Muito além das vacinas: as promessas do mRNA

Por Bruno Garattoni

“Eu trabalhava todas as noites, escrevendo as propostas. E as respostas sempre vinham: ‘não, não, não’. Cogitei ir para outro lugar, trabalhar com outra coisa. Também pensei: ‘talvez eu não seja inteligente o bastante”, contou a bioquímica húngara Katalin Karikó em uma de suas raras entrevistas, no fim de 2020.

Naquele momento, Karikó estava no topo do mundo: as vacinas de RNA mensageiro (mRNA), que só se tornaram realidade graças ao trabalho dela, começavam a chegar aos braços de centenas de milhões de pessoas. Mas a cientista não havia se esquecido do que passou para chegar até ali. Nem teria como esquecer.

Nascida na Hungria, filha de um açougueiro, Karikó cresceu numa casa de dois cômodos sem geladeira, TV ou água encanada. Ela ia bem na escola, entrou na faculdade e se formou na Universidade de Szeged, no sul do país. Foi trabalhar no Instituto de Bioquímica da cidade até que, em 1985, o governo cortou a verba do laboratório.

Karikó vendeu o carro da família (algo proibido no país, comunista), escondeu o dinheiro dentro de um ursinho de pelúcia e o levou, junto com o marido e a filha, numa viagem até os Estados Unidos – para onde a família emigrou em busca de oportuindades.

Essa nova vida começou bem: ela fez pós-doutorado na Universidade Temple, na Filadélfia, e em 1989 se tornou professora-assistente na Universidade da Pensilvânia. Mas, alguns anos depois, o sonho tinha virado um pesadelo. Ninguém acreditava que os estudos com RNA mensageiro, nos quais Karikó colocava todo o seu esforço, poderiam chegar a algum lugar.

Nada contra a ideia em si, que era ótima. Quando o seu corpo precisa fabricar alguma proteína, ele consulta conjuntos de instruções presentes no DNA: os genes. Aí, num processo chamado transcrição, o organismo fabrica moléculas de RNA mensageiro, que contém cópias de determinados trechos do DNA. Elas vão parar nos ribossomos, dentro das células, que leem aquele código e fazem as proteínas. Pronto.

É como se o seu corpo fosse um computador, e o mRNA fosse o software que roda nele. Esse mecanismo é poderoso e universal: plantas, bactérias e vírus também emp o RNA mensageiro. Se você conseguisse criar e editar mRNA em laboratório, poderia usá-lo para ensinar o corpo humano a fazer quase qualquer proteína – como anticorpos contra vírus, ou moléculas capazes de prevenir e curar doenças. “Você transforma o corpo em produtor de medicamentos”, diz Wesley Fotoran, que é imunologista do Instituto Butantan e pesquisa, em seu pós-doutorado, o uso de mRNA contra malária e câncer.   

O corpo humano rejeitava o mRNA artificial, criado em laboratório. E isso parecia não ter solução.

Um potencial gigantesco. Mas a realidade era diferente. Primeiro, não havia como levar aquele mRNA “artificial” até os ribossomos. Isso exigiu 25 anos de pesquisas, mas acabou dando certo: no começo dos anos 1990, cientistas americanos criaram nanopartículas de gordura para envolver e transportar as moléculas. Elas usam um truque genial, relacionado à acidez das células humanas, para só liberar o mRNA no lugar exato (veja quadro abaixo).

Só que aí apareceu um obstáculo bem maior. Na maioria dos casos, o organismo via aquelas moléculas de mRNA como invasoras – afinal, elas continham se-quências genéticas estranhas, que haviam sido criadas em laboratório e não faziam parte do corpo – e as atacava. Não fabricava as proteínas que você queria ensiná-lo a produzir.

As pesquisas bateram num muro, e não avançavam. A visão predominante na comunidade científica era de que aquilo jamais funcionaria. Karikó tentava e tentava, mas nada dava certo. E o dinheiro foi secando – suas propostas de financiamento para pesquisas começaram a ser sumariamente rejeitadas.

O RNA mensageiro é como se fosse um arquivo executável: contém instruções para que o corpo fabrique determinadas proteínas. Veja como essa tecnologia, que estreou nas vacinas da Covid, se tornou uma aposta para tratar diversas doenças – de colesterol a câncer, de gripe a síndromes genéticas raras.

