Vacina contra Covid-19 também no zoológico

Ainda que não sejam tão ameaçados pelo vírus Sars-CoV-2 como nós, humanos, alguns animais são suscetíveis à infecção, sobretudo felinos, primatas e mustelídeos (família que engloba furão, texugo, lontra…). Por isso, a farmacêutica Zoetis decidiu criar e estudar um imunizante específico para os bichos. Aprovado para uso experimental nos Estados Unidos, ele começa a ser testado no Brasil no Zoológico Municipal de Curitiba — o grupo que receberá o produto inclui de chimpanzés a tigres. O objetivo é entender até que ponto a fórmula blinda os animais e ajuda a quebrar a cadeia de transmissão viral. Por enquanto, nenhum animal doméstico será vacinado no país.

Estudo vai avaliar imunizante próprio para animais no Zoológico de Curitiba

Vacina contra Covid-19 também no zoológico

publicado em Veja saúde

Leucemia: o que é, causas, sintomas, diagnóstico e tratamento

Por Fabiana Schiavon

O que é a leucemia?

Primeiro, é preciso entender que quem fabrica as nossas células sanguíneas é a medula óssea. E esse tipo de câncer ocorre quando essa produção sai do controle, levando a uma quebra no equilíbrio especificamente dos glóbulos brancos no sangue. Existem diferentes versões de leucemia. Os grupos principais são divididos pela gravidade – crônica ou aguda – e pelos tipos de glóbulos brancos afetados – linfoides ou mieloides –, gerando as seguintes combinações: + Leucemia linfoide crônica (LLC), que costuma acometer gente com mais de 55 anos + Leucemia mieloide crônica (LMC), mais comum em adultos + Leucemia linfoide aguda (LLA), a versão mais prevalente em crianças, mas pode atingir adultos + Leucemia mieloide aguda (LMA), que pode ocorrer em crianças e adultos, mas é mais observada em idosos “A grosso modo, a divisão mais clássica é entre crônica e aguda, mas, hoje, há inúmeros subtipos que servem para guiar o médico rumo o tratamento mais eficaz”, esclarece Breno Gusmão, onco-hematologista e integrante do Comitê Médico da Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia (Abrale). [abril-whatsapp][/abril-whatsapp] O número de casos novos de leucemia esperados para o Brasil para cada ano do triênio 2020 – 2022 é de 5 920 em homens e de 4 890 em mulheres — valores que correspondem a um risco estimado de 5,67 casos novos a cada 100 mil homens, e 4,56 para cada 100 mil mulheres. A taxa de letalidade da doença é de 40%, segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca).

O que causa a leucemia?

Há uma lista de coisas que podem desencadear esse tipo de câncer, mas não existe uma relação de causa e efeito tão direta como ocorre com o tabagismo e o câncer de pulmão, por exemplo. Por falar em cigarro, vale pontuar que ele tem uma conexão com a leucemia mieloide aguda – inclusive, é o único fator que pode ser evitado. “Estar exposto ou manipular pesticidas, agrotóxicos, derivados do petróleo ou viver em zonas radioativas são causas mais frequentes da doença. Lembrando que esses níveis de toxicidade não chegam ao consumidor comum”, relata Gusmão. A doença não é hereditária, mas há casos de eventos genéticos, que são raros. E, infelizmente, o tratamento de outro tipo de câncer pode acabar prejudicando a produção de células sanguíneas. “A quimioterapia e radioterapia usam compostos químicos capazes de afetar o DNA de algumas células, gerando leucemias. É uma contradição, mas pode ocorrer”, informa o médico.

Quais são os sintomas da leucemia?

