Cientistas das universidades americanas de Harvard e Emory construíram o primeiro “peixe” artificial que usa as contrações de células cardíacas para nadar por conta própria – projeto que representa um avanço nas pesquisas de tratamentos cardíacos.
O peixinho “biohíbrido” foi construído a partir de papel, gelatina, uma barbatana de plástico e duas tiras de tecido muscular cardíaco – derivado de células-tronco humanas. Uma camada de tecido fica no lado esquerdo da cauda do peixe, a outra no lado direito, e as contrações musculares impulsionam o peixe na água.
Os pesquisadores se inspiraram no movimento de natação dos peixes-zebra para criar o dispositivo, em que cada contração muscular resulta em um alongamento do lado oposto da cauda.
Eles também projetaram uma espécie de marca-passo, que controla o ritmo e a frequência das contrações espontâneas. Com esse sistema, o peixe se moveu de forma autônoma por mais de cem dias – o que equivale a 38 milhões de batimentos.
Os resultados do experimento foram publicados na revista Science. Confira a natação do peixe biohíbrido no vídeo abaixo.
As contrações musculares impulsionaram o dispositivo na água por mais de cem dias. Objetivo final dos pesquisadores é construir um coração artificial humano. Assista ao vídeo
A informação é relevante para combater ou tentar reduzir o número de episódios na população. Afinal, trata-se de um problema crônico que pode levar à morte – são 46 mil óbitos relacionados a essa versão da doença por ano em todo o mundo.
Estima-se que 300 milhões de pessoas vivem com asma ao redor do globo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), sendo que de 5% a 10% desses pacientes têm o quadro grave.
“Quando uma pessoa sem a doença aspira pó, por exemplo, ela espirra ou tosse para se livrar dele. Mas um asmático entra em crise. É que os tubos que levam ar para o pulmão ficam obstruídos, ocasionando uma reação exagerada”, explica o pneumologista Ciro Kirchenchtejn, professor na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
O estudo envolveu mais de 1 400 pessoas que sofrem ataques graves e chegou a esses cinco principais fatores desencadeantes:
Em estudo, contato com vírus respiratórios apareceu entre os fatores que mais estimulam crises. Mudanças de clima também foram citadas
Pequenos répteis, como lagartos e iguanas, são conhecidos por conseguirem regenerar caudas e braços. Trata-se de uma estratégia evolutiva, selecionada ao longo de milhares de anos, que ajudou esses animais a sobreviver após perderem algum membro. No entanto, pouco se sabe sobre essa habilidade nos grandes répteis. Uma pesquisa recente, publicada no periódico Scientific Reports, mostra que os jacarés também são capazes de regenerar a cauda após ela ter sido cortada – o que os torna os maiores animais conhecidos com essa habilidade.
Um jacaré-americano pode atingir quatro metros de altura e chega a pesar 500 quilos. O estudo, conduzido pela Universidade Estadual do Arizona, nos Estados Unidos, mostra que os jacarés jovens podem regenerar sua cauda em até 22 centímetros, o que equivale a 18% do seu tamanho total.
Todos os animais possuem alguma capacidade de regeneração de tecidos. Os mamíferos, por exemplo, conseguem reconstruir pequenas porções da pele, vasos sanguíneos e nervos. O fígado é o único órgão humano que regenera até 75% da sua forma original.
No entanto, existem diferentes níveis de regeneração. Nenhum mamífero consegue fazer crescer um braço novamente – apenas reconstruir a pele para cobrir o ferimento. Já animais como o axolote regeneram o membro de forma quase idêntica ao original – com pele, músculo esquelético, cartilagem, osso e até medula espinhal.
Pesquisa mostra que a cauda de répteis jovens pode crescer até 22 centímetros após ser amputada.
A variante Ômicron do coronavírus provocou uma explosão de quadros de Covid-19. Segundo o Instituto Todos pela Saúde, desde dezembro de 2021 essa cepa é a responsável por quase a totalidade dos casos da infecção. Recentemente, uma de suas subvariantes, a BA.2, foi identificada por aqui. Segundo análises de outros países, ela seria ainda mais transmissível.
Embora a gente tenha voltado a registrar um número expressivo de mortes – só ontem foram mais de 1 200 óbitos –, a situação poderia ser muito mais dramática se olharmos para a quantidade de novos casos diagnosticados atualmente. Para ter ideia, do início de 2022 até agora, já contabilizamos mais testes positivos de Covid-19 do que em todo o segundo semestre de 2021.
Por essas e outras, muito se falou sobre a possibilidade de a Ômicron levar a um quadro mais leve. Mas será que faz sentido?
“Leve não não é bem a palavra. Podemos afirmar que a Ômicron tem uma capacidade menor de provocar um quadro grave da doença porque tende a afetar mais o trato respiratório superior [nariz e garganta]”, esclarece a infectologista Rosana Richtmann, do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, em São Paulo.
“Mas em quem não está vacinado, a doença pode evoluir e chegar aos mesmos sintomas graves de sempre, como a falta de ar”, ressalta o médico.
Outro motivo para não usar o termo “leve” para se referir à Ômicron é o fato de ela se espalhar por aí muito rápido, contaminando geral.
A variante até tem menor potencial de causar quadros graves, mas, diante da alta transmissibilidade, não dá para ficar tranquilo. Sobretudo sem vacinação
Responda rápido: quantos produtos à sua volta têm petróleo na composição? São de fato muitos itens, que incluem chiclete, tênis, asfalto, tecido, maquiagem, desodorante, aspirina, skate, óculos, bolas de futebol, pratos, giz de cera, creme de barbear, equipamentos médicos e comida – sim, comida, na produção, com os fertilizantes, e na forma de corantes e conservantes.
Conhecido desde os povos antigos do Egito e da Mesopotâmia e explorado comercialmente desde 1859, o petróleo tem mil e uma utilidades. Está tão presente na vida das pessoas que talvez, por isso mesmo, seja pouco conhecido, já que não paramos para pensar nele, a não ser na hora de abastecer o carro.
Na websérie Pequenos Especialistas, a PetroRio trouxe uma turma de pequenos para perguntar sobre o petróleo. Elas são profissionais em tirar os adultos do eixo com suas dúvidas. Por exemplo: o que é petróleo? Como ele é extraído do fundo do mar? É possível reinventar a forma de produzir petróleo? Um campo de petróleo pode ser reciclado? Dá para produzir petróleo e ainda cuidar do meio ambiente? ESG e petróleo podem andar juntos?
Crianças fizeram essas perguntas para executivos da PetroRio, a maior companhia independente de óleo e gás do Brasil. O resultado foi a websérie Pequenos Especialistas. A primeira temporada atingiu mais de 720 000 visualizações. A segunda acaba de ir ao ar.
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Jovens curiosos
Petróleo tem cheiro de gasolina? Sim! Submarinos vão até o fundo do mar para encontrá-lo? Não! Como se extrai do fundo do mar então? Com prospecção utilizando máquinas de medição, pesquisas geológicas, perfuração e, por fim, ocorre a extração, com base em plataformas marítimas de 120 metros de comprimento.
Mas como o petróleo surgiu? Pelo acúmulo de sedimentos, ao longo de muito tempo. “O que está lá embaixo hoje é o que estava na superfície do planeta milhões de anos atrás”, explicou a coordenadora de operações da PetroRio, Patrícia Balla, que também contou aos entrevistadores que, não, o petróleo não é feito de ossos de dinossauros.
Até aí, tudo bem. Mas e a relação entre petróleo e ESG? Para dar conta dessa resposta, foi preciso dedicar uma temporada inteira. Não adiantava dizer que essa é a sigla em inglês para as melhores práticas ambientais, sociais e de governança.
“Não entendi nada”, reagiram as crianças de supetão à primeira explicação de Milton Rangel, diretor financeiro da PetroRio. Ele, então, foi além: “O ESG foi criado antes mesmo de vocês nascerem, para incentivar as empresas a ter um impacto positivo no mundo. É um tema muito importante para todos nós da PetroRio”.
