No mundo muçulmano, não existe nenhuma cerimônia que possa ser comparada ao Hajj, a gigantesca peregrinação rumo à cidade santa de Meca, na Arábia Saudita. Os fiéis se juntam a procissões com mais de 2 milhões de pessoas, dão sete voltas em torno da Kaaba (o local mais sagrado da fé islâmica) e fazem vigílias. No final das festividades, os homens devem raspar a cabeça ou, ao menos, cortar o cabelo, enquanto as mulheres aparam as pontas.
Quem se deixa guiar apenas pelos estereótipos negativos a respeito da natureza do Islã talvez veja o Hajj como uma fábrica de radicais fundamentalistas, como o povo do Talibã. Só que não. Estudos de psicologia social mostram que o efeito da peregrinação é aumentar a tolerância dos fiéis em relação a muçulmanos de grupos étnicos e religiosos diferentes dos deles.
Estranhou esse dado? Calma, a coisa fica ainda mais complicada. A frequência com que os seguidores dessa fé fazem suas orações em casa tem correlação negativa com seu apoio ao terrorismo islâmico – ou seja, o sujeito que mais reza é o que menos apoia ações armadas em nome da religião. Por outro lado, um maior número de idas a mesquitas ao longo do ano está correlacionado com maior aprovação à violência de cunho religioso.
De fato: disputas religiosas criam e turbinam conflitos armados, como as que vemos no Afeganistão. Mas a fé está longe de ser a principal causa das guerras ao longo da história.
Uma das primeiras expedições ao Polo Sul resultou no episódio mais trágico da exploração antártica. Em 1912, o explorador Robert Falcon Scott e outros quatro homens partiram em direção ao centro do continente, com temperaturas que mesmo no verão batem em -30 ºC. Depois de 33 dias de caminhada, eles chegaram ao polo. Mas todos os cinco morreram no retorno. Os corpos foram encontrados na geleira Ross por uma equipe de resgate.
Cada um carregava mais de 60 quilos de equipamentos e mantimentos nas costas. Durante a viagem de volta, deixaram para trás tudo o que não fosse essencial, para aliviar a carga. Mesmo assim, Scott se recusou a abandonar um conjunto de rochas – inclusive um fóssil com a impressão detalhada de um caule e folhas. Ele não sabia, mas aquela era uma planta do gênero Glossopteris.
Durante a maior parte de sua história, a Antártida abrigou florestas e contou com uma biodiversidade pulsante. Entenda por que o pedaço de terra mais inóspito do planeta é essencial para estudar a evolução da vida na Terra (e possivelmente fora dela).
Estou sinceramente esperando algo desta CPI… não é possível que esse “senhor” de sua equipe (?) continuem fazendo mil e uma falcatruas e fique por isso mesmo.
Em humanos, a presença da proteína FTO está associada à obesidade – tanto que o nome dela é uma abreviação de “fat mass and obesity associated protein”. Biólogos da Universidade de Chicago fizeram uma alteração genética na batata comum (Solanum tuberosum), para que ela também produzisse a FTO, e o resultado foi surpreendente: graças à proteína humana, as batatas transgênicas cresceram 50% a mais (1).
Os cientistas também aplicaram a modificação no arroz, com resultados similares (os grãos não mudaram de tamanho, mas a produtividade por hectare aumentou 50%). A FTO faz a batata e o arroz crescerem mais por três motivos: ela aumenta a eficiência da fotossíntese, deixa as raízes das plantas mais fortes e compridas, e também as torna mais resistentes à seca.
Alteração genética também foi testada no arroz, no qual provocou o mesmo -e curioso- efeito
Em 1946, o rei afegão Mohammed Zahir Shah – um monarca carismático e progressista, na época com 32 anos de idade – convidou a empresa de engenharia americana Morrison-Knudsen para instalar uma rede de barragens, usinas hidrelétricas e canais de irrigação ao longo do Rio Helmand. Suas margens são um oásis fértil em meio ao deserto que cobre o sul do Afeganistão, e modernizar a agricultura por lá traria prosperidade para uma província árida.
Os americanos se empolgaram: no comecinho da Guerra Fria, essa era uma boa chance de tirar um território no centro da Ásia da esfera de influência soviética – e torná-lo um aliado. Ao norte, o Afeganistão fazia fronteira com uma região remota da URSS. A leste, uma tripa estreita de território afegão montanhoso acaba em 76 km de fronteira com a China, onde o Partido Comunista disputava a guerra civil que colocaria Mao Tsé-Tung no poder. As montanhas afegãs eram uma poltrona VIP para a Casa Branca espiar seus adversários.
Britânicos, soviéticos, americanos. O povo afegão foi vítima e algoz de todos os impérios que bateram à sua porta. Como um país islâmico rural e miserável, castigado por décadas de manipulação das superpotências, se tornou terreno fértil para a ideologia medieval do Talibã…
O efeito estufa é, em sua essência, um fenômeno simples. A luz do Sol alcança a Terra e aquece a superfície do planeta – que passa a emitir radiação infravermelha, vulgo calor. Parte desse calor escapa de volta para o espaço sideral; parte fica retida debaixo de um grande cobertor de gás chamado atmosfera. Vale dizer: é ótimo que isso aconteça. A temperatura média da Terra, hoje, é de 14 °C. Sem efeito estufa, seriam – 18 °C. O frio tornaria o planeta inóspito para a vida como a conhecemos.
O problema é que a poluição está transformando esse cobertor em um grosso edredom. Ao longo do século 20, alguns gases emitidos em doses cavalares pela queima de combustíveis fósseis e outras fontes antrópicas – como o dióxido de carbono (CO2) e o metano que sai nos arrotos e puns do gado (CH4) – transformaram a atmosfera num porteiro do Enem de radiação infravermelha. Hoje, a Terra retém muito mais calor do que é saudável ou necessário. Os dez anos mais quentes registrados desde 1880 ocorreram após 2005.
Agronegócio ameaçado, hidrelétricas com sede, mosquitos aos montes e secas na Amazônia: tudo isso já é realidade. Entenda como as mudanças climáticas afetam o Brasil.