Como o FBI usa árvores genealógicas para prender criminosos

Por Maria Clara Rossini

Sacramento, capital da califórnia. Entre 1976 e 1979, os moradores dessa cidade se sentiam dentro de um filme de terror. Agindo sozinho, um criminoso invadia casas (geralmente, de mulheres) durante a noite. Violentava e roubava as moradoras. Quando havia um casal, para garantir que o marido não reagiria, ele deixava o homem de bruços na cama e amarrava uma pilha de pratos às suas costas. Então ameaçava: a qualquer barulho de louça, mataria os dois. Na imprensa, o bandido ficou conhecido como o Estuprador da Área Leste.

Logo no início dos anos 1980, o sul do estado viveu outro pesadelo: um facínora apelidado de Perseguidor Noturno matou pelo menos nove pessoas em um período de dois anos. Assim como o Estuprador da Área Leste, ele estudava as casas antes de invadi-las e quase não deixava pistas.

A polícia só identificou o Golden State Killer em 2018 – após mais de 40 anos de investigação.

Hoje sabemos que os dois eram a mesma pessoa:  Joseph DeAngelo, que aí acabaria ganhando um outro apelido, Golden State Killer (o Assassino da Califórnia – “Estado Dourado” é a alcunha da região). Seu último crime foi cometido em 1986. Coincidentemente, o ano em que o primeiro caso policial foi resolvido usando amostras de DNA, no Reino Unido. E esse poderia ser o caminho: DeAngelo usava luvas para não deixar digitais na cena do crime, porém não tomava tanto cuidado com seu esperma, que foi bem preservado em laboratório.

Mas a polícia só identificou o assassino em 2018, após mais de 40 anos de investigação.  Ele era ex-policial e sabia como acobertar pistas. Seu DNA não batia com nenhum dos perfis armazenados na base de dados genéticos de criminosos dos Estados Unidos. O FBI, então, recorreu à genealogista Barbara Rae-Venter.

Ela já usava genética e genealogia para encontrar os pais biológicos de pessoas adotadas, mas resolver crimes era algo novo. Rae-Venter usou a mesma metodologia com a qual estava acostumada: fez o upload dos dados genéticos do Golden State Killer em uma plataforma aberta chamada GEDmatch, que compara trechos de DNA de diferentes pessoas.

Esse tipo de plataforma existe por causa dos testes de ancestralidade. É o serviço prestado por empresas como a AncestryDNA, a 23andMe, e a brasileira meuDNA. Pessoas comuns mandam amostras de saliva com seu material genético, e então essas companhias comparam o DNA delas com a de outros clientes que fizeram a mesma coisa. E voilà: você pode descobrir que a maior parte dos seus genes veio do sul da África; e eventualmente se há um neto bastardo do seu bisavô vivendo no Canadá.   

Cada empresa tem seu banco de dados privado. Já o GEDmatch é uma espécie de “metasserviço”: clientes que fizeram seus testes pela 23andMe, por exemplo, podem baixar seus dados (em Excel) e fazer o upload lá. Outra pessoa, que testou pela AncestryDNA, faz a mesma coisa. O GEDmatch cruza esses dados e, eventualmente, ambas podem descobrir que são primas em terceiro grau (ou seja: que têm um tataravô em comum).

Um assassinato que o FBI investigava havia 30 anos foi resolvido em duas horas. O segredo: montar a árvore genealógica do criminoso usando o DNA de primos que ele nem conhecia. Entenda como a busca por parentes está revolucionando a resolução de crimes.

Como o FBI usa árvores genealógicas para prender criminosos

publicado originalmente em superinteressante

E se a Revolução Russa não tivesse acontecido?

Por Rafael Battaglia

Em novembro de 1917, aconteceu algo que nem Karl Marx imaginaria: o país mais extenso do mundo (e o terceiro maior em população) passaria a ser administrado por seguidores radicais seus.

Literalmente não imaginaria: a previsão de Marx era a de que as revoluções socialistas começariam justamente nos lugares onde o capitalismo era mais avançado – e que seria liderada por operários, não por intelectuais de um partido político, caso de Lenin e Trotski liderando o Partido Social Democrático Trabalhista Russo (Bolchevique).

Sem a Revolução Russa, nada seria igual, pois não teria havido a Guerra Fria. Sem ela, não haveria internet, porque ela é fruto de um esforço dos militares americanos de criar uma rede capaz de resistir a uma guerra nuclear: a Arpanet. E a exploração espacial talvez estivesse engatinhando ainda, já que ela começou de carona em mísseis intercontinentais.

Também não haveria Chernobyl, a Grande Fome na Ucrânia em 1932, os 20 milhões de mortos no regime de Stalin. Por aqui, não teria Estado Novo ou ditadura militar, nascidos do medo de uma revolução comunista.

