Abelhas usam distanciamento social para conter infecção na colmeia

Um ácaro chamado Varroa destructor é uma grande ameaça para as abelhas. Ele é um ectoparasita, que enfraquece esses insetos aderindo aos seus corpos – e pode infestar e dizimar colônias inteiras. Agora, um estudo mostrou que as abelhas europeias – Apis mellifera, aquelas de corpo preto e amarelo – recorrem ao distanciamento social quando a colmeia está sob ameaça do ácaro, mudando a maneira como utilizam o espaço e interagem umas com as outras. A pesquisa foi publicada na revista Science Advances.

Uma colônia de abelhas se divide em grupos. Além da abelha rainha e dos zangões, responsáveis pela reprodução na colmeia, existem as operárias. Estas, como o nome indica, trabalham em atividades fundamentais para o funcionamento da colmeia – o que varia conforme sua idade. As operárias forrageiras, por exemplo, são as abelhas mais velhas e coletam pólen, néctar e água para a colônia.

Os pesquisadores do novo estudo examinaram, a partir de vídeos, o comportamento de abelhas em colmeias que foram infectadas pelo Varroa destructor. Eles perceberam que, em colônias infectadas pelo ácaro, as abelhas forrageiras dançavam (girando e balançando) nos favos longe do centro da colmeia – diferententemente do que costumam fazer. (A dança é um meio de comunicação para as abelhas Apis mellifera: indica fontes de alimento ou novos locais para a instalação do enxame, por exemplo.)

“As forrageadoras são umas das principais vias de entrada dos ácaros [em uma colmeia]”, explica Alessandro Cini, coautor do estudo, ao jornal The Guardian. Então, quanto mais elas se afastam do centro da colmeia – onde ficam as larvas e abelhas mais jovens –, menor é a propagação dos ácaros. As abelhas praticam uma forma de distanciamento para conter a infecção na colônia.

Pesquisadores estudaram colônias infectadas com o ácaro Varroa destructor – e constataram que um determinado grupo de abelhas passa a evitar o centro da colmeia, para não espalhar a doença

Abelhas usam distanciamento social para conter infecção na colmeia

publicado originalmente em superinteressante

Novas vacinas contra a Covid-19 poderão ser adesivos para a pele

Pesquisadores da Universidade de Queensland, na Austrália, estão estudando uma aplicação alternativa para as vacinas contra a Covid-19. Em vez de utilizar injeções, eles pretendem aplicar o imunizante por meio de um adesivo para a pele. Além de a aplicação ser indolor, esse novo tipo de vacina pode ser armazenado em temperatura ambiente, não necessita de auxílio profissional para a aplicação e ainda é capaz de desencadear uma maior resposta imunológica. 

O adesivo, menor do que uma unha, possui 5 mil microagulhas de plástico com vacina na ponta. Neste caso, é usado o imunizante HexaPro, que está sendo desenvolvido por pesquisadores da Universidade do Texas, nos EUA. Ele ainda está em fase de testes clínicos, mas já se mostrou resistente a altas temperaturas e também possui um menor custo de produção quando comparado às vacinas já disponíveis no mercado. 

Por enquanto, as vacinas adesivas foram testadas apenas em camundongos. Os roedores que receberam duas doses do imunizante apresentaram uma alta produção de anticorpos, mas aqueles que receberam apenas uma também ficaram protegidos (não adoeceram quando expostos ao coronavírus). O estudo completo foi publicado na revista Science Advances.

A camada superior da pele possui uma rede de células imunes especializadas que formam uma barreira contra bactérias e vírus. Elas são responsáveis por enviar sinais sobre patógenos invasores para o resto do corpo. Por conta disso, os pesquisadores acreditam que a vacina adesiva tende a resultar em uma resposta imunológica maior com o uso de dosagens menores.

Novo método de aplicação do imunizante já foi testado em ratos – e gerou uma resposta imunológica tão potente quanto as vacinas tradicionais, que usam injeção.