Muito além das vacinas: as promessas do mRNA

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Em visita ao Brasil, Marie Curie inspirou o início da radioterapia no país

Por Maria Clara Rossini

Chapéu, roupa de banho, escova de dente, duas agulhas de rádio (o elemento químico). Era mais ou menos assim que a mala de Marie Curie estava organizada quando ela saiu de Paris, em junho de 1926. O destino: Rio de Janeiro. O convite partiu da Embaixada do Brasil na França, mas foi o governo francês que bancou a viagem.

Já aos 59 anos de idade e laureada com dois prêmios Nobel (de Física, em 1903, e Química, em 1911), Curie não parecia muito animada com a viagem. Em quase todas as fotos no Brasil ela aparece sentada e sem interesse em olhar para a câmera. A polonesa naturalizada francesa só tinha um objetivo claro: divulgar suas pesquisas sobre radioatividade.

Agenda lotada

Curie ministrou um curso na Escola Politécnica da Universidade Federal do Rio de Janeiro, que foi transmitido via rádio (o aparelho, ainda uma novidade tecnológica). Apesar do foco no trabalho, arrumou tempo para aproveitar o hotel no bairro do Flamengo com sua filha, Irène Joliot-Curie, tomar banhos de mar e fazer o clássico roteiro turistão carioca: Corcovado, Pão de Açúcar (já havia o bondinho), Tijuca e Museu Nacional.

Durante os dois meses que ficou no Brasil, estava quase sempre acompanhada da bióloga paulistana Bertha Lutz, uma ativista do feminismo. Esta fazia parte da Federação Brasileira pelo Progresso Femininouma entidade que lutava pelos direitos políticos e inclusão das mulheres na educação e ciência. As ativistas feministas tinham tudo para se tornarem BFFs.

Lutz também acompanhou Curie em São Paulo, onde a química deu palestras na Faculdade de Medicina da USP. Ela também visitou o Instituto Butantã, que 95 anos depois desenvolveria a primeira vacina contra a Covid-19 aprovada no Brasil.

Depois de passar um dia na capital paulista, ela embarcou em um trem na Estação da Luz com destino a Águas de Lindoia. Não para relaxar nas termas, mas para conferir um rumor que circulava entre os cientistas: as águas das fontes lindoienses teriam um pequeno grau de radioatividade. Segundo os jornais da época, ao final da visita, Curie teria confirmado o fato. E estava certa. Medições com equipamentos mais modernos mostrariam depois que que tem mesmo; num grau seguro para a saúde. 

A cientista visitou o primeiro hospital oncológico quando passou por aqui, em 1926. Saiba como foi a experiência da química no Brasil.

Em visita ao Brasil, Marie Curie inspirou o início da radioterapia no país

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Qual é a diferença entre epidemia, pandemia e endemia?

EPIDEMIA

O que é? É o aumento repentino de casos de uma doença infecciosa (provocada, em geral, por vírus ou bactérias) em uma região por um período sustentado de tempo — semanas ou meses. O que causa? Pode ser causada por um agente novo, caso do coronavírus, ou por um pico incomum de casos de algo que já existe, como a epidemia de gripe do vírus H3N2 que ocorreu em dezembro e janeiro. Quando começa? Os especialistas analisam a série histórica da doença. Na da gripe, por exemplo, é esperado que os casos subam no outono e no inverno. Se aumentarem demais ou fora de hora, o alerta é ligado. Quando termina? A epidemia acaba quando a situação volta ao patamar de antes. A doença pode desaparecer, se tornar endêmica ou, ainda, viajar para outros países e se tornar uma pandemia. Como lidar com uma epidemia?

  1. Vigilância: é preciso manter uma rede forte de monitoramento de casos e óbitos.
  2. Preparação: o sistema de saúde deve se adequar com mais leitos, equipamentos e pessoal.
  3. Restrições: pode ser necessário fechar escolas ou cancelar grandes eventos por um tempo.

