Ômicron do coronavírus provocou uma explosão de quadros de Covid-19. Segundo o Instituto Todos pela Saúde, desde dezembro de 2021 essa cepa é a responsável por quase a totalidade dos casos da infecção. Recentemente, uma de suas subvariantes, a BA.2, foi identificada por aqui. Segundo análises de outros países, ela seria ainda mais transmissível.
Embora a gente tenha voltado a registrar um número expressivo de mortes – só ontem foram mais de 1 200 óbitos –, a situação poderia ser muito mais dramática se olharmos para a quantidade de novos casos diagnosticados atualmente. Para ter ideia, do início de 2022 até agora, já contabilizamos mais testes positivos de Covid-19 do que em todo o segundo semestre de 2021.
Por essas e outras, muito se falou sobre a possibilidade de a Ômicron levar a um quadro mais leve. Mas será que faz sentido?
“Leve não não é bem a palavra. Podemos afirmar que a Ômicron tem uma capacidade menor de provocar um quadro grave da doença porque tende a afetar mais o trato respiratório superior [nariz e garganta]”, esclarece a infectologista Rosana Richtmann, do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, em São Paulo.
“Mas em quem não está vacinado, a doença pode evoluir e chegar aos mesmos sintomas graves de sempre, como a falta de ar”, ressalta o médico.
Outro motivo para não usar o termo “leve” para se referir à Ômicron é o fato de ela se espalhar por aí muito rápido, contaminando geral.
A variante até tem menor potencial de causar quadros graves, mas, diante da alta transmissibilidade, não dá para ficar tranquilo. Sobretudo sem vacinação
A vacinação mudou o perfil dos hospitalizados por Covid-19 no Brasil e também das pessoas que morrem em decorrência da doença. Um estudo conduzido em São José do Rio Preto, no interior de São Paulo, registrou o início desse processo.
Nessa época, a variante gama (P.1) do Sars-CoV-2 predominava no estado, e os idosos eram maioria no grupo de brasileiros com o esquema vacinal completo (duas doses, até então).
Todos os internados com Covid-19 no período foram divididos entre vacinados e não vacinados. E os pesquisadores compararam as características dos integrantes de cada grupo – desde idade, sexo e presença de comorbidades até os sintomas que apresentaram, as condutas clínicas adotadas durante a internação e os desfechos (recuperação ou óbito).
Os dados completos foram divulgados este mês no Journal of Infection.
“Nosso objetivo era descobrir qual é o melhor preditor de mortalidade entre os vacinados”, conta Maurício Lacerda Nogueira, professor da Famerp e autor correspondente do estudo, que contou com apoio da Fapesp por meio de três projetos.
Entre os 2 518 participantes não imunizados a idade média era de 51 anos e 71,5% apresentavam uma ou mais comorbidades, sendo as mais comuns cardiopatia, diabetes e obesidade.
Já entre os 259 hospitalizados que haviam recebido duas doses de vacina, a idade média era de 73 anos e 95% tinham doenças de base.
Na análise estatística, os fatores que se correlacionaram com risco aumentado de hospitalização e morte entre os não vacinados foram idade superior a 60 anos e a presença de uma ou mais das seguintes condições: cardiopatia, distúrbios no fígado ou neurológicos, diabetes, comprometimento imunológico e doença renal.
Já entre os imunizados, somente idade acima de 60 anos e insuficiência renal se configuraram como preditores de mortalidade.
“Essa é uma evidência clara de que a vacina protege muito bem e salva vidas”, afirma Nogueira.
Na avaliação de Cássia Fernanda Estofolete, primeira autora do estudo e integrante do Laboratório de Pesquisas em Virologia da Famerp, o avanço da vacinação mudou “drasticamente” o perfil do paciente internado por Covid-19 e também a história natural da doença, ou seja, a forma como ela evolui.
“Hoje, com a volta das cirurgias eletivas, o avanço da vacinação e a emergência da Ômicron, temos visto um panorama diferente nos hospitais. Muitos pacientes são internados para fazer uma cirurgia agendada ou por trauma e acabam descobrindo que estão com Covid-19, ou seja, não é o vírus que leva a pessoa ao hospital. E também há muitos idosos com comorbidades que acabam sendo internados porque a Covid-19 exacerba a doença de base – descompensa o diabetes ou a insuficiência renal, por exemplo. A maioria já não é internada por SRAG [síndrome respiratória aguda grave], como era na época em que o estudo foi feito”, conta.
Levantamento com mais de 2 500 pessoas deixa claro como as vacinas protegem muito bem e salvam vidas