Cientistas inserem proteína humana em batata

Em humanos,  a presença da proteína FTO está associada à obesidade – tanto que o nome dela é uma abreviação de “fat mass and obesity associated protein”. Biólogos da Universidade de Chicago fizeram uma alteração genética na batata comum (Solanum tuberosum), para que ela também produzisse a FTO, e o resultado foi surpreendente: graças à proteína humana, as batatas transgênicas cresceram 50% a mais (1).

Os cientistas também aplicaram a modificação no arroz, com resultados similares (os grãos não mudaram de tamanho, mas a produtividade por hectare aumentou 50%). A FTO faz a batata e o arroz crescerem mais por três motivos: ela aumenta a eficiência da fotossíntese, deixa as raízes das plantas mais fortes e compridas, e também as torna mais resistentes à seca.

Alteração genética também foi testada no arroz, no qual provocou o mesmo -e curioso- efeito

Cientistas inserem proteína humana em batata

publicado originalmente em superinteressante

Guerra Fria, islã e heroína: entenda os 40 anos de guerra no Afeganistão

Em 1946, o rei afegão Mohammed Zahir Shah – um monarca carismático e progressista, na época com 32 anos de idade – convidou a empresa de engenharia americana Morrison-Knudsen para instalar uma rede de barragens, usinas hidrelétricas e canais de irrigação ao longo do Rio Helmand. Suas margens são um oásis fértil em meio ao deserto que cobre o sul do Afeganistão, e modernizar a agricultura por lá traria prosperidade para uma província árida. 

Os americanos se empolgaram: no comecinho da Guerra Fria, essa era uma boa chance de tirar um território no centro da Ásia da esfera de influência soviética – e torná-lo um aliado. Ao norte, o Afeganistão fazia fronteira com uma região remota da URSS. A leste, uma tripa estreita de território afegão montanhoso acaba em 76 km de fronteira com a China, onde o Partido Comunista disputava a guerra civil que colocaria Mao Tsé-Tung no poder. As montanhas afegãs eram uma poltrona VIP para a Casa Branca espiar seus adversários. 

Britânicos, soviéticos, americanos. O povo afegão foi vítima e algoz de todos os impérios que bateram à sua porta. Como um país islâmico rural e miserável, castigado por décadas de manipulação das superpotências, se tornou terreno fértil para a ideologia medieval do Talibã…

Guerra Fria, islã e heroína: entenda os 40 anos de guerra no Afeganistão

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Brasil mil grau: o que o IPCC diz sobre o futuro do país no aquecimento global?

O efeito estufa é, em sua essência, um fenômeno simples. A luz do Sol alcança a Terra e aquece a superfície do planeta – que passa a emitir radiação infravermelha, vulgo calor. Parte desse calor escapa de volta para o espaço sideral; parte fica retida debaixo de um grande cobertor de gás chamado atmosfera. Vale dizer: é ótimo que isso aconteça. A temperatura média da Terra, hoje, é de 14 °C. Sem efeito estufa, seriam – 18 °C. O frio tornaria o planeta inóspito para a vida como a conhecemos. 

O problema é que a poluição está transformando esse cobertor em um grosso edredom. Ao longo do século 20, alguns gases emitidos em doses cavalares pela queima de combustíveis fósseis e outras fontes antrópicas – como o dióxido de carbono (CO2) e o metano que sai nos arrotos e puns do gado (CH4) – transformaram a atmosfera num porteiro do Enem de radiação infravermelha. Hoje, a Terra retém muito mais calor do que é saudável ou necessário. Os dez anos mais quentes registrados desde 1880 ocorreram após 2005. 

Agronegócio ameaçado, hidrelétricas com sede, mosquitos aos montes e secas na Amazônia: tudo isso já é realidade. Entenda como as mudanças climáticas afetam o Brasil.

Brasil mil grau: o que o IPCC diz sobre o futuro do país no aquecimento global?

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Cientistas ensinam vacas a usar “banheiro” – e isso reduz emissão de gás ligado ao aquecimento global

Os pais ensinam as crianças a usar o banheiro já nos primeiros anos de vida. Cães e gatos também podem aprender a fazer as necessidades fisiológicas no lugar correto. Agora, cientistas decidiram ensinar outra espécie a usar o reservado: as vacas. E isso pode ajudar a desacelerar o aquecimento global. 