Epidemias famosas (Brasil)Gripe – 2021/2022 Meningite – anos 1970 Febre amarela – 1850

PANDEMIA

O que é? A pandemia nada mais é do que epidemias da mesma doença acontecendo em vários países de diferentes continentes e de maneira simultânea. No caso da Covid-19, praticamente todos foram atingidos. Quando começa? Geralmente, o estado de pandemia é decretado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que centraliza os dados. Só que isso é mais um alerta do que uma lei em si — não obriga um país a nada. Nessa situação, o patógeno está se disseminando rapidamente. O principal indicador, portanto, são as novas infecções. É preciso tomar ações para quebrar a cadeia de transmissão. Quando termina? A pandemia acaba também por decreto da OMS, quando ela entende que o número de casos voltou ao patamar histórico (em doenças preexistentes) ou se estabilizou em um nível mais “aceitável”. Como lidar com uma pandemia?

  1. Agilidade na vacinação: Imunizantes distribuídos com rapidez fazem a diferença para reduzir casos.
  2. Barreiras sanitárias: Diminuição de voos, testagem em aeroportos, redução de circulação…
  3. Testagem em massa: os exames são cruciais para entender o comportamento do vírus.

Pandemias famosas

 Gripe – 2009 Gripe – 1918

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ENDEMIA

O que é? Uma doença endêmica é aquela que circula o ano todo em um país, com volume esperado de casos e óbitos. Não é um quadro necessariamente “tranquilo”, mas indica certo controle do agente infeccioso. Quando começa? É possível que existam pequenas variações sazonais, como ocorre com a gripe no inverno ou a dengue na estação das chuvas. Isso é esperado e também calculado pelos especialistas. Quando termina? O estado de endemia não é fixo. A doença pode ser erradicada ou dar início a uma nova epidemia, caso surja uma variante ou um fator que favoreça a disseminação do vírus ou bactéria em questão. E endêmico não quer dizer menos importante. É preciso manter ações de cuidado e de preferência reduzir ainda mais os casos. Doenças endêmicas matam milhares de pessoas ao ano no país. Como lidar com uma endemia?

  1. Dar prioridade: governos devem tentar reduzir ainda mais os episódios até zerá-los.
  2. Sensibilização geral: orientar a população e combater vetores fazem parte do plano.
  3. Vigilância contínua: testagem e notificação de casos devem ser mantidas para antever surtos.

Endemias famosas no Brasil

DengueTuberculoseDoença de Chagas 

A Covid-19 se tornará endêmica?

A endemia é o caminho natural de quase todos os vírus respiratórios que já entraram em contato com a humanidade (com exceção dos que sumiram). Mas ainda não estamos tão perto disso quanto gostaríamos. Veja: o parâmetro clássico é uma doença que manejamos bem e cujo volume de casos prevemos com precisão, sem sobrecargas no sistema de saúde. É verdade que, com as vacinas, controlamos melhor a Covid, mas basta ver a bagunça provocada pela Ômicron (e o fato de não sabermos se ou quando virá a próxima variante) para sacar que há muitas dúvidas no ar. 

+ Leia também: Covid-19 e dengue em alta no mesmo lugar: atenção redobrada

E o que é um surto?

É uma situação que lembra a epidemia, mas em escala menor. O termo representa o aumento súbito de casos de uma doença, mas em um local muito específico, como um bairro, cidade ou mesmo escola. Um caso famoso é o surto de toxoplasmose, doença transmitida por alimentos e água contaminados, que aconteceu na capital paulista em 2019. 

+ Leia também: Risco de surto: sarampo é altamente transmissível e não tem tratamento

Temos outra pandemia acontecendo?

Além da Covid-19, alguns epidemiologistas sustentam que o mundo ainda vive outra pandemia, a de HIV. Isso porque, 40 anos depois, o vírus segue disseminado em todo o mundo, sem que haja uma vacina contra ele. Mais de 37 milhões de pessoas morreram desde os anos 1980. A OMS chama de “epidemia global”.

Entenda os termos que ganharam as manchetes e saiba em que pé estamos com o coronavírus. Ele até vai virar endêmico, mas ainda não dá para cravar quando

Qual é a diferença entre epidemia, pandemia e endemia?

