“Já sabíamos que ela é a principal causa de AVC, tanto isquêmico quanto hemorrágico, eventos com sintomas agudos e capazes de deixar sequelas, mas agora temos evidências de que também ataca a microcirculação cerebral, provocando danos cumulativos e mais difíceis de detectar em longo prazo”, contextualiza o neurocirurgião Feres Chaddad, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
Perda de memória recente, apatia, dificuldade progressiva para andar e se localizar e depressão são alguns dos sinais de alerta emitidos por quadros de demência. “É importante procurar ajuda, pois é possível agir antes da piora”, defende Chaddad. Não dá para ficar com aquele argumento de que “é coisa da idade”.
Por outro lado, ter ômega-3 nas células aliviava o processo inflamatório. “Decidimos verificar, então, se a presença do nutriente contribui para a recuperação dos infectados”, conta a engenheira-agrônoma Inar Castro, coordenadora do projeto.
Assim, seu time coletou amostras sanguíneas de 180 pessoas na hora da internação para avaliar o status de ômega-3 e o desenrolar da doença. Os resultados estão em análise e, embora as expectativas sejam boas, Inar pondera: é cedo para sair comprando cápsulas.
O estudo do FoRC-USP leva em conta o nível de ômega-3 já presente no organismo. Então, é provável que esse índice dê pistas sobre a dieta das pessoas no momento da infecção — o nutriente está basicamente em peixes como sardinha, atum e salmão e algumas sementes.
Outros trabalhos devem determinar o impacto das cápsulas e qual seria a hora de tomá-las: antes ou depois da infecção. “Até porque a gente precisa da inflamação inicial para ativar o sistema imune”, explica Inar. Por ora, é prematuro incentivar a suplementação nesses casos.
Pesquisadores brasileiros buscam respostas. Até lá, pedem cautela
Não era para ser assim. Quando tudo começou, as previsões mais realistas diziam que a pandemia estaria mais ou menos resolvida até meados de 2021, com a vacinação em massa. O Sars-CoV-2 já estava sofrendo mutações, mas lentamente (mérito da nsp14, proteína que funciona como uma espécie de “corretor”, reduzindo a quantidade de alterações genéticas na replicação do vírus). Mesmo assim, uma hora ele começou a evoluir mais rápido, e aí vieram as variantes. As vacinas continuaram funcionando, a situação começou a ser controlada, a vida deu sinais de que poderia voltar ao normal. Então o mundo foi surpreendido pela Ômicron, absurdamente mais contagiosa – a ponto de a OMS prever que, mesmo com vacinas, máscaras e demais medidas, 50% da população da Europa será infectada até o começo de março, e a médica Janet Woodcock, diretora da FDA (a Anvisa dos EUA), ter dito que “a maioria das pessoas vai pegar Covid”.
Se no início da pandemia alguém projetasse um cenário desses, seria tachado de delirante. É importante lembrar disso ao tentar prever o que vai acontecer daqui para a frente. Você deve ter visto por aí a ideia de que a Ômicron pode significar o fim da pandemia (porque se ela contaminar a maioria da população, o vírus não terá mais quem infectar). Pode até ser. Mas talvez essa previsão se revele tão ingênua quanto aquele roteiro inicial previsto em 2020. Enquanto o vírus continuar circulando e infectando muita gente, sempre poderá surgir uma nova variante capaz de mudar o jogo. Ao mesmo tempo, já é possível enxergar um caminho mais concreto para o futuro da pandemia – que começa na quarta dose da vacina. Sim, ela vem aí; e será diferente das atuais.
A evolução da imunidade
As mutações do coronavírus começaram a se tornar um problema com a variante Delta, cuja transmissão as vacinas não conseguiam mais impedir. A solução foi partir para uma terceira dose – com isso, elas voltaram a oferecer mais de 90% de eficácia contra infecção. Ótimo. Pena que a Ômicron acabou com isso. Contra ela, as três doses oferecem bem menos proteção contra o contágio: 67,3%.
Foi o que constatou o Centers for Disease Control (CDC) americano em um estudo com 70 mil pessoas (1). 67% é um número até razoável (e, vale lembrar, a terceira dose da vacina reduz em 90% o risco de Covid grave (2)), mas não será suficiente para frear a circulação do coronavírus – inclusive porque a proteção contra contágio diminui com o tempo, conforme os níveis de anticorpos no sangue vão caindo, e porque esses dois estudos só consideraram as vacinas de RNA (Pfizer e Moderna, que têm maior eficácia e são as mais usadas nos EUA, mas não no resto do mundo).
Então veio a ideia de uma quarta dose. Israel saiu na frente: em dezembro, começou a aplicá-la em todas as pessoas que tivessem mais de 60 anos, algum comprometimento do sistema imunológico ou fossem profissionais de saúde. Não deu o resultado esperado. Uma análise feita no Sheba Medical Center, em Tel Aviv, revelou que a quarta dose da vacina Pfizer eleva em 5 vezes o nível de anticorpos.
Pfizer e Moderna já desenvolveram vacinas adaptadas para a variante Ômicron. Elas poderão ser usadas após três doses do imunizante atual. Mas, no primeiro teste, a vacina da Moderna teve resultados decepcionantes.
É menos do que a terceira (3), que gera um aumento de 8 a 25 vezes (dependendo de quais vacinas a pessoa tomou antes). Mas o maior problema é que ela não consegue impedir o contágio. “Nós vimos muitos infectados pela Ômicron entre os vacinados com a quarta dose”, declarou a epidemiologista Gili Regev-Yochay, coordenadora do estudo. “A conclusão é que a vacina é excelente contra as variantes Alfa e Delta, mas contra a [transmissão da] Ômicron ela não é suficiente”, afirmou.
A Ômicron reacendeu a pandemia. Mas vem aí uma nova geração de vacinas e medicamentos antivirais para combatê-la. Veja como eles prometem mudar o jogo – e até onde as variantes podem ir.
Sacramento, capital da califórnia. Entre 1976 e 1979, os moradores dessa cidade se sentiam dentro de um filme de terror. Agindo sozinho, um criminoso invadia casas (geralmente, de mulheres) durante a noite. Violentava e roubava as moradoras. Quando havia um casal, para garantir que o marido não reagiria, ele deixava o homem de bruços na cama e amarrava uma pilha de pratos às suas costas. Então ameaçava: a qualquer barulho de louça, mataria os dois. Na imprensa, o bandido ficou conhecido como o Estuprador da Área Leste.
Logo no início dos anos 1980, o sul do estado viveu outro pesadelo: um facínora apelidado de Perseguidor Noturno matou pelo menos nove pessoas em um período de dois anos. Assim como o Estuprador da Área Leste, ele estudava as casas antes de invadi-las e quase não deixava pistas.
A polícia só identificou o Golden State Killer em 2018 – após mais de 40 anos de investigação.
Hoje sabemos que os dois eram a mesma pessoa: Joseph DeAngelo, que aí acabaria ganhando um outro apelido, Golden State Killer (o Assassino da Califórnia – “Estado Dourado” é a alcunha da região). Seu último crime foi cometido em 1986. Coincidentemente, o ano em que o primeiro caso policial foi resolvido usando amostras de DNA, no Reino Unido. E esse poderia ser o caminho: DeAngelo usava luvas para não deixar digitais na cena do crime, porém não tomava tanto cuidado com seu esperma, que foi bem preservado em laboratório.
Mas a polícia só identificou o assassino em 2018, após mais de 40 anos de investigação. Ele era ex-policial e sabia como acobertar pistas. Seu DNA não batia com nenhum dos perfis armazenados na base de dados genéticos de criminosos dos Estados Unidos. O FBI, então, recorreu à genealogista Barbara Rae-Venter.
Ela já usava genética e genealogia para encontrar os pais biológicos de pessoas adotadas, mas resolver crimes era algo novo. Rae-Venter usou a mesma metodologia com a qual estava acostumada: fez o upload dos dados genéticos do Golden State Killer em uma plataforma aberta chamada GEDmatch, que compara trechos de DNA de diferentes pessoas.
Esse tipo de plataforma existe por causa dos testes de ancestralidade. É o serviço prestado por empresas como a AncestryDNA, a 23andMe, e a brasileira meuDNA. Pessoas comuns mandam amostras de saliva com seu material genético, e então essas companhias comparam o DNA delas com a de outros clientes que fizeram a mesma coisa. E voilà: você pode descobrir que a maior parte dos seus genes veio do sul da África; e eventualmente se há um neto bastardo do seu bisavô vivendo no Canadá.
