3 notícias sobre: o dia a dia na Estação Espacial Internacional

Bactérias produzem material útilAstronautas cultivaram colônias de S. desiccabilis e B. subtilis, e alimentaram esses micróbios com basalto (material abundante nas rochas da Lua e de Marte). Resultado: as bactérias produziram vanádio (1) , um metal valioso – na Terra, onde esse material é fabricado industrialmente, ele serve para reforçar ligas metálicas, fazer baterias e tintas.

Nave empurra estação sem quererA Soyuz MS-18, que levou um cosmonauta, um diretor de cinema e uma atriz da Rússia para gravar um filme na estação, ligou acidentalmente seu propulsor quando estava acoplada à ISS. Isso fez com que a estação girasse sobre seu eixo e ficasse meia hora desalinhada. Isso já tinha acontecido em 29 de julho, com o disparo do módulo russo Nauka.

Cosmonautas têm alteração cerebralCientistas colheram sangue de cinco cosmonautas russos que ficaram bastante tempo na ISS: 169 dias em média. Os exames revelaram níveis aumentados das proteínas beta-amiloide e GFAP e do polipeptídeo NFL – que são sinais de danos físicos ao cérebro (2). Eles podem ser consequência da exposição prolongada à microgravidade.

As experiências científicas vão bem – mas a ISS e seus hóspedes também têm problemas.

3 notícias sobre: o dia a dia na Estação Espacial Internacional

publicado originalmente em superinteressante

Técnica permite ver sombras invisíveis

Pesquisadores do MIT criaram um método (1) que permite enxergar e analisar sombras muito sutis, invisíveis a olho nu – e usar essa informação para saber quantas pessoas estão em um recinto e o que elas estão fazendo.

A técnica consiste em filmar uma parede em branco e depois processar o vídeo, recuperando microdistorções causadas pelos reflexos da luz dentro do ambiente. No futuro, agências de espionagem poderão usar o novo método para enxergar através de paredes: os espiões poderão apontar suas câmeras para dentro de uma casa ou prédio, mesmo que só consigam focalizar uma parede, e mesmo assim inferir o que está acontecendo no local.

Processo extrai interferências captadas por câmeras de vídeo, imperceptíveis a olho nu

Técnica permite ver sombras invisíveis

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Sabedoria…por Fernando Pessoa

“Considerar a nossa maior angústia como um incidente sem importância, não só na vida do universo mas da nossa mesma alma, é o princípio da sabedoria.”

🌻Fernando Pessoa

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O que faz o Iphan, afinal?

O que o Cristo Redentor, o forró e a Casa de Chico Mendes, no Acre, têm em comum? Os três são tesouros brasileiros protegidos pelo Iphan, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.

Essa autarquia federal, vinculada hoje ao Ministério do Turismo (antes era da Cultura), atua na preservação do que temos de mais valioso em expressões artísticas, objetos, documentos, festas populares, edificações e parques nacionais (como o da Serra da Capivara, no Piauí). Enfim, o que há de história e cultura que precisa continuar viva para que, geração após geração, nos reconheçamos como brasileiros – por isso o Cristo Redentor, e não a Estátua da Liberdade.

Pronto, você provavelmente já sabe mais sobre o Iphan do que o presidente do Brasil. Nesta semana, em evento na Fiesp, Jair Bolsonaro declarou que demitiu a diretoria do órgão quando uma nova loja de seu amigo, o empresário Luciano Hang, dono da Havan, foi interditada ao encontrarem, nas escavações, azulejos de valor histórico. Comentando o episódio de maneira irônica, o presidente admitiu que, até então, não fazia ideia do que é o instituto. “Que trem é esse?”, teria perguntado ao ministro da pasta.

O trem

Criado em 1937, no governo Getúlio Vargas, então com o nome de Sphan, porque ainda não era um instituto, mas sim um prestador de serviços relacionados à cultura (daí o “S” que precedeu o “I” no nome), o Iphan foi uma resposta à rápida industrialização do Brasil no período, que envolvia muita demolição de edifícios de valor histórico para dar espaço a fábricas e prédios mais modernos. Uma forma de que o progresso não apagasse a história – e construíssemos uma identidade brasileira.

Mas o Iphan começou a assumir o modelo que tem hoje só no fim da Ditadura Militar (1964–1985). Foi quando passou a ter uma atenção especial à pluralidade das manifestações culturais do nosso país – obra da Constituição Cidadã, de 1988, que definiu como “patrimônio cultural” “os modos de criar, fazer, viver”. Logo o foco no tombamento de igrejas, fortes e outras edificações se estendeu a um universo cultural bem mais amplo. Para se ter uma ideia, seis línguas indígenas estão sob a proteção do órgão, que tem entre suas muitas linhas de atuação a salvaguarda da nossa diversidade linguística (estima-se que, no Brasil, além do português, haja mais de 250 línguas vivas, entre crioulas, afro-brasileiras, de imigrantes, indígenas e até de sinais).

Bolsonaro não tinha ideia do que é o Iphan – órgão responsável pela preservação da nossa história e cultura – quando interveio no instituto para proteger os interesses de Luciano Hang, dono da Havan. A gente explica, então, para que não reste dúvida.