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Medicamento inovador contra câncer de pulmão é aprovado pela Anvisa

Por Fabiana Schiavon

O tratamento contra o câncer está em constante evolução. Além da imunoterapia, que estimula o organismo do próprio paciente a combater o tumor, de tempos em tempos surgem medicamentos focados em determinadas alterações genéticas que contribuem com a doença. Nos últimos dias, por exemplo, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou a molécula sotorasibe, desenvolvida para atacar o câncer de pulmão não pequenas células. A droga é voltada especificamente a quem apresenta uma mutação no gene K-RAS G12C. “O K-RAS foi descoberto há 40 anos e, até agora, não havia nenhum tipo de terapia contra ele. E cerca de 13% dos casos de câncer de pulmão são ligados a uma mutação particularmente no K-RAS G12C”, observa o oncologista Alejandro Arancibia, diretor médico da Amgen Brasil. Pode parecer muito específico, mas o câncer de pulmão é tão comum que uma porcentagem pequena de pessoas com cada tipo genético já representa um grupo robusto.  Para ter ideia, o país teve cerca de 30 mil novos casos e 29 mil mortes pela doença em 2020, segundo os dados mais recentes divulgados pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca). [abril-whatsapp][/abril-whatsapp] A função da molécula sotorasibe é aumentar a sobrevida do paciente. Ela será útil para quem já passou por alguma outra terapia e houve progresso. “O tratamento básico de qualquer tumor maligno pode envolver cirurgia, quimioterapia e imunoterapia. Após esses procedimentos, essa molécula vem para aumentar a sobrevida do indivíduo como uma solução menos invasiva”, resume o oncologista. O medicamento é tomado via oral. Lembrando que, até então, não existia um reforço assim para combater esse tipo de câncer. Daí o paciente acabava passando por novos ciclos de quimioterapia, por exemplo. + LEIA TAMBÉM: Anvisa aprova novo medicamento oral para câncer de pulmão avançado No estudo que avaliou os efeitos da molécula, os voluntários já haviam passado por mais de três tipos de tratamentos. Os resultados apontaram que eles ganharam uma sobrevida livre de progressão de 6,8 meses. Foram acompanhados pacientes em estágio avançado por mais de um ano, e o tempo mediano para a resposta ao medicamento girou em torno de 1,4 mês. “Eu me atrevo a dizer que quase todos os cânceres de pulmão são descobertos tardiamente. Há muitos anos, as pessoas morriam após seis meses de diagnóstico. A cada dia, aumentamos as chances de fazer a doença regredir”, analisa Arancibia. Parte das avaliações finais do medicamento envolveu 20 pacientes de câncer de pulmão do Sistema Único de Saúde (SUS). “Aguardamos mais algumas definições burocráticas, como a de preço, mas nosso objetivo é poder atender a saúde pública, já que a suplementar representa apenas 20% da população brasileira”, informa o médico. A mesma droga agora é estudada para combater outros tipos de tumores.

Esse tipo de tumor é o segundo mais incidente no país. Nova droga combate uma das mutações para a qual ainda não havia tratamento específico

Medicamento inovador contra câncer de pulmão é aprovado pela Anvisa

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Por que a vacina da gripe precisa ser reaplicada todos os anos?

Por Thais Manarini

Todos os anos, o Ministério da Saúde lança uma nova campanha de vacinação contra a mesma doença: a gripe. Isso acontece porque a composição do imunizante precisa ser atualizada, já que o vírus que gera a doença em uma temporada de frio não é exatamente o mesmo do inverno seguinte. A gripe é uma das doenças infecciosas mais comuns da humanidade, com milhões de casos reportados anualmente no Brasil. Ela é causada pelo vírus influenza, que se divide em três tipos (A, B e C), sendo que os tipos A e B são os de maior importância clínica, uma vez que sofrem mutações frequentes e são responsáveis pelas epidemias sazonais da doença – a exemplo da H3N2, uma nova variante do vírus influenza A, que se alastrou no país entre o fim de 2021 e o início de 2022. Quando o organismo entra em contato com o vírus, ele não o reconhece por inteiro, mas, sim, as suas regiões moleculares, separadamente, de acordo com Sergio Surugi de Siqueira, farmacêutico-bioquímico, doutor em Ciências Biológicas pela Pontifícia Universidade Católica do Chile, professor do curso de Farmácia e colaborador do Programa de Pós-Graduação em Bioética da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR). “Nosso sistema imunológico faz várias respostas contra diferentes partes, sendo que algumas dessas respostas são capazes de neutralizar a capacidade do vírus de fazer doença. O vírus influenza sofre muitas mutações e, frequentemente, elas acontecem exatamente nessas regiões moleculares responsáveis pela resposta capaz de neutralizá-lo”, explica o especialista, que também é membro externo do Comitê de Ética em Pesquisa da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS).

