E se surgisse uma máquina consciente?

Por Rafael Battaglia

Não foi desta vez. Em junho, um engenheiro do Google afirmou que uma inteligência artificial com que trabalhava havia adquirido consciência – mas a história revelou-se um caô. As supostas provas eram uma seleção muito bem editada de conversas, feita para parecer que a IA realmente havia adquirido consciência e temia pela própria “morte” ao ser desligada. O funcionário acabou afastado do cargo.

Mas e se fosse um fato? E se surgisse uma inteligência artificial de verdade, capaz de pensar como um humano? A primeira opção que vem à mente é um cenário catastrófico, ao estilo Matrix ou Exterminador do Futuro – em que máquinas com quem não podemos concorrer intelectualmente escravizam ou eliminam a humanidade.

Stephen Hawking (1942-2018) afirmou em 2014 à rede de TV BBC que “o desenvolvimento de uma inteligência artificial plena pode dar fim à raça humana”. Hawking se refere a máquinas conscientes de fato. Elas são o que se denomina inteligência artificial geral – também chamada de “forte”, ou “verdadeira”.

Robôs desse tipo iriam precisar de um salário e seriam capazes de aumentar a qualidade de vida e o PIB mundial – ou elevar o desemprego de vez.

E se surgisse uma máquina consciente?

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Baratas estão aprendendo a driblar veneno

Por Bruno Garattoni

Estudo mostra que algumas fêmeas do inseto começaram a rejeitar doces – para evitar risco de morte

Baratas estão aprendendo a driblar veneno

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Os mistérios do relógio biológico

À noite, a digestão muda – e a comida pode engordar mais. A pele se renova e o sistema imunológico trabalha melhor enquanto dormimos; o coração desacelera. Quase todas as funções do corpo têm seus horários. Eles são coordenados por uma bolinha de 20 mil neurônios bem no meio do cérebro – e pelo Sol. Entenda as novas descobertas da ciência sobre esse mecanismo.

Os mistérios do relógio biológico

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Coluna Carbono Zero: os carros elétricos são a única opção?

Por Bruno Garattoni

Há um consenso, vindo principalmente do mundo desenvolvido, de que os carros elétricos são o futuro. Esses veículos, em princípio, poderiam atingir neutralidade total de carbono, caso pudessem ser recarregados a partir de fontes 100% limpas. O problema é que não é assim que a banda toca.

Ao plugar o carro na tomada, o consumidor está transferindo energia da rede elétrica para a bateria, e a chave para entender o real impacto sobre emissões é saber como essa energia foi gerada.

Um estudo da empresa alemã Mahle revelou que no Brasil, onde 85% da eletricidade vem de fontes renováveis (e limpas), como as hidrelétricas, alimentar um carro elétrico ao longo de dez anos emitiria o equivalente a 17,6 toneladas de CO2.

Já na Bolívia, que tem quase 65% de sua eletricidade gerada por combustíveis fósseis, alimentar esse mesmo carro geraria 32,5 toneladas de CO2 – mais até do que um veículo a gasolina, que emitiria 31,3 toneladas no mesmo período de uso.

Essa diferença seria o fim da história, não fosse outra tecnologia em uso no Brasil há muito tempo: os biocombustíveis, em particular o etanol. O mesmo estudo da Mahle indica que a emissão média de um carro movido a etanol, no Brasil, é de 12,1 toneladas de CO2-equivalente a cada dez anos. Ou seja, menos até que o carro elétrico!

É fato que os motores a etanol emitem um bocado de poluentes. Mas boa parte disso é compensada pela natureza renovável do sistema: para produzir mais etanol, é preciso plantar cana, que tira CO2 da atmosfera via fotossíntese. No balanço, a conta fica bonita.

E com a vantagem adicional de que os carros flex e a disponibilidade ampla do etanol fazem com que nossa grade de mobilidade já esteja praticamente toda preparada para se beneficiar disso.

Contudo, esse também não é o fim da história. Porque o balanço de carbono não é o único fator envolvido. Nas grandes cidades, os motores a combustão prejudicam a qualidade do ar e aumentam a incidência de doenças respiratórias (um problema que o carro elétrico não tem).

Em alguns casos, o carro a álcool pode ser até mais limpo. Entenda por quê.

Coluna Carbono Zero: os carros elétricos são a única opção?

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Inteligência artificial aprende conceitos básicos da física clássica

Criado pela empresa de Inteligência Artificial britânica DeepMind, o programa foi batizado de PLATO, sigla em inglês para “aprendizado de física por autocodificação e rastreamento de objeto”, e foi criado para entender que objetos no mundo material seguem à risca as leis da física.