Cada empresa tem seu banco de dados privado. Já o GEDmatch é uma espécie de “metasserviço”: clientes que fizeram seus testes pela 23andMe, por exemplo, podem baixar seus dados (em Excel) e fazer o upload lá. Outra pessoa, que testou pela AncestryDNA, faz a mesma coisa. O GEDmatch cruza esses dados e, eventualmente, ambas podem descobrir que são primas em terceiro grau (ou seja: que têm um tataravô em comum).
Um assassinato que o FBI investigava havia 30 anos foi resolvido em duas horas. O segredo: montar a árvore genealógica do criminoso usando o DNA de primos que ele nem conhecia. Entenda como a busca por parentes está revolucionando a resolução de crimes.
Cerca de 20 milhões de brasileiros vivem com arritmias cardíacas, problema que leva à morte súbita mais de 320 mil de pessoas por ano, segundo dados da Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas (SOBRAC). Mas, hoje, existem tecnologias que podem prevenir ou até mesmo reverter essa condição.
De acordo com o cardiologista Eduardo Saad, que, atualmente, é coordenador do setor de Arritmia Cardíaca do Hospital Pró-Cardíaco, a arritmia cardíaca é quando o coração sai da batida ou do ritmo normal, seja de forma mais lenta ou de forma mais acelerada. “Há vários subtipos de arritmias dentro dos dois tipos principais, que são as bradiarritmias, quando o coração bate mais lento do que o normal, e as taquicardias, quando o coração bate mais rapidamente do que deveria”, explica.
As arritmias podem ser ocasionadas pela idade, por hábitos da vida moderna, como estresse e privação de sono, além de fatores como alimentação, consumo de álcool, e terem origem genética, inclusive. Elas podem causar sintomas leves, como palpitações, sensação de coração acelerado e cansaço excessivo; sintomas mais graves, como desmaios, dores fortes no peito e tonturas e, até mesmo, Acidente Vascular Cerebral (AVC) e morte súbita. “A arritmia pode ser passageira e não causar nenhum tipo de risco e sintoma ao paciente. Outras formas da condição, no entanto, podem oferecer riscos muito graves, mesmo que a pessoa não sinta nada.”
Dispositivos conectados
É justamente por conta dos riscos apresentados e da possibilidade de atuar de forma silenciosa que as arritmias precisam ser investigadas continuamente por meio de exames. Sendo detectada a condição, é preciso entender de qual tipo ela é e qual é o melhor tratamento para combatê-la.
Hoje, médicos e pacientes podem contar com dispositivos tecnológicos e conectados para lidar com a doença. Os dispositivos Neutrino™, trazidos pela Abbott — empresa líder global de cuidados para a saúde — ao Brasil, funcionam de duas formas: sincronizando os batimentos das câmaras cardíacas, restaurando o padrão natural de batimentos e, até mesmo, exercendo a função de um desfibrilador. “Ou seja, se o paciente tiver uma arritmia muito rápida a ponto de causar perda da contração no coração, o aparelho emite um choque interno capaz de reverter o quadro, salvando a pessoa de uma arritmia súbita”, ressalta Saad.
Tecnologias da Abbott têm a função de tratamento e diagnóstico e permitem acompanhamento remoto via aplicativo
Havia 16 patógenos na lista, escritos em garranchos espalhados pela página. Ao lado de cada um deles estava o período de incubação, o meio de transmissão e a mortalidade esperada. A peste pneumônica, que acontece quando a bactéria Y. pestis infecta os pulmões, estava no topo. Se não for tratada, é letal em 100% dos casos. Abaixo havia alguns nomes de epidemias do passado, como cólera e antraz. Mas o que surpreendeu o general Richard B. Myers foi outra coisa: a maioria dos itens da lista não afetava humanos. Ferrugem do trigo, brusone do arroz, febre aftosa, peste suína. Eram armas biológicas para atacar o sistema global de produção de alimentos.
Myers era o diretor do Joint Chiefs of Staff, o conselho militar mais poderoso dos EUA, quando marines encontraram essa lista num complexo de cavernas no Afeganistão, em 2002. Naquele mesmo ano, outra fonte de inteligência reportou a presença de membros da Al Qaeda no norte do Iraque, onde estavam testando vários patógenos em cães e bodes. “Que eu saiba, eles nunca obtiveram a capacidade de usar [armas biológicas] num contexto de batalha”, afirma Myers. “Eu acho que existem informações, provavelmente confidenciais, que mostrariam a você que não é o caso – mas eu não tenho conhecimento delas, ou não posso falar sobre elas.”