Enfim, a Revolução Russa é um evento tão definidor da história que é fácil estender indefinidamente a parte do “não haveria”. Mas o que haveria?

Revolução haveria. Porque o que os revolucionários bolcheviques liderados por Lenin fizeram foi uma revolução dentro de uma revolução.

Em fevereiro de 1917, uma revolta maciça de civis e militares, insatisfeitos com as derrotas da Rússia na Primeira Guerra e a penúria causada por ela, na forma de racionamento de pão, tomou as ruas da capital Petrogrado (hoje São Petersburgo). O czar se viu forçado a abdicar, e os revolucionários declararam a Rússia uma república.

O governo foi formado por uma aliança entre socialistas moderados (Lenin se recusou a participar, pois de moderado não tinha nada). Assumiu como líder provisório o advogado Alexander Kerensky, do Partido Revolucionário Socialista – apesar do nome, uma agremiação não-marxista, que pretendia criar uma democracia liberal.

Kerensky, porém, não atendeu à maior demanda de todas, que era acabar com a guerra. Mais derrotas e mais penúrias se acumularam. Seu governo se revelaria impopular.

Em julho de 1917, uma revolta armada explodiu em Petrogrado. O partido de Lenin foi acusado de causar a violência – na prática, tinha sido uma explosão espontânea de revolta contra a participação desastrosa da Rússia na Guerra. Como resultado, vários líderes do partido foram presos, e Lenin escapou para a Finlândia.

Nesse ponto, os bolcheviques pareciam destinados a entrar para a história como revolucionários frustrados, como na Comuna de Paris de 1871. Até a estupidez de seus adversários mudar sua sorte.

Guerra Fria, Chernobyl, Estado Novo, internet. É fácil listar o que não haveria na ausência de um dos eventos definidores do século 20. Mas o que haveria?

E se a Revolução Russa não tivesse acontecido?

publicado originalmente em superinteressante

Assista a “BERINJELA SEQUINHA E CROCANTE SÓ FAÇO ASSIM!! EM MINUTINHOS TA PRONTA!!” no YouTube

Que tal um acompanhamento saboroso para as refeições?

Bete com carinho aqui!

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Grande Mestra…por Mágica Mistura

“Ah, a vida …essa linda! Por vezes amiga fiel e solícita, noutras, uma madrasta de contos de fadas. Em todas as circunstâncias um mestra compenetrada e excelente, sempre justa em suas lições. Quero mais é aproveitar cada aula com muita atenção … Gratidão pela oportunidade de poder experimentar e evoluir!”

Mágica Mistura

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Mágicas Imagens ✨✨

Camboriú SC Brasil

Tempo …por Paulo Coelho

“De que me adianta temer o que já aconteceu?
O tempo do medo já aconteceu, agora, começa o tempo da esperança.”

✨Paulo Coelho

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Quando a dúvida se apresenta…

A querida Monja nos presenteia com suas palavras doces .

Monja Coen aqui!

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Escolhas…por Mágica Mistura

Amanheceu o dia

Sol nasceu…

Céu limpo ou nublado

Lá está ele… soberano

Mantendo a vida na Terra

Aquecendo os corpos,o chão,as águas

Fazendo brotar a tímida planta

Florescendo a rosa

Madurando a manga

Nossa escolha pode ser esta

“Ser o Sol”

Iluminar,dar vida

Aquecer o dia

Encher de luz tudo em volta

Deixar nossa marca

Nossa existência germinada,florida

Com frutos na Terra

Brilhar com esperança…

O que você acha?!

Façamos nossa escolha.

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Dispositivos para arritmia cardíaca podem ser monitorados via smartphone

Cerca de 20 milhões de brasileiros vivem com arritmias cardíacas, problema que leva à morte súbita mais de 320 mil de pessoas por ano, segundo dados da Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas (SOBRAC).  Mas, hoje, existem tecnologias que podem prevenir ou até mesmo reverter essa condição.

De acordo com o cardiologista Eduardo Saad, que, atualmente, é coordenador do setor de Arritmia Cardíaca do Hospital Pró-Cardíaco, a arritmia cardíaca é quando o coração sai da batida ou do ritmo normal, seja de forma mais lenta ou de forma mais acelerada. “Há vários subtipos de arritmias dentro dos dois tipos principais, que são as bradiarritmias, quando o coração bate mais lento do que o normal, e as taquicardias, quando o coração bate mais rapidamente do que deveria”, explica.

As arritmias podem ser ocasionadas pela idade, por hábitos da vida moderna, como estresse e privação de sono, além de fatores como alimentação, consumo de álcool, e terem origem genética, inclusive. Elas podem causar sintomas leves, como palpitações, sensação de coração acelerado e cansaço excessivo; sintomas mais graves, como desmaios, dores fortes no peito e tonturas e, até mesmo, Acidente Vascular Cerebral (AVC) e morte súbita. “A arritmia pode ser passageira e não causar nenhum tipo de risco e sintoma ao paciente. Outras formas da condição, no entanto, podem oferecer riscos muito graves, mesmo que a pessoa não sinta nada.”

