Aranhas realizam ataques coordenados para capturar presas

A maioria das aranhas tem uma vida solitária. Apenas vinte das cerca de 50 mil espécies conhecidas vivem em colônias e adotam comportamentos baseados na cooperação – desde dividir teias até cuidar de filhotes uns dos outros. Há, porém, uma atividade ainda mais rara entre os aracnídeos: a caça em bando.

É o caso da espécie Anelosimus eximius – pequenas aranhas vermelhas, nativas da América Central e do Sul. Elas vivem em colônias de até milhares de indivíduos e trabalham juntas para construir teias gigantes que se estendem por vários metros. 

Quando um inseto (como uma mariposa ou um gafanhoto) fica enroscado na teia, a colônia começa um ataque sincronizado: as aranhas movem-se em direção à presa, ao mesmo tempo, parando a corrida algumas vezes para garantir que todas cheguem juntas ao destino. (Você pode observar o comportamento neste vídeo.)

Assim, as aranhas são capazes de capturar presas que são até 700 vezes mais pesadas do que elas mesmas – uma refeição melhor do que a que poderia ser obtida em um ataque solo. Mas ainda não estava claro como os indivíduos da espécie combinam seus movimentos.

Para entender o comportamento de caça, uma equipe de cientistas liderada por Raphaël Jeanson, da Universidade de Toulouse (França), estudou duas pequenas colônias de Anelosimus eximius na Guiana Francesa – com uma média de 25 aranhas.

Aranhas sociais da espécie “Anelosimus eximius” constroem teias que se estendem por vários metros.

Parte do trabalho foi observar os movimentos dos animais. Para isso, os cientistas atraíram as aranhas colocando uma isca em suas teias – uma mosca morta presa a um pequeno motor. A partir dele, a equipe podia controlar o padrão e a intensidade de vibração da isca na teia, simulando os movimentos de uma presa.

Depois de fazer os experimentos e gravar o comportamento das aranhas, os cientistas recorreram a simulações feitas em computador – que puderam criar mais cenários de caça do que aqueles capturados só pela observação.

Os resultados do estudo, publicados no periódico Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), mostraram que as aranhas coordenam seus movimentos de ataque a partir das vibrações que elas mesmas causam na teia – não só das vibrações causadas pela presa.

À medida que as aranhas sentem a vibração causada por um inseto que se enroscou na teia, elas começam a correr em sua direção. Mas, como os passos delas também causam vibrações, gera-se um ruído que pode atrapalhar na detecção da presa. Por isso, elas fazem pausas.

Jeanson compara o comportamento com uma situação que nós conhecemos bem: quando há muitas pessoas conversando em uma sala, e um telefone começa a tocar. Para encontrar a fonte do barulho, todos precisam fazer silêncio. Algo semelhante acontece entre as aranhas, que precisam parar de correr (e balançar a teia) para localizar a presa.

E, dependendo de seu tamanho, a presa cria vibrações diferentes na teia. Um inseto maior, por exemplo, faz a teia vibrar com mais intensidade. Nesse caso, as aranhas precisam fazer menos pausas, pois o ruído de seus passos não atrapalha tanto o ataque.

Elas param e retomam a corrida à presa simultaneamente, e não há um indivíduo líder que coordene os movimentos: como um efeito bola de neve, quando uma aranha se move, as outras se movem junto.

Esse ataque coordenado pode levar um tempo, mas, segundo as descobertas dos cientistas, aumenta a capacidade das aranhas de detectar presas e otimiza seu desempenho de caça.

Estudo mostrou que insetos da espécie Anelosimus eximius coordenam os movimentos a partir de vibrações em suas teias. Entenda.

Aranhas realizam ataques coordenados para capturar presas

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Pedras de Stonehenge podem ter sido parte de um calendário, diz estudo

Um dos mistérios acerca de Stonehenge, construído há cerca de 4,5 mil anos onde hoje é a Inglaterra, é sua finalidade. Pesquisadores supõem que a estrutura circular de blocos gigantes de arenito (os sarsens) serviria para cultos e rituais; outra teoria é de que o monumento seria um calendário solar.

Mas não estava claro como esse calendário poderia funcionar. Agora, Timothy Darvill, professor de arqueologia da Universidade de Bournemouth (Inglaterra), analisou a disposição das pedras de Stonehenge e propôs uma solução em estudo publicado no periódico Antiquity.

