Os lobos são animais semelhantes aos cães, mas são mamíferos de quatro patas geralmente maiores, apenas com algumas exceções. Eles têm orelhas pontudas, focinhos compridos, dentes afiados e olhos reflexivos especiais para enxergarem melhor no escuro. Existem diversas subespécies cujas cores de pelo variam entre cinza, marrom, castanho, branco ou preto. Eles são inteligentes, desenvolvem […]
Não é de hoje que pediatras, psicólogos e outros profissionais defendem mais cuidado e moderação com os meios eletrônicos nainfância. Nos últimos tempos, porém, não só rolou uma avalanche de evidências científicas sobre as repercussões negativas desse estilo de vida vidrado nas telas como cresceu a preocupação com o uso cada vez mais precoce e intenso de computadores, smartphones e tablets.
E, claro, a Covid-19bagunçou tudo: com o isolamento social, os limites de tempo na frente das telinhas e telonas caíram por terra. Falo por experiência própria. Tenho gêmeos de 5 anos e ficamos meses dentro de um apartamento com opções de espaço e atividades restritas.
O desafio era equilibrar uma rotina sem brincadeiras ao ar livre, com aulas online e os nossos próprios trabalhos e afazeres domésticos. Que atirem a primeira pedra os pais que, em condições parecidas, não liberaram horas a mais de TV ou celular.
No fim das contas, quem se deu melhor foram as famílias que conseguiram flexibilizar o acesso à tecnologia sem deixar de lado a interação, o afeto e o mundo fora das telas, retomando as rédeas da situação com a reabertura das escolas e dos espaços de lazer. Mas é inegável que a pandemia atropelou etapas e antecipou tendências.
Tudo (ou quase tudo) migrou para o universo digital. E, para o bem e para o mal, nos tornamos ainda mais dependentes das telas, especialmente a nova geração.
Especialistas alertam para os prejuízos físicos, psíquicos e sociais que celulares, computadores, videogames e afins podem causar. Hora de rever limites
E isso afetou o desenvolvimento dos salmões do mar, que passaram a crescer mais rápido e fazer migrações mais cedo. Foi o que concluiu um grupo de cientistas noruegueses, que mediram o ritmo de crescimento de 6.926 salmões pescados nos rios do país (isso é feito analisando as escamas do bicho) ao longo de sete anos (1).
Os peixes que haviam recebido genes dos salmões de cativeiro eram os que exibiam as alterações. Não é a primeira vez que os salmões de criação escapam de fazendas marítimas e criam problemas: em julho de 2021, um estudo (2) revelou que eles espalharam o PRV-1, vírus que ataca os rins e o fígado dos peixes, na Noruega, Islândia, Dinamarca, EUA, Chile e Canadá.
Fontes 1. Introgression from farmed escapees affects the full life cycle of wild Atlantic salmon. G Bolstad e outros, 2021.2. Aquaculture mediates global transmission of a viral pathogen to wild salmon. G Mordecai e outros, 2021.
Animais escaparam de fazendas de criação e se reproduziram com peixes do mar, gerando descendentes com alterações genéticas e de comportamento
No outono de 1967, a astrônoma irlandesa Jocelyn Bell detectou um sinal de rádio produzido por tecnologia alienígena. Ou pelo menos essa parecia a única explicação plausível para uma sequência de picos nos gráficos do observatório MRAO, em Cambridge: um pulso de radiação eletromagnética oriundo do espaço que se repetia a cada 1,3 segundo. Bell e seu orientador na pós-graduação, Antony Hewish, batizaram a detecção de Little Green Man 1 (“Homenzinho Verde 1”).
Calhou que não era um extraterrestre. Bell havia descoberto uma estrela de nêutrons. Trata-se de um astro com uma ou até duas vezes a massa do Sol comprimida numa bola com 10 km de raio, menor que a cidade de São Paulo. O resultado é uma densidade altíssima: uma caneca desse material pesa o mesmo que o Everest.