 + Leia também: Gripe: conheça os sintomas, principais tipos e como tratar 

Isso significa que, se um dado paciente entrou em contato com uma variante com certa região molecular que levava ao desencadeamento de uma tal resposta, no ano seguinte, se houver mutação nesta mesma região molecular, a reação do organismo contra o vírus não acontecerá como no ano anterior. “Em resumo, se as regiões moleculares do vírus da gripe mudarem de um ano para o outro, como a resposta imune não acontece contra o vírus na totalidade, mas contra partes dele, a resposta do ano passado já não funciona mais”.

Para entender essa dinâmica, é preciso conhecer um pouco mais sobre o vírus e suas mutações

Por que a vacina da gripe precisa ser reaplicada todos os anos?

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Nasa começa a estudar amostra lunar selada desde 1972

Na última vez em que humanos colocaram os pés na Lua, na missão Apollo 17 (1972), os astronautas Gene Cernan e Jack Schmitt martelaram um par de tubos de 35 centímetros na superfície do satélite para coletar amostras do solo lunar. 

A Nasa guardou esses materiais, sabendo que, no futuro, os cientistas seriam capazes de analisá-los melhor, equipados com novas tecnologias e novas perguntas. Foram 50 anos de espera. Um dos recipientes foi aberto em 2019; outro passou a ser investigado agora.

As amostras foram guardadas em uma câmara de vácuo e mantidas sob baixas temperaturas. Os cientistas esperam que o armazenamento especial tenha preservado substâncias que teriam se dissipado à temperatura ambiente – como dióxido de carbono. Por isso, só estão abrindo o recipiente agora, com uma ferramenta especial de perfuração construída pela Agência Espacial Europeia (ESA), que poderá extrair cuidadosamente os gases lunares eventualmente presentes na amostra.

A equipe começou a abrir um tubo protetor externo à amostra em 11 de fevereiro. Depois, em 23 de fevereiro, começou o processo para perfurar o recipiente interno – que deve se estender por várias semanas. Após extrair quaisquer gases lunares que ainda estejam dentro do tubo, os cientistas vão remover as rochas e a porção de solo lunar do recipiente.

A expectativa é que a análise ajude os cientistas a compreender a história geológica e a evolução da Lua. “Cada componente de gás analisado pode ajudar a contar uma parte diferente da história sobre a origem e evolução de substâncias voláteis na Lua e no início do Sistema Solar”, diz Francesca McDonald, que liderou a construção da ferramenta da ESA.

Quem conduz o estudo são pesquisadores do Apollo Next Generation Sample Analysis Program (ANGSA), programa da Nasa que coordena a análise de antigas amostras lunares, coletadas pela Apollo 15 e pela Apollo 17.

Os estudos de agora também poderão mostrar aos cientistas se os processos de armazenamento utilizados realmente conservaram os materiais lunares – informações importantes para coletas em futuras missões à Lua, como o programa Artemis, da Nasa.

Segundo a astroquímica Jamie Elsila, a espera para estudar as amostras valeu a pena. “Nossa sensibilidade analítica melhorou muito e novos métodos foram desenvolvidos para isolar os compostos nos quais estamos interessados, dando-nos uma capacidade de detecção que não era possível há 50 anos.”

Recipiente armazenado em condições especiais, que pode conter gases lunares, está sendo aberto com ferramenta especial construída pela Agência Espacial Europeia.