Infecções graves recorrentes, anemia, cansaço, palidez, falta de energia, hemorragia na gengiva, sangue na urina e hematomas pelo corpo são possíveis sinais da leucemia. “O sangue é formado por glóbulos brancos, glóbulos vermelhos e plaquetas. Como a leucemia é uma doença do sangue, se uma das células não exercer a sua função adequada vai, rapidamente, interferir no trabalho da outra”, relata o médico. Entender esse caminho é importante para não chegar a confusões, como a de achar que a anemia pode evoluir para uma leucemia. Na verdade, é o contrário. Como citamos, a anemia pode ser um indício da leucemia. Principais sintomas

  • Palidez
  • Cansaço
  • Palpitação
  • Aumento de gânglios
  • Infecções persistentes ou recorrentes
  • Hematomas, manchas avermelhadas que não doem e sangramentos inexplicados
  • Aumento do baço e do fígado
  • Anemia
  • Fraqueza
  • Sangramentos nasais e nas gengivas
  • Gânglios inchados (na região do pescoço e nas axilas)
  • Febre
  • Sudorese noturna
  • Dores nos ossos e nas articulações
  • Perda de peso sem motivo aparente

Os sintomas no público infantil são semelhantes, mas, segundo levantamento da Abrale, nesses casos as queixas mais comuns são febre, cansaço excessivo, dor das juntas e hematomas.

No mês de combate a esse tipo de câncer, conheça suas origens e os tipos, além dos sintomas capazes de denunciar a doença

Leucemia: o que é, causas, sintomas, diagnóstico e tratamento

publicado originalmente em Veja saúde

Terapia revolucionária contra o câncer é aprovada no Brasil

Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou a primeira terapia CAR-T no Brasil. Trata-se de uma técnica inovadora, que reprograma as células do sistema imune para que elas sejam capazes de detectar e destruir o câncer.  A terapia, já em uso há algum tempo na Europa e nos Estados Unidos, será trazida ao Brasil pela farmacêutica Novartis. É considerada revolucionária não apenas pelo seu modo de ação, que explicaremos mais abaixo, mas também pelo alto índice de sucesso – em alguns casos, até 50% dos pacientes são curados.  “Ela oferece uma esperança para tipos de câncer sanguíneos agressivos, que não responderam a outros tratamentos, em um cenário onde a expectativa de vida é de meses”, aponta o onco-hematologista Jayr Schmidt Filho, líder do Centro de Referência de Neoplasias Hematológicas do A.C. Camargo Cancer Center, em São Paulo. Por aqui, será indicada para dois tumores sanguíneosleucemia linfoblástica de células B entre crianças e adultos de até 25 anos; e linfoma difuso de grandes células B entre adultos. Em ambos os cenários, funcionará como uma terceira linha de tratamento – ou seja, quando dois outros métodos, como quimioterapia e transplante de medula, já falharam.  + Leia também:Os principais avanços no tratamento de leucemias, linfomas… Mas a expectativa é que, com o tempo, a abordagem comece a ser usada mais cedo. “As terapias disponíveis hoje contra essas doenças não são tão boas, então se espera que, em breve, essa indicação não seja só para casos avançados, mas também para os mais iniciais”, aponta o hematologista Marco Aurélio Salvino, professor da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e um dos médicos do país que liderou a pesquisa com a estratégia no Hospital São Rafael D’Or, em Salvador/BA.  O problema é o preço. Embora o valor ainda não esteja estabelecido por aqui, lá fora o tratamento sai por cerca de 300 mil dólares. Ou seja, estamos falando provavelmente de milhões de reais por indivíduo tratado no Brasil. “A CAR-T é inovadora, curativa, mas a sustentabilidade será um grande desafio para as operadoras de saúde e para o sistema público”, comenta Schmidt. 