A urina das vacas contém nitrogênio, elemento que quando misturado com as fezes do animal acaba gerando amônia. A amônia é um composto que causa diversos problemas ambientais, como a chuva ácida. Além disso, ela também pode ser convertida por micróbios do solo em óxido nitroso – que, apesar de ser menos abundante na atmosfera do que outros gases que provocam o efeito estufa, é 300 vezes mais potente do que o dióxido de carbono e 10 vezes mais potente do que o metano.

Pensando nisso, pesquisadores da Universidade de Auckland, na Nova Zelândia, resolveram criar um banheiro para gado, concentrando a urina em um só lugar e facilitando seu descarte. A iniciativa também é positiva para as vacas: o acúmulo de xixi nos celeiros danifica os cascos delas.

Pesquisadores da Universidade de Auckland, na Nova Zelândia, ensinaram 16 animais a fazer xixi num coletor especial. Isso evita que a urina das vacas emita óxido nitroso, um gás 300 vezes mais potente que o CO2

Cientistas ensinam vacas a usar “banheiro” – e isso reduz emissão de gás ligado ao aquecimento global

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E se o 11 de Setembro não tivesse acontecido?

Logo após o atentado, o comentarista político George Will deixou registrado no The Wall Street Journal: “A história voltou de férias”. Era uma referência a O Fim da História e o Último Homem, best-seller do sociólogo americano Francis Fukuyama. Que basicamente dizia: com o fim do comunismo na Europa, a história com H maiúsculo tinha acabado. A democracia liberal vencera, para sempre. E não haveria mais grandes disputas ideológicas, filosóficas ou religiosas. Na breve paz entre o fim da União Soviética, no Natal de 1991, e o 11 de Setembro, falar nesse fim da história não soava risível.

Definitivamente, a catástrofe que levou 2.997 vidas marcou uma nova era geopolítica. Uma era em que agentes não estatais – começando pela Al-Qaeda de Bin Laden – se tornaram inimigos mais importantes do que Estados com exércitos regulares. Começava a era da Guerra ao Terror. A era do terror.

Sem o ataque às Torres Gêmeas, não haveria clima para a eleição do Trump em 2016. E sem a ascenção da direita americana, talvez o Bolsonaro não fosse presidente do Brasil.

E se o 11 de Setembro não tivesse acontecido?

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Pato australiano aprende a pronunciar insulto – como se fosse um papagaio

Na natureza, os patos almiscarados (Biziura lobata) aprendem a emitir assobios agudos com as aves mais velhas do bando. Ripper, um integrante da espécie criado em cativeiro na Austrália, teve um método de ensino diferente. Sem veteranos para ensiná-lo os barulhos característicos da espécie, ele acabou reproduzindo os sons que escutava no ambiente ao seu redor – o que envolvia desde xingamentos utilizados pelos humanos até a bateção de portas do aviário. 

O comportamento de Ripper foi notado pela primeira vez há mais de 30 anos, mas ainda não havia sido descrito em revistas científicas. Agora, um pesquisador da Universidade de Leiden, nos Países Baixos, resolveu mudar esse cenário. O etólogo Carel Ten Cate resgatou áudios antigos e redigiu um artigo sobre a aprendizagem vocal de patos almiscarados, que foi publicado no jornal Philosophical Transactions of the Royal Society B.

Estudo recém-publicado descreve comportamento do animal, que não é comum na espécie; vocalizações estão relacionadas à criação em cativeiro

Pato australiano aprende a pronunciar insulto – como se fosse um papagaio

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Antes do T. Rex, este dinossauro estava no topo da cadeia alimentar

O Tiranossauro Rex nem sempre foi o rei dos dinossauros. Na verdade, durante a maior parte da existência dos dinossauros, ele nem estava lá (os primeiros dinos surgiram há 230 milhões de anos, e o T. Rex só apareceu há 70 milhões de anos). Antes dele, um dos répteis que botava medo dos outros bichos era o Ulughbegsaurus uzbekistanensis, uma espécie de ​​carcarodontossauro descrita recentemente.