Nasa começa a estudar amostra lunar selada desde 1972

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Colina: conheça o nutriente essencial para gestantes e crianças

O suplemento de ácido fólico costuma fazer parte da rotina das gestantes. Mas, quando se trata da colina, a maioria das mulheres provavelmente nunca nem ouviu falar sobre ela. Isso é uma pena, pois o nutriente é tão importante quanto o ácido fólico para o período em que a criança está sendo formada e durante toda a sua infância. Ele participa da formação do tubo neural, estrutura que dará origem ao cérebro e à medula espinhal do pequeno, além de ser muito importante no desenvolvimento cognitivo, ou seja, como ele irá responder a estímulos e ao aprendizado. Graças a todos esses benefícios, a Sociedade Brasileira de Pediatria preconiza que esse nutriente é essencial para o desenvolvimento infantil.

A colina está presente em alimentos como fígado de frango e de boi, ovos e bacalhau fresco, mas é muito difícil obtermos a quantidade diária recomendada por meio da dieta. Tanto é que, de acordo com dados da Pesquisa Nacional de Saúde e Nutrição dos Estados Unidos, 90% da população americana, em geral, não consome doses suficientes. Para os adultos, que também se beneficiam muito com o nutriente, já que ele é importante para a saúde do fígado e do cérebro, o ideal são 550 mg, mesma dose indicada para as lactantes. Já as crianças precisam de 250 mg e as gestantes, 450 mg. 

Por essa razão, a suplementação é muito bem-vinda, especialmente dos três meses antes da concepção até os 2 anos de idade da criança, os chamados 1100 dias. E não faltam evidências científicas provando a sua importância. Algumas delas foram obtidas através de estudos realizados na Universidade de Cornell, nos Estados Unidos, que avaliaram os efeitos da suplementação de colina por gestantes na função cognitiva de seus filhos. As voluntárias foram divididas em dois grupos, o primeiro recebeu 480 mg diários a partir do início do terceiro trimestre de gestação e o segundo, 930 mg na mesma fase e a ingestão nos dois casos se manteve até o parto. As crianças foram avaliadas até os 13 meses de idade para analisar a velocidade de processamento da informação, uma medida que prediz o QI da criança aos 4 anos. Aos 7 anos, novos testes foram realizados para avaliar a atenção sustentada das crianças. A atenção sustentada está relacionada a uma série de processos cognitivos, como a resolução de problemas e memória de trabalho, que estão positivamente associadas ao desempenho escolar. E os resultados mostraram que quanto maior a quantidade de colina ingerida pela mãe, melhor a performance da criança nos testes.

Pouco conhecido, ele é uma peça importante no desenvolvimento do bebê, durante a gestação, e da criança, após o nascimento

Colina: conheça o nutriente essencial para gestantes e crianças

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Brasil registra aumento de 29% no número de raios em relação à 2021

O Brasil é campeão mundial de descargas elétricas: em média, 77,8 milhões atingem o país todos os anos. Desde 2016, o Grupo de Eletricidade Atmosférica (Elat) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) monitora os raios em todo o país – e, agora, encontrou um aumento inédito deles.

Entre janeiro e fevereiro deste ano, foram registrados cerca de 17 milhões de raios no país – sendo 8,8 milhões em janeiro e 8,2 milhões em fevereiro. No mesmo período de 2021, foram registrados, respectivamente, 7 milhões e 6,2 milhões de raios (um total de 13,2 milhões).

O Elat opera uma rede de 110 sensores espalhados pelo Brasil, que mapeiam a incidência e indicam a intensidade das descargas elétricas – tanto aquelas que atingem o solo (os raios) quanto as que ficam entre as nuvens. As últimas são mais frequentes: nos dois primeiros meses deste ano, foram registradas 27 milhões delas. (Você pode entender como elas se formam nesta reportagem da Super.)

O levantamento do Elat também indicou que o estado brasileiro com maior número de raios neste período foi o Amazonas, com cerca de 2,6 milhões. Na sequência, Mato Grosso, Pará, Minas Gerais e Tocantins.

Com exceção de Tocantins, todos esses estados ainda registraram mais de cem mil raios em um único dia, um número considerado “extremamente elevado” pelo grupo de pesquisa. 

Segundo Osmar Pinto Junior, coordenador do Elat, a incidência é explicada pelo fenômeno atmosférico-oceânico chamado El Niño Oscilação Sul (ENOS), com mudanças na temperatura do oceano Pacífico Equatorial. Existem duas situações desse fenômeno: o El Niño deixa as águas mais quentes; o La Niña, mais frias. Neste momento, estamos passando pelo La Niña.

