Termo: batemos um papo com o criador da versão em português do jogo Wordle

Por Rafael Battaglia

É um dia como outro qualquer na casa do brasileiro Fernando Serboncini em Montreal, no Canadá. Ele cumprimenta a esposa, faz carinho em Uni, seu cachorro, e se senta para trabalhar. O computador fica em frente a uma rede de descanso com listras vermelhas e uma guitarra preta, apoiada na parede.

Só a rotina de trabalho seria suficiente para tomar o dia de Fernando (há 15 anos no Google, ele é hoje gerente de engenharia do navegador Chrome). Mas, desde o final de 2021, outra tarefa vem ocupando boa parte do seu tempo: o jogo Termo, que ele mesmo criou.

Uma rápida explicação: Termo é um jogo online de adivinhação de palavras. O objetivo é descobrir qual é a palavra do dia, que tem sempre cinco letras, em até seis tentativas. O jogador não fica totalmente no escuro: as letras inseridas podem ficar verdes ou amarelas, dependendo da posição delas, o que ajuda a solucionar o enigma.

Suponhamos que a palavra do dia seja “termo” (rs) e você, em uma das tentativas, escreva “trenó”. As letras “t” e “o” ficarão verdes, pois estão nas respectivas posições da palavra correta. Já “r” e “e” mudarão de cor para amarelo – elas pertencem à palavra, mas estão na posição errada. E dá-lhe estratégia para escolher os melhores palpites.

Termo é baseado no Wordle, jogo criado em 2021 pelo engenheiro de software Josh Wardle (daí o nome, um trocadilho com “word” – “palavra”). É a mesma dinâmica, só que na língua inglesa: a pessoa entra em um site (não existe aplicativo) e têm seis tentativas para acertar. O game é um fenômeno e, com mais de dois milhões de jogadores, foi comprado pelo jornal The New York Times.

A versão em português não fica muito atrás. Lançado há pouco mais de um mês, o Termo já acumula 400 mil jogadores diários – e contando. “Desde o lançamento do jogo, eu precisei trocar três vezes de servidor para dar conta do volume de acessos”, conta Fernando. 

O engenheiro Fernando Serboncini desenvolveu o game de adivinhação de palavras no final de 2021, durante as folgas do trabalho. Hoje, o site já recebe mais de 400 mil visitas diárias.

Termo: batemos um papo com o criador da versão em português do jogo Wordle

publicado originalmente em superinteressante

Jacarés são os maiores animais capazes de regenerar membros

Por Maria Clara Rossini

Pequenos répteis, como lagartos e iguanas, são conhecidos por conseguirem regenerar caudas e braços. Trata-se de uma estratégia evolutiva, selecionada ao longo de milhares de anos, que ajudou esses animais a sobreviver após perderem algum membro. No entanto, pouco se sabe sobre essa habilidade nos grandes répteis. Uma pesquisa recente, publicada no periódico Scientific Reports, mostra que os jacarés também são capazes de regenerar a cauda após ela ter sido cortada – o que os torna os maiores animais conhecidos com essa habilidade.

Um jacaré-americano pode atingir quatro metros de altura e chega a pesar 500 quilos. O estudo, conduzido pela Universidade Estadual do Arizona, nos Estados Unidos, mostra que os jacarés jovens podem regenerar sua cauda em até 22 centímetros, o que equivale a 18% do seu tamanho total.

Todos os animais possuem alguma capacidade de regeneração de tecidos. Os mamíferos, por exemplo, conseguem reconstruir pequenas porções da pele, vasos sanguíneos e nervos. O fígado é o único órgão humano que regenera até 75% da sua forma original. 

No entanto, existem diferentes níveis de regeneração. Nenhum mamífero consegue fazer crescer um braço novamente – apenas reconstruir a pele para cobrir o ferimento. Já animais como o axolote regeneram o membro de forma quase idêntica ao original – com pele, músculo esquelético, cartilagem, osso e até medula espinhal.

Pesquisa mostra que a cauda de répteis jovens pode crescer até 22 centímetros após ser amputada.

Jacarés são os maiores animais capazes de regenerar membros

publicado originalmente em superinteressante

Dinossauro que viveu há 150 milhões de anos pode ter tido infecção respiratória

Tosse, febre, dores de cabeça e nariz escorrendo. Esses sintomas são familiares para nós, mas você provavelmente nunca imaginou um dinossauro sofrendo com uma doença respiratória. Agora, os cientistas encontraram as primeiras evidências para isso – a partir de um fóssil apelidado de “Dolly”.

