Qual foi o ano mais importante da história da música? Com relatos e registros poderosos, a série de Asif Kapadia (diretor do documentário de 2010 sobre Ayrton Senna) faz um panorama sociopolítico de 1971 e o relaciona com o que lendas como John Lennon, Marvin Gaye, Joni Mitchell e David Bowie estavam criando na época.
This Is Pop
Para ver (e ouvir): “The Beatles: Get Back”, dirigido por Peter Jackson, chega ao Disney+ em 25 de novembro. Saiba o que assistir depois.
O embate entre millennials (nascidos entre 1981 e 1996) e jovens da geração Z, que nasceram a partir de 1997, tomou conta da internet – e de tudo quanto é conversa. Começou com uma lista inofensiva de atitudes millennials consideradas vergonhosas pelos mais novos: ser fã de Harry Potter, usar emojis (e calça skinny). A discussão saturou tão rápido, aliás, que começar um texto com ela hoje já é algo cringe (inglês abrasileirado para o termo “constrangedor”; o correto é cringe worthy).
Seja como for, o recente episódio trouxe à tona algo que há tempos está arraigado – a ideia de dividir as pessoas em caixinhas geracionais, de acordo com o ano de nascimento. Você as conhece: existem os baby boomers (1946-1964), um termo criado nos EUA para descrever aqueles que nasceram na explosão demográfica pós-Segunda Guerra (o baby boom); a geração X (1965-1980), a Y (os millennials) e a Z, dos tiktokers.
Por décadas, a divisão geracional é tratada como algo sacrossanto. Consultores a utilizam para classificar e analisar funcionários de uma empresa. Profissionais do marketing fazem pesquisas com base nela para detectar padrões de consumo. Meios de comunicação estampam as classificações geracionais em suas manchetes, na tentativa de antecipar a próxima tendência.
Millennials, X, Z. A ideia de classificar a sociedade em caixinhas geracionais ganhou aura científica. Mas trata-se de algo tão sem fundamento quanto a astrologia. Entenda por quê.
Todos os anos, fotógrafos do mundo inteiro participam do concurso Comedy Wildlife Photography Awards, que premia as fotografias mais engraçadas da vida selvagem. Em 2021, foram mais de sete mil fotos inscritas (das quais 42 seguiram para a votação final). Nesta semana, os ganhadores foram escolhidos.
A grande vencedora foi uma foto intitulada “Ouch”, que mostra um macaco gritando em cima de um fio. Ele parece estar com dor após ter caído nele com as pernas abertas (na verdade, ele está apenas sentado – e demonstrando agressividade). Confira:
O Comedy Wildlife Photo Awards promove a conservação da vida selvagem a partir de cliques bem humorados. Confira os vencedores deste ano.
O T.Rex talvez seja o primeiro dinossauro que venha à sua mente quando falamos em terópodes. A associação não está errada, mas a subordem de dinossauros não se limita a ele. Na verdade, até mesmo as aves entram nesse balaio, provando que há uma grande diversidade nesse grupo de animais.
A diversidade é tanta que há espaço até para o dino banguela Berthasaura leopoldinae. Seus fósseis, que descrevem uma espécie inédita no Brasil, foram encontrados em um sítio conhecido como Cemitério de Pterossauros, localizado em Cruzeiro do Oeste, no Paraná. O estudo completo foi publicado nesta quinta-feira (18) na revista Scientific Reports.
Conheça “Bertha”, um terópode que viveu entre 70 e 80 milhões de anos atrás cujos fósseis foram achados em Cruzeiro do Oeste, no Paraná.
Uma coisa é certa: as opções no seu Spotify seriam muito diferentes. Com os Beatles ainda inspirando a cena musical, o rock progressivo não precisaria preencher o vazio que o fim da banda deixou. E talvez o punk, que foi a resposta aos exageros de virtuosismo do gênero, nunca tivesse existido.
Com os Beatles na ativa, a música pop dos anos 1970 seguiria dominada por belas harmonias e melodias, e a turma do ritmo, como a geração disco, teria mais dificuldade para roubar a cena. Se roubasse. Assim John Travolta talvez ficasse no anonimato, já que se tornou um astro no filme que eternizou o momento das “discotecas”: Os Embalos de Sábado à Noite (1977). Anos depois, Quentin Tarantino não o conheceria para resgatar sua carreira da decadência. E não teríamos o gif do Travolta perdidão de Pulp Fiction (1994).
O documentário “The Beatles: Get Back”, que estreia em 26 de novembro no Disney+, mostrará imagens inéditas da gravação do último álbum lançado pela banda, “Let It Be” – mas e se ele não tivesse sido o último?
Você provavelmente já encontrou pelas redes sociais o famigerado #sqn, aquele jeito telegráfico de dizer que tal coisa é muito legal, “só que não”. Agora, imagine uma língua totalmente diferente do português que deu um jeito de incorporar um conceito parecido na própria estrutura das palavras, criando o que os linguistas apelidaram de “sufixo frustrativo” – um #sqn que faz parte da própria história do idioma.
Bom, é exatamente assim que funciona no kotiria, um idioma da família linguística tukano que é falado por indígenas do Alto Rio Negro, na fronteira do Brasil com a Colômbia. Para exprimir a função “frustrativa”, o kotiria usa um sufixo (ou seja, alguns sons colocados no fim da palavra) com a forma -ma. Você quer dizer que foi até um lugar sem conseguir o que queria indo até lá? Basta pegar o verbo “ir”, que é wa’a em kotiria, e acrescentar o sufixo: wa’ama, “ir em vão”
Há mais de 150 idiomas nativos no Brasil. E as diferenças entre eles podem ser tão grandes quanto a que existe entre o alemão e o mandarim.