Como a CAR-T funciona 

O método é considerado uma mistura de terapia celular (como as de células-tronco), imunoterapia (pois usa as defesas do próprio corpo) e terapia gênica (que envolve algum tipo de interferência no código genético). “Chamamos de droga viva”, resume Salvino.  Nesse esquema, os linfócitos T, células que fazem parte do nosso sistema imunológico, são extraídos do corpo e passam por um processo de engenharia genética por meio de um vetor viral.  Traduzindo: um vírus criado em laboratório, incapaz de provocar doenças, viaja até o núcleo da célula e insere uma nova informação no DNA. É como um manual de fabricação para que a célula instale um detector em sua superfície, capaz de reconhecer os linfócitos B, a linhagem de células atingidas pelo câncer. + Leia também:A revolução genética A célula “turbinada” é, então, devolvida ao corpo do paciente. “A partir daí, passa a atacar as células doentes quase instantaneamente ”, aponta Schmidt. O esquema funciona bem, por isso anima tanto os médicos. “Além do fato de apresentar uma taxa de eficácia muito superior em casos refratários, a CAR-T tem um potencial de ser um tratamento menos tóxico, pois usa as células da própria pessoa, diferente da quimioterapia, por exemplo”, destaca Salvino.  [abril-whatsapp][/abril-whatsapp] Mas há alguns cuidados – até por conta disso a aplicação ocorrerá em centros que passarem por uma qualificação complexa. Um dos pontos principais é que, justamente por gerar uma resposta imune tão rápida, pode acontecer uma tempestade inflamatória como a da Covid-19. “Existe ainda o risco de alterações neurológicas, mas são eventos manejáveis e transitórios. Só é necessário ter uma equipe bem treinada para atender esse paciente. Em outros países, ela é aplicada desde 2017 de maneira segura, com protocolos bem claros de tratamento”, pontua Schmidt. 

Procedimento, que não depende de medicamentos, faz com que as células do próprio paciente sejam capazes de combater o tumor

Terapia revolucionária contra o câncer é aprovada no Brasil

publicado originalmente em Veja saúde

Comer rápido pode elevar o risco de diabetes

Por Thais Manarini

Com base em um banco de dados de mais de 15 mil homens de 40 a 74 anos, cientistas japoneses categorizaram esses indivíduos de acordo com a velocidade com que se alimentavam. Em cinco anos, 620 desenvolveram diabetes. Cruzando as informações, os estudiosos repararam que os comedores mais acelerados corriam um risco 35% maior de encarar a doença. Para a endocrinologista Tarissa Petry, do Centro de Obesidade e Diabetes do Hospital Alemão Oswaldo Cruz (SP), trata-se de um achado que dá o que pensar, mas ainda não conclusivo. “É que os próprios voluntários relatavam se comiam rápido ou não”, nota, frisando que nem sempre essa percepção é fidedigna. “O ideal, agora, é realizar uma pesquisa mais controlada, em que o tempo da alimentação seja de fato cronometrado”, argumenta. + Leia também: Alerta máximo para o diabetes

A teoria faz sentido

Embora a pesquisa não permita cravar que comer rápido provoca diabetes, Tarissa reconhece que há hipóteses plausíveis para associar a pressa à mesa à maior propensão à doença. “Acredita-se que quem come rápido demora mais para sentir saciedade. Aí, acaba ingerindo um volume maior do que precisa”, raciocina a endocrinologista. Esse é um processo que facilita o ganho de peso e, se houver predisposição, sobe o risco de o diabetes tipo 2 aparecer. [abril-whatsapp][/abril-whatsapp]

Treino para desacelerar

Atitudes que ajudam a ter mais calma diante dos alimentos:Apoie os talheres à mesa a cada garfada + Do aroma à textura, saboreie o prato + Nada de celular ou TV enquanto está comendo + Reserve uns 30 minutos para ficar à mesa + Comece a refeição pela salada + Recorra a talheres menores 

Essa ligação foi encontrada em estudo com milhares de homens

Comer rápido pode elevar o risco de diabetes

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Zoom: lá do fundo para o mundo

Diante de uma longa pandemia viral e uma gripe fora de época, os sistemas imune e respiratório de muitos cidadãos não tiveram férias nem tréguas. Haja muco para ajudar a limpar as vias aéreas! E, se não bastasse, ainda vêm as bactérias oportunistas, como as que aparecem nesta amostra de escarro da imagem. Emprego não falta, pelo menos para nossas defesas. 

+ 5 mililitros de muco são suficientes para um teste de cultura de escarro, que avalia infecções respiratórias. 