“Dolly” era um dinossauro herbívoro de pescoço longo (conhecido como saurópode) que viveu há 145 milhões de anos, durante o período Jurássico. Ele habitava a região em que hoje fica o estado de Montana, ao norte dos Estados Unidos.

Paleontólogos encontraram o fóssil de Dolly – o crânio e parte do pescoço – em 1990. Desde então, o material permaneceu no Museum of the Rockies (Montana) até ser estudado pelo paleontólogo americano Cary Woodruff – que explica que o apelido do dinossauro é homenagem à cantora country Dolly Parton.

Em 2018, Woodruff percebeu que havia algo de estranho nas vértebras de Dolly: saliências irregulares que se pareciam com uma flor de brócolis. Ele nunca havia encontrado algo semelhante, então entrou em contato com outros pesquisadores em suas redes sociais para, quem sabe, encontrar alguma pista.

Doença que causa inflamação dos sacos aéreos em aves modernas pode ter sido responsável por danos nas vértebras do saurópode “Dolly”.

Dinossauro que viveu há 150 milhões de anos pode ter tido infecção respiratória

publicado originalmente em superinteressante

Desafios, inovações, ESG e as transformações da indústria do Petróleo

Responda rápido: quantos produtos à sua volta têm petróleo na composição? São de fato muitos itens, que incluem chiclete, tênis, asfalto, tecido, maquiagem, desodorante, aspirina, skate, óculos, bolas de futebol, pratos, giz de cera, creme de barbear, equipamentos médicos e comida – sim, comida, na produção, com os fertilizantes, e na forma de corantes e conservantes.

Conhecido desde os povos antigos do Egito e da Mesopotâmia e explorado comercialmente desde 1859, o petróleo tem mil e uma utilidades. Está tão presente na vida das pessoas que talvez, por isso mesmo, seja pouco conhecido, já que não paramos para pensar nele, a não ser na hora de abastecer o carro.

Na websérie Pequenos Especialistas, a PetroRio trouxe uma turma de pequenos para perguntar sobre o petróleo. Elas são profissionais em tirar os adultos do eixo com suas dúvidas. Por exemplo: o que é petróleo? Como ele é extraído do fundo do mar? É possível reinventar a forma de produzir petróleo? Um campo de petróleo pode ser reciclado? Dá para produzir petróleo e ainda cuidar do meio ambiente? ESG e petróleo podem andar juntos?

Crianças fizeram essas perguntas para executivos da PetroRio, a maior companhia independente de óleo e gás do Brasil. O resultado foi a websérie Pequenos Especialistas. A primeira temporada atingiu mais de 720 000 visualizações. A segunda acaba de ir ao ar.

Jovens curiosos

Petróleo tem cheiro de gasolina? Sim! Submarinos vão até o fundo do mar para encontrá-lo? Não! Como se extrai do fundo do mar então? Com prospecção utilizando máquinas de medição, pesquisas geológicas, perfuração e, por fim, ocorre a extração, com base em plataformas marítimas de 120 metros de comprimento.

Mas como o petróleo surgiu? Pelo acúmulo de sedimentos, ao longo de muito tempo. “O que está lá embaixo hoje é o que estava na superfície do planeta milhões de anos atrás”, explicou a coordenadora de operações da PetroRio, Patrícia Balla, que também contou aos entrevistadores que, não, o petróleo não é feito de ossos de dinossauros.

Até aí, tudo bem. Mas e a relação entre petróleo e ESG? Para dar conta dessa resposta, foi preciso dedicar uma temporada inteira. Não adiantava dizer que essa é a sigla em inglês para as melhores práticas ambientais, sociais e de governança.

“Não entendi nada”, reagiram as crianças de supetão à primeira explicação de Milton Rangel, diretor financeiro da PetroRio. Ele, então, foi além: “O ESG foi criado antes mesmo de vocês nascerem, para incentivar as empresas a ter um impacto positivo no mundo. É um tema muito importante para todos nós da PetroRio”.

Com a websérie Pequenos Especialistas, PetroRio oferece respostas para perguntas complexas feitas por crianças sobre o passado, o presente e o futuro

Desafios, inovações, ESG e as transformações da indústria do Petróleo

publicado originalmente em superinteressante

Nova colônia de pinguins na Antártida alerta para crise climática

Nos últimos trinta anos, a Antártida aqueceu três vezes mais rápido do que o resto do mundo. Em fevereiro de 2020, bateu os  20°C. Um recorde.

Essa desordem é causada pelas mudanças climáticas e influencia diretamente no comportamento de algumas espécies. É o caso dos pinguins-gentoo, que estão migrando para se reproduzir em regiões mais ao sul do continente, como pesquisadores da Stony Brook University (Estados Unidos) verificaram em uma expedição da ONG Greenpeace.

Os cientistas descobriram uma colônia de pinguins na Ilha Andersson, no lado leste da Península Antártica – região montanhosa e próxima da América do Sul. Até então, essa área era muito gelada para os pinguins, que preferem temperaturas mais amenas para criarem seus filhotes. Antes, só um ninho havia sido encontrado em um local tão ao sul. Agora, os pesquisadores contaram 75 filhotes.

Pela primeira vez, os cientistas exploraram a pé partes da península onde colônias de pinguins haviam sido detectadas via satélite. Segundo Heather Lynch, pesquisadora que liderou a expedição, mapear essas áreas ajuda a entender como os animais estão respondendo às mudanças climáticas:

“Estamos encontrando pinguins-gentoo em quase todos os lugares para onde olhamos – mais evidências de que as mudanças climáticas estão mudando drasticamente a mistura de espécies na Península Antártica”, disse Lynch.

Tanto o aumento de temperatura quanto as condições do gelo marinho influenciam diretamente no comportamento dos pinguins. Por isso, eles são considerados indicadores importantes da saúde dos ecossistemas antárticos.

Mar de Weddell 

Durante a expedição, os cientistas descobriram que as colônias de pinguins-de-adélia permaneceram estáveis na última década na região do Mar de Weddell, a leste da Península Antártica. 

Essa espécie costuma se deslocar bastante à medida que o gelo marinho diminui, e parece encontrar no Weddell um refúgio climático. Segundo Lynch, o local não está imune às mudanças climáticas, mas parece apresentar condições melhores do que o lado oeste da península.

“Nossa compreensão da biologia desta paisagem inóspita continua a crescer a cada ano, mas tudo o que aprendemos até agora aponta para seu valor para a conservação.”

Desde 2011, existem discussões sobre o Mar de Weddell se tornar uma área marinha protegida (MPA, na sigla em inglês). Mas em 2021, pela quinta vez, os membros da Comissão para a Conservação dos Recursos Vivos Marinhos Antárticos (CCAMLR) não chegaram a um acordo sobre novas medidas de conservação que protejam a biodiversidade do local.

Os pinguins-gentoo estão migrando para se reproduzir em regiões mais ao sul do continente – uma consequência do aumento de temperatura na região.

Nova colônia de pinguins na Antártida alerta para crise climática

publicado originalmente em superinteressante

Mapa prevê onde encontrar 300 mil meteoritos na Antártida

A Antártida é um bom lugar para encontrar meteoritos. A vantagem de procurar por essas rochas no continente gelado é que elas ficam presas no gelo quando caem por lá. O problema é que eles medem alguns centímetros, e a tarefa de coletá-los é como procurar uma agulha no palheiro. Agora, pesquisadores da Delft University of Technology, na Holanda encontraram uma solução para os caçadores de meteoritos.

Eles usaram inteligência artificial para desenvolver um mapa do continente que identifica áreas com maior chance de localizar as rochas. O processo foi detalhado em um estudo publicado na revista Science Advances. Você pode visualizar o mapa clicando aqui.

Cerca de 62% dos meteoritos já recuperados caíram na Antártida. A explicação é ambiental. Às vezes, os ventos fortes da região transportam a neve ou a transformam em vapor, deixando áreas expostas de gelo azul. Os meteoritos são sempre encontrados nessas regiões, que podem atuar como “zonas de encalhe”. Condições de temperatura, movimentação do gelo, cobertura e relevo da superfície definem quais áreas são mais ou menos prováveis a abrigarem meteoritos.

Embora as áreas de gelo azul sejam identificadas a partir de imagens de satélite, os meteoritos não são. Os cientistas exploram o gelo sem rumo à procura dos meteoritos – e essa brincadeira não é barata. Ter um “mapa do tesouro” em mãos poderia orientar as buscas.

