
Inovação e ferramentas de ponta ajudam a estabelecer uma relação de transparência e confiança entre médicos e pacientes
Como a tecnologia está humanizando a medicina
publicado em Veja saúde

Espaço poético, rotineiro e alternativo

Inovação e ferramentas de ponta ajudam a estabelecer uma relação de transparência e confiança entre médicos e pacientes
Como a tecnologia está humanizando a medicina
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Ter uma visão irreal do próprio corpo, padecendo com isso, é o que define o transtorno dismórfico corporal (TDC). E uma pesquisa conduzida pelo médico Alexandre Kataoka, diretor da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), com 38 mulheres submetidas a plásticas, constatou que 44% delas ainda apresentam sintomas do distúrbio após a intervenção. “Se a insatisfação persiste depois das mudanças, significa que é preciso avaliar melhor a indicação do procedimento”, afirma o cirurgião. Segundo ele, o ideal é ter um psicólogo envolvido no processo antes da operação, porque, se o paciente tiver TDC, a cirurgia deve ser postergada até o tratamento efetivo do transtorno. “Nunca o corpo da pessoa vai ficar igual ao que ela vê na mídia. E não podemos realizar mudanças em alguém que não consegue enxergar sua própria realidade”, esclarece o especialista.
+Leia também: Transtorno dismórfico corporal: o desencontro entre o que se vê e se sente

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Cientistas franceses descobriram que pessoas com narcisismo patológico — outra condição que altera a autoimagem — apresentam uma redução na região da massa cinzenta responsável pela compaixão. Com base nessas pistas, pesquisadores começam a investigar agora se pessoas com TDC também teriam mudanças cerebrais.
Muitas mulheres que já fizeram cirurgias estéticas ainda sofrem em frente ao espelho, conclui estudo
Atenção à insatisfação mesmo após a plástica
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Muitos pais de pet já não tinham dúvidas: os cachorros compreendem seu tutor apenas pelo olhar. Para testar isso, pesquisadores do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade de Lincoln, na Inglaterra, analisaram 90 cães. E as conclusões foram além: eles não só entendem a expressão dos donos como tomam decisões prevendo seu comportamento. No experimento, os animais observavam duas atrizes com expressões faciais neutras, de alegria ou de raiva. Depois, elas ficavam com ração na mão e o bicho era solto para interagir. Resultado: todos iam pedir comida àquela que não tinha esboçado expressões bravas — ou seja, interpretaram que suas chances seriam menores com ela. “Os cães adquirem informações a partir de pistas produzidas pelas pessoas e fazem uso funcional disso para resolver problemas”, pontua o estudo.
+Leia Também: Estudo traça relação mais precisa entre a idade dos cães e a dos humanos

Animais da mesma espécie reconhecem expressões e ações uns dos outros e se comportam com base nisso. Regra da natureza. Mas a pesquisa da USP comprova que um bicho pode entender a linguagem corporal de outra espécie e agir a partir dessa informação. Antes, acreditava–se que só nós, humanos, éramos capazes de tal abstração. Porém, pelo visto, os cães também compreendem mais que sua própria língua.
Essa percepção canina foi atestada em um estudo brasileiro e inglês. Entenda
Seu cão é capaz de entender seu humor
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Primeiro de abril é considerado o Dia da Mentira. A antiga moda de pregar peças nos outros está caindo em desuso, mas outras mentiras, que de inofensivas não têm nada, seguem circulando com força por aí. A saúde é uma das áreas que mais sofre com fake news, com destaque para a alimentação e a perda de peso. Para te ajudar a separar o joio do trigo, a equipe de VEJA SAÚDE separou alguns conteúdos do site que esclarecem mitos sobre o assunto. De quebra, aproveite para ver nosso guia para fugir da desinformação. As notícias falsas colocam a saúde em risco e podem até matar.
A preferência por alimentos integrais e in natura em detrimento dos ultraprocessados e refinados de fato pode diminuir o risco de alguns tipos de câncer. Mas não existe solução mágica no prato. A regra de ouro é garantir variedade, com espaço para todos os nutrientes. Isso vale para quem está em tratamento, para aqueles que já o concluíram e até para reduzir a probabilidade de o tumor aparecer. Leia mais sobre o assunto aqui.