Uma estrela de nêutrons gira em torno do próprio eixo como um peão instável e completa uma rotação em segundos ou frações de segundo. Seu campo magnético de 1013 Gauss, cem bilhões de bilhões de bilhões de bilhões de vezes mais intenso que o da Terra, transforma os polos Sul e Norte em canhões que emitem jatos de radiação. Dependendo da posição da estrela em relação ao nosso planeta, esses jatos ficam apontados para cá em intervalos regulares. Quando isso acontece, bingo: pico no gráfico. Foi esse fenômeno que Bell detectou no MRAO.
15 anos depois, em 1982, a astrônoma brasileira Angela Olinto – hoje reitora da Divisão de Ciências Físicas da Universidade de Chicago – chegou ao MIT para fazer seu doutorado. Em parceria com Charles Alcock e Edward Farhi, ela publicou uma sequência de textos pioneira sobre a possibilidade de que as estrelas de nêutrons escondam, em seu interior, um material inédito para os físicos – mais denso e estável que qualquer núcleo atômico, e capaz de formar astros ainda mais extremos, batizados de estrelas estranhas. Conversamos com Angela para entender o que são elas.
Há estrelas mortas que compactam a massa do Sol numa bola com 10 km de raio. Em seu núcleo, pode se formar o material mais denso e estável já previsto pelos físicos, a matéria estranha. Ela talvez seja “contagiosa” – e transforme tudo que toca em mais de si mesma.
A Austrália está repleta de reservas florestais. Os moradores de Sydney viajam quatro horas de carro até um parque nacional famoso, onde aproveitam para caminhar, fazer piqueniques e observar pássaros. Com um detalhe: esse parque vive um incêndio que já dura 6 mil anos. Não à toa, a região ganhou o apelido de Burning Mountain– “montanha que queima”.
O incêndio não preocupa os visitantes. Tudo acontece a 30 metros de profundidade do solo, onde existe uma camada de carvão que ocorre naturalmente em todo o planeta. Não há chamas, e sim carvão em brasa que lembra uma churrasqueira em final de festa.
Há evidências do que está acontecendo debaixo da terra: o chão quente, a fumaça que sai do solo, as cinzas brancas, as rochas vermelhas e amarelas, além de um cheiro de enxofre – resultado da queima dos minerais da montanha. Acima do incêndio não há planta que sobreviva.
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O incêndio não ocupa toda a reserva. O pesquisador Guillermo Rein, do Imperial College de Londres, estima que a área queimada tenha cinco e dez metros de diâmetro, e que a temperatura da brasa fique em torno de 1.000 ºC. Ele se move a uma velocidade de um metro por ano, cada vez consumindo mais carvão.
“Onde o incêndio ainda não chegou você vê uma floresta de eucalipto. Onde o incêndio está agora não há nada vivo, nem grama”, disse Rein à ScienceAlert. “E onde o incêndio estava entre 20 e 30 anos atrás, a floresta voltou, mas está diferente. O incêndio moldou a paisagem”.
Como começou o incêndio?
Quando um incêndio desse tipo começa, é quase impossível apagá-lo. Ele se espalha por onde tiver carvão. Há exemplos mais recentes ao redor do mundo: a cidade de Centralia, nos Estados Unidos, foi abandonada devido a um incêndio subterrâneo que se alastra desde 1962. A maioria deles é causado devido à ação humana, como acidentes de mineração.
Burning Mountain é um caso à parte. O incêndio foi descoberto em 1828, quando um morador local confundiu o fenômeno com vulcanismo. No ano seguinte, o geólogo Charles Wilton percebeu que se tratava de um incêndio de carvão subterrâneo. As medições mostram que a brasa se alastrou por 6,5 quilômetros – o que equivale a 6 mil anos de incêndio.
É pouco provável que ele tenha sido causado pela ação humana. Entre as hipóteses estão a queda de um raio e combustão espontânea. Essa última ocorre quando o carvão está perto da superfície, exposto ao oxigênio e ao Sol. A temperatura necessária para iniciar a combustão do carvão varia entre 35ºC e 140ºC.