Carcharodontosaurus é um gênero de dinossauro que viveu há cerca de 100 milhões de anos. O nome vem do latim e significa “lagarto com dente de tubarão”, justamente pelos dentes afiados característicos desses animais. Ele andava nas duas patas traseiras e tinha braços curtinhos. Os tiranossauros já existiam nessa época, mas eram bem menores quando comparados aos carcarodontossauros ou mesmo ao T. Rex, que surgiu depois.

O Ulughbegsaurus uzbekistanensis era duas vezes maior que os tiranossauros da sua época. Sua extinção abriu espaço para que a concorrência aumentasse de tamanho.

Antes do T. Rex, este dinossauro estava no topo da cadeia alimentar

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Assista ao primeiro (e único) vídeo colorido de um lobo-da-tasmânia.

O lobo-da-tasmânia foi uma espécie de mamífero que viveu na Austrália até 85 anos atrás. Em também é conhecido como “tigre-da-tasmânia” em outras línguas, graças às listras que carrega na parte inferior das costas. Assim como os cangurus e coalas, o lobo-da-tasmânia era um marsupial – ou seja, tinha uma bolsa no abdômen onde carregava os filhotes. O último animal em cativeiro, chamado Benjamin, morreu no dia 7 de setembro de 1936, e a espécie foi declarada extinta.

A maioria das pessoas vivas hoje não teve a sorte de conhecer a espécie. O que restou foram algumas gravações curtas do animal, que totalizam três minutos de vídeo. Todos foram filmados em preto e branco, é claro, mas o National Film and Sound Archive da Austrália (NFSA) submeteu um dos trechos à colorização e divulgou o primeiro vídeo colorido do animal. Veja abaixo.

A espécie foi extinta em 1936. O vídeo do último animal vivo foi gravado em preto e branco – e agora ganhou vida graças a técnicas de colorização

Assista ao primeiro (e único) vídeo colorido de um lobo-da-tasmânia.

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Pássaros começam a aprender a cantar antes mesmo de sair do ovo

Quando os pássaros aprendem a cantar? Um estudo publicado recentemente mostrou que esse processo se inicia bem cedo, quando as aves ainda são embriões dentro dos ovos. O estudo foi conduzido por cientistas da Flinders University, na Austrália, membros de um grupo de pesquisa chamado Bird Lab, que desenvolve trabalhos focados em aves.

Entre 2012 e 2019, eles estudaram embriões de cinco espécies: os pássaros Malurus cyaneus e Malurus elegans, do sul da Austrália; os tentilhões Geospiza fuliginosa, das Ilhas Galápagos; o pinguim azul (Eudyptula minor), encontrado na Austrália e Nova Zelândia; e a codorna japonesa (Coturnix japonica domestica), encontrada na Ásia Oriental.

As três primeiras espécies são conhecidas como aprendizes vocais e, como o nome indica, aprendem a produzir sons a partir da imitação. As duas últimas espécies, o pinguim e a codorna, não são consideradas dotadas da capacidade de aprendizagem vocal – elas não emitem sons imitando um “tutor”.

Embriões de várias espécies de pássaro reagem a sons externos, como o canto de outras espécies

Pássaros começam a aprender a cantar antes mesmo de sair do ovo

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Contato visual com robô influencia tomada de decisões humana, indica estudo

O olhar pode ser muito representativo para a comunicação humana e indicar, por exemplo, as intenções das pessoas com quem interagimos. Em situações de tomada de decisão, é comum a tentativa de prever o comportamento dos outros por meio da interpretação de seu olhar – assim também podemos definir nossas próprias ações.

Tendo isso em mente, pesquisadores do Instituto Italiano de Tecnologia (IIT) decidiram investigar o que aconteceria quando um humano e um robô humanoide interagissem olhando um para o outro. Eles queriam descobrir se o olhar de um robô poderia influenciar a maneira como as pessoas raciocinam em uma tomada de decisão.

Cientistas observaram a relação entre humanos e um robô durante um jogo; voluntários agiam como se estivessem olhando não para uma máquina, mas para outra pessoa

Contato visual com robô influencia tomada de decisões humana, indica estudo

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