+ 20 bilhões de partículas estranhas (poluentes, pólen, micróbios…) são inaladas, em média, por alguém que mora num centro urbano.

Retrato microscópico mostra o muco dominado por bactérias oportunistas

Zoom: lá do fundo para o mundo

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De lentidão à alucinação: os estágios da privação de sono

Por Thais Manarini

Passar apenas uma noite em claro não é um grande problema. No entanto, se a privação de sono se tornar contínua, os sistemas que regulam as funções do corpo se descompensam e diferentes problemas de saúde passam a surgir. Ficar 18 horas sem dormir, por exemplo, prejudica os reflexos motores, julgamento e o tempo de reação quando dirigimos. Isso implica em um efeito parecido com o de estar embriagado (o equivalente a uma concentração de 0,05% de álcool no sangue), aumentando o risco de acidentes de trânsito. Se o período desperto é maior, de 24 horas, a inabilidade se equipara a alguém com a taxa de álcool de 0,10%, de acordo com informações do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC, na sigla em inglês)Estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, em 2004, mostrou que há uma ligação entre noites mal dormidas e o aumento no Índice de Massa Corporal (IMC) — o que indica que a duração do sono é um importante regulador de peso e do metabolismo

+ LEIA TAMBÉM: Melatonina: suplemento não é solução para insônia e pode ser prejudicial 

Quem não dorme o suficiente também tem um aumento da corticosterona, um dos hormônios que o corpo libera em situações de estresse. “Isso provoca uma queda na produção de novas células do cérebro, afetando a cognição, especialmente a formação de memória e a capacidade de concentração”, explica o psiquiatra Adiel Rios, pesquisador do Instituto de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e membro da Associação Brasileira de Psiquiatria. De acordo com o especialista, a falta crônica de descanso favorece ainda a fadiga, o envelhecimento precoce, queda na imunidade e sonolência durante o dia, além do aumento no risco de desenvolver doenças crônicas como transtornos psiquiátricos e cardiovasculares. Embora a recomendação geral seja de 8 a 10 horas de sono por noite, no Brasil as pessoas descansam, em média, 6,4 horas, segundo dados da Associação Brasileira do Sono.

Estágios da privação de sono

24 horas sem dormir Uma noite sem descanso já é o suficiente para provocar o mesmo efeito que após o consumo de bebidas alcoólicas. Outros sintomas comuns são irritabilidade, dificuldade de concentração e cognição, tremores, fadiga, redução na coordenação e compulsão alimentar (desejo por comidas especialmente calóricas). 36 horas sem dormir Os sintomas ficam mais intensos e a vontade de dormir se torna urgente. Nessa fase, é comum ter pequenos cochilos, de cerca de 30 segundos, sem perceber — o que pode provocar acidentes durante a realização de atividades. A pessoa pode sentir ainda uma fadiga extrema, ter dificuldades em socializar e em tomar decisões, além de apresentar mudanças de comportamento

48 horas sem dormir Também conhecida como uma privação extrema do sono, nesse momento a fadiga e a irritabilidade se tornam ainda mais intensas e é possível que o indivíduo comece a alucinar, ouvindo e vendo coisas que não existem. Aumento no nível de estresse e ansiedade também pode ocorrer. 

72 horas sem dormir A partir do terceiro dia sem dormir, a necessidade de repousar fica mais forte e há a tendência de os cochilos involuntários acontecerem com mais frequência. A falta de sono impacta a percepção do indivíduo. 

96 horas sem dormir A percepção de realidade acaba distorcida, após quatro dias sem dormir. A necessidade de descansar se torna insuportável e a pessoa pode ter quadros de psicose por privação de sono, impactando na forma como vê a realidade ao seu redor. Em geral, esses sintomas diminuem depois que a pessoa descansa o suficiente.

Como melhorar a qualidade do sono?