O pesquisador explica que os sarsens de Stonehenge estão dispostos de três maneiras. Trinta deles formam o círculo principal do monumento. No centro, há cinco estruturas chamadas “trílitos”, organizadas em formato de “U”. São compostos por duas pedras posicionadas na vertical que sustentam uma terceira, na horizontal, em seu topo.

A hipótese de Darvill é que as trinta pedras principais representem, cada uma, um dia dentro de um mês – que seria composto por três semanas de dez dias. Sarsens diferentes, que se destacam no círculo, marcariam o início de cada semana.

Os cinco trílitos, por sua vez, representariam um mês intercalar de cinco dias – possivelmente dedicados a divindades locais. Some doze meses de trinta dias ao mês intercalar: eis os 365 dias de um ano. 

Esquema da representação dos anos segundo a posição das pedras de Stonehenge.

Ainda assim, o calendário precisaria de ajustes para obedecer ao tempo que a Terra demora para dar uma volta completa em torno do Sol – aproximadamente 365,25 dias. No calendário gregoriano, por exemplo, resolvemos o problema adicionando um dia em fevereiro a cada quatro anos.

Os usuários do “calendário Stonehenge” também consideravam anos bissextos, segundo a proposta do novo estudo. Eles fariam isso a partir de quatro pedras localizadas fora do círculo, que ajudariam na contagem dos anos até a chegada daquele que deveria ter um dia a mais.

Ainda haveria um truque para evitar erros na contagem dos dias. Os solstícios de verão e inverno seriam indicados pelo mesmo par de pedras todos os anos, e um dos trilitos também enquadraria o solstício de inverno (e possivelmente o ano novo). Esse alinhamento ajudaria a calibrar o calendário, porque erros de contagem seriam fáceis de se detectar e corrigir, segundo o pesquisador.

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Um calendário com um mês intercalar de cinco dias pode parecer estranho, mas sistemas assim foram desenvolvidos na região do Mediterrâneo oriental e adotados no antigo Egito, por exemplo, por volta de 2,7 mil a.C. No calendário egípcio, esses cinco dias homenageavam deuses, sendo muito significativos religiosamente.

Darvill acredita que a semelhança pode ser fruto de intercâmbios culturais, possivelmente revelados por pesquisas futuras a partir de DNA antigo ou artefatos arqueológicos. Entretanto, pesquisadores que não participaram do estudo afirmam que as pessoas que construíram Stonehenge poderiam ter desenvolvido o sistema por cona própria.

O monumento, construído há cerca de 4,5 mil anos, poderia representar meses com semanas de 10 dias e indicar anos bissextos.

Pedras de Stonehenge podem ter sido parte de um calendário, diz estudo

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Cães sofrem com luto quando outro cachorro morre

Não é só entre a espécie humana que a perda de alguém querido dá início a um processo de luto. Expressões de pesar já foram observadas entre grandes macacos, golfinhos, pássaros e elefantes – estes, por exemplo, se movem de maneira lenta e deprimida após a morte de um parente.

Entre os cães, mudanças de comportamento depois da morte de um companheiro canino já tinham sido percebidas por tutores, mas não haviam sido estudadas por cientistas. Até agora.

Para descobrir se cachorros também passam por algo semelhante ao luto, uma equipe de pesquisadores liderada por Federica Pirrone, especialista em comportamento animal da Universidade de Milão, consultou 426 voluntários que perderam um de seus cães enquanto outro permaneceu vivo. Eles foram entrevistados após responderem a um questionário online sobre o comportamento e as emoções de seus cães sobreviventes.

Pesquisa inédita investigou essa tristeza profunda entre cães. 86% dos animais tiveram mudanças de comportamento após a perda de um companheiro canino.

Cães sofrem com luto quando outro cachorro morre

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As estações de metrô de Kiev foram feitas para aguentar ataques militares

Por Rafael Battaglia

Em abril de 2021, quando as tensões na fronteira do leste da Ucrânia com a Rússia já se intensificavam, o governo de Kiev, capital do país, divulgou um mapa com quase 3 mil lugares que poderiam servir como abrigos antibomba, para o caso de um ataque. Das 52 estações de metrô da cidade, 47 estavam na lista.