A DeepMind foi adquirida pela Google em 2014, e já contribuiu para o ramo de IAs com Flamingo, um programa que descreve com precisão uma foto usando apenas algumas imagens de treino, e com AlphaZero, um programa que derrotou os melhores adversários robóticos e humanos em partidas de xadrez.

Os cientistas procuraram tocar numa questão importante com a PLATO. Segundo eles, “algo está faltando” nas principais Inteligências Artificiais; elas “ainda têm dificuldade em capturar o conhecimento de ‘senso comum’ que guia previsões, inferências e ações em cenários humanos cotidianos”.

Pensando nisso, eles focaram em ensinar um conhecimento “intuitivo”: física clássica. Não é preciso assistir a uma aula de física para saber empiricamente que “tudo que sobe desce” e “dois objetos não ocupam o mesmo lugar”. PLATO foi treinada com vídeos de simulações de objetos se comportando da forma que deviam. Foram usados prismas retangulares e esferas de tamanhos e massas variados para simular colisões, tipos de movimentos variados, queda livre, entre outros.

O algoritmo foi alimentado com vídeos sem pé nem cabeça. E aprendeu a distinguir os que obedecem às leis da física.

Inteligência artificial aprende conceitos básicos da física clássica

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Humanos podem não ser os únicos mamíferos que cuidam de plantações

Talvez os seres humanos não sejam os únicos mamíferos que cuidam da terra para cultivar alimentos. Cientistas da Universidade da Flórida (EUA) descobriram que os roedores da espécie Geomys pinetis também praticam um tipo de agricultura. Análises em um campo de tocas feitas pelos animais sugerem que eles colhem as raízes de pinheiros que crescem em suas casas – e também as cultivam.

A equipe planejava observar se o crescimento das raízes invadia os túneis em que os roedores vivem, além de estudar como os roedores cultivam a fonte de alimento nos túneis já feitos e nas novas tocas.

Cientistas encontraram exemplos de roedores “cultivando” raízes. E, para alguns pesquisadores, isso os torna os primeiros mamíferos além dos humanos a praticarem agricultura.

Humanos podem não ser os únicos mamíferos que cuidam de plantações

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Desafios da anemia falciforme – e o tratamento atual

Por Fabiana Schiavon

Em quatro anos morreram, no Brasil, mais de 3 300 pessoas abaixo de 40 anos com anemia falciforme, marcada por alterações dos glóbulos vermelhos que gera sintomas como dores, cansaço e feridas. A doença, decorrente de uma mutação genética, vitimiza mais as mulheres (52%) e a população negra (80%). Esses dados vêm dos estudos que tentaram mapear esse problema por aqui. Mas uma pesquisa da farmacêutica Global Blood Therapeutics, Inc. (GBT) verificou o impacto da anemia falciforme no cotidiano, a partir de informações de 1 300 indivíduos em dez países (Brasil, Estados Unidos, Reino Unido, França, Arábia Saudita, Emirados Árabes, Canadá, Bahrein, Omã e Alemanha). Segundo ela, adultos e crianças com a doença faltam, em média, mais de uma semana por mês na escola ou no trabalho. O mesmo levantamento indica que 53% dos médicos não têm ferramentas eficazes para ajudar seus pacientes a lidarem principalmente com as dores e o cansaço, sinais que mais prejudicam a qualidade de vida de que tem anemia falciforme. Esses mesmos profissionais carecem de uma rede de apoio, seja do governo ou de associações, que mantenha o paciente informado a evolução da doença ao longo de sua vida. 

Pesquisa aponta desinformação geral sobre essa doença de origem genética, e mostra como ela afeta o cotidiano dos pacientes. Avaliamos o cenário

Desafios da anemia falciforme – e o tratamento atual

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Alprazolam: para que serve esse ansiolítico e quais efeitos colaterais

Por Fabiana Schiavon

Alprazolam é um medicamento da classe dos benzodiazepínicos que serve para tratar crises graves de ansiedade e pânico (um ansiolítico). Ele tem efeitos colateraisleves, desde que seja utilizado seguindo a indicação de um profissional de saúde. Já o uso abusivo e prolongado do fármaco pode provocar reações sérias, como perda de memória e dependência química. Esse remédio é comercializado por diversas farmacêuticas por nomes como Frontal, Xanax e Aprax, mas também é vendido como genérico sob o nome de alprazolam.

O que é e para que serve?