Criar hábitos saudáveis e manter uma rotina para a hora de dormir são passos importantes para melhorar a qualidade do sono. Reduzir o consumo de cafeína durante o dia e de bebidas alcoólicas antes de ir para a cama, não usar aparelhos eletrônicos na cama e criar um ritual à noite (como tomar um banho ou ler um livro) ajudam o corpo a entrar em um estado de relaxamento. Mas, se mesmo com mudanças na rotina, a privação de sono persistir, é importante buscar ajuda especializada para entender quais problemas de saúde podem estar interferindo no repouso. 

*Esse texto foi originalmente publicado na Agência Einstein.

No Brasil, a população descansa, em média, 6,4 horas, segundo dados da Associação Brasileira do Sono; recomendação geral é de 8 a 10 horas

De lentidão à alucinação: os estágios da privação de sono

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Burnout: problema é reconhecido pela OMS e faz cada vez mais vítimas

Burnout: problema é reconhecido pela OMS e faz cada vez mais vítimas

Por Diogo Sponchiato

Ainda hoje, três anos e sete meses depois, a jornalista Izabella Camargo, de 40 anos, se emociona ao falar do burnout que sofreu em 14 de agosto de 2018. Naquela manhã, quando fazia a previsão do tempo em um telejornal, ela sofreu um “apagão” ao vivo. Dependendo da função que exercia, Izabella dormia às 5 da tarde para acordar à meia-noite e começar a trabalhar às 3 da manhã. Ainda fazia plantões de até 12 horas aos sábados e domingos pelo menos duas vezes por mês. Diagnosticada com a condição, foi demitida da emissora de TV onde trabalhava depois de dois meses e 15 dias de licença médica. “O burnout me ensinou a importância do autocuidado”, avalia a autora do livro Dá um Tempo!, da Editora Principium (clique aqui para comprar), uma das pioneiras em levar a causa ao debate público no Brasil. “Hoje, apesar de amar o que faço, cuido mais de mim. Tenho consciência dos meus limites e procuro respeitá-los”, diz a jornalista, que se tornou mãe recentemente. Histórias como a de Izabella continuam se repetindo pelo país. Em 2019, uma pesquisa da International Stress Management Association (Isma-BR) estimou que 32% da população economicamente ativa sofria de sintomas de burnout. + LEIA TAMBÉM: Como ficar em paz com o trabalho Em outro levantamento, feito já na pandemia, 44% dos brasileiros ouvidos disseram que o período de convívio com a Covid-19 amplificou a sensação de esgotamento profissional. Se formos transpor para números absolutos, daria algo em torno de 39,6 milhões de trabalhadores afetados. Em um ranking de oito países sondados, o Brasil ocupa a primeira colocação, à frente de Singapura (37%), Estados Unidos (31%) e Índia (29%). “Não há salário, promoção ou carreira que justifique o adoecimento. A saúde é o único bem do trabalhador”, afirma a psicóloga Ana Maria Rossi, presidente da Isma-BR. “Muitas vezes, a única saída é pedir as contas. Ou pede para sair ou cai doente. Não há mágica”, ressalta. O assunto não passou batido pela 72ª Assembleia Mundial de Saúde, realizada em maio de 2019, em Genebra, na Suíça, com a participação dos 194 países-membros da Organização Mundial da Saúde (OMS), quando se decidiu revisar a definição do burnout na Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID). Antes, ele era descrito apenas como um “estado de exaustão vital”. Podia ser interpretado até como resultado de um infortúnio em casa ou na família. + Assine VEJA SAÚDE a partir de R$ 9,90 Na CID-11, que passou a vigorar em janeiro de 2022, ele ganha oficialmente o entendimento mais aceito pelos especialistas, o de um esgotamento que é fruto do “estresse crônico no local de trabalho”. “O trabalho não deveria ser visto como um problema. Ele é uma solução. Ou pelo menos deveria ser. Se você adoece por causa disso, há algo errado”, alerta Antônio Geraldo da Silva, presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP). “Nosso corpo é uma ponte. Foi construído para suportar determinado peso. Acima daquele limite, apresenta rachaduras e pode ruir”, compara o psiquiatra. Embora conste na nova CID, o burnout ainda não tem status de doença. A OMS prefere situá-lo como “fenômeno ocupacional”. Ou uma síndrome, palavra que, na terminologia médica, se refere a um conjunto de sintomas, sejam eles físicos, psíquicos ou emocionais.