Desde a última quinta (24), quando o exército russo começou a bombardear dezenas de cidades ucranianas, milhares de pessoas buscaram abrigo em estações de metrô. Além de Kiev, Kryvyi Rih, Dnipro e Kharkiv possuem sistemas metroviárias. Kharkiv, segunda maior cidade do país, com 1 milhão de habitantes (Kiev tem 2,9 milhões), teve um prédio do governo atingido por um míssil cruzeiro nesta terça-feira (1). Ao menos dez pessoas morreram e 35 ficaram feridas.

O metrô ucraniano é profundo. Em Dnipro, todas as seis estações estão a 70 metros debaixo da terra. Em Kiev, a estação Arsenalna, próxima ao centro da cidade e do rio Dniepre, é a mais profunda do mundo, com 105,5 m de profundidade.

Em comparação, as estações Pinheiros e Paulista da Linha Amarela do metrô de São Paulo têm 30 m e 40 m de profundidade, respectivamente. Nem a futura estação Higienópolis-Mackenzie da Linha Laranja, que será a mais profunda da América Latina, com 69 m, chegará perto.

Não é por acaso. O regime soviético construiu 770 estações em 19 cidades espalhadas pelo bloco comunista, e quase todas compartilham as mesmas características. São profundas e equipadas com exaustores e medidores de radiação (se uma guerra nuclear começasse, elas serviriam de abrigo). São também suntuosas e com uma arquitetura imponente – não ficam devendo para nenhum museu ou hotel de luxo. Vamos entender por quê.

Usadas como refúgio ante aos ataques russos, elas são profundas e suntuosas – assim como quase todas as estações construídas durante o regime soviético. Entenda.

As estações de metrô de Kiev foram feitas para aguentar ataques militares

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Asteroide extinguiu os dinossauros na primavera do Hemisfério Norte

Há 66 milhões de anos, o impacto de um asteroide na península de Yucatán, no México, varreu os dinossauros da face da Terra – e três quartos de todas as espécies que existiam por aqui. Mas o evento pode ter sido especialmente catastrófico para animais do Hemisfério Norte. Eles morreram assistindo ao desabrochar das flores, na primavera.

A hipótese é de uma equipe internacional de cientistas que analisou fósseis de peixes mortos no momento do impacto e encontrou indícios de que ele aconteceu durante a primavera boreal. As descobertas foram publicadas na revista Nature.

Os fósseis estudados, de peixes-espátula e esturjões, foram encontrados no sítio fossilífero Tanis, localizado no estado norte-americano da Dakota do Norte, na formação geológica de Hell Creek. Tanis é um lugar importante para a paleontologia, pois reúne vítimas diretas do impacto e mostra como o evento afetou a vida no planeta.

Acredita-se que a colisão gerou um tsunami que misturou e soterrou todas as criaturas que viviam por lá – que morreram em menos de uma hora. Os fósseis encontrados em Tanis são bem preservados, e os peixes ainda guardam, em suas guelras, pequenas esferas de vidro originárias da rocha espacial que caíram do céu após o impacto.

Fóssil de peixe-espátula encontrado no sítio de Tanis (Estados Unidos) e analisado no estudo.

Os cientistas estudaram os ossos dos peixes a fim de identificar ciclos sazonais de crescimento (mais ou menos como acontece com anéis de troncos de árvores), além de rastrear mudanças anuais na densidade e no volume das células ósseas.

O prato favorito dos peixes era zooplâncton. A abundância desses seres microscópicos varia de acordo com a estação do ano. Pensando nisso, os pesquisadores estudaram mudanças nos isótopos de carbono de um dos peixes. Esses isótopos revelam o padrão de alimentação dos peixes – e logo, a abundância de zooplâncton no ambiente.

Segundo os pesquisadores, todas as variações sazonais estudadas indicam que os peixes morreram na primavera, antes da estação de alimentação chegar ao clímax.

Isso significa que o impacto do asteroide teria acontecido em estágios de vida sensíveis dos organismos do Hemisfério Norte: o início dos ciclos reprodutivos. Isso pode ter contribuído para taxas de extinção maiores entre esses animais.