Com a websérie Pequenos Especialistas, PetroRio oferece respostas para perguntas complexas feitas por crianças sobre o passado, o presente e o futuro
A vacinação mudou o perfil dos hospitalizados por Covid-19 no Brasil e também das pessoas que morrem em decorrência da doença. Um estudo conduzido em São José do Rio Preto, no interior de São Paulo, registrou o início desse processo.
Nessa época, a variante gama (P.1) do Sars-CoV-2 predominava no estado, e os idosos eram maioria no grupo de brasileiros com o esquema vacinal completo (duas doses, até então).
Todos os internados com Covid-19 no período foram divididos entre vacinados e não vacinados. E os pesquisadores compararam as características dos integrantes de cada grupo – desde idade, sexo e presença de comorbidades até os sintomas que apresentaram, as condutas clínicas adotadas durante a internação e os desfechos (recuperação ou óbito).
Os dados completos foram divulgados este mês no Journal of Infection.
“Nosso objetivo era descobrir qual é o melhor preditor de mortalidade entre os vacinados”, conta Maurício Lacerda Nogueira, professor da Famerp e autor correspondente do estudo, que contou com apoio da Fapesp por meio de três projetos.
Entre os 2 518 participantes não imunizados a idade média era de 51 anos e 71,5% apresentavam uma ou mais comorbidades, sendo as mais comuns cardiopatia, diabetes e obesidade.
Já entre os 259 hospitalizados que haviam recebido duas doses de vacina, a idade média era de 73 anos e 95% tinham doenças de base.
Na análise estatística, os fatores que se correlacionaram com risco aumentado de hospitalização e morte entre os não vacinados foram idade superior a 60 anos e a presença de uma ou mais das seguintes condições: cardiopatia, distúrbios no fígado ou neurológicos, diabetes, comprometimento imunológico e doença renal.
Já entre os imunizados, somente idade acima de 60 anos e insuficiência renal se configuraram como preditores de mortalidade.
“Essa é uma evidência clara de que a vacina protege muito bem e salva vidas”, afirma Nogueira.
Na avaliação de Cássia Fernanda Estofolete, primeira autora do estudo e integrante do Laboratório de Pesquisas em Virologia da Famerp, o avanço da vacinação mudou “drasticamente” o perfil do paciente internado por Covid-19 e também a história natural da doença, ou seja, a forma como ela evolui.
“Hoje, com a volta das cirurgias eletivas, o avanço da vacinação e a emergência da Ômicron, temos visto um panorama diferente nos hospitais. Muitos pacientes são internados para fazer uma cirurgia agendada ou por trauma e acabam descobrindo que estão com Covid-19, ou seja, não é o vírus que leva a pessoa ao hospital. E também há muitos idosos com comorbidades que acabam sendo internados porque a Covid-19 exacerba a doença de base – descompensa o diabetes ou a insuficiência renal, por exemplo. A maioria já não é internada por SRAG [síndrome respiratória aguda grave], como era na época em que o estudo foi feito”, conta.
Levantamento com mais de 2 500 pessoas deixa claro como as vacinas protegem muito bem e salvam vidas
A Antártida é um bom lugar para encontrar meteoritos. A vantagem de procurar por essas rochas no continente gelado é que elas ficam presas no gelo quando caem por lá. O problema é que eles medem alguns centímetros, e a tarefa de coletá-los é como procurar uma agulha no palheiro. Agora, pesquisadores da Delft University of Technology, na Holanda encontraram uma solução para os caçadores de meteoritos.
Eles usaram inteligência artificial para desenvolver um mapa do continente que identifica áreas com maior chance de localizar as rochas. O processo foi detalhado em um estudo publicado na revista Science Advances. Você pode visualizar o mapa clicando aqui.