Novas vacinas contra a Covid-19 poderão ser adesivos para a pele

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“Vax”, abreviação de “vacina”, é eleita a Palavra do Ano de 2021

A pandemia não impactou apenas a saúde global, mas também a forma como nos comunicamos. Algumas palavras entraram para o nosso vocabulário, enquanto outras, já conhecidas (quarentena, distanciamento, lockdown), ganharam ainda mais força. 

Prova disso é que a empresa responsável pelo Dicionário de Oxford de língua inglesa, a Oxford Languages, que elegeu a palavra “vax” (abreviação para “vacina”) como a palavra do ano de 2021. 

A conclusão veio após uma análise de mais de 14,5 bilhões de palavras coletadas de notícias redigidas em língua inglesa no mundo todo. Uma equipe de lexicógrafos (profissionais dedicados à elaboração de dicionários) ficou encarregada da tarefa. De acordo com o relatório divulgado pela Oxford Languages, a busca por “vax” na internet aumentou 72 vezes em comparação ao ano passado.

De acordo com o relatório divulgado pela Oxford Languages, a oferta de imunizantes contra a Covid-19 fez a busca pelo termo aumentar 72 vezes em comparação a 2020.

“Vax”, abreviação de “vacina”, é eleita a Palavra do Ano de 2021

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O que esperar da COP26

Iniciou-se neste domingo (31) a 26ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática, a COP26. O evento, sediado no Reino Unido, vai se estender por duas semanas, até o dia 12 de novembro. Chefes de Estado e delegações governamentais de 200 países se reúnem na cidade de Glasgow, na Escócia, com o objetivo de atualizar as metas para conter o aquecimento global e a crise climática.

Cerca de 25 mil pessoas são esperadas no evento, entre líderes mundiais, jornalistas e negociadores para as metas que virão a ser definidas. A conferência ocorre todos os anos desde 1995, mas essa edição é particularmente importante, já que marca o aniversário de cinco anos do Acordo de Paris, assinado por 196 países em 2015 (a COP26 deveria ter ocorrido em 2020, mas foi adiada devido à pandemia).

As expectativas para a COP estão altas: trata-se do primeiro encontro desde o lançamento do sexto relatório do IPCC, em agosto deste ano. O documento, que compilou dados de 14 mil estudos, apresenta cinco cenários possíveis (do mais otimista ao mais pessimista) para o aumento das temperaturas globais – e o que precisamos fazer para atingir cada um deles. Ou seja, se há um momento para discutir e decidir ações, é agora.

Começa a conferência climática mais importante dos últimos anos. Entenda por que ela é fundamental, e saiba o que vai acontecer por lá.

O que esperar da COP26

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Pesquisadores propõem nomear nova espécie humana como “Homo bodoensis”

Pesquisadores da Universidade de Winnipeg, no Canadá, propuseram uma nova nomenclatura para uma espécie humana que viveu durante o período Chibaniano (antigo Pleistoceno Médio, entre 774 e 129 mil anos atrás). Os Homo bodoensis, como foram chamados, viveram na África no mesmo período geológico em que os Homo sapiens estavam em ascensão. Por conta disso, os cientistas acreditam que o grupo seja ancestral direto dos humanos modernos. 

Vale aqui uma explicação: o Homo bodoensis não é uma espécie recém descoberta na ciência – na verdade, podemos dizer que houve uma renomeação de hominídeos já conhecidos. Para entender a história, precisamos falar rapidamente sobre o Homo heidelbergensis e o Homo rhodesiensis. Alguns fósseis do período Chibaniano encontrados na África e na Europa foram atribuídos a estas espécies, mas ambas possuem definições vastas e contraditórias. 

Por exemplo, uma análise recente de DNA de vestígios recuperados na Europa, antes atribuídos aos H. heidelbergensis, mostrou que eles na verdade pertenciam aos primeiros neandertais. Há ainda uma questão polêmica envolvendo a nomenclatura dessas espécies humanas, que já fazia alguns cientistas evitarem a nomenclatura. O nome H. rhodesiensis, por exemplo, pode ser associado a Cecil Rhodes, um magnata e político britânico envolvido no processo de colonização da África. 