Eles ganharam fama de vilões, mas são um nutriente fundamental para o organismo. O que faz mal é o exagero, em especial dos grãos refinados, como os da farinha de trigo branca, e do açúcar. Mas atenção: cortar os carboidratos de vez da dieta também pode trazer problemas. É o que explicamos nesta reportagem.
É muito comum ver nas prateleiras e nas rodas de conversa alegações de benefícios sobre produtos sem glúten. Mas eles só devem ser utilizados por pessoas com doença celíaca, sensibilidade ou intolerância ao glúten, devidamente diagnosticadas por um médico. A exclusão desnecessária do nutriente da dieta pode trazer problemas de saúde e até atrasar o diagnóstico de doenças. Ah, e não é a retirada do glúten que emagrece, mas sim o fato de comer menos pães e massas, suas principais fontes. Saiba mais.
Obviamente, uma alimentação equilibrada e saudável faz o organismo funcionar melhor e, portanto, ser mais eficaz ao eliminar toxinas. O problema é a promessa por trás da dieta detox. Nas palavras do nosso colunista, o gastroenterologista Dan Waitzberg, da Universidade de São Paulo (USP): “A perda de peso resultante da restrição calórica por detox aumenta os níveis dos hormônios do estresse em mulheres, favorecendo o rápido reganho de peso, como demonstram pesquisas. Isso ajuda a explicar por que muitas pessoas viram reféns da dieta detox, vivendo num ciclo de perda e ganho de peso capaz de afetar a saúde. Até porque a restrição energética e nutricional típica dessas intervenções pode resultar em deficiências de proteínas, carboidratos, gorduras, vitaminas e minerais. Quando essa estratégia se soma ao uso de medicamentos como laxantes, visando à eliminação das toxinas e ao emagrecimento, não raro causa desidratação, desequilíbrio eletrolítico e problemas intestinais, gerando graves consequências. Podemos concluir, então, que, para um efetivo processo de desintoxicação, não precisamos nos ater a uma dieta específica, mas, sim, a um estilo de vida saudável, que inclua regularmente o consumo de todos os alimentos antes citados. Não há uma dieta de curta duração que limpe o organismo de vez.” Leia o texto completo.
É um dos mitos mais persistentes (e danosos) do universo do emagrecimento. Apostar em dietas restritivas até promove uma perda de peso rápida, mas há vários efeitos colaterais, como o efeito sanfona, a dificuldade de manutenção em longo prazo, problemas psicológicos e desequilíbrios no organismo. [abril-whatsapp][/abril-whatsapp] Saiba mais sobre o assunto clicando aqui.
Nem sempre. O light indica teor reduzido de gordura, enquanto diet é o produto que não leva açúcar. Só que, para compensar a ausência de um ingrediente importante, os fabricantes podem acabar acrescentando outros para garantir o sabor daquele item. Por exemplo: sem açúcar, mas com mais gordura. O mesmo alerta vale para produtos com rótulo “zero” alguma coisa. Além disso, estudos apontam que eles não necessariamente são capazes de evitar o ganho de peso.
Existe um consenso entre os especialistas de que é mais fácil alcançar o déficit calórico necessário ao emagrecimento cortando calorias da dieta. Mas os exercícios são quase igualmente importantes. Com a dieta, ocorre a quebra da gordura localizada no tecido adiposo. Mas não basta só tirá-la dali. Temos que gastá-la para que efetivamente saia do corpo. É aí que entra a atividade física. Além disso, o exercício também preserva a massa magra. E, em longo prazo, indivíduos que combinam as duas estratégias se saem melhor na manutenção do peso e da saúde como um todo. Leia mais no nosso dossiê sobre o tema.
O caso da enfermeira Mara Abreu, de 42 anos, que faleceu depois de consumir um composto de ervas proibido pela Anvisa, e da cantora Paulinha Abelha, da banda Calcinha Preta, levantam um alerta antigo. Não dá para apostar em soluções mágicas ou mais “naturais” para perder peso rápido. Além das ervas vendidas de forma clandestina, é preciso atenção com o consumo de qualquer proposta “alternativa” para um problema complicado como a obesidade. Clique para ler mais.
