Nascido em 1º de agosto de 1941, o sul-matogrossense Ney de Souza Pereira chega aos 80 anos neste fim de semana, esbanjando fôlego e vitalidade. Enquanto o novo disco completo – esperado para o segundo semestre – não fica pronto e os shows convencionais não voltam a acontecer, dá para celebrar a carreira do cantor sem sair de casa.
No domingo (1º) quatro músicas do novo disco, ainda sem nome, serão disponibilizadas nas plataformas de streaming.
O Canal Brasil terá uma programação em homenagem à voz de Sangue Latino, Poema e outras tantas canções que habitam a mente do povo brasileiro. Às 9h45 deste domingo (1º), será exibido o DVD do show Atento aos Sinais, lançado em 2014. No repertório do show dirigido por Felipe Nepomuceno ganham destaque canções da nova geração da MPB.
Canal de TV vai transmitir shows, músicas inéditas chegam ao streaming no domingo (1º) e biografia escrita por Julio Maria está pintando nas livrarias
Eu me sinto tolo como um viajante Pela tua casa, pássaro sem asa, rei da covardia E se guardo tanto essas emoções nessa caldeira fria É que arde o medo onde o amor ardia Mansidão no peito trazendo o respeito Que eu queria tanto derrubar de vez Pra ser teu talvez, pra ser teu talvez Mas o viajante é talvez covarde Ou talvez seja tarde pra gritar que arde no maior ardor A paixão contida, retraída e nua Correndo na sala ao te ver deitada Ao te ver calada, ao te ver cansada, ao te ver no ar Talvez esperando desse viajante Algo que ele espera também receber E quebrar as cercas com que insistimos em nos defender Eu me sinto tolo como um viajante Pela tua casa, pássaro sem asa, rei da covardia E se guardo tanto essas emoções nessa caldeira fria É que arde o medo onde o amor ardia Mansidão no peito trazendo o respeito Que eu queria tanto derrubar de vez Pra ser teu talvez, pra ser teu talvez
Amou daquela vez como se fosse a última Beijou sua mulher como se fosse a última E cada filho seu como se fosse o único E atravessou a rua com seu passo tímido
Subiu a construção como se fosse máquina Ergueu no patamar quatro paredes sólidas Tijolo com tijolo num desenho mágico Seus olhos embotados de cimento e lágrima
Sentou pra descansar como se fosse sábado Comeu feijão com arroz como se fosse um príncipe Bebeu e soluçou como se fosse um náufrago Dançou e gargalhou como se ouvisse música
E tropeçou no céu como se fosse um bêbado E flutuou no ar como se fosse um pássaro E se acabou no chão feito um pacote flácido Agonizou no meio do passeio público Morreu na contramão atrapalhando o tráfego
Amou daquela vez como se fosse o último Beijou sua mulher como se fosse a única E cada filho seu como se fosse o pródigo E atravessou a rua com seu passo bêbado
Subiu a construção como se fosse sólido Ergueu no patamar quatro paredes mágicas Tijolo com tijolo num desenho lógico Seus olhos embotados de cimento e tráfego
Sentou pra descansar como se fosse um príncipe Comeu feijão com arroz como se fosse o máximo Bebeu e soluçou como se fosse máquina Dançou e gargalhou como se fosse o próximo
E tropeçou no céu como se ouvisse música E flutuou no ar como se fosse sábado E se acabou no chão feito um pacote tímido Agonizou no meio do passeio náufrago Morreu na contramão atrapalhando o público
Amou daquela vez como se fosse máquina Beijou sua mulher como se fosse lógico Ergueu no patamar quatro paredes flácidas Sentou pra descansar como se fosse um pássaro E flutuou no ar como se fosse um príncipe E se acabou no chão feito um pacote bêbado Morreu na contramão atrapalhando o sábado
Por esse pão pra comer, por esse chão pra dormir A certidão pra nascer e a concessão pra sorrir Por me deixar respirar, por me deixar existir
Deus lhe pague
Pela cachaça de graça que a gente tem que engolir Pela fumaça e desgraça que a gente tem que tossir Pelos andaimes pingentes que a gente tem que cair
Deus lhe pague
Pela mulher carpideira pra nos louvar e cuspir E pelas moscas bicheiras a nos beijar e cobrir E pela paz derradeira que enfim vai nos redimir