O que faz o Iphan, afinal?

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Museu do Amanhã recebe exposição sobre a Amazônia

Fazer o visitante se sentir parte da Floresta Amazônica é um dos objetivos da exposição Fruturos: Tempos Amazônicos, que abre nesta sexta (17) no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro.

A exposição, cujo título é formado a partir de “fruto” e “futuro”, apresenta a diversidade presente na Amazônia, desde fauna e flora à cultura dos povos que ali habitam. Ela é construída a partir de uma narrativa temporal organizada em sete áreas e explora perspectivas para o futuro – como é comum entre as exposições do museu.

Teve muito estudo por trás da Fruturos. Os curadores da exposição recorreram a três viagens exploratórias – a primeira em 2017 – e a um time de dez consultores de diferentes instituições de pesquisa, muitos deles amazônidas, para entender e refletir sobre a história, riqueza e potência da região.

“Os pesquisadores com quem tivemos contato sempre nos diziam que, ao conversar com povos originários e tradicionais da floresta, grandes bibliotecas invisíveis se abriam na frente deles”, afirma Leonardo Menezes, curador da exposição, à Super.

O conhecimento adquirido a partir de pesquisadores e moradores foi a base para construir a Fruturos. “A gente percebeu que a Amazônia é feita de múltiplas camadas temporais, que coabitam e coexistem no território”, explica Leonardo. 

“Fruturos: Tempos Amazônicos” aborda desde a formação do bioma aos dias de hoje, junto às manifestações artísticas e biodiversidade da região.

Museu do Amanhã recebe exposição sobre a Amazônia

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Magnetorrecepção: o sexto sentido

Ami já era o terceiro pombo-correio solto pelo major americano Charles White Whittlesey naquele 3 de outubro de 1918. Um grupo de 550 homens havia sido cercado na comuna de Montfaucon-d’Argonne, no nordeste da França. 194 haviam sobrevivido, mas estavam cercados por alemães e precisavam de resgate.

White estava usando os pombos para pedir socorro. O primeiro, que levava a mensagem “estamos feridos. não conseguimos escapar” num papelzinho preso à pata, foi abatido pelos inimigos. O segundo (“estamos sofrendo. podem enviar ajuda?”) também. Os alemães sabiam do que se tratava. E também acertaram Cher Ami assim que ele começou a voar. Mas não conseguiram derrubá-lo.

A bala acertou a pata direita e raspou o peito do pombo, que continuou voando por 25 minutos até chegar à base militar mais próxima, a 40 km dali, onde entregou a mensagem – que acabou por salvar os 194 homens. A pata do bicho teve de ser substituída por uma prótese de madeira. Cher Ami foi levado para os Estados Unidos, onde recebeu uma medalha por ter entregue essa e outras 11 mensagens durante a Primeira Guerra Mundial. Morreu em junho de 1919.

Desde o Egito Antigo, 3 mil anos antes de Cristo, os pombos são usados como mensageiros. Eles têm essa utilidade porque sempre sabem voltar para casa: basta criá-los em um local específico e essas aves saberão voltar até lá, partindo de qualquer ponto. O general romano Júlio César usou pombos-correio em seus esforços militares contra os gauleses. Eles também levaram mensagens na Pérsia, na Grécia Antiga, no mercado financeiro – em 1860, o inglês Paul Reuter, fundador da agência de notícias Reuters, usou pombos-correio para enviar cotações de ações entre Bruxelas, na Bélgica, e Aachen, na Alemanha. Temos uma longa história com esses bichos. Mas só recentemente começamos a entender por que eles conseguem se orientar tão bem: usando o campo magnético do planeta como GPS.

Pássaros, vacas, tubarões e até bactérias conseguem sentir o campo magnético da Terra, que usam para se orientar. E uma experiência intrigante sugere que o cérebro humano também pode ser capaz de detectá-lo de forma inconsciente.

Magnetorrecepção: o sexto sentido

publicado originalmente em superinteressante

Extinção…por Rachel de Queiroz

“Quem com ferro fere… ” E o perigoso bicho homem também já vai virando animal em extinção; é o que acontece com todos os grandes carniceiros: já quase não existem leões no deserto, nem tigres de Bengala; e o mesmo sucederá conosco, que somos os mais ferozes de todos os predadores.

🌻Rachel de Queiroz

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Hidrogênio: as perspectivas reais para o mais limpo dos combustíveis

O hidrogênio já foi celebrado como o combustível do futuro. Passadas décadas de ensaios e promessas não realizadas, esse continua sendo o rótulo. Mas parece que desta vez, com uma confluência de tecnologia e pressa em razão da urgência gerada pelas mudanças climáticas, a coisa é para valer.

Nada poderia ser mais simples do que o hidrogênio. É o primeiro elemento da tabela periódica, todo ele produzido nos primeiros estágios pós-Big Bang, há 13,8 bilhões de anos. Cerca de 75% da massa do Universo é hidrogênio: átomos que têm um único próton em seu núcleo e um elétron solitário ao redor.