Para desenvolver o mapa, os pesquisadores reuniram dados de satélites sobre os aspectos que definem a concentração dos meteoros no gelo azul. Então, a equipe usou aprendizado de máquina (machine learning) para gerar o mapa do tesouro.

O mapa, que tem 80% de precisão, mostra que ainda restam muitos meteoritos para serem coletados nas áreas de gelo exposto. A boa notícia é que muitos estão relativamente próximos de estações de pesquisa já existentes.

A estimativa é que apenas 15% dos meteoritos presentes no continente tenham sido encontrados até agora. Os pesquisadores acreditam que ainda podem encontrar 300 mil escondidos por lá. Para efeito de comparação, existem apenas 70 mil meteoritos conhecidos e catalogados segundo o Meteoritical Bulletin.

Estima-se que apenas 15% dos meteoritos caídos na Antártida foram encontrados até o momento. Pesquisadores usaram dados de satélite e inteligência artificial para ajudar na caça.

Mapa prevê onde encontrar 300 mil meteoritos na Antártida

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Estresse provocado por furacão causa envelhecimento precoce em macacos

Em 2017, o furacão Maria deixou mais de 4,6 mil mortos em Porto Rico. Estima-se que um terço das mortes ocorreu depois que a tempestade deixou o país, devido à interrupção de serviços de saúde. Mas os danos posteriores também atingiram outros moradores da região: os macacos rhesus.

O furacão acelerou o processo de envelhecimento dos animais, aumentando sua idade biológica em uma média de dois anos – que seriam equivalentes a sete ou oito anos para um ser humano. Esses são os resultados de um estudo publicado na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences.

Os macacos rhesus são os primatas mais estudados por cientistas (tirando os humanos, claro). Eles são usados em pesquisas e testes durante o desenvolvimento de vacinas e medicamentos.

Indivíduos dessa espécie habitam florestas como a da ilha Cayo Santiago, a um quilômetro da costa sul de Porto Rico. O local é um importante centro de conservação, e cientistas do mundo todo viajam para lá com o objetivo de estudar os primatas.

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Noah Snyder-Mackler, da Universidade Estadual do Arizona (Estados Unidos), participa de uma das equipes que estudam os animais em seu habitat natural. Desde 2014, ela coletava amostras de sangue de 435 macacos rhesus para examiná-los – e fez o mesmo um ano após o furacão Maria, para verificar o impacto do evento.

A equipe realizou o sequenciamento genômico das amostras e descobriu que a expressão de 4% dos genes relacionados ao sistema imunológico dos animais sofreram alterações depois da destruição do ecossistema pela tempestade.

O DNA é um manual de instruções para a produção de proteínas. Só que ele não é “lido” e executado o tempo todo. Uma hora precisamos de mais colágeno, em outra precisamos de enzimas de digestão, e assim por diante. A decodificação do DNA depende de como os genes se expressam em cada momento e região do corpo. A expressão gênica, por sua vez, é regulada a partir de um conjunto complexo de processos celulares.

Após o estresse causado pelo furacão, alguns genes dos macacos passaram a se expressar de maneira inesperada. Houve aumento na expressão de genes relacionados a respostas inflamatórias e diminuição nos genes associados ao desempenho da função de algumas proteínas. Essas são mudanças geralmente associadas ao envelhecimento.

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O estudo analisou mudanças médias na população de macacos e verificou que alguns sofreram mais com as alterações de expressão gênica do que outros. Alguns deles passaram a interagir com um grupo maior de indivíduos, por exemplo. Snyder-Mackler afirma que isso pode ter dado maior estabilidade a esses macacos, tornando a situação menos estressante.

Segundo os pesquisadores, se pudermos entender como esses animais se tornaram mais resilientes, é possível encontrar maneiras de minimizar impactos negativos de longo prazo na saúde de humanos após eventos extremos, como o furacão Maria.

O furacão Maria, ocorrido em 2017 em Porto Rico, alterou a expressão dos genes dos animais – “envelhecendo” o sistema imune em até dois anos.

Estresse provocado por furacão causa envelhecimento precoce em macacos

publicado originalmente em superinteressante

Quais são as letras mais comuns em cada idioma?

Por Maria Clara Rossini

O jogo online Wordle parece depender da sorte. O jogador começa escrevendo uma palavra em inglês qualquer de cinco letras, sem nenhuma dica inicial. Depois, o game avisa quais daquelas letras estão na palavra final, que o jogador deve adivinhar. Daí, basta tentar organizar as letras para acertar a palavra. A versão brasileira, chamada Termo, funciona da mesma forma.

