Há 200 milhões de anos, um dinossauro do tamanho de uma galinha habitava o que conhecemos hoje como País de Gales. Apesar de parecer pouco ameaçador, o animal era carnívoro e estava no topo da cadeia alimentar. O Pendraig milnerae, como foi batizado, era um terópode típico, que andava sobre duas pernas como seus primos T. Rex e Velociraptor. A única diferença é que ele habitou a Terra bem antes de seus parentes.
Sua história começou no Período Triássico Superior (período que vai de 237 a 201 milhões de anos atrás). Ele foi descoberto por pesquisadores do Museu de História Natural de Londres, no Reino Unido. A descrição completa do réptil foi publicada nesta quarta-feira (6) na revista Royal Society Open Science.
Para começar a conhecê-lo, vale entender a história por trás de seu nome: Pendraig milnerae. Pendraig significa “dragão chefe” – uma referência à posição de predador diante dos outros animais na época em que viveu. Milnerae, por sua vez, é uma homenagem à paleontóloga Angela Milner, que faleceu em agosto deste ano e teve grande importância para a descrição da espécie.
Fósseis encontrados no País de Gales sugerem que o terópode passou por um processo evolutivo conhecido como nanismo insular. Entenda.
A Caatinga, que abrange todo o nordeste e parte de Minas Gerais, é o único bioma que ocorre exclusivamente no Brasil. Apesar de sua importância climática e riqueza endêmica, parte do território corre o risco de virar um deserto. Essa foi uma das conclusões de uma análise feita pelo MapBiomas.
Obtidos através de imagens de satélite da região entre os anos de 1985 e 2020, os dados mostram que 112 municípios da Caatinga (9%) classificados como Áreas Suscetíveis à Desertificação (ASD), com status “Grave” e “Muito Grave”, perderam 0,3 milhões de hectares de vegetação nativa — 3% de toda a vegetação nativa perdida no período.
Além disso, a superfície de água do bioma teve uma retração de 8,27%. Ou seja, a Caatinga está mais seca. O levantamento ainda mostra um decréscimo de 40% nos cursos de água natural que fluem pela região.
A Caatinga ainda teve uma perda de vegetação primária de 15 milhões de hectares, que representam 26,36%, na comparação entre 1985 e 2020. Apesar de registrar um aumento de 10,7 milhões de hectares de vegetação secundária, o saldo geral continua negativo.
Além do desmatamento e da perda de água, o bioma sofre ainda com queimadas, com destaque para a região da fronteira agrícola entre Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, sendo que 87,28% do total de área queimada ocorreu em territórios baianos, piauienses e cearenses.
Único bioma exclusivo do Brasil é mais eficiente em absorver CO2 do que outras regiões
Com o coronavírus, aprendemos a importância do esforço coletivo contra uma doença. Podemos usar essa lição para diminuir a incidência da dengue, doença que pode ser prevenida ao controlar o Aedes aegypti, mosquito transmissor do vírus.
Segundo a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), o Brasil registrou cerca de 1,5 milhão de casos de dengue em 2020. O Ministério da Saúde aponta que os números continuaram a subir nos primeiros meses de 2021, em diversas regiões.
Só a cidade de São Paulo teve 6 408 casos entre janeiro e maio, o triplo do mesmo período no ano passado.
Entender os hábitos do mosquito é uma das armas para impedir a sua proliferação. Mortes também podem ser evitadas ao se procurar atendimento na hora certa e receber o diagnóstico correto. No contexto atual, é importante entender as diferenças entre ossintomas de dengue, gripe e Covid-19.
Horário da picada do Aedes aegypti
Com quase um centímetro de comprimento, o Aedes aegypti se assemelha a um pernilongo comum, mas tem uma característica notável. “Facilmente vemos as listras brancas na região do abdômen, na porção mais final do corpo do mosquito e pernas zebradas, listras brancas”, explica a bióloga Patricia Jacqueline Thyssen, professora da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
Entenda os hábitos do mosquito e formas de transmissão do vírus para se prevenir; aproveite para aprender a diferenciar sintomas da dengue e da Covid-19
No século 19, a química ainda era uma ciência jovem, recém-separada da alquimia, e muitos conceitos que hoje são conteúdo tedioso de vestibular eram novidades excitantes. Por exemplo: se você colocar peróxido de hidrogênio (H2O2) em um vidro com prata, ele se separa repentinamente em água (H2O) e oxigênio (O2). Com a prata, nada acontece: o metal permanece idêntico.
Em 1835, o químico sueco Jacob Berzelius percebeu que havia um padrão aí. À exemplo da prata, muitas outras substâncias participavam de reações químicas apenas incentivando a transformação de uma coisa na outra. Ao final do processo, elas permaneciam intactas. Berzelius batizou essas substâncias de catalisadores.
Hoje sabemos que o DNA é um livro de receitas para fabricar proteínas, e que uma parte considerável dessas proteínas são enzimas – o nome que se dá aos catalisadores biológicos, que evoluíram por seleção natural.
Enzimas guiam e facilitam quase todas as reações químicas que mantêm seu corpo funcionando. São elas que digerem sua comida, processam sua ressaca no fígado e fazem cópias do seu material genético quando uma célula se multipica.
As indústrias, como os seres vivos, têm muito interesse em acelerar e controlar reações químicas. Imagine, por exemplo, o quanto seria difícil fabricar um remédio em larga escala se não houvesse uma maneira confiável de forçar duas moléculas a reagirem para formar uma terceira?
Da baterias a remédios, setores importantes da indústria precisam acelerar e controlar interações entre moléculas usando catalisadores. Os ganhadores da láurea de Química deste ano revolucionaram a área.
Os parasitas são seres vivos que dependem de outros para sobreviver, às vezes manipulando seus organismos de forma drástica. Um exemplo é o grupo de bactérias chamado Phytoplasma que faz algumas plantas de vítimas. Essas bactérias, também conhecidas como fitoplasmas, são capazes de reprogramar o desenvolvimento das plantas hospedeiras e transformá-las em “zumbis”.
As plantas infectadas podem desenvolver uma doença conhecida como aster yellows, que costuma ser devastadora para produções agrícolas, ficar com folhas em formatos estranhos, deixar de desenvolver sementes ou apresentar uma condição conhecida como “vassoura de bruