Vacina do HPV reduz pra valer a incidência de câncer de colo de útero

Vacinar crianças e adolescentes contra o HPV é uma estratégia de saúde pública. A recomendação, chancelada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), tem como missão reduzir a circulação desse vírus que é sexualmente transmissível e causador de diversos tipos de câncer, com destaque para o tumor de colo de útero – o terceiro mais frequente na população feminina, atrás dos de mama e colorretal.

E um estudo publicado recentemente no jornal científico The Lancet mostra a magnitude do benefício. Com base em dados de um monte de mulheres, cientistas da Universidade King’s College, no Reino Unido – onde a campanha começou em 2008 –, investigaram o impacto do imunizante entre vacinadas e não vacinadas.

Eles concluíram que quem recebeu a injeção com 12 ou 13 anos apresentou, na fase adulta, uma redução de 87% no risco de desenvolver o câncer de colo de útero em comparação com quem não havia se vacinado.

“Há países, como a Austrália, que já sentem os efeitos dessa estratégia e esperam erradicar os casos de câncer de colo de útero até 2030”, relata a oncologista Marcela Bonalumi, do CPO Oncoclínicas e do Hospital Pérola Byington, em São Paulo.

Com a imunização de crianças e adolescentes, um dos tumores que mais matam mulheres pode virar coisa do passado

Vacina do HPV reduz pra valer a incidência de câncer de colo de útero

publicado originalmente em Veja saúde

A conta certa de vegetais por dia para você ter mais saúde

Imagino que o leitor esteja cansado de saber que vegetais fazem bem à saúde — e, talvez, faça parte do grupo que tem noção de que precisa comer mais frutas e hortaliças. Também não é de hoje que cientistas e entidades estipulam uma quantidade ideal desses alimentos por dia.

Organização Mundial da Saúde (OMS) defende cinco porções (cerca de 400 gramas), recomendação que é endossada pelo Fundo Mundial de Pesquisas sobre Câncer e o Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido.

Já o governo americano prega duas porções de frutas e duas e meia de verduras e legumes. Na Dinamarca, são seis doses diárias de vegetais, enquanto na Austrália o sarrafo sobe para oito e meia. O Brasil tende a acompanhar a OMS.

Mas, agora, uma nova equação vem à tona com um estudo que parece ter chegado a um consenso. Uma equipe da Universidade Harvard, nos EUA, analisou dados de mais de 100 mil cidadãos desse país, acompanhados por 30 anos, e revisou 26 estudos baseados em informações colhidas entre 1,9 milhão de pessoas de 29 nações.

Resultado: a ingestão de duas porções de frutas e três de legumes e verduras por dia está associada a um risco 13% menor de morrer precocemente. Sim, a conclusão ratifica (e especifica) a regra dos cinco vegetais. Na análise, esse hábito diminuiu em 12% a possibilidade de vir a óbito por doenças cardiovasculares, 10% por câncer e 35% por problemas respiratórios. São números significativos.

Cinco porções: duas de frutas e três de verduras e legumes. Novo estudo aponta que essa é a meta diária para você viver mais e melhor. Saiba como batê-la

A conta certa de vegetais por dia para você ter mais saúde

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Ioga é campeã na luta contra o estresse no trabalho, diz estudo

ioga é imbatível contra o estresse relacionado ao trabalho. Essa foi a conclusão de uma meta-análise publicada no Journal of Occupational Health, que reuniu estudos comparando a prática a outras técnicas, como massagem terapêutica, relaxamento muscular progressivo e alongamento.

No estudo, foram avaliados 688 profissionais de saúde, conhecidos por estarem sob constante pressão. A massagem alcançou uma boa pontuação na tarefa de desestressar, mas nada se comparou aos ganhos proporcionados pela ioga.

Aliás, não é a primeira vez que a prática tem seus benefícios exaltados pela ciência.

“O estresse ativa o cortisol, um hormônio que deixa a gente pronto para atacar ou se defender. Há estudos que apontam a queda dos níveis dessa substância no corpo imediatamente após uma aula”, relata Deni Galdeano, instrutor e coordenador do curso de anatomia aplicada à ioga da Santa Casa de São Paulo.

A concentração é parte essencial da aula de ioga, que ajuda a desfocar dos problemas e devolve à mente um estado de paz e calma

Ioga é campeã na luta contra o estresse no trabalho, diz estudo

publicado originalmente em Veja saúde

Zoom: gominhos no abdômen

Mas é bom adiantar que eles estão do lado de dentro da barriga. É que nosso abdômen é a sede do intestino, e, no seu interior, você encontra as belezinhas ao lado — as criptas de Lieberkühn, em cortes transversais fotografados por microscópio. Elas ficam tanto no intestino delgado como no grosso e malham para produzir enzimas digestivas, hormônios e substâncias que defendem o território.

7 metros
É o tamanho do intestino delgado, porção em que ocorre boa parte da digestão e absorção da comida.

2 metros
É o comprimento do intestino grosso, local em que se concentra a microbiota e se formam as fezes.

Só que essa é uma visão interna do abdômen: microscópio exibe estruturas muito importantes no intestino

Zoom: gominhos no abdômen

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Aspirina contra infarto: mudou o perfil de quem deve tomar o remédio

Idosos sem doença cardíaca não deveriam tomar aspirina todos os dias para prevenir um infarto ou Acidente Vascular Cerebral (AVC), segundo nova recomendação de um grupo de especialistas norte-americanos.

Ainda que ingerido em baixas doses, os riscos de o ácido acetilsalicílico causar sangramento, sobretudo no trato digestivo de pessoas a partir dos 60 anos com esse perfil, são maiores que os possíveis benefícios.

Além de diminuir doresfebres e inflamações, a aspirina também age contra a formação de coágulos e trombos, que prejudicam a circulação sanguínea. Por essa resposta, é usada na prevenção de eventos trombóticos, como o AVC.

mudança, divulgada pela Força-tarefa de Saúde Preventiva dos Estados Unidos no início de outubro, substituirá as recomendações de 2016, que indicavam o remédio como uma primeira medida de prevenção para doenças cardiovasculares. Esse uso, porém, não deve ser excluído de todos os grupos.

Novo documento indica que o remédio não traz benefício para pessoas sem histórico de doenças cardíacas

Aspirina contra infarto: mudou o perfil de quem deve tomar o remédio

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Teste do pezinho agora é ampliado

Através da Lei nº 14.154, todos os recém-nascidos do Brasil terão direito, de forma gratuita na rede pública, ao teste do pezinho capaz de investigar mais de 50 doenças raras. Antes, o exame abarcava apenas seis enfermidades.

“O teste ampliado estava disponível apenas para quem podia pagar, e acrescer algumas doenças era bem caro. Trazer essa triagem completa ao SUS garante uma maior equidade de diagnósticos, o que pode salvar muitas crianças”, afirma Braian Sousa, pediatra do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo.

Mas essa ampliação não vai ocorrer da noite para o dia, pois o rastreio de algumas dessas doenças exige tecnologia e pessoas treinadas. “Os recursos para uma triagem completa não estão disponíveis no Brasil inteiro, então o sistema vai precisar de alguns anos para se adaptar”, explica o médico.

Lei expande para 50 o número de doenças rastreadas pelo exame no SUS

Teste do pezinho agora é ampliado

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Qual é a diferença entre os tipos sanguíneos?

Assim como o nome completo, uma das primeiras coisas que decoramos é o nosso tipo sanguíneo. A diferença entre eles, como você vai visualizar abaixo, é a presença de proteínas específicas na superfície dos glóbulos vermelhos, os antígenos, que reconhecem os outros tipos de sangue e promovem uma reação rápida e potencialmente perigosa em contato com eles.

Como se refere à compatibilidade, o sistema ABO é a mais importante das classificações do sangue, mas não a única. “Temos cerca de 30 subtipos, que expressam açúcares ou proteínas diferentes, mas eles não são tão importantes na rotina”, conta o hematologista Philip Bachour, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, em São Paulo.

Meros detalhes são o suficiente para tornar um sangue incompatível com outro e exigir testes antes da transfusão

Qual é a diferença entre os tipos sanguíneos?

publicado originalmente em Veja saúde

Origens e destinos do menu brasileiro

Nem a miscigenação entre os povos indígena, negro e branco nem a divisão geopolítica por regiões dão conta de explicar a complexidade da cozinha do Brasil. Esse é um dos argumentos de partida de Carlos Alberto Dória, um dos nossos maiores especialistas em sociologia da alimentação, no ensaio Formação da Culinária Brasileira, que dá título ao livro reeditado pela Fósforo.

A obra traz uma coletânea de sete textos que, em comum, buscam destrinchar nosso passado no fogão e à mesa e apontar ingredientes para uma nova e autêntica culinária nacional.