Mas, mesmo se a Al Qaeda tiver desistido, outros grupos parecem ter pegado o bastão do bioterrorismo. Em 2014, um velho laptop Dell encontrado num esconderijo do ISIS no norte da Síria – o “laptop do apocalipse”, como foi apelidado pela imprensa americana – continha instruções detalhadas de como produzir e espalhar peste bubônica por meio de animais contaminados.
O NBAF irá estudar medidas contra ataques bioterroristas – como os planejados pela Al Qaeda.
Para um aspirante a bioterrorista, diz Myers, as fazendas são um “alvo fácil”. Elas têm pouca segurança, e não é especialmente difícil produzir e espalhar patógenos eficazes. A febre aftosa, que tem esse nome porque causa grandes aftas (bolhas) nas línguas, bocas e patas de bois, vacas, porcos e outros animais, é tão contagiosa que a descoberta de um único caso geralmente requer o sacrifício de rebanhos inteiros para evitar que a doença se espalhe.
O setor agrícola também é altamente concentrado: três estados fornecem 75% de todos os legumes e verduras dos EUA, e 2% dos rebanhos bovinos produzem 75% da carne. E, acima de tudo, tanto as plantas quanto os animais são geneticamente uniformes (nos EUA, 25% de todo o gado Holstein descende de apenas cinco touros – sendo que apenas um deles, o Arlinda Chief, é o pai de quase 14%). As plantações e os rebanhos são monoculturas, extremamente vulneráveis a doenças. Um prato cheio para pestes e patógenos. Com ou sem a ação de terroristas, o mundo está tão sujeito a uma pandemia agrícola quanto à Covid-19 – e possivelmente menos preparado para enfrentá-la.
Ele está sendo construído no coração agrícola dos EUA para estudar vírus exóticos, altamente contagiosos e incuráveis. Pode evitar o surgimento de uma pandemia capaz de devastar a produção de alimentos. Ou se tornar a origem dela.
A doença é causada pelo vírus DENV, que é transmitido pelo mosquito Aedes aegypti – ele adquire o vírus ao picar uma pessoa infectada, e o transfere para outras ao picá-las. Esse é o ciclo da doença, conhecido há décadas.
A novidade, como revelou um estudo publicado por cientistas da França e de Singapura (1), é que o DENV é capaz de alterar o comportamento do mosquito, fazendo com que ele pique mais vezes e procure mais vítimas – e, com isso, espalhe mais o vírus.
Os pesquisadores colocaram dois grupos de mosquitos em contato com ratos de laboratório, filmaram e analisaram o comportamento deles. Os Aedes infectados pelo DENV atacavam mais ratos do que os mosquitos não-infectados, e a presença do vírus também atrapalhava a sucção do sangue – fazendo com que os mosquitos tivessem de picar mais vezes cada animal para obter a mesma quantidade dele. O estudo calculou que essas duas mudanças aumentam em 300% a capacidade de cada mosquito transmitir o vírus.
Fonte 1. Dengue virus infection modifies mosquito blood-feeding behavior to increase transmission to the host. J Pompon e outros, 2022.
Micróbio altera comportamento do A. aegypti – e triplica capacidade de transmissão.
Um programa de exercícios para ser feito em casa, sem auxílio de equipamentos e sob a supervisão remota de profissionais de educação física se mostrou seguro e eficaz para combater duas possíveis sequelas da Covid-19: o endurecimento das artérias e a perda de força dos músculos envolvidos na respiração.
No grupo havia homens e mulheres, com idade média de 52 anos.
“Apesar do número relativamente pequeno de participantes, conseguimos ver diferenças estatisticamente significativas nessas duas variáveis. E vale ressaltar que a intervenção foi segura, mesmo feita em casa. Nenhum voluntário teve efeito adverso causado pelos exercícios”, diz Emmanuel Ciolac, professor da Faculdade de Ciências (FC-Unesp), em Bauru, e coordenador da investigação.
Cerca de um mês após a alta hospitalar, os voluntários passaram por uma bateria de exames e foram aleatoriamente divididos em dois grupos.
