Uma falha de origem genética no processo de coagulação do sangue faz com que cerca de 13 mil brasileiros convivam com a hemofilia, uma doença hereditária rara e predominantemente masculina marcada por hemorragias frequentes e prolongadas, muitas vezes espontâneas. Diante dos riscos e dos receios que envolvem a condição e da necessidade de um controle rigoroso, é de imaginar que não são poucas suas repercussões na rotina dos pacientes e familiares. Para entender a fundo esse cenário, VEJA SAÚDE, a farmacêutica Roche e a Federação Brasileira de Hemofilia (FBH) se uniram e realizaram a pesquisa Um Retrato da Hemofilia no Brasil. Feita pela internet entre janeiro e fevereiro de 2022, ela conta com a participação de 65 cuidadores de crianças e adolescentes de até 16 anos com hemofilia tipo A moderada ou grave, contemplando respondentes de todas as regiões, mais de 90% mães. “Dar voz à comunidade que vive com hemofilia permite conhecer o verdadeiro impacto que essa doença pode gerar a todos em seu entorno e buscar soluções que garantam mais qualidade de vida e inclusão aos pacientes”, diz Michelle Fabiani, diretora médica da Roche Farma Brasil. O desafio começa cedo para os pequenos e sua família. Os episódios de sangramentos mais difíceis de estancar costumam ocorrer logo no início da vida, e o aparecimento de manchas roxas pelo corpo — sinal de sangue que extravasou internamente — se intensifica quando o bebê dá seus primeiros passos e fica mais sujeito a quedas e trombadas pela casa. Outra característica é a demora na cicatrização de cortes e machucados. A desordem hemorrágica é causada por uma mutação genética que leva à escassez ou à ausência de proteínas responsáveis pela coagulação do sangue. No caso da hemofilia tipo A, a mais comum, o problema se encontra no fator VIII — na do tipo B, o organismo não produz o fator XIX. “O tratamento se baseia na reposição do fator faltante, que é feito de forma endovenosa. Isso por si só já é uma dificuldade para as famílias. Se alguns adultos sentem medo até de tomar vacina, imagine o que é para uma criança ser espetada para receber as infusões três vezes por semana”, conta a hematologista pediátrica Christiane Maria da Silva Pinto, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). No estudo de VEJA SAÚDE, 98% dos entrevistados relatam atribulações com a terapia, sobretudo a frequência e a forma de aplicação. “O choro dos filhos chega a desestruturar os pais”, nota a médica.
Estudo inédito com pais e cuidadores de crianças e adolescentes com a doença hematológica aponta os anseios e as preocupações dessa comunidade
Após uma síndrome do pânico, em dezembro de 2020, e uma série de crises de ansiedade, o ator Marcelo Serrado começou a se interessar por leituras associadas ao funcionamento da mente. Do PhD em psicologia Joseph Murphy, leu o best-seller O Poder do Subconsciente, e foi atrás de informações que pudessem ajudá-lo não apenas na questão terapêutica. Ele queria também explorar técnicas capazes de aprimorar sua performance como ator. E aí teve um encontro bem-sucedido com a hipnose.
Muito famoso por Crô, o mordomo da novela Fina Estampa (2011), que ainda viraria protagonista de dois filmes, o ator descobriu que sessões de hipnose podiam ajudá-lo na invenção de uma história pregressa para cada um de seus personagens. Ou seja: bolar um passado fictício anterior ao período em que a trama se desenvolve, uma técnica que confere mais profundidade às interpretações. “Ao ser hipnotizado, eu consigo criar esse passado com muitos detalhes, visualizo a vida toda do personagem, desde a infância”, explica. “Isso torna essa história muito mais real na minha cabeça.”
Prestes a interpretar um dublê na próxima novela das sete da Globo, Cara e Coragem, Marcelo fez esse exercício de preparação com Tiago Garcia, hipnólogo pós-graduado em neurociência.