Depois de algumas tentativas, você percebe que tem como usar estratégias para ir bem no jogo de palavras. É como na forca: você começa chutando as letras mais comuns no português. O “A” sempre vem primeiro. Depois talvez o “E”, e assim por diante. No Wordle e Termo, é bom começar chutando palavras que tenham letras comuns.

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As letras mais comuns do português não são as mesmas do inglês, espanhol ou qualquer outra língua. Por isso, se estiver jogando forca em outra língua, vale começar por letras diferentes. O gráfico abaixo mostra a frequência das letras mais comuns em cinco idiomas.

No Wordle, muita gente começa chutando a palavra adieu (que, apesar de ser em francês, está na lista do jogo americano), pela quantidade de vogais. Em português, a palavra aceso inclui as quatro letras mais comuns da língua – uma boa candidata para o Termo. Segundo o site Wordles of the World, há 248 versões do jogo em diferentes idiomas.

Está procurando a melhor estratégia para jogar Wordle e Termo? Acabou de encontrar.

Quais são as letras mais comuns em cada idioma?

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Fósseis da Era do Gelo são encontrados em caverna na Inglaterra

Desde 2015, uma nova cidade está sendo construída no condado de Devon, no sudoeste da Inglaterra. Com o nome de Sherford, ela vai abrigar mais de cinco mil casas, além de parques, escolas e empresas. As obras não foram concluídas, mas os primeiros moradores já deram as caras – encontrados por uma equipe de arqueólogos.

Em uma caverna na região, estavam escondidos ossos de animais da última Era do Gelo, como os de um mamute-lanudo e um rinoceronte-lanudo. Eles foram encontrados em escavações feitas durante obras de infraestrutura e agora estão sob investigação de cientistas das universidades de Manchester e Winchester e de outras instituições inglesas.

Os pesquisadores identificaram uma presa e dentes molares de um mamute, assim como o crânio e a mandíbula inferior de um rinoceronte (que você vê na imagem acima). Também foram encontrados um esqueleto quase completo de um lobo e restos parciais de hiena, cavalo, raposa, renas e lebres.

Presa de mamute-lanudo, uma das descobertas em Sherford.

Os fósseis têm entre 30 e 60 mil anos e datam do Devensiano Médio – nome que os cientistas atribuem a um período da última Era do Gelo em que grandes camadas de gelo cobriam as Ilhas Britânicas.

Os ossos foram encontrados juntos, mas ainda não está claro se os animais viveram ao mesmo tempo. Ao longo de milhares de anos, eles podem ter caído para dentro da caverna por um buraco na superfície (em caso de mortes acidentais) ou ter sido levados por predadores.

Entre os restos mortais encontrados, estão ossos de mamute e rinoceronte, que datam de 30 a 60 mil anos atrás. Confira.

Fósseis da Era do Gelo são encontrados em caverna na Inglaterra

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Em três décadas, geleira mais alta do Everest perdeu 2 mil anos de gelo

O derretimento de geleiras é uma consequência bem conhecida das mudanças climáticas e está acontecendo mais rápido do que nunca. O fenômeno é observado de perto por cientistas, mas, devido às altas altitudes, geleiras de montanhas costumam ser menos estudadas .

Em 2019, uma expedição investiu nessa frente. Uma equipe internacional de cientistas viajou até a South Col Glacier (SCG), a geleira mais alta do Monte Everest, para conferir se o derretimento de gelo também estava acontecendo por lá, a 7 mil metros de altura.

O estudo, publicado na última quinta (3) na revista Climate and Atmospheric Research, é considerado o mais completo já realizado no sul da montanha. Ele descobriu que a SCG perdeu gelo que levou cerca de 2 mil anos para se formar e, no ritmo de derretimento atual, pode desaparecer completamente daqui trinta anos.

Os cientistas criaram mapas de alta resolução, estudaram a história das geleiras, instalaram cinco estações meteorológicas por lá e coletaram amostras. A equipe até adaptou um equipamento de perfuração para carregá-lo montanha acima e extrair um cilindro de gelo de 10 metros da SCG.

Mudanças climáticas causaram o derretimento de 55 metros de gelo – e podem levar ao desaparecimento da geleira daqui trinta anos.

Em três décadas, geleira mais alta do Everest perdeu 2 mil anos de gelo

publicado originalmente em superinteressante