A nomenclatura reuniria alguns fósseis que hoje são classificados como H. heidelbergensis ou Homo rhodesiensis. No entanto, o novo nome só deve ser usado se for aceito pela comunidade científica.

Pesquisadores propõem nomear nova espécie humana como “Homo bodoensis”

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Por que o Facebook mudou de nome para Meta?

O Facebook está passando por aquilo que profissionais de marketing (ou viciados em palavrinhas estrangeiras) chamam de rebranding: a formação de uma nova identidade. A empresa, dona de plataformas como Instagram, WhatsApp e o próprio Facebook passou a se chamar Meta. –uma referência ao “metaverso”, uma espécie de versão 3D da internet que está na mira de vários desenvolvedores.

(Calma. Nós já iremos explicar tudo isso.)

O CEO da companhia, Mark Zuckerberg, anunciou a mudança durante uma conferência no último dia 28. Segundo ele, a ideia é dissociar a empresa da rede social Facebook e focar no metaverso: “No momento, nossa marca está tão intimamente ligada a um produto que não pode representar tudo o que estamos fazendo hoje. Com o tempo, espero que sejamos vistos como uma empresa de metaverso. Quero ancorar nossa identidade naquilo que estamos construindo”.

A mudança, que ocorre em meio a uma crise vivida pela empresa, não vai chegar aos seus produtos de bilhões de usuários no mundo – as plataformas Facebook, Instagram e WhatsApp manterão os seus nomes. 

É um caso parecido ao que ocorreu com o Google, em 2015. O conglomerado, formado por empresas como a Google Inc., Nest Labs e Calico, passou a se chamar Alphabet, em uma tentativa de não atrelar o nome Google a todos os seus braços.

O “rebranding”, que acontece em meio a uma crise de vazamento de documentos oficias da companhia, visa reforçar o metaverso, que consiste em experiências de imersão e realidade virtual. Entenda.

Por que o Facebook mudou de nome para Meta?

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Lêmures cantam em ritmo característico de humanos, indica estudo

Nas florestas de Madagascar, grandes lêmures de corpo preto e branco e olhos esbugalhados se dedicam a duetos e coros. Eles cantam para encontrar familiares nas árvores, marcar território e até realizar batalhas vocais com seus vizinhos. São os indris: os únicos lêmures que se comunicam por meio de canções.

Os gritos do primata lembram uma buzina pouco agradável, mas têm muito em comum com a música humana, segundo pesquisa publicada na revista Current Biology. Estudando o canto dos indris (Indri indri), uma equipe de cientistas descobriu que ele apresenta ritmos que até então só eram conhecidos em humanos e aves.

Ao longo de doze anos, os pesquisadores analisaram canções de vinte grupos de indri para descobrir se o canto dos animais apresenta algum ritmo específico (em outras palavras, um padrão alternado de sons e silêncios) – e tentar encontrar traços musicais comuns entre outras espécies. Ao todo, foram 636 gravações de 39 animais adultos. 

Eles perceberam que esses lêmures compartilham dois padrões rítmicos com humanos. O primeiro é parecido com o tique-taque de um relógio ou de um metrônomo, em que o intervalo entre duas notas é sempre o mesmo. Esse padrão 1:1 é o que os pesquisadores chamam de isocronia.

O canto dos indris segue padrões que até então só eram conhecidos em humanos e aves. A descoberta pode ajudar a construir ‘árvore evolutiva’ de características musicais entre primatas. Ouça.

Lêmures cantam em ritmo característico de humanos, indica estudo

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Esta pode ser a imagem mais detalhada já feita de uma bactéria viva

As bactérias gram-negativas recebem esse nome devido à cor que adquirem após um processo químico denominado coloração de Gram. Enquanto elas ficam vermelhas, as bactérias chamadas gram-positivas ficam azuis – contraste que ocorre por causa das diferentes paredes celulares. As bactérias gram-negativas possuem uma membrana externa que parece barrar a ação de diversos antibióticos, o que pode ser considerado uma ameaça para a saúde pública. 