O estudo indica que, por outro lado, o evento teria sido menos catastrófico para animais do Hemisfério Sul, que se preparavam para o inverno. Isso porque, segundo a teoria principal sobre o evento de extinção, após a intensa onda de calor desencadeada pelo impacto do asteroide, uma grande nuvem de detritos bloqueou parte da luz solar e deixou o planeta na escuridão.

“Para ser capaz de combater aquele inverno nuclear, primeiro você tinha que sobreviver ao impacto”, afirma a pesquisadora Melanie During, autora principal do estudo, ao jornal The Guardian. “Qualquer coisa no Hemisfério Sul que já estivesse abrigado tinha uma chance muito maior de sobreviver.”

“Esta descoberta crucial ajudará a descobrir por que a maioria dos dinossauros morreu, enquanto as aves e os primeiros mamíferos conseguiram escapar da extinção”, afirma em comunicado.

E mais: isso pode ter dado uma vantagem para os animais no Hemisfério Sul. Entenda.

Asteroide extinguiu os dinossauros na primavera do Hemisfério Norte

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4 mapas que ajudam a entender o que está acontecendo na Ucrânia

Por Rafael Battaglia

Na madrugada desta quinta-feira (24), o presidente da Rússia, Vladimir Putin, anunciou em um discurso de TV que daria início a uma operação militar na Ucrânia. Nas horas seguintes, foram registradas explosões não só nas áreas separatistas, mas também na capital do país, Kiev, e na segunda maior cidade ucraniana, Kharkiv.

Comboios russos invadiram a Ucrânia de todas as direções. Um deles entrou via Belarus (aliada da Rússia) ao norte; outro veio pelo sul, via Crimeia (península ucraniana anexada pela Rússia em 2014). O aeroporto de Kiev foi bombardeado e, logo depois, o governou fechou o espaço aéreo do país para voos civis:

Voos civis foram impedidos de passar pelo espaço aéreo ucraniano. Na imagem, “KBP” é a sigla do Aeroporto Internacional de Kiev.

Com os ataques, o pânico tomou conta do país. Enquanto há congestionamento para fugir de Kiev, outras pessoas buscam abrigo em estações de metrô. Há longas filas também em supermercados, postos de gasolina e bancos, para o saque de dinheiro em espécie.

A Ucrânia é um país de 44 milhões de habitantes não muito maior que Minas Gerais. Fértil, é um dos maiores exportadores de grãos do mundo (é o 3º de trigo; de milho, o 4°). A quarta maior colônia de ucranianos e descendentes vive aqui no Brasil (são 600 mil pessoas; a maioria no Paraná).

Mas, afinal: o que explica o conflito separatista que se estende por lá há oito anos – e que já matou 14 mil pessoas? Quais os  motivos por trás da intervenção da Rússia, que apoia rebeldes separatistas, deslocou 150 mil soldados para a fronteira com a Ucrânia e iniciou a invasão ao país?

Os mapas a seguir fornecem informações para compreender melhor toda essa situação. Há detalhes na formação de ambos os países, da língua às alianças militares, que ajudam a entender a conturbada relação entre eles. Confira:

Mil anos de história

Rússia e Ucrânia compartilham o mesmo berço: Kievan Rus, o primeiro estado eslavo. “Rus” (que depois seria usado para batizar “Rússia” e “Belarus”, outra nação descendente daí) era o nome do povo, essencialmente formado por comerciantes que saíram do Mar Báltico, na Escandinávia, atravessaram as florestas da Europa Oriental e se fixaram nas terras férteis da atual Ucrânia. Kiev, capital do estado, foi estabelecida no século 9.

Em 988, o grão-príncipe de Kiev, Vladimir I, escolheu o cristianismo ortodoxo como a religião oficial do estado e foi batizado na cidade de Quersoneso, na península da Crimeia.

O ato de Vladimir é considerado até hoje como um marco religioso tanto pela Ucrânia quanto pela Rússia, onde 67% e 71% da população, respectivamente, é cristã ortodoxa ( Putin já mencionou o batismo do príncipe para defender que “russos e ucranianos são um único povo”).