Uma das principais barreiras no tratamento adequado da obesidade é o estigma que acompanha a doença. É comum a pessoa acima do peso ser maltratada nos consultórios médicos e ouvir que “basta fechar a boca” para emagrecer. [bloco_busca_medicamentos] Esse preconceito não só está longe de ser verdade como ainda atrapalha o tratamento. Uma pesquisa com profissionais de saúde revelou que os estigmas estão muito presentes nos consultórios, impedindo conversas sérias e o engajamento do paciente.
Em alguns casos, a suplementação de vitaminas e minerais realmente é necessária. A situação mais certeira é quando há alguma deficiência comprovada ou indicação feita pelo médico. Gestantes também precisam reforçar a ingesta de algumas substâncias. O problema é sair ingerindo cápsulas para melhorar a imunidade, evitar a queda do cabelo,tratar ou prevenir Covid-19 e até mesmo para compensar a falta de vegetais no cardápio.
Os exercícios de força também promovem o emagrecimento e são muito importantes para regular o metabolismo e a saúde como um todo. O que acontece é que a gordura é substituída por músculo, por isso o efeito não é tão perceptível na balança. Isso leva a uma percepção errônea sobre o papel do fortalecimento na perda de peso, alertam pesquisadores. Clique para ler uma matéria sobre um estudo que avaliou a questão.
Aproveite o primeiro de abril para esclarecer boatos que atrapalham sua saúde e pioram a qualidade do cardápio
Dia da Mentira: conheça 11 mitos sobre alimentação e emagrecimento
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Por Thais Manarini
A organização não governamental ACT Promoção da Saúde acaba de publicar um documento no qual revela como o aumento de impostos em cima de bebidas e alimentos não saudáveis tem impactos positivos em diversas frentes. Para ter ideia, além de nos proteger individualmente — reduzindo o risco de obesidade e outras doenças crônicas —, a medida gera mais economia aos países, um dinheiro que pode ser distribuído em serviços de saúde e programas sociais. Fora isso, a indústria é incentivada a lançar produtos mais balanceados. Como define o relatório, é uma “política de ganha-ganha-ganha”.
Se refrigerantes e afins ficassem mais caros, teríamos ganhos individuais e também coletivos
Relatório aponta vantagens de tributar produtos não saudáveis
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Por Thais Manarini
Depois de anos de investigação, um estudo vem apontar o dedo para a íntima relação entre o vírus Epstein-Barr e a esclerose múltipla, doença neurodegenerativa capaz de gerar fadiga crônica e prejuízos à visão e à locomoção. A análise envolveu dados de 10 milhões de militares americanos em um período de 20 anos. Conclusão: depois do contato com o patógeno, explodia o risco de ser diagnosticado com a condição. “A teoria é que a ação do vírus em nosso genoma interfira no sistema imune, favorecendo a agressão do próprio corpo ao cérebro”, explica o neurologista Mateus Boaventura, do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. A expectativa é que, no futuro, vacinas possam deter o agente e reduzir o risco da esclerose múltipla. [abril-whatsapp][/abril-whatsapp]
Vírus é extremamente comum:
Presença de patógeno está ligada a aumento de 32 vezes no risco da doença
Vírus Epstein-Barr pode estar por trás da esclerose múltipla
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Por Fabiana Schiavon
Foi aprovado pela Câmara dos Deputados o Projeto de Lei 6 299/2002, que propõe uma nova regulamentação à produção e venda de agrotóxicos. O texto, que agora segue em tramitação no Senado, preocupa especialistas em saúde e alimentação porque pode flexibilizar ainda mais o registro de novos defensivos agrícolas no país. Desde 2008, o Brasil é o país que mais consome produtos com agrotóxicos, segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca). Por aqui, há permissão para uso de substâncias já banidas em outros países. Para complicar, ocorre venda ilegal de compostos proibidos. Não à toa, os traços desses produtos chegaram até aos alimentos ultraprocessados — biscoitos, salgadinhos, bebidas e companhia. Em excesso (e com pouca fiscalização) os agrotóxicos podem fazer mal à saúde tanto de quem os consome quanto de quem os manipula. Segundo o Inca, o consumo frequente de água e alimentos contaminados pelos defensivos agrícolas pode favorecer o desenvolvimento de diversos tipos de câncer. Quem trabalha diretamente com esses compostos está sob maior risco. Nos últimos três anos, a situação piorou. Utilizando brechas na lei, foram aprovados cerca de 1.500 novos produtos. “Hoje libera-se mais de um agrotóxico por dia. Por que é preciso ter mais celeridade? Esta é a primeira questão a ser levantada sobre esse projeto”, questiona José Pedro Santiago, engenheiro agrônomo e conselheiro do Instituto Brasil Orgânico. A fiscalização também foi abandonada. Há dois anos, deixou de ser publicado o relatório do Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (Para), criado em 2001 com o objetivo de avaliar continuamente os níveis de resíduos químicos nos vegetais que chegam à mesa do consumidor. O último documento foi divulgado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em 2020. Na época, entraram na análise 4 616 amostras de 14 alimentos. Desse total, 23% foram consideradas insatisfatórias, pois ultrapassavam o limite máximo permitido de resíduos.