Estamos falando de bactérias como a Pseudomonas aeruginosa, uma das principais causadoras de infecções hospitalares, e a Salmonella, que causa intoxicação alimentar. Uma equipe de pesquisadores britânicos e americanos decidiu olhar as gram-bactérias mais de perto, buscando entender a composição de sua membrana externa e sua relação com a resistência aos antibióticos. Usando um microscópio de alta potência, os cientistas capturaram as imagens mais detalhadas já vistas de uma bactéria viva, e publicaram o estudo na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).

Cientistas ingleses usaram um microscópio de força atômica, com uma agulha microscópica, para ‘tatear’ a superfície da E.coli, que pode causar intoxicação alimentar

Esta pode ser a imagem mais detalhada já feita de uma bactéria viva

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Implante cerebral permite que mulher cega veja formas simples

Pesquisadores criaram e testaram com sucesso uma forma de visão artificial. Após receber um implante cerebral, Bernardeta Gómez, de 57 anos, pôde identificar letras, linhas e formas simples – e conseguiu até jogar uma versão simplificada do jogo Pac-Man.

Gómez perdeu a visão há 16 anos por uma lesão do nervo óptico chamada neuropatia óptica tóxica. Em uso inédito da tecnologia, a equipe de pesquisadores implantou um arranjo de 96 microeletrodos, com 4 mm por 4 mm, no córtex visual da ex-professora de biologia, para fazê-la enxergar.

Durante os experimentos, Gómez usou óculos especiais, equipados com uma câmera. Os dados visuais coletados pelos óculos eram codificados e enviados para os eletrodos. Eles estimulavam diretamente o cérebro da voluntária, que transformava os sinais elétricos em imagens. 

Os pesquisadores ativaram os eletrodos gradualmente nos testes, para aumentar a complexidade da estimulação à medida que o cérebro de Gómez aprendia a distinguir as imagens. Ela começou visualizando pontos, avançou para a identificação de barras (exemplificada neste vídeo) e, posteriormente, pôde perceber um rosto humano.

Os experimentos aconteceram durante um período de seis meses e foram relatados em um estudo publicado recentemente na revista Journal of Clinical Investigation. Segundo os pesquisadores, não houve complicações para a implantação e posterior retirada dos eletrodos. Também não se percebeu influência do implante para além do córtex visual, e os eletrodos não prejudicaram a função de neurônios próximos.

Pesquisadores inseriram um conjunto de eletrodos no córtex visual da voluntária; dispositivo estimulou diretamente os neurônios, enviando sinais elétricos que o cérebro interpretou como imagens

Implante cerebral permite que mulher cega veja formas simples

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Blue Origin pretende construir nova estação espacial

Nesta segunda-feira (25), a Blue Origin, empresa de Jeff Bezos, anunciou seus planos de construir uma nova estação espacial: a Orbital Reef. Outras instituições privadas, como a Sierra Space e a Boeing, também estão envolvidas no projeto, que deve ser entregue até 2030. O fim da década marcará também a possível aposentadoria da Estação Espacial Internacional (ISS), que no auge de seus vinte e poucos anos já vem apresentando problemas técnicos. 

É possível que a Nasa entre com dinheiro em algum momento, mas os empresários envolvidos não querem se prender à possibilidade. Por enquanto, todo o financiamento virá da iniciativa privada, com cada uma das empresas sendo responsável por um segmento: a Blue Origin, por exemplo, fornecerá seu foguete New Glenn para levar os primeiros equipamentos da estação ao espaço. Enquanto isso, a Sierra Space cuidará das habitações e também do transporte de astronautas. A última função também deve ser executada pela Boeing. 

Também estão envolvidas as empresas Redwire Space, Genesis Engineering Solutions e a Universidade Estadual do Arizona. Enquanto as duas primeiras cuidam do envio de material e excursões turísticas, a instituição de ensino estará envolvida na parte de consultoria de pesquisa. 

A empresa de Jeff Bezos, em parceria com outras instituições privadas, tem planos de colocar o módulo em órbita até 2030. A estação poderá substituir a ISS.

Blue Origin pretende construir nova estação espacial

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