Membro da Sociedade para Hipnose Clínica e Experimental, dos EUA, Tiago realizou uma pesquisa com a hipótese de que a redução da atividade do córtex pré-frontal (responsável por nossa atenção e tomada de decisões) durante o estado hipnótico pode potencializar a dissociação da identidade de atrizes e atores – quando eles deixam de lado quem são na vida real para incorporar seus personagens. Nesse estudo, hipnotizou Deborah Secco e mais 15 atrizes de TV e teatro – nenhuma delas havia sido hipnotizada antes.
Em cada sessão, o pesquisador conversou com as artistas em transe, fazendo perguntas sobre o cotidiano, o passado e até o futuro de personagens que elas interpretavam em algum trabalho na época. Treze das atrizes, já em estado hipnótico, comportaram-se como se estivessem numa metamorfose, assumindo que eram de fato suas personagens – uma dissociação completa da própria personalidade.
Assim como na preparação de Marcelo Serrado, a maioria relatou um forte envolvimento emocional ao criar uma infância de ficção. E 100% delas constataram que a hipnose estimulou esse processo, dando-lhes maior facilidade para expressar emoções autênticas no momento de entrar em cena.
O fato é que realmente acontecem alterações no cérebro durante o estado hipnótico: por conta de uma superconcentração promovida pelo hipnotista, o neocórtex, região onde fica a nossa consciência, passa a ignorar os sinais enviados pela amígdala, nosso centro emocional – que nos faz reagir a estímulos externos. Sem nada de estímulo chegando à consciência, nosso senso crítico vai lá para baixo, e nos tornamos vulneráveis às sugestões hipnóticas.
Estudos recentes mostram que a técnica é eficaz para reduzir quadros de ansiedade, aumentar o foco, aliviar dores do parto e até mitigar problemas intestinais. Entenda a ciência por trás das terapias de hipnose.
“Sempre que eu penso: chega! Não adianta nada mesmo, ninguém vai ouvir, ou ler, ou ver. Sempre, todas as vezes, uma voz interior me fala : continua…vai adiante. Se apenas uma pessoa for tocada por tuas palavras e iluminar sua trajetória de esperança, já terá valido mil vezes a pena… então eu continuo…”
O glifo que você vê na foto acima representa um dia do ano – como 15 de abril, por exemplo. Esse dia é chamado “7 cervo”, e sua representação é, justamente, o número 7 desenhado em cima de um cervo. Ele é um dos 260 dias nomeados do calendário maia – e os fragmentos acima podem pertencer ao calendário mais antigo conhecido.
Os fragmentos foram encontrados no norte da Guatemala, em um sítio arqueológico chamado San Bartolo. É lá que fica a pirâmide Las Pinturas (que chega a medir 30 metros de altura), onde o calendário maia estava. A descoberta foi publicada por pesquisadores da Universidade do Texas no periódico ScienceAdvances.
Os achados arqueológicos datam do século 3 a.C., o que foi verificado com datação de radiocarbono. Isso o torna o calendário maia mais antigo já encontrado – até então, mais antigo era do século 1 a.C.
Os pedaços faziam parte de um grande mural, mas hoje só sobraram fragmentos que cabem na palma da mão. Segundo o pesquisador David Stuart, a parede provavelmente foi intencionalmente destruída pelos maias quando estavam reconstruindo seus espaços cerimoniais. Depois, a pirâmide foi construída por cima.
Os pesquisadores esperam encontrar amostras ainda mais antigas em San Bartolo. O local era um centro regional durante o período maia pré clássico, que vai de 400 a.C. até 250 d.C. No total, a pesquisa encontrou 7.000 fragmentos de diferentes murais. Foram analisados apenas 11 deles, descobertos entre os anos 2000 e 2012, incluindo o “7 cervo”.
O calendário maia levava em consideração os movimentos do Sol, Lua e planetas. Um dos sistemas usados para contar o tempo de baseia em um calendário de 260 dias, que inclui o “7 cervo”, chamado Tzolk’in. Outros sistemas maias incluem o ano solar de 365 dias e um calendário lunar.
Os fragmentos do calendário datam do século 3 a.C. – e foram encontrados nas ruínas de uma pirâmide no norte do país