1 . Agrotóxicos passam a ser chamados de pesticidas O termo agrotóxico foi citado pelo engenheiro agrônomo Adilson Paschoal no livro “Pragas, agrotóxicos e a crise ambiente – problemas e soluções”, de 1979 e é usado pela Constituição Federal para categorizar esses produtos. “Fazer a mudança não é apenas um eufemismo, é um equívoco. O uso do termo chama a atenção para o que é real. Os pesticidas, como diz o nome, matam pestes. Os agrotóxicos até podem eliminar as pragas, mas também intoxicam os seres humanos”, explica Rafael Arantes, nutricionista do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec). A troca de nomes tira a carga de alerta que é importante para toda a cadeia que utiliza ou tem contato com esses produtos químicos, avaliam especialistas. + Leia também: Alimentos orgânicos contra o câncer: vale a pena investir?2. Aprovação unilateral Atualmente, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) dá o aval sobre a eficácia do defensivo. No entanto, dado o grau de complexidade da categoria, sempre fizeram parte da análise o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), que mede os impactos ambientais, e o Ministério da Saúde, que controla a quantidade de resíduos tóxicos que vão parar na mesa (e na torneira) da população. Se as mudanças na lei forem sancionadas, o MAPA poderá liberar um produto no mercado sem o consentimento das outras áreas. Para renovação de uso, ainda, o Ibama e o Ministério da Saúde seriam apenas “consultados”. 3. Sem cancelamento de registros O monitoramento das consequências do uso desses produtos químicos é sempre avaliada por organizações competentes. Por isso, há hoje a possibilidade de se pedir o banimento de agrotóxicos considerados perigosos — mesmo com um certo grau de dificuldade. A legislação atual permite que entidades representantes de trabalhadores, partidos políticos e outras associações regionais façam esses questionamentos. Com a nova lei, os pedidos ficarão nas mãos de organizações internacionais. 4. Registros temporários O que pode parecer pontual, na verdade, abre brecha para que esses compostos circulem por meses sem antes passarem por uma análise técnica aprofundada. “Esse trecho da lei que dá celeridade aos registros pode criar uma linha de produção de autorizações temporárias. O texto permite, por exemplo, que os fabricantes usem compostos similares já aprovados para dizer que seu novo produto cumpre as exigências”, avalia Arantes. Ou seja, há a possibilidade de incluir substâncias que ainda não foram estudadas com rigor pelas autoridades. Outro trecho do texto permite ainda que a autorização seja postergada por dois meses. Assim, o temporário pode virar permanente. “Nesse meio tempo, esses produtos já afetaram nossos rios, campos, o estrago já estará feito”, conclui Santiago. 5. Livre exportação Pela nova lei, se um agrotóxico for produzido só para exportação — sem a intenção de venda no Brasil — ele não precisa ser registrado por aqui. [abril-whatsapp][/abril-whatsapp] Além de o defensivo ser um risco para o meio ambiente de outro país, há a questão de que trabalhadores brasileiros farão parte da cadeia de produção e terão contato direto com essas substâncias. 6. Novas misturas vão entrar no mercado Hoje, para comprar um agrotóxico, é preciso ter uma receita agronômica (documento com a prescrição de uso dos defensivos agrícolas). A nova lei tem um item que pode driblar a obrigatoriedade. “O texto mantém a necessidade da recomendação do agrônomo, mas exclui ‘casos excepcionais’ da obrigação, o que abre brecha para muita coisa. Quais seriam esses casos?”, questiona Santiago. 7. Propaganda livre Como nos anúncios de cigarros e bebidas alcoólicas, as propagandas que divulgam agrotóxicos devem vir com avisos sobre seus componentes e riscos à saúde. Elas também são permitidas apenas em veículos de comunicação dirigidos a profissionais da área. A ideia do PL é retirar a maior parte dessas restrições.
