Como Charlie Chaplin mudou as leis de paternidade nos EUA

No início da década de 1940, Charlie Chaplin se envolveu em uma bela confusão. O ator e cineasta inglês foi parar nos tribunais da Califórnia (e nas páginas dos jornais) quando não quis assumir que era pai de uma criança – caso que mudaria as leis referentes à paternidade nos Estados Unidos.

A mãe da menina se chamava Joan Barry. Ela era uma jovem e promissora atriz em 1941, quando conheceu Chaplin. O artista chegou a convidá-la para participar de um filme, e logo os dois se tornaram amantes. Era uma relação problemática, que atingiria seu clímax em 1943 com a gravidez de Joan.

A criança, Carol Ann, nasceu em outubro do mesmo ano. E, contrário às declarações de Joan, Chaplin negava a paternidade. Na época, o intérprete de Carlitos já estava casado com Oona O’Neill, sua quarta e última esposa, e o caso envolvendo a celebridade se tornou um escândalo.

O ator foi parar no tribunal quando se negou a assumir que era pai de uma criança. A ciência concordou com ele, mas a Justiça não. Entenda o caso.

Como Charlie Chaplin mudou as leis de paternidade nos EUA

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Como o Twitter (e outras redes sociais) ganham dinheiro?

Depois de se tornar o acionista majoritário do Twitter, Elon Musk fechou um acordo para comprar a rede social por US$ 44 bilhões, conforme anunciado na última segunda (25). E qual será o próximo passo do homem mais rico do mundo? Provavelmente, fazer a compra valer a pena.

Dizer que o Twitter não é lá muito lucrativo seria eufemismo: nos últimos dois anos, a plataforma deu prejuízo de US$ 1,6 bilhões. Ele tem um modelo de negócios semelhante ao de outras redes sociais, mas alcance consideravelmente menor – o que explica, ao menos em parte, por que o site não vai tão bem assim.

Há 217 milhões de pessoas no Twitter. O Instagram, por sua vez, tem mais de dois bilhões de usuários, e o Facebook, mesmo perdendo popularidade nos últimos tempos, continua com 1,9 bilhões. A rede social do passarinho é utilizada por muita gente influente (como políticos) e se destaca nos debates públicos, mas não atrai tantos anunciantes. E é por isso que não ganha tanto dinheiro.

A maneira mais comum das redes sociais gerarem receita é vendendo anúncios e impulsionando contas e posts. Aqueles textos e imagens indicados como “promovidos” no Twitter, por exemplo, aparecem para mais usuários conforme a quantia paga pelo anunciante. Essa é a principal fonte de renda para a plataforma: gerou US$ 1,41 bilhões do total de US$ 1,57 bilhões obtidos no último trimestre, o que equivale a 90% da receita da rede.

O próximo passo de Elon Musk será fazer sua compra valer a pena. Entenda de onde vem a receita de redes sociais – e por que o Twitter ainda dá prejuízo.

Como o Twitter (e outras redes sociais) ganham dinheiro?

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Cientistas descobrem maior terremoto da história da humanidade

Arqueólogos encontraram evidências do maior terremoto conhecido até então na história da humanidade: um de magnitude 9,5 que ocorreu há 3,8 mil anos onde hoje é o norte do Chile. O tremor teria causado um tsunami com ondas de até 20 metros de altura, que viajou até a Nova Zelândia, do outro lado do Oceano Pacífico.

Não tem ideia do que seria um terremoto de magnitude 9,5? Uma catástrofe, com certeza. Aquele que atingiu o Japão em março de 2011, causando um tsunami e um acidente nuclear em Fukushima, tinha magnitude 9,1. Mas são casos excepcionais. Terremotos bem menores (e mais comuns) já podem causar um grande estrago – o que devastou o Haiti em 2010 tinha magnitude 6, por exemplo.

O antigo tremor de 9,5 na Escala de Richter, descoberto agora, empata com outro de mesma intensidade, também registrado no Chile (mas no sul do país, a 570 km de Santiago). Conhecido como Grande Terremoto de Valdivia, ele ocorreu em maio de 1960 e foi sentido em muitos lugares do planeta – as ondas que surgiram no oceano chegaram ao Havaí e ao Japão.

O tremor de magnitude 9,5 teria ocorrido há 3,8 mil anos onde hoje é o norte do Chile – e empata, em intensidade, com outro ocorrido no país em 1960.

Cientistas descobrem maior terremoto da história da humanidade

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Pesquisa confirma que pterossauros tinham penas – e elas eram coloridas

Por Maria Clara Rossini

Por muito tempo os paleontólogos acreditaram que os dinossauros eram cobertos por escamas, como os lagartos atuais – basta jogar “dinossauro” no Google e olhar as ilustrações produzidas há alguns anos. O mesmo vale para os pterossauros (que, diga-se de passagem, não eram dinossauros, e sim uma outra ordem de répteis). 

Caso você não tenha acompanhado o noticiário jurássico nos últimos anos, saiba que hoje existem evidências de que alguns dinossauros eram cobertos por penas. Afinal, eles são ancestrais das aves atuais. Mas ainda havia poucos indícios fósseis que confirmassem que os pterossauros também tinham penas. Até agora.

Um fóssil encontrado no nordeste do Brasil revela a presença de penas e pigmentação nos répteis alados há 115 milhões de anos

Pesquisa confirma que pterossauros tinham penas – e elas eram coloridas

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Espiral misteriosa no céu do Havaí era, na verdade, um foguete da SpaceX

Por Maria Clara Rossini

A explicação, no entanto, não tem nada de ficção: trata-se de uma parte do foguete Falcon 9 produzido pela SpaceX, empresa de Elon Musk. Ele havia sido lançado horas antes na Base de Força Espacial Vandenberg, na Califórnia. O foguete carregava a espaçonave NROL-85, que faz parte da missão de lançamento de um satélite para o Escritório Nacional de Reconhecimento dos Estados Unidos A imagem foi capturada no último domingo (17) pelo Telescópio Subaru. O foguete faz parte de uma missão confidencial. Assista ao vídeo.(NRO, na sigla em inglês).

A atividade da espaçonave e a carga que ela carrega são confidenciais. A SpaceX transmitiu o lançamento ao vivo, mas logo depois interrompeu a transmissão, a pedido do NRO. Esse costuma ser o protocolo para esse tipo de missão.

Parte do foguete Falcon 9 é reutilizável. O primeiro estágio faz uma manobra no ar, pousa em uma plataforma marítima no Oceano Pacífico e pode ser utilizado novamente em outras missões.

A imagem foi capturada no último domingo (17) pelo Telescópio Subaru. O foguete faz parte de uma missão confidencial. Assista ao vídeo.

Espiral misteriosa no céu do Havaí era, na verdade, um foguete da SpaceX

Expedito, o santo das causas urgentes – e que nunca existiu

Quando se trata da narrativa da vida dos santos, o termo correto é hagiografia (hagios, “santo”; graphía, “escrever”). Essas histórias, geralmente bastante elogiosas aos biografados, vêm sendo registradas desde o cristianismo primitivo, mas ficaram populares mesmo durante a Idade Média, quando a Igreja Católica e os autores religiosos se tornaram especialmente criativos. Foi quando povoaram o imaginário popular com os santos mais improváveis. 

Santo Expedito, celebrado no dia 19 de abril, está na lista dos que não devem jamais ter existido. Tanto que o próprio Vaticano o excluiu de seu calendário oficial durante o concílio realizado entre 1962 e 1965.

Celebrado em 19 de abril, virou padroeiro dos procrastinadores. Mas a devoção a ele é fruto do engano de um convento francês.

Expedito, o santo das causas urgentes – e que nunca existiu

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No final do século 19, competições de caminhada atraíam multidões nos EUA

Por Rafael Battaglia

Quanto tempo você levaria para caminhar 724 quilômetros, distância equivalente a uma viagem de Belo Horizonte até Brasília?

Esse era o tamanho do percurso da maioria dos campeonatos de pedestrianismo, esporte que virou febre nos Estados Unidos no final do século 19 e que consistia, basicamente, em observar homens bigodudos andando em círculos. Pouco atrativo? No auge de popularidade, essas competições, que duravam seis dias (o que dava 120 km de caminhada por dia, em média) atraíam mais de 10 mil pessoas, que apostavam milhares de dólares em atletas patrocinados.

Atletas patrocinados, arenas com milhares de espectadores e champanhe para aguentar as maratonas. Bem-vindo ao mundo do pedestrianismo.

No final do século 19, competições de caminhada atraíam multidões nos EUA

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Por que artistas medievais desenhavam coelhos assassinos?

Esqueça o coelhinho da Páscoa. Deixe de lado a fofura vinda de olhos brilhantes e rabo de pompom. Agora, coloque um machado ensanguentado nas mãos do seu coelho imaginário. Pronto, você está próximo de uma representação medieval desse animal.

A versão assassina dos coelhos não é tão incomum para quem já assistiu a Monty Python e o Cálice Sagrado (1975). Uma cena do filme retrata, justamente, um coelho raivoso impedindo que Rei Arthur e seus cavaleiros entrem na caverna de Caerbannog – o que resulta na morte de três personagens:

Pode parecer uma situação ridícula, mas tem um pé na realidade: coelhos assassinos eram mesmo parte da cultura medieval. Eles aparecem em ilustrações de manuscritos dos séculos 13 e 15, que eram copiados por monges antes da invenção da prensa, que permitiu a impressão em massa de livros.

Coelhos com espadas, machados ou arcos lutavam contra (e até matavam) pessoas e cachorros em ilustrações de manuscritos do período. Entenda.