A síndrome do esgotamento profissional entra na lista oficial da OMS em meio a uma alta de diagnósticos. Como identificar seus sinais e reverter esse fluxo?

Burnout: problema é reconhecido pela OMS e faz cada vez mais vítimas

publicado originalmente em Veja saúde

Um novo pacto para acabar com as doenças tropicais negligenciadas

Por Diogo Sponchiato

Tracoma, oncocercose, filariose, leishmaniose… Esses nomes podem parecer grego ou remeter a moléstias de um passado muito distante. No entanto, são exemplos de doenças tropicais negligenciadas (DTNs), um martírio de saúde pública que continua castigando 1,7 bilhão de pessoas pelo planeta, 10 milhões delas só no Brasil. As DTNs, cuja lista de males ainda inclui de verminoses intestinais a doença de Chagas, são mais frequentes em regiões sem acesso a boas condições de moradia, higiene e saúde. Se deixam de ser detectadas e tratadas a tempo, costumam gerar sequelas significativas, quando não encurtam a própria expectativa de vida. Em comum, essas enfermidades são provocadas por algum tipo de micróbio ou parasita. Um pequeno glossário ajuda a entender e visualizar as ameaças:

  • Tracoma: infecção bacteriana que pode levar à cegueira;
  • Oncocercose: causada por um verme transmitido por mosquitos, compromete os olhos e a pele;
  • Filariose: também conhecida como elefantíase, vem de um um verme disseminado por mosquitos e desata inchaços e deformações nos membros;
  • Leishmaniose: é fruto de um protozoário que pega carona em mosquitos e está por trás de lesões na pele e em outros órgãos;
  • Chagas: obra de um protozoário transmitido pelo inseto barbeiro e pela contaminação de alimentos como açaí, afeta marcadamente o coração;

+ Leia também: Os desafios para vencer a Doença de Chagas Todas essas moléstias, e outras mais, são o alvo de um pacto ambicioso firmado pela União de Combate às DTNs e renovado, com a assinatura de líderes globais, pela Declaração de Kigali (Ruanda). A meta é botar um ponto final nessas doenças até 2030. De acordo com Thoko Elphick-Pooley, diretora da entidade, há duas estratégias principais em curso: oferecer acesso a tratamento às vítimas e eliminar os fatores que limitam ou impedem a prevenção, como falta de água potável e saneamento básico. Trata-se de uma empreitada que demanda recursos e o envolvimento ativo dos governos de cada país, de parceiros do setor privado e de filantropos. Da Inglaterra, onde está baseada hoje, Thoko explica na entrevista abaixo a dimensão dos desafios e o que precisa ser levado em consideração para cumprir os objetivos da Declaração de Kigali.

Thoko Elphick-Pooley, diretora da União de Combate às DTNs.

Plano global prevê eliminar enfermidades causadas por parasitas e mais comuns em regiões vulneráveis até 2030. Conversamos com uma das líderes dessa missão

Um novo pacto para acabar com as doenças tropicais negligenciadas

Fevereiro Roxo 2022: um alerta sobre Alzheimer, fibromialgia e lúpus

Por Thais Manarini

Este mês é marcado pela campanha de conscientização sobre três doenças: Alzheimerlúpus e fibromialgia. Trata-se do Fevereiro Roxo. O principal objetivo é chamar a atenção para a importância do diagnóstico precoce, que permite aos pacientes um melhor controle desses quadros e, consequentemente, uma rotina com mais qualidade de vida. De olho na data, destacamos abaixo alguns conteúdos relevantes sobre as três doenças:

Alzheimer

+ O manual de prevenção do Alzheimer+ Um novo remédio contra o Alzheimer surge no horizonte+ Um exame de sangue para detectar o Alzheimer+ Idosos que mantém o cérebro ativo podem adiar em cinco anos o surgimento do Alzheimer