Nos séculos seguintes, Kievan Rus foi alvo de sucessivas invasões: mongóis (séc. 13), poloneses e lituanos (séc. 16) e russos (séc. 17). Em 1793, o Império Russo conseguiu anexar a parte ocidental da Ucrânia. Foi quando começou o processo de russificação, uma política que proibiu o idioma ucraniano e forçava as pessoas a se converter para a fé ortodoxa russa.

O país sofre com conflitos separatistas desde 2014 e, nesta quinta-feira (24), foi invadido pela Rússia. Entenda as raízes desse conflito. Continua no link abaixo:

4 mapas que ajudam a entender o que está acontecendo na Ucrânia

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Fóssil do maior pterossauro jurássico é encontrado na Escócia

Cientistas descobriram o fóssil do maior pterossauro do período Jurássico de que se tem registro até o momento. Ele foi encontrado durante uma escavação na Ilha de Skye, na Escócia. O animal viveu há 170 milhões de anos e tinha envergadura de aproximadamente 2,5 metros.

O fóssil foi descrito em estudo publicado na revista Current Biology, recebeu o nome Dearc sgiathanach (“réptil alado”, em gaélico) e revela informações importantes sobre a evolução desses animais. 

Acreditava-se que, antes de se tornarem monstros gigantes, os pterossauros tinham um tamanho reduzido – cerca de 1,6 metro de envergadura. Eles teriam permanecido pequenos nos períodos Triássico e Jurássico, até evoluírem para um tamanho maior no período Cretáceo – talvez impulsionados pela competição com as aves.

Mas o recém descoberto Dearc desafia essa hipótese. “[Ele] nos diz que os pterossauros ficaram maiores muito antes do que pensávamos, e isso é extremamente significativo”, afirma Steve Brusatte, professor da Universidade de Edimburgo (Escócia), em comunicado.

Representação artística do Dearc sgiathanach.

O fóssil também surpreendeu os cientistas por outros motivos. Pterossauros tinham ossos ocos e com paredes ósseas finas. Então, eram leves e adaptados para o voo, mas frágeis para se preservar por milhões de anos. Por sorte, Dearc está muito bem preservado.

“Cerca de 160 milhões de anos depois de sua morte, [o esqueleto] permanece em condições quase intocadas, articulado e quase completo”, afirma Natalia Jagielska, autora principal do estudo, em comunicado.

Confira a reconstrução do esqueleto na imagem abaixo, compartilhada por Steve Brusatte, que também é autor sênior do estudo. Apenas os ossos em azul não estão presentes no fóssil encontrado.

O animal viveu há 170 milhões de anos e tinha envergadura de aproximadamente 2,5 metros. Seu fóssil revela informações importantes sobre a evolução dos pterossauros. 

Fóssil do maior pterossauro jurássico é encontrado na Escócia

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A vida secreta de Stan Lee

Texto Rafael Battaglia | Edição Alexandre Versignassi | Design Natalia Sayuri Lara | Ilustração Thobias Daneluz

Stanley Martin Lieber nasceu em 28 de dezembro de 1922, em Nova York. Era filho de Jack e Celia, imigrantes judeus que fugiram de uma Romênia assolada pela crise econômica e por uma onda de antissemitismo.

Consumidor voraz de qualquer tipo de mídia – tiras de jornal, programas de rádio, cinema… –, Stanley ganhou, como um dos primeiros presentes de sua mãe, um suporte de livros, para que pudesse ler enquanto comia. E na escola, participando de concursos de redação, descobriu o gosto pela escrita.

A família vivia com o orçamento apertado – o pai custava a conseguir empregos estáveis nos EUA da Grande Depressão dos anos 1930. Stanley, então, fazia todo tipo de bico: foi entregador de sanduíches, lanterninha de cinema e, mais em linha com seu talento, redator de obituários antecipados de celebridades.

Naquele começo do século 20, quadrinhos ainda eram vistos como uma arte de quinta categoria. O jogo só virou em 1938 com a HQ Action Comics 1 – a estreia do Superman. Essa revista mensal da National Allied Publications (futura DC Comics) inaugurou o gênero de super-heróis, alcançou milhões em vendas e virou o mercado de cabeça para baixo.

Foi nesse cenário efervescente que Stan, ainda moleque, começou a trabalhar com quadrinhos. Mas sua entrada do ramo não foi exatamente por mérito. Foi nepotismo mesmo. Martin Goodman, chefão da Timely Comics (futura Marvel), era casado com uma de suas primas e deu um emprego ao garoto.