Dória bota no caldeirão do debate desde autores clássicos que escreveram sobre o tema, como Gilberto Freyre e Câmara Cascudo, até os chefs que revitalizaram a gastronomia contemporânea, como o espanhol Ferran Adrià.

Também problematiza conceitos de comida regional que respeitam mais o turismo do que a história, esboça modelos esquemáticos de divisão e compreensão das nossas cozinhas e reflete sobre o que deveria nortear a renovação e o reconhecimento global da culinária brasileira.

Estudioso revê ideias cultivadas há décadas e propõe caminhos para entender nossas raízes culinárias

Origens e destinos do menu brasileiro

publicado originalmente em Veja saúde

O estado nutricional faz diferença para se recuperar da Covid-19

desnutrição integra a lista de ameaças a quem é internado pela Covid-19 — e, pior, pode comprometer a recuperação. Pesquisas independentes que fazem parte do projeto internacional NutriCOVer, da Danone, demonstram que é significativo o índice de pessoas que apresentam dificuldades para se alimentar, perda de peso e carência de nutrientes nesse contexto.

E indicam que a avaliação nutricional e a suplementação adequada não só auxiliam a minimizar os riscos como encurtam o tempo de hospital. O Brasil faz parte da iniciativa por meio de um estudo coordenado pelos médicos Dan Waitzberg, da Universidade de São Paulo (USP), e Paulo César Ribeiro, do Hospital Sírio-Libanês (SP).

Eles acompanharam 357 pacientes internados e constataram que cerca de seis em cada dez apresentaram manifestações sensoriais ou gastrointestinais que geraram prejuízos à ingestão de comida.

Segundo Waitzberg, a Covid-19 pode deflagrar um estado de inflamação sistêmica, que exige esforço e reservas de energia do corpo para ser controlada. Sem combustível suficiente, o organismo tem um trabalho bem mais árduo pela frente.

Por isso, a pesquisa também testou o uso de um suplemento altamente energético e proteico em pacientes com essa demanda. “Ele teve ótima aceitação e ajudou a alcançar as necessidades nutricionais, o que potencialmente contribui para a recuperação”, resume o professor da USP.

Estudo brasileiro aponta benefícios do apoio especializado e da suplementação no hospital

O estado nutricional faz diferença para se recuperar da Covid-19

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A anatomia dos vícios: por que eles surgem e como domá-los

O dia em que a Terra (quase) parou. Assim pode ser descrito o 4 de outubro de 2021. Em plena segunda-feira, 2,85 bilhões de usuários do Facebook não conseguiram acessar a maior rede social do planeta. Não foram os únicos: 2 bilhões de perfis do WhatsApp, o aplicativo de mensagens mais usado pelos brasileiros, e 1,3 bilhão do Instagram também ficaram impossibilitados de se comunicar, trabalhar ou se divertir.

O apagão durou quase sete horas. Mas, para quem sofre de dependência tecnológica, transtorno que atinge, segundo cálculos da Organização Mundial da Saúde (OMS), em torno de 468 milhões de pessoas, pareceu uma eternidade. “Dizem que a internet é a nova cocaína. Prefiro dizer que é uma nova forma de prazer artificial”, afirma o psiquiatra Antônio Egídio Nardi, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

“A sensação de ganhar uma curtida na rede social é tão boa que leva o indivíduo a querer mais. Daí que ganhar likes pode ser tão viciante quanto consumir drogas”, completa o pesquisador do Instituto Delete — Uso Consciente de Tecnologias.

A pane que tirou as principais redes sociais do ar não foi o único golpe a arranhá-las. No dia seguinte, uma ex-executiva do Facebook, Frances Haugen, prestou depoimento ao Senado americano denunciando a companhia por priorizar “o lucro em detrimento da segurança”. A engenheira da computação chegou a comparar a gigante da tecnologia à indústria do tabaco, que, por décadas, negou que fumar fazia mal à saúde, e apelou por sua regulamentação urgente.

Sua fala ecoa diretamente a de Edward Tufte, professor da Universidade Yale, nos EUA, em entrevista ao documentário O Dilema das Redes, da Netflix: “Existem apenas duas indústrias que chamam seus clientes de usuários, a de drogas e a de softwares”.

Dependência online, compulsão alimentar, vontade incontrolável de beber, fumar, comprar… Os vícios parecem ter piorado após a pandemia. O que fazer?

A anatomia dos vícios: por que eles surgem e como domá-los

publicado originalmente em Veja saúde