Dispositivos conectados

É justamente por conta dos riscos apresentados e da possibilidade de atuar de forma silenciosa que as arritmias precisam ser investigadas continuamente por meio de exames. Sendo detectada a condição, é preciso entender de qual tipo ela é e qual é o melhor tratamento para combatê-la. 

Hoje, médicos e pacientes podem contar com dispositivos tecnológicos e conectados para lidar com a doença. Os dispositivos Neutrino™, trazidos pela Abbott — empresa líder global de cuidados para a saúde — ao Brasil, funcionam de duas formas: sincronizando os batimentos das câmaras cardíacas, restaurando o padrão natural de batimentos e, até mesmo, exercendo a função de um desfibrilador. “Ou seja, se o paciente tiver uma arritmia muito rápida a ponto de causar perda da contração no coração, o aparelho emite um choque interno capaz de reverter o quadro, salvando a pessoa de uma arritmia súbita”, ressalta Saad.

Tecnologias da Abbott têm a função de tratamento e diagnóstico e permitem acompanhamento remoto via aplicativo

Dispositivos para arritmia cardíaca podem ser monitorados via smartphone

publicado originalmente em Veja saúde

O laboratório mais seguro (e perigoso?) do mundo

Por Bruno Garattoni

Havia 16 patógenos na lista, escritos em garranchos espalhados pela página. Ao lado de cada um deles estava o período de incubação, o meio de transmissão e a mortalidade esperada. A peste pneumônica, que acontece quando a bactéria Y. pestis infecta os pulmões, estava no topo. Se não for tratada, é letal em 100% dos casos. Abaixo havia alguns nomes de epidemias do passado, como cólera e antraz. Mas o que surpreendeu o general Richard B. Myers foi outra coisa: a maioria dos itens da lista não afetava humanos. Ferrugem do trigo, brusone do arroz, febre aftosa, peste suína. Eram armas biológicas para atacar o sistema global de produção de alimentos.

Myers era o diretor do Joint Chiefs of Staff, o conselho militar mais poderoso dos EUA, quando marines encontraram essa lista num complexo de cavernas no Afeganistão, em 2002. Naquele mesmo ano, outra fonte de inteligência reportou a presença de membros da Al Qaeda no norte do Iraque, onde estavam testando vários patógenos em cães e bodes. “Que eu saiba, eles nunca obtiveram a capacidade de usar [armas biológicas] num contexto de batalha”, afirma Myers. “Eu acho que existem informações, provavelmente confidenciais, que mostrariam a você que não é o caso – mas eu não tenho conhecimento delas, ou não posso falar sobre elas.”

Mas, mesmo se a Al Qaeda tiver desistido, outros grupos parecem ter pegado o bastão do bioterrorismo. Em 2014, um velho laptop Dell encontrado num esconderijo do ISIS no norte da Síria – o “laptop do apocalipse”, como foi apelidado pela imprensa americana – continha instruções detalhadas de como produzir e espalhar peste bubônica por meio de animais contaminados.

O NBAF irá estudar medidas contra ataques bioterroristas – como os planejados pela Al Qaeda.

Para um aspirante a bioterrorista, diz Myers, as fazendas são um “alvo fácil”. Elas têm pouca segurança, e não é especialmente difícil produzir e espalhar patógenos eficazes. A febre aftosa, que tem esse nome porque causa grandes aftas (bolhas) nas línguas, bocas e patas de bois, vacas, porcos e outros animais, é tão contagiosa que a descoberta de um único caso geralmente requer o sacrifício de rebanhos inteiros para evitar que a doença se espalhe.

O setor agrícola também é altamente concentrado: três estados fornecem 75% de todos os legumes e verduras dos EUA, e 2% dos rebanhos bovinos produzem 75% da carne. E, acima de tudo, tanto as plantas quanto os animais são geneticamente uniformes (nos EUA, 25% de todo o gado Holstein descende de apenas cinco touros – sendo que apenas um deles, o Arlinda Chief, é o pai de quase 14%). As plantações e os rebanhos são monoculturas, extremamente vulneráveis a doenças. Um prato cheio para pestes e patógenos. Com ou sem a ação de terroristas, o mundo está tão sujeito a uma pandemia agrícola quanto à Covid-19 – e possivelmente menos preparado para enfrentá-la.

Ele está sendo construído no coração agrícola dos EUA para estudar vírus exóticos, altamente contagiosos e incuráveis. Pode evitar o surgimento de uma pandemia capaz de devastar a produção de alimentos. Ou se tornar a origem dela.

O laboratório mais seguro (e perigoso?) do mundo

publicado originalmente em superinteressante