E eles são a usina de força das estrelas. No núcleo de cada uma, a pressão é tão grande que os átomos de hidrogênio vão grudando uns nos outros – fusão nuclear. Essa “colagem” de hidrogênio produz hélio (que tem dois prótons) e uma pequena parte da matéria original acaba convertida em energia. Por isso as estrelas brilham.

Fora das estrelas, o hidrogênio existe em sua forma molecular: o H2 (o casamento de dois átomos desse elemento criam a molécula de hidrogênio). E a energia que ela contém pode ser acessada de forma muito mais simples do que por meio da fusão nuclear.

Conheça os trunfos que o H2 ainda guarda na manga. O principal: sua capacidade de “estocar vento”, ou energia solar. Entenda.

Hidrogênio: as perspectivas reais para o mais limpo dos combustíveis

publicado originalmente em superinteressante

Alimentos à base de plantas ganham espaço no prato dos brasileiros

A busca por uma alimentação mais saudável e pela diminuição dos impactos ambientais causados pelo consumo tem se mostrado em números. De acordo com o relatório Vida Saudável e Sustentável, realizado pelo Instituto Akatu e GlobeScan em 2020, 68% dos brasileiros pesquisaram sobre uma dieta mais sustentável. Esse comportamento, muito impulsionado também pela pandemia do coronavírus e preocupação com a saúde, elevou a popularidade dos alimentos feitos à base de plantas.

Atualmente, o Brasil registra mais de 30 milhões de pessoas que se identificam como vegetarianas – número duas vezes maior quando comparado ao de 2012. O perfil alimentar daqueles conhecidos como “flexitarianos” ou “reducetarianos”, ou seja, que estão reduzindo o consumo de carnes e dando prioridade a alimentos à base de vegetais, também cresceu significativamente e hoje representa 30% da população brasileira. Uma pesquisa do Inteligência em Pesquisa e Consultoria (Ipec), realizada em 2021, mostrou que 46% dos brasileiros já deixam de comer carne, por vontade própria, pelo menos uma vez na semana.

Os motivos são vários. “Uma dieta à base de vegetais está relacionada com riscos reduzidos de diversas doenças, como cardiovasculares, diabetes do tipo 2, hipertensão, alguns tipos de câncer e obesidade”, explica Bruna Nascimento, nutricionista e especialista sênior em políticas alimentares no programa Alimentação Consciente Brasil.

Dieta 100% vegetal tem crescido mundialmente e os benefícios vão da saúde a um planeta mais sustentável

Alimentos à base de plantas ganham espaço no prato dos brasileiros

publicado originalmente em Veja saúde

Pode faltar energia solar no Brasil? Crise global de suprimentos é ameaça

O Brasil passou pelo seu pior período de chuvas em 2021, levando o país a enfrentar a crise hídrica mais intensa em nove décadas. A diminuição do nível dos reservatórios das hidrelétricas, que corresponde por 70% da matriz energética brasileira, impactou o setor de geração de energia. Em meio à escassez da oferta e ao encarecimento do serviço, vem crescendo a procura por energia solar, mas esse sistema também está em perigo. Empresas do setor alertam que a crise global de suprimentos já chegou aos equipamentos usados para a geração de energia solar. Se as cadeias de produção não voltarem ao equilíbrio no próximo ano, tudo indica que pode causar até a faltar dessa fonte de energia. Os projetos em andamento não serão concluídos e novos não poderão sequer ser iniciados.

As fabricantes desses equipamentos enfrentam um desabastecimento de painéis fotovoltaicos. O mercado brasileiro é atendido majoritariamente pela China — tanto pela indústria local, quanto pelas empresas europeias e americanas de painéis que estão baseadas no país asiático, aproveitando um momento em que os chineses passaram a assumir um forte comprometimento com as questões ambientais, reduzindo a produção de suas fábricas abastecidas a carvão. Como consequência, os principais fabricantes do país têm retido grande parte da produção de painéis para o mercado interno para auxiliar a transição energética que acontece por lá.

O problema adiciona mais um sobrecarga sobre os desequilíbrios na oferta e demanda causados pela pandemia, que vem gerando imensos gargalos na produção e na logística, com portos abarrotados e aumento de 30 a 40 dias para o transporte da mercadoria. O cenário tem gerado desabastecimento em diversos setores, inclusive na indústria de energia solar. “Um dos pontos chaves de sucesso desse mercado é ter a cadeia de suprimentos bem estruturada e planejada, mas atualmente a dificuldade é ter isso sob controle”, diz Alexandre Sathler, gestor de planejamento estratégico e inteligência de mercado da Cordeiro Soluções em Energia.

Adicionado a isso, a indústria também tem enfrentado outro desafio: a escassez do silício, principal matéria-prima para a fabricação dos painéis, que já fez aumentar em 20% o preço da energia solar.  “O mercado passa por vários desafios, que estão na oferta”, diz Sathler.

Indústria está à beira de um colapso com desequilíbrios na oferta, aliados à alta demanda requerida pela transição energética

Pode faltar energia solar no Brasil? Crise global de suprimentos é ameaça

publicado originalmente em Veja