“Estes fenômenos alteram a circulação atmosférica de tal forma que, em anos de La Niña, a ocorrência de tempestades aumenta nas regiões Norte, Nordeste e parte do Centro-Oeste, e diminui na região Sul”, explica o pesquisador à Super

“O oposto ocorre em anos de El Niño, mas a região Sudeste e parte da região Centro-Oeste têm um comportamento mais complexo pois dependem da intensidade dos fenômenos.” 

Aí, como a região Norte é a maior do Brasil, o número de raios aumenta por lá em anos de La Niña, como agora. Certo aumento é esperado – mas não um da intensidade verificada dessa vez. O ano de 2021, inclusive, também foi marcado pelo fenômeno La Niña em intensidade similar à deste ano.

Então, isso não explica o aumento de 29% visto agora. Segundo Osmar, a expectativa era de um aumento contínuo em torno de 2% por ano, e os números observados, ao menos em parte, têm relação com as mudanças climáticas – que bagunçam a circulação atmosférica, temperatura, precipitação do planeta.

De acordo com o Elat, as mudanças climáticas serão responsáveis por um aumento anual na incidência de raios no Brasil. Espera-se que, entre os anos de 2081 e 2100, 100 milhões deles atinjam nosso território por ano – o que pode trazer consequências graves para a tecnologia, como panes em computadores e sistemas de telecomunicação.

17 milhões de raios caíram no país entre janeiro e fevereiro deste ano, contra 13,2 milhões no mesmo período em 2021. Aumento inesperado está relacionado com as mudanças climáticas. Entenda.

Brasil registra aumento de 29% no número de raios em relação à 2021

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Covid-19 e dengue em alta no mesmo lugar: atenção redobrada

Por Fabiana Schiavon

Nas últimas semanas, algumas cidades brasileiras viram uma elevação tanto nos casos de Covid-19 como nos de dengue.Ao cruzar os dados por todo o país, o Grupo Pardini registrou a coexistência das duas doenças em locais como Palmas (TO), São Paulo (SP) e Goiânia (GO), por exemplo. A alta de Covid aconteceu devido à disseminação da variante Ômicron, uma cepa com maior capacidade de contaminação. Mas e a dengue? Vale lembrar que, segundo o Ministério da Saúde, nos dois primeiros meses de 2022 houve um aumento de 43,3% na incidência da doença em relação ao ano passado – os estados de Tocantins, Goiás, Mato Grosso e Distrito Federal são as regiões líderes nesse aspecto. Há algumas explicações por trás desses números. A primeira é a subnotificação de casos de dengue nos últimos dois anos, já que muita gente não conseguiu atendimento ou teve medo de procurar uma unidade de saúde durante a pandemia de coronavírus. O período de chuvas, bastante intenso neste início de 2022, também abre mais espaço para a circulação do vírus transmitido pelo mosquito Aedes aegypti. Afinal, a combinação de calor com acúmulo de água facilita a proliferação do inseto. 

+ LEIA TAMBÉM: O novo cerco à dengue “Além disso, os picos da dengue ocorrem a cada dois ou três anos. O último foi em 2019. Então, esse é um ano de maior preocupação”, conta Melissa Valentini, infectologista do Grupo Pardini. Os surtos também mudam de região de tempos em tempos porque há quatro sorotipos de dengue (DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4), e eles se revezam em temporadas e localidades. Quem pega um tipo não fica imune aos demais. Inclusive, se essa pessoa for infectada de novo, só que por outro sorotipo, pode até apresentar sintomas mais graves em comparação à vez anterior.

Por que convivência dos dois vírus é preocupante?