Heitor nasceu prematuro, mas sem nada que chamasse a atenção dos médicos. Ficou na maternidade em João Pessoa alguns dias só para ganhar peso, e logo depois foi para casa. Numa consulta de rotina, porém, a pediatra notou que ele era muito paradinho, muito molinho. Não se movimentava bem. Os exames do pré-natal haviam sido normais, então a causa da hipotonia (falta de tônus muscular) era um mistério.
Seria uma reação aos remédios que a mãe tomava para a depressão pós-parto? Por via das dúvidas, a médica recomendou complementar a alimentação dele com fórmula (um tipo de leite em pó) e deixar Heitor pelo menos 24 horas no hospital em observação. Naquele mesmo dia, sem força para deglutir corretamente, o menino broncoaspirou (inalou) o leite. Teve de ser transferido para a UTI – de onde só saiu para outra, num hospital maior. E depois para mais uma. “Fomos migrando de hospital em hospital. Ao todo, Heitor ficou nove meses em UTI”, diz Hugo Moreira, pai do garoto.
Foi no meio dessa maratona que a família finalmente entendeu o que estava acontecendo. Heitor tem atrofia muscular espinhal (AME), uma doença genética rara, degenerativa e progressiva. Ela causa a perda dos neurônios motores, células do sistema nervoso que controlam o movimento dos músculos. Na ausência dessas células, os músculos se tornam cada vez mais fracos e atrofiam.
Com uma única dose, ele reverte a atrofia muscular espinhal, doença que afeta um a cada 10 mil bebês e mata em 90% dos casos. Mas a aplicação custa R$ 12 milhões. Entenda o mecanismo por trás dos remédios de preço estratosférico.
As duas maiores luas de Urano, Titânia e Oberon, são tão geladas quanto o planeta que orbitam – com temperaturas na casa dos -200°C. Mas elas podem esconder oceanos líquidos abaixo da camada superficial de gelo, segundo um novo estudo publicado no periódico especializado Icarus.
Urano possui mais de 20 satélites naturais. Luas menores, que orbitam mais perto do planeta, obtêm a maior parte de seu calor interno a partir de um fenômeno conhecido como aquecimento de maré – em que o campo gravitacional de um planeta causa deformações e gera atrito no interior de seu satélite, produzindo calor.
Estudos anteriores já sugeriram que algumas dessas luas podem ter oceanos subterrâneos, mantidos líquidos por conta desse calor. Só que quanto mais longe do planeta, menos calor um satélite pode obter a partir desse fenômeno.
O calor radioativo das luas Titânia e Oberon pode ser suficiente para manter oceanos líquidos profundos. Eles poderão ser detectados por missões futuras aos arredores do planeta.
Bactérias liberam as calorias do óleo de sojaFoi o que constataram cientistas da Universidade Cornell, nos EUA, que adicionaram óleo de soja à dieta de dois grupos de ratos: um normal e outro “esterilizado”, sem bactérias no sistema digestivo. Ao final do teste (1), os animais que tinham bactérias engordaram mais – porque elas metabolizam o óleo, tornando-o mais calórico.
Micróbios acumulam doses de remédiosdiosPesquisadores do laboratório europeu EMBL testaram 15 medicamentos com 25 espécies de bactéria que vivem no intestino humano – e descobriram que, em mais da metade dos casos, os micróbios absorviam e retinham as moléculas das drogas (2). Isso é um problema, pois pode reduzir a eficácia dos medicamentos em humanos.
Antibióticos inibem crescimento muscularRatos que tomaram antibióticos, e por isso têm menos bactérias no sistema digestivo, não conseguem ganhar massa muscular após fazer exercício. Essa é a conclusão de um estudo da Universidade do Kentucky, nos EUA, em que dois grupos de cobaias correram mais de 100 km ao longo de dez semanas (3).
Fontes (1) The microbiome affects liver sphingolipids and plasma fatty acids in a murine model of the Western diet based on soybean oil. S Di Rienzi e outros, 2021.(2) Bioaccumulation of therapeutic drugs by human gut bacteria. K Patil e outros, 2021. (3)Dysbiosis of the gut microbiome impairs mouse skeletal muscle adaptation to exercise. J McCarthy e outros, 2021.
Os microrganismos do corpo interferem com alimentos, remédios – e até exercícios.
Em 1951, Henrietta deu entrada no hospital Johns Hopkins, em Baltimore, para se tratar de um câncer de útero. Era um dos poucos estabelecimentos que aceitavam negros como ela. A paciente chegou a ter alta, mas a doença progrediu e ela morreu em outubro, aos 31 anos.
Sem que Henrietta ou sua família soubessem, os médicos do hospital preservaram um pedaço do tumor. As células cancerosas têm a capacidade de se reproduzir indefinidamente, e isso foi feito com a amostra de Henrietta. Ela foi cultivada em laboratório e se tornou um produto: as células HeLa (iniciais da paciente), que até hoje são comercializadas por várias empresas de biotecnologia para uso em testes e experiências.
Henrietta Lacks já morreu. Mas suas células estão vivas – e valem bilhões de dólares