Abolir os agrotóxicos não é uma opção viável. “Se alguém proibir agroquímicos, a produção para. É como dizer que a partir de amanhã só poderão circular carros elétricos, sem a estrutura necessária para isso”, explica Santiago. O caminho, então, seria investir na fiscalização, na regulação e em novos modelos de cultivo que reduzam a necessidade desses produtos. “Há exemplos, inclusive de produção animal e vegetal em grande escala, que não dependem de agrotóxico, nem de adubo químico, como a permacultura e o sistema agroflorestal”, esclarece o engenheiro. Na contramão da lei em questão, está parado no Congresso o PL 6670/2016 que institui a Política Nacional de Redução de Agrotóxicos (PNARA). “Os dois estavam em debate, até que este foi abandonado, e o PL conhecido como ‘do veneno’ passou a ser prioridade”, relata Arantes, citando o apelido dado por críticos ao projeto. A proposta de retomar esse outro texto faz parte do “Dossiê Contra o Pacote do Veneno e em Defesa da Vida”, organizado pela Agroecologia e Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida (Abrasco), com apoio da Fiocruz. O documento possui 25 notas técnicas de instituições que reprovam os termos da nova lei.
Posicionar-se sobre o tema diretamente aos políticos do Congresso e pelas redes sociais é um caminho de mobilização. No dia a dia, o consumidor pode buscar os alimentos orgânicos, que são produzidos sem defensivos ou fertilizantes sintéticos. Para ajudar, o Idec produziu um mapa de feiras orgânicas brasileiras. Segundo Santiago, esse tipo de produtor só cresce no Brasil e se multiplica a cada ano. “Há mais de 25 mil produtores orgânicos registrados no Ministério da Cultura”, aponta o engenheiro.
O texto, ainda em discussão, quer flexibilizar ainda mais a aprovação de novos produtos e levantou o alerta de especialistas em saúde e alimentação
Mudança em lei pode aumentar quantidade de agrotóxicos que chegam à mesa
publicado em Veja saúde

Por Thais Manarini
A pandemia do coronavírus piorou o diagnóstico, tratamento e controle de muitas doenças, gerando apreensão em médicos de diversas especialidades. Oftalmologistas, por exemplo, estão especialmente preocupados com o avanço do glaucoma, que é a principal causa de cegueira evitável em todo o mundo. Devido à baixa adesão a exames oculares e check-ups, especialistas de 90 países ligados à World Glaucoma Association (WGA) elaboraram um guia completo com orientações aos pacientes com essa doença. Se o glaucoma estava bem controlado na última consulta, a WGA avisa que o adiamento do check-up por alguns meses provavelmente não afetará a visão. De qualquer maneira, ressalta que é preciso continuar com o uso de todos os colírios recomendados pelo médico. Agora, caso o indivíduo já tenha sido operado de glaucoma e note sintomas como perda de visão, dor ocular ou secreção, aí a visita ao oftalmo precisa acontecer o mais rapidamente possível. “ Check-ups regulares e comparações contínuas dos resultados dos exames ajudarão a determinar se o seu glaucoma está bem controlado ou se um tratamento adicional é necessário”, esclarece a WGA. A entidade alerta ainda que há casos em que lasers e colírios não são suficientes para controlar a doença – aí é recomendado não ficar adiando a cirurgia. Para baixar o material completo, clique aqui. [
Documento foi elaborado por oftalmologistas de 90 países
Guia orienta sobre cuidados com o glaucoma durante a pandemia
publicado em Veja saúde

Por Fabiana Schiavon
Março borgonha é o mês de conscientização para o mieloma múltiplo, um tipo de câncer hematológico (do sangue), do qual também fazem parte leucemia e linfoma. Entre os três, ele é o segundo com mais ocorrências no mundo, mas ainda é uma doença rara. Portanto, seus sintomas podem ser confundidos com outros males, mais comuns. “É preciso que o conhecimento da doença chegue a outras especialidades, como os ortopedistas, nefrologistas. Pela falta dele, o indivíduo acaba levando muito tempo para chegar ao hematologista ou oncologista que dará início o tratamento”, defende o médico Angelo Maiolino, professor de hematologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Uerj) e vice-presidente da Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH). Uma pesquisa feita pela farmacêutica Sanofi ouviu 1 500 pessoas em todo o país no fim de 2021 e constatou que 10% da população conhece alguém que teve mieloma múltiplo. Entre suas vítimas recentes, estão o cineasta e jornalista Arnaldo Jabor e a jornalista Cristina Lôbo.