Cerca de 62% dos meteoritos já recuperados caíram na Antártida. A explicação é ambiental. Às vezes, os ventos fortes da região transportam a neve ou a transformam em vapor, deixando áreas expostas de gelo azul. Os meteoritos são sempre encontrados nessas regiões, que podem atuar como “zonas de encalhe”. Condições de temperatura, movimentação do gelo, cobertura e relevo da superfície definem quais áreas são mais ou menos prováveis a abrigarem meteoritos.
Embora as áreas de gelo azul sejam identificadas a partir de imagens de satélite, os meteoritos não são. Os cientistas exploram o gelo sem rumo à procura dos meteoritos – e essa brincadeira não é barata. Ter um “mapa do tesouro” em mãos poderia orientar as buscas.
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Para desenvolver o mapa, os pesquisadores reuniram dados de satélites sobre os aspectos que definem a concentração dos meteoros no gelo azul. Então, a equipe usou aprendizado de máquina (machine learning) para gerar o mapa do tesouro.
O mapa, que tem 80% de precisão, mostra que ainda restam muitos meteoritos para serem coletados nas áreas de gelo exposto. A boa notícia é que muitos estão relativamente próximos de estações de pesquisa já existentes.
A estimativa é que apenas 15% dos meteoritos presentes no continente tenham sido encontrados até agora. Os pesquisadores acreditam que ainda podem encontrar 300 mil escondidos por lá. Para efeito de comparação, existem apenas 70 mil meteoritos conhecidos e catalogados segundo o Meteoritical Bulletin.
Estima-se que apenas 15% dos meteoritos caídos na Antártida foram encontrados até o momento. Pesquisadores usaram dados de satélite e inteligência artificial para ajudar na caça.
Alguns meses após a liberação da venda de melatonina – substância conhecida como hormônio do sono – pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), as prateleiras das farmácias se encheram de opões do produto.
Especialistas e a própria agência, no entanto, concordam que não há evidências de que essas cápsulas promovam benefícios diretos a quem sofre de insônia.
Há casos bem específicos em que a melatonina é prescrita por médicos, e consumir fora desse padrão pode ser arriscado.
Primeiro é preciso entender o que é a melatonina. Trata-se de um hormônio produzido naturalmente pelo organismo e que serve como regulador e indutor do sono, entre outras funções. Ela também aparece em alguns alimentos.
A produção é realizada pela glândula pineal – localizada no cérebro – e começa quando o sol se põe ou quando o corpo percebe a queda da luz e entende que deve se preparar para dormir. Acompanhar esse ciclo de claro e escuro ajuda a ir para a cama mais cedo e acordar mais disposto na manhã seguinte.
Ao contrário de vitaminas e minerais, cujas concentrações podem ser medidas no sangue com um exame simples, a melatonina não tem como ser aferida tão facilmente.
“Ela é um hormônio. Então não é possível dizer se uma pessoa precisa de reposição e em qual medida”, explica a neurologista Dalva Poyares, pesquisadora do Instituto do Sono (SP).
Não é solução para a insônia
Segundo os médicos, ter aprovação e regulação da Anvisa ajuda a controlar a qualidade, a produção e a venda desse produto no Brasil, antes vendido apenas em farmácias de manipulação. As pílulas chegavam, ainda, por pessoas que viajavam a outros países.
De qualquer forma, os especialistas seguem preocupados com a possibilidade de o consumo ocorrer de forma errada.
Cerca de 35% das pessoas que sofrem de insônia usam medicações, como a melatonina, sem acompanhamento médico, informa Caio Bonadio, médico psiquiatra da Vigilantes do Sono.
“Dormir mal não significa somente ter insônia. Existem cerca de 50 doenças do sono catalogadas. Como o nosso corpo produz a melatonina naturalmente, é preciso fazer uma avaliação médica completa antes de decidir prescrevê-la”, reitera o especialista, pesquisador do tema.
Aprovado pela Anvisa, produto passa a ser encontrado na farmácia e vendido sem prescrição. Especialistas temem uso incorreto e consequências sérias à saúde