Goodman estava longe de ser um visionário. Empresário do ramo de distribuição de revistas, criava empresas de fachada para fugir de impostos e prezava pela quantidade, e não qualidade, dos seus produtos – se algo estava fazendo sucesso, bastava copiar. Com os super-heróis, não foi diferente. Em 1939, a Timely lançou a HQ Marvel Comics 1 com os primeiros heróis da casa, Namor e Tocha-Humana, e contratou quadrinistas para desenvolver histórias para a editora. Dentre eles, Jack Kirby e Joe Simon, que criaram o Capitão América, em 1940.

O primeiro cargo de Stan por lá foi como assistente de Joe Simon. Ele fazia entregas, apagava traços de lápis em artes finalizadas, pegava café. Quando as tarefas acabavam, ficava tocando flauta doce no escritório. A virada veio num dia qualquer de 1941. Simon, sobrecarregado, passou a Stan a tarefa de escrever uma história curta para o Capitão América. E ele arrebentou. Lee teve a ideia de o Capitão usar seu escudo como bumerangue (algo que desafia as leis da física, mas que virou a marca do herói). Na hora de assinar, preferiu a versão contraída de seu nome: “Stan Lee”. E não parou mais de escrever.

Enquanto o jovem dava seus primeiros passos, Kirby e Simon estavam revoltados com Goodman: o chefe não tinha dado a eles a porcentagem de lucro prometida (25%) das vendas dos gibis do Capitão. Passaram, então, a trabalhar escondidos para a rival – a National.

Não tinha como dar certo: a dupla logo foi descoberta e demitida. Bom para Lee, que, com apenas 19 anos, assumiu como editor da HQ e passou os meses seguintes escrevendo diversas histórias para a Timely.

Em 1942, durante a Segunda Guerra Mundial, Stan serviu o Exército redigindo materiais educativos. Em 1945, voltou para Nova York com uma ideia surpreendente: sair do ramo de quadrinhos. Não foi um surto momentâneo, mas sim algo que o acompanharia por toda a vida. “O engraçado é que eu nunca fui um leitor de quadrinhos”, diria mais tarde, em 1999. “Eu só escrevia.”

O Método Marvel de fazer quadrinhos agilizava o trabalho de Lee, mas ocultava as funções de roteirista de Jack Kirby e outros ilustradores.

Nessa tentativa de virada profissional, Lee tentou começar um negócio de livros didáticos e fez trabalhos para rádios. Enquanto isso, passou a supervisionar cada vez mais os quadrinhos da Timely – e a escrever, de fato, cada vez menos. No final dos anos 1940, Goodman percebeu que valia mais a pena trabalhar com freelancers e mandou Stan demitir toda a redação.

Em 1947, o quadrinista conheceu a modelo inglesa Joan Clayton Boocock. Eles se apaixonaram e casaram poucos meses depois. Dessa união, em 1950, nasceu Joan Celia (ou, como ficou conhecida, JC). O nome foi uma homenagem à mãe de Stan, que morreu três anos antes. O casal teve ainda uma segunda filha, Jan, mas que não sobreviveu ao dia do parto.

Apesar das perdas, a família Lee teve uma vida estável nos anos 1950. Eles viviam numa casa espaçosa em Long Island, nos arredores de Nova York, e organizavam festas com frequência. Mas Stan seguia frustrado com o trabalho.

Ele revolucionou os quadrinhos e virou um ícone da criação de super-heróis. Mas também acumulou rixas por não dar crédito aos parceiros de criação. Conheça o lado B do símbolo-mor da Marvel, que faria 100 anos em 2022.

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Cientistas mudam tipo sanguíneo de pulmão para simulação de transplante

Em um projeto pioneiro realizado na University Health Network (Canadá), cientistas transformaram pulmões de doadores com tipo sanguíneo A em órgãos de tipo sanguíneo O. Os resultados foram publicados na revista Science Translational Medicine e são considerados um passo importante na criação de órgãos “universais” para transplantes.

Para que um transplante seja bem-sucedido (ou seja, o sistema imune do receptor não rejeite o órgão), é preciso que exista um match genético entre doador e receptor. À procura dessa compatibilidade, os cirurgiões observam o tipo sanguíneo de ambas as partes. 