O incêndio subterrâneo na “Burning Mountain” é considerado o mais antigo da história. Entenda o fenômeno por trás da combustão quase impossível de apagar.
“Uma vacina preventiva de erros e violência se fará. As prisões se transformarão em escolas e oficinas. E os homens, imunizados contra o crime, cidadãos de um novo mundo, contarão às crianças do futuro, estórias absurdas de prisões, celas, altos muros, de um tempo superado.”
Cirurgiões que usam máscara N95 durante as operações apresentam uma redução progressiva no nível de oxigenação no sangue e aumento no ritmo cardíaco, o que acaba resultando em maior chance de cometer erros. Essa é a conclusão de um estudo que acompanhou 53 cirurgiões na Turquia.
Qual é a verdade:
O tal estudo (1) também monitorou cirurgiões que não usaram máscara – e eles tiveram a mesma redução de oxigenação e aceleração cardíaca. Ou seja, essas coisas se devem ao estresse natural de uma cirurgia, não à máscara. São alterações pequenas, consideradas normais. E o trabalho (que voltou a circular agora mas foi originalmente publicado em 2008) não traz qualquer menção ao índice de erros cometidos nas cirurgias – sejam com ou sem máscara.
Fonte 1. Preliminary report on surgical mask induced deoxygenation during major surgery. A Beder e outros, 2008.
Manchete que circulou recentemente pelas redes sociais se baseia na interpretação errada de um estudo de 2008. Entenda o caso.
“Criado-mudo, não. O termo correto é mesa de cabeceira. Criado-mudo é um termo racista e surgiu para chamar escravos que ficavam parados ao lado da cama.” O trecho entre aspas aparece no site da Amazon quando um consumidor pesquisa aquele pequeno móvel quebra-galho, no qual você deixa seus óculos, livro, celular ou copo d’água antes de dormir.
A intenção é ótima. Mas a empresa, infelizmente, acabou dando corda para uma informação falsa. Porque não há racismo na expressão “criado-mudo”. Vamos aos fatos: o nome desse objeto é uma adaptação do termo americano dumbwaiter, um pequeno elevador que transporta comida entre os andares de um imóvel, inventado no século 19 (“dumb” é um termo para “mudo”; “waiter”, “mordomo”). Na Alemanha, que não usou mão de obra escravizada em seu território nos tempos coloniais, também há a expressão “criado-mudo” (stummer diener) – é a palavra deles para “cabide de piso”.
O termo pode até ser de mau gosto, pois equipara pessoas a objetos. Mas não tem relação com a escravidão. Outra desinformação na mesma linha, que chegou a ser publicada em uma cartilha da Defensoria Pública da Bahia, é de que a expressão “nas coxas” também seria racista. Ela remeteria a telhas “feitas de argila, moldadas nas coxas de pessoas escravizadas”.
Não há registro de tal prática, nem no Brasil colonial, nem em lugar algum do planeta. Tampouco ela faria sentido. “A tese é facilmente desmentível por uma fartura de argumentos”, escreveu Sérgio Rodrigues, autor de Viva a Língua Brasileira, na Folha. “O anatômico (só gigantes teriam coxas do tamanho das telhas coloniais brasileiras), o funcional (telhas moldadas assim teriam tamanhos e formas tão variados que inviabilizariam um telhado decente) e o econômico (por que ter produtividade tão baixa se era fácil providenciar moldes de madeira?).”
Não há uma etimologia precisa para a expressão “nas coxas” – talvez daí a livre interpretação surrealista relacionando-a à escravidão. O mais provável, porém, é que seja simplesmente uma expressão para “trabalho malfeito” advinda do fato de que um trabalho bem-feito é realizado numa mesa, e não sobre as pernas.
Inventar significados terríveis para palavras sem relação com racismo só atrapalha a luta por um mundo com menos expressões realmente preconceituosas.