Como outros membros da família dos benzodiazepínicos, o alprazolam age em diversas partes do sistema nervoso central, provocando um efeito de sedação. Por começar a surtir efeito rapidamente, ele costumas ser mais utilizado na ansiedade grave. “Ela pode ser incapacitante gerar angústia intolerável no paciente”, esclarece a farmacêutica Pamela Alejandra Saavedra, do Conselho Federal de Farmácia. Às vezes, o alprazolam é indicado no início do tratamento de doenças psiquiátricas, como a depressão ou fobias em geral – desde que possuam um componente ansioso. Não é fácil compreender o momento certo de prescrever o fármaco, daí a necessidade de conversar com médicos gabaritados no tema. “O alprazolam támbém é usado para tratar o transtorno do pânico”, completa Pamela. A principal característica desse problema é o aparecimento de crises de ansiedade não esperadas, como um ataque súbito de apreensão intensa, medo ou terror. O remédio é indicado ainda para casos específicos em que a ansiedade é relacionada à abstinência ao álcool. Importante dizer que esse medicamento pode aumentar o efeito provocado pelas bebidas alcoólicas. A ação veloz da droga tem a ver com sua absorção, que via de regra ocorre em questão de duas ou três horas. “Após 11 horas, ele começa a deixar o organismo”, esclarece a psiquiatra Márcia Surdo, do Hospital Moinhos de Vento, de Porto Alegre.+Leia também:Aciclovir: o que é, para que serve e como tomar esse medicamento

Alprazolam pode ser ministrado com outros remédios?

Antes de chegar a uma terapia combinada, deve-se verificar a interação medicamentosa. No caso do alprazolam, pode haver sintomas indesejáveis se ele for utilizado com a fluoxetina, que trata alguns tipos de depressão e, mais especificamente, o transtorno obsessivo compulsivo (TOC)+ Leia também:Ciprofloxacino: o que é, para que serve e os efeitos adversos “O uso concomitante  é contraindicado, porque aumenta a toxicidade de alprazolam, o que gera ataxia [prejuízo das funções motoras] e letargia”, completa Pamela.

Esse remédio tem efeito rápido no tratamento de crises de pânico e ansiedade, mas pode causar dependência. Veja o potencial do alprazolam e reações adversas

Alprazolam: para que serve esse ansiolítico e quais efeitos colaterais

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Jarras recuperadas revelam segredos do vinho romano

Três jarras de vinho, chamadas de ânforas, foram recuperadas do oceano e analisadas, dando aos pesquisadores uma visão das práticas vinicultoras da costa italiana durante o período do século 1-2 a.C.

Ânforas são vasos antigos, com forma geralmente ovalada e duas alças laterais simétricas. Eram feitos de barro e usados para transportar e armazenar líquidos, especialmente vinho – mas também podiam conter água, azeite, frutos secos, cereais e mel.

Essas jarras foram encontradas em 2018, perto do porto de San Felice Circeo, cerca de 90 quilômetros a sudeste de Roma. A pesquisa delas envolveu a combinação de técnicas de análise química com abordagens usadas na arqueobotânica.

Os cientistas usaram diferentes formas e combinações de processos para separar e identificar marcadores químicos – como a cromatografia gasosa e a espectrometria de massas – com o objetivo de identificar os restos orgânicos deixados nos jarros.

Pesquisa combinou técnicas de arqueologia, botânica e química para descobrir como era a vinicultura romana – que usava uvas locais e piche importado

Jarras recuperadas revelam segredos do vinho romano

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Por que perdemos a sensibilidade na pele com a idade?

proteínaalfa-sinucleína é uma velha conhecida de doenças degenerativas: seu acúmulo no cérebro causa lesões que culminam em Parkinson e Alzheimer. Agora a ciência suspeita que ela também tem culpa no cartório quanto à perda da sensibilidade da pele com a idade. Em 2019, foi detectada pela primeira vez a presença de aglomerados proteicos no tecido cutâneo de idosos. Para investigar melhor o significado disso, experts da L’Oréal Brasil, em parceria com o Instituto D’Or e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), usaram um modelo de pele humana reconstruída em laboratório e atestaram que a abundância da proteína barra a multiplicação celular e afina o tecido. “Nossa hipótese é que ela pode matar terminações nervosas da pele, gerando perda de sensibilidade”, conta Rodrigo De Vecchi, gerente de pesquisa da L’Oréal Brasil.

entenda como o processo ocorre ao longo dos anos. +Leia Também: Pesquisa revela os desafios dos brasileiros que convivem com o Alzheimer

O que a falta de sensibilidade pode causar

Além de nos apresentar ao mundo e permitir que nos relacionemos com ele, o tato é um sentido caro à autoproteção. É ele que nos faz tirar a mão de uma panela pelando ou sentir a dor que denuncia um machucado. A perda de sensibilidade, portanto, eleva o risco de sofrer acidentes em casa, de não sentir lesões e elas se agravarem e de não perceber variações de temperatura que nos deixam mais expostos a problemas. Direta ou indiretamente, ela afeta a qualidade de vida.

Experimento constata que acúmulo de proteínas ligadas ao Alzheimer pode estar relacionado. Entenda:

Por que perdemos a sensibilidade na pele com a idade?

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