A doença acomete regiões do corpo onde a medula óssea, estrutura que fica dentro de alguns ossos, é ativa. A medula óssea é o local onde se fabrica nossas células sanguíneas. Entre elas, estão os glóbulos brancos, que fazem parte do nosso sistema imunológico. O mieloma ataca diretamente os plasmócitos, um tipo de glóbulo branco. No lugar da célula saudável, surgem células malignas que se proliferam e passam a produzir anticorpos anormais, conhecidos como proteína M. “A doença faz a medula produzir um anticorpo sem função, que vai prejudicar o organismo do indivíduo, deixando-o mais suscetível a doenças”, explica Maiolino. [abril-whatsapp][/abril-whatsapp] Com o câncer já manifestado, 70% das pessoas podem ter uma lesão óssea, e ainda dores, fraturas, anemia. Cerca de 30% dos diagnosticados sofrem de insuficiência renal. O mieloma é chamado de múltiplo porque provoca lesões em diversas partes. Entre os locais mais comuns, os ossos da coluna vertebral, crânio, pélvis, caixa torácica e áreas ao redor dos ombros e quadris. Pode ocorrer dele atingir apenas um ponto: os médicos chamam tecnicamente de plasmocitoma ósseo solitário.
O mieloma múltiplo é considerado um tipo raro de câncer no sangue. Ele acomete, aproximadamente, 750 mil pessoas ao redor do mundo. No Brasil, o Instituto Nacional de Câncer (Inca) estima que há cerca de 4.560 casos anuais, com uma taxa de incidência de 2,1 casos por 100 000 habitantes na população geral. Cerca de 60% dos óbitos ocorrem em pessoas entre 60 e 79 anos. Há dados crescentes sobre a ocorrência em jovens e crianças. Para hematologistas, no entanto, os números na faixa etária podem ter aumentado porque as equipes de saúde estão mais alerta aos sinais. “O risco não aumentou, mas médicos que detectam insuficiência renal em uma pessoa jovem agora suspeitam do mieloma e pedem os exames”, exemplifica Maiolino.
Não existe uma política de rastreamento do mieloma, como a mamografia para o câncer de mama. A investigação começa em geral a partir dos sintomas ou de alterações sanguíneas. As primeiras suspeitas podem vir de um hemograma, e há um exame de sangue simples que já aponta alterações, a eletroforese de proteínas séricas. Também estão no rol diferentes tipos de exame de urina, a biópsia da medula-óssea (feita com anestesia local), radiografia óssea, tomografia computadorizada ou ressonância magnética.
O problema não está relacionado diretamente com uma condição de saúde ou hábitos de estilo de vida. “Não dá para associar diretamente como fazemos com o cigarro e o câncer de pulmão”, afirma Salvino. Entretanto, a obesidade é um fator risco citado por alguns especialistas, o que pode ter a ver com o consumo excessivo de alimentos ultraprocessados.
Hematologistas pedem que outras especialidades aprendam a suspeitar deste tipo de câncer, e associações lutam para que tratamento chegue à rede pública…
continua abaixo:
Março borgonha: fique atento aos sinais do mieloma múltiplo
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Por Diogo Sponchiato
Zoom: no balanço das ondas
Se tem um aparato útil para navegarmos por aí — sobre as águas e em terra firme —, ele fica no interior do ouvido. É o labirinto, uma estrutura diminuta cujas células ciliadas ajudam a captar o posicionamento e o movimento do nosso corpo em relação ao ambiente, transmitindo as coordenadas ao cérebro. Havendo boi nessa linha, podemos perder a rota e entrar em vertigem. 0,5 centímetro de diâmetro: é a dimensão do vestíbulo, um dos componentes do sistema que permite ao labirinto nos servir de GPS. 30% da população sofre de tonturas, segundo estimativa da OMS. Uma das causas são problemas no labirinto.
Foto tirada com o microscópio mostra estrutura responsável pelo nosso equilíbrio
Zoom: no balanço das ondas
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