Por que artistas medievais desenhavam coelhos assassinos?

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Microfósseis de 4 bilhões de anos podem ser evidência mais antiga de vida na Terra

Cientistas acreditam ter em mãos a evidência mais antiga de vida na Terra. São de microfósseis de até 4,28 bilhões de anos, que indicariam a existência de bactérias por aqui apenas 300 milhões de anos após a formação do planeta.

Os supostos fósseis vêm do Cinturão de Rochas Verdes Nuvvuagittuq, um sítio geológico localizado em Quebec, no Canadá, que contém algumas das rochas mais antigas conhecidas na Terra – um bom lugar para cientistas procurarem por formas de vida primitivas.

O pesquisador Dominic Papineau, da University College of London (Inglaterra), coletou amostras dessas rochas em 2008 e publicou uma análise delas em 2017 junto com outros pesquisadores. Na época, eles já indicaram que os pedaços de pedra continham os antigos microfósseis (fósseis microscópicos), de idade estimada entre 3,75 e 4,28 bilhões de anos.

Agora, a equipe voltou a estudar as rochas canadenses em um novo estudo, publicado no periódico Science Advances. E o que eles descobriram foi uma estrutura muito maior e mais complexa do que as encontradas anteriormente.

Fósseis encontrados em amostras de rocha podem indicar a existência de bactérias apenas 300 milhões de anos após a formação do planeta.

Microfósseis de 4 bilhões de anos podem ser evidência mais antiga de vida na Terra

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Hipnose: como ela pode ajudar na sua vida

Texto Alexandre Carvalho Ilustração Tiago Araujo Design Natalia Sayuri Lara

Após uma síndrome do pânico, em dezembro de 2020, e uma série de crises de ansiedade, o ator Marcelo Serrado começou a se interessar por leituras associadas ao funcionamento da mente. Do PhD em psicologia Joseph Murphy, leu o best-seller O Poder do Subconsciente, e foi atrás de informações que pudessem ajudá-lo não apenas na questão terapêutica. Ele queria também explorar técnicas capazes de aprimorar sua performance como ator. E aí teve um encontro bem-sucedido com a hipnose.

Muito famoso por Crô, o mordomo da novela Fina Estampa (2011), que ainda viraria protagonista de dois filmes, o ator descobriu que sessões de hipnose podiam ajudá-lo na invenção de uma história pregressa para cada um de seus personagens. Ou seja: bolar um passado fictício anterior ao período em que a trama se desenvolve, uma técnica que confere mais profundidade às interpretações. “Ao ser hipnotizado, eu consigo criar esse passado com muitos detalhes, visualizo a vida toda do personagem, desde a infância”, explica. “Isso torna essa história muito mais real na minha cabeça.”

Prestes a interpretar um dublê na próxima novela das sete da Globo, Cara e Coragem, Marcelo fez esse exercício de preparação com Tiago Garcia, hipnólogo pós-graduado em neurociência.

Membro da Sociedade para Hipnose Clínica e Experimental, dos EUA, Tiago realizou uma pesquisa com a hipótese de que a redução da atividade do córtex pré-frontal (responsável por nossa atenção e tomada de decisões) durante o estado hipnótico pode potencializar a dissociação da identidade de atrizes e atores – quando eles deixam de lado quem são na vida real para incorporar seus personagens. Nesse estudo, hipnotizou Deborah Secco e mais 15 atrizes de TV e teatro – nenhuma delas havia sido hipnotizada antes.

Em cada sessão, o pesquisador conversou com as artistas em transe, fazendo perguntas sobre o cotidiano, o passado e até o futuro de personagens que elas interpretavam em algum trabalho na época. Treze das atrizes, já em estado hipnótico, comportaram-se como se estivessem numa metamorfose, assumindo que eram de fato suas personagens – uma dissociação completa da própria personalidade.

Assim como na preparação de Marcelo Serrado, a maioria relatou um forte envolvimento emocional ao criar uma infância de ficção. E 100% delas constataram que a hipnose estimulou esse processo, dando-lhes maior facilidade para expressar emoções autênticas no momento de entrar em cena.

O fato é que realmente acontecem alterações no cérebro durante o estado hipnótico: por conta de uma superconcentração promovida pelo hipnotista, o neocórtex, região onde fica a nossa consciência, passa a ignorar os sinais enviados pela amígdala, nosso centro emocional – que nos faz reagir a estímulos externos. Sem nada de estímulo chegando à consciência, nosso senso crítico vai lá para baixo, e nos tornamos vulneráveis às sugestões hipnóticas.

Estudos recentes mostram que a técnica é eficaz para reduzir quadros de ansiedade, aumentar o foco, aliviar dores do parto e até mitigar problemas intestinais. Entenda a ciência por trás das terapias de hipnose.

Hipnose: como ela pode ajudar na sua vida

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