Fibromialgia

+ Fibromialgia: o que é, sintomas, diagnóstico e tratamento+ Vem aí um colchão ideal para quem tem fibromialgia+  A saúde mental importa no tratamento das doenças reumáticas+ A fisioterapia no controle dos sintomas da fibromialgia

Lúpus

+ O que é lúpus? Saiba tudo sobre essa condição, dos sintomas ao tratamento+ Coronavírus: quais cuidados pacientes com doenças reumatológicas. como lúpus, devem ter?+ Reumatismo não piora no frio, mas as dores aumentam. E agora?

As três doenças não têm cura, mas flagrá-las cedo é fundamental para reduzir seus danos e preservar a qualidade de vida

Fevereiro Roxo 2022: um alerta sobre Alzheimer, fibromialgia e lúpus

publicado originalmente em Veja saúde

Teste genético: quando fazer?

Por Diogo Sponchiato

Há alguns anos distantes do dia a dia dos brasileiros, agora os testes genéticos não só estão mais viáveis de se fazer como alguns deles podem ser realizados dentro de casa e enviados ao laboratório pelo correio.

Esses exames, em evolução e expansão, ajudam a prevenir doenças, personalizar tratamentos, entender como o corpo reage a determinados hábitos e desbravar nossas origens.

Porém, com tanta versão e opção no mercado, como saber quais trazem informações confiáveis e úteis à saúde? Nossa equipe apurou quando e com que finalidade vale a pena sondar o DNA e tira as principais dúvidas sobre os testes disponíveis no país.

Os principais tipos de teste genético

O que muda é a forma de extrair o DNA do paciente:

  • Em casa: kits com testes para descobrir a ancestralidade ou a propensão a doenças são enviados à sua residência. Você esfrega um swab (tipo de cotonete longo) dentro da bochecha para recolher o material. Armazena num frasco ou saquinho especial e envia pelo correio para análise.
  • Em laboratório: amostras de saliva ou sangue são coletadas diariamente em centros de exame para a realização de testes genéticos que apuram o risco de uma ou várias patologias. Estudos sugerem que o sangue é o meio mais adequado a um sequenciamento genômico mais completo.
  • Em biópsias: são testes mais específicos (e caros) com o objetivo de conhecer melhor o perfil do tumor do qual foi retirada a amostra. Em alguns tipos de câncer, é possível avaliar se a quimioterapia é o tratamento mais indicado ou se o problema pode ser tratado de outras maneiras.

+ Leia também: Quando fazer teste para sair do isolamento por Covid-19?

Para prever e prevenir doenças sérias

A sopa de letrinhas do nosso DNA reúne pistas importantes sobre problemas de saúde que provavelmente vamos desenvolver no futuro. Às vezes a história da família deixa a situação evidente: alterações genéticas ligadas a enfermidades atravessam gerações e os membros do clã são claramente afetados por elas.

Mas há casos em que os genes — ou mutações neles — indicam maior propensão a doenças das quais nem desconfiamos. Ilustram esses dois contextos os famosos genes BRCA1 e BRAC2, marcadores de alto risco para câncer de mama, ovário e próstata, o CDH1, associado a tumores de estômago, e aqueles que fazem parte do grupo HLA, por trás de disfunções imunológicas.

Foi graças a um teste genético que delatou uma mutação nos genes BRCA que a atriz americana Angelina Jolie descobriu a predisposição ao câncer de mama e decidiu se submeter a uma mastectomia preventiva.

Esse tipo de exame que apura trechos específicos do DNA é recomendado sobretudo quando há histórico familiar de uma doença. Mas é preciso esclarecer que nem toda culpa recai sobre os genes: fatores ambientais e comportamentais (como o tabagismo) aumentam as chances de desencadear o problema.

Os exames de DNA estão cada vez mais acessíveis e podem ser feitos até em casa. Mas em que situações eles realmente trazem dados importantes à saúde?

Teste genético: quando fazer?

publicado em Veja saúde