Em primeiro lugar, com mais gente doente, corremos o risco de ver hospitais e unidades de saúde lotados. Fora que não é fácil distinguir os dois quadros em casa: eles têm sintomas parecidos. E a automedicação – que já não é indicada para nenhuma doença – se torna especialmente perigosa ao falarmos da dengue. Veja só: é proibido o uso de anti-inflamatórios, como ácido acetilsalicílico (ou AAS), ibuprofeno e diclofenaco, devido ao risco de sangramentos. [abril-whatsapp][/abril-whatsapp] Nos dois cenários, o ideal é manejar os sintomas e se hidratar bastante. Mas, novamente, a dengue tem suas particularidades. “Quando ela passa a ser grave, é preciso hidratar o paciente com soro e monitorá-lo antes que a doença se desenvolva”, explica Melissa. Não é impossível ser infectado pelo vírus da dengue e o coronavírus ao mesmo tempo. No entanto, esse é um fenômeno ser extremamente raro. O mais comum, segundo Fernando de Oliveira, infectologista do Hospital Santa Catarina – Paulista, é pegar uma doença e, depois, a outra.

Sintomas e diagnóstico

“É preciso ter um olhar cuidadoso. A dengue causa uma febre alta repentina, manchas pelo corpo após o quinto dia e um mal-estar geral. Dificilmente a pessoa terá sintomas no trato respiratório, que, por sua vez, é o foco da Covid-19”, assinala Melissa. O coronavírus ainda mostra predileção pelo aparelho digestivo, enquanto o vírus da dengue compromete principalmente o sistema vascular. 

LEIA TAMBÉM: Covid-19 e dengue: quais as diferenças e semelhanças? “Na hora da avaliação, os médicos também devem considerar quais os vírus em maior circulação na região em que a pessoa está. Não dá para descartar o zika e o chikungunya, por exemplo. Nesse período, é preciso ampliar o olhar”, alerta Melissa. “Em algumas situações, apenas exames laboratoriais podem dar o diagnóstico final”, informa Oliveira. Testes e autotestes de Covid estão mais disponíveis em postos de saúde e farmácias. Para a dengue, o mais comum é realizar o exame de sangue. “Há opções de PCR para os arbovírus (transmitidos por mosquitos), mas eles não são custeados pelo sistema público, e têm valor alto na rede privada, o que dificulta o diagnóstico”, pondera Melissa. Na dúvida, o melhor caminho é buscar o apoio médico. “Hoje, a teleconsulta é uma boa ferramenta para eliminar possibilidades e ter um direcionamento sobre como agir”, observa a infectologista do Grupo Pardini. Oliveira ressalta que, na presença de sintomas mais graves, aí não tem que pensar duas vezes: é crucial procurar por atendimento. Alguns desses sinais são: dificuldade para respirar, aumento dos batimentos cardíacos, febre constante, sangramentos, sonolência excessiva, vômitos frequentes e dores abdominais.

Prevenção

Evitar a Covid e a dengue são desafios completamente diferentes. Contra o novo coronavírus podemos contar com as vacinas, que impedem casos graves e mortes, e também com o uso de máscara, a higienização das mãos e o distanciamento. A transmissão do vírus da dengue depende da circulação do Aedes aegypti. Por isso, combater o mosquito é a melhor forma de prevenção. Veja algumas dicas:

  • Não deixe acumular água no quintal, nos pratos das plantas e em outros recipientes
  • Tampe bem as caixas d’água
  • Piscinas devem ser higienizadas com regularidade, e cobertas de lona para manter o tratamento com o cloro. As bordas são um convite para as larvas e precisam estar sempre limpas
  • Previna-se com repelentes e inseticidas
  • Fique atento a calhas e lajes que possam servir de reservatório de água
  • Cuide bem do lixo. Não deixe resíduos a céu aberto e denuncie entulhos abandonados nos bairros

A disseminação da variante Ômicron e a temporada de calor e chuva contribuíram para o aumento das duas doenças. Sintomas podem ser confundidos

Covid-19 e dengue em alta no mesmo lugar: atenção redobrada

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Brasileiros pagam caro para receberem água contaminada em suas torneiras. Tratamento inadequado é a principal fonte de contaminação

Exclusivo: água da torneira tem produtos químicos e radioativos em 763 cidades brasileiras. Em SP e SC água esteve imprópria entre 2018 e 2020; 1 em cada 4 cidades que fizeram testes encontraram substâncias acima do limite. Por Ana Aranha, Hélen Freitas, Agência Pública/Repórter Brasil Todos nós bebemos pequenas doses diárias de substâncias químicas e radioativas. […]

Brasileiros pagam caro para receberem água contaminada em suas torneiras. Tratamento inadequado é a principal fonte de contaminação

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