Parte recebeu apenas uma orientação genérica para praticar atividade física e retornar à universidade após 12 semanas para uma nova avaliação. Os demais assistiram a uma aula presencial, na qual foram ensinados exercícios aeróbicos e de força, e depois receberam uma cartilha com orientações.
Esse segundo grupo foi monitorado a distância pelos pesquisadores semanalmente, por meio de telefonemas e mensagens.
“Eles receberam a recomendação de praticar exercícios resistidos (para força muscular) pelo menos três vezes por semana, além de 150 minutos de atividade aeróbica no período”, conta Vanessa Teixeira do Amaral, mestranda do Programa de Pós-Graduação em Ciências do Movimento da Faculdade de Ciências (FC-Unesp) e primeira autora do artigo.
Ao final das 12 semanas todos passaram por nova bateria de exames. Além de peso e índice de massa corporal (IMC), foram medidos pressão sanguínea, frequência cardíaca e a chamada velocidade de onda de pulso carótido-femoral (PWV, na sigla em inglês) – parâmetro usado para medir a rigidez arterial.
“Para fazer esse exame, sensores são colocados nas artérias carótida [no pescoço] e femoral [na virilha]. Eles enviam as informações para um software, que calcula a velocidade com que o sangue bombeado pelo coração vai de um ponto ao outro. Quanto maior é a rigidez arterial, mais alta é a velocidade. Valores acima de 10 metros por segundo [m/s] já são preocupantes, pois representam risco de complicações cardiovasculares”, explica Amaral.
Voluntários fizeram um treino domiciliar por 12 semanas e apresentaram melhora em diversos aspectos
Já pensou percorrer a distância entre São Paulo e Honduras em busca de um companheiro?
Talvez a distância de 6 mil quilômetros pareça inviável para arranjar um contatinho. Mas algumas baleias-jubarte encaram o desafio, viajando entre o México e o Havaí em uma única temporada de reprodução.
Foi o que descobriu uma equipe de cientistas liderada por James Darling, da Whale Trust Maui (Havaí), uma organização dedicada a pesquisas e programas de educação sobre as baleias e o ambiente marinho. O grupo estudou mais de 26 mil baleias-jubarte que habitam o norte do Oceano Pacífico e publicou suas descobertas na revista Biology Letters.
As baleias-jubarte (Megaptera novaeangliae) são encontradas em todos os principais oceanos e migram anualmente entre áreas de alimentação, no verão, e áreas de reprodução (em águas mais quentes, próximas à Linha do Equador), no inverno.
Aquelas que habitam o Pacífico Norte, por exemplo, passam os verões no Alasca e Canadá antes da viagem para regiões próximas ao México e Havaí, onde vão acasalar, parir e amamentar seus filhotes. As baleias se dividem em grupos, e cada um costuma escolher um destino para a temporada de reprodução.
Mas existem algumas evidências de que os grupos se misturam de vez em quando, como canções compartilhadas e registros de baleias que “contrariam” seu grupo e partem para um local diferente em determinado inverno, por exemplo.
Darling e seus colegas resolveram investigar melhor como diferentes grupos de baleias do Pacífico Norte podem se sobrepor. Para isso, estudaram um banco de fotos de mais de 26 mil baleias-jubarte, tiradas desde 1977.
As baleias-jubarte têm padrões únicos de manchas e riscos em branco e preto na parte inferior de suas caudas, que permitem a identificação de cada indivíduo pelos cientistas. Então, a equipe analisou os padrões de cada foto, com a ajuda de um software, e reconheceu duas baleias macho que foram fotografadas no Havaí e no México durante a mesma temporada de reprodução.
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Um deles viajou 4.545 quilômetros em 53 dias no ano de 2006, deixando seu grupo em Olowalu, na ilha de Maui (Havaí), para se juntar a outras baleias na Isla Clarión, no México. Outro viajou 5.944 quilômetros em 49 dias, em 2018, partindo de Zihuatanejo (México) até Maui.
As distâncias surpreenderam a equipe de pesquisa e indicam que as baleias-jubarte podem ser muito mais móveis e rápidas do que se pensava. “Elas podem estar viajando pelo oceano como se fosse seu quintal”, afirma Darling à revista New Scientist. “Isso realmente muda a maneira como pensamos sobre as baleias.”
Pesquisadores estudaram registros de 26 mil exemplares da espécie no Pacífico – e descobriram que eles podem ser mais rápidos do que se pensava.