A classificação mais importante para isso é o sistema ABO, que divide os tipos sanguíneos entre A, B, AB  e O. A diferença entre eles é a presença de proteínas específicas (antígenos A ou B) na superfície dos glóbulos vermelhos e de anticorpos anti-A ou anti-B no plasma sanguíneo.

Quem tem sangue tipo A, por exemplo, carrega o antígeno A e possui anticorpos contra o antígeno B (anti-B). Com quem tem sangue tipo B, é o contrário (a pessoa possui antígenos tipo B e anticorpos anti-A). Já quem tem sangue tipo O não apresenta antígenos A nem B, mas possui anticorpos contra os dois.

Pessoas do tipo sanguíneo O só podem receber sangue O. Em compensação, elas podem doar sangue para todo mundo sem problemas de compatibilidade – seu tipo sanguíneo é o chamado “doador universal”. Isso também vale, claro, para os transplantes. Por isso, alguns cientistas tentam criar órgãos “universais” tipo O.

“Ter órgãos universais significa que podemos eliminar a barreira de correspondência de sangue e priorizar pacientes por urgência médica, salvando mais vidas e desperdiçando menos órgãos”, afirma Marcelo Cypel, autor do novo estudo, em comunicado.

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Em 2018, pesquisadores da Universidade da Columbia Britânica (Canadá) encontraram um par de enzimas intestinais que poderiam remover antígenos A e B dos glóbulos vermelhos, transformando qualquer tipo sanguíneo no tipo O – um passo importante para as tentativas de criação de “órgãos universais”.

Segundo Stephen Withers, responsável pela descoberta, os cientistas estudam o uso de enzimas para modificar o sangue desde 1982. Ele mesmo já tinha desenvolvido enzimas capazes de fazer isso. “No entanto, essas novas enzimas [descobertas em 2018] podem fazer o trabalho 30 vezes melhor.”

Os pesquisadores do novo estudo resolveram testar essas enzimas em pulmões de tipo sanguíneo A – e que não eram considerados adequados para transplantes – em um sistema chamado EVLP (ex vivo lung perfusion).

As enzimas intestinais foram entregues aos pulmões a partir do sistema EVLP em laboratório.

Esse sistema bombeia nutrientes através dos órgãos e permite que sejam aquecidos à temperatura corporal antes de transplantes. No teste, a máquina foi usada para tratar os pulmões com as enzimas modificadoras de tipo sanguíneo.

Pulmões de tipo sanguíneo A foram convertidos em órgãos de tipo sanguíneo O – um passo importante na criação de órgãos “universais” para transplantes.

Cientistas mudam tipo sanguíneo de pulmão para simulação de transplante

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A evolução de Gotham City nas histórias do Batman

Por Rafael Battaglia

Etimologia

No inglês antigo, “Gotham” quer dizer “cidade das cabras” (“goat’s town”). Na Idade Média, o termo passou a significar também “cidade dos tolos”, talvez por associação ao animal. Em 1807, o escritor Washington Irving (A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça) usou a palavra para descrever Nova York; o apelido pegou e é usado até hoje.

Começo discreto

Batman estreou em 1939, mas Gotham só foi batizada em 1940. O roteirista Bill Finger tirou a ideia do anúncio em uma lista telefônica de uma certa “Joalheria Gotham”. No início, a cidade era um arremedo de Nova York, sem traços marcantes. As adaptações em live action dos anos 1940 e 1960, de baixo orçamento, também não ofereciam grandes detalhes.

Mais gótico, por favor

A partir dos anos 1970, as histórias do Batman ficaram mais sombrias– e Gotham tambéma. O ápice rolou em Batman (1989). Tim Burton e o diretor de arte Anton Burst queriam que ela fosse como “se o inferno tivesse emergido pelas ruas”. Eles se inspiraram nos desenhos do arquiteto Hugh Ferriss, especialista na releitura de temas góticos para ambientes urbanos. O filme levou o prêmio de Melhor Direção de Arte no Oscar de 1990.

Com Robert Pattinson, o novo Batman estreia dia 3 de março. Veja como a cidade do morcego já foi representada desde a criação do herói, em 1939.

A evolução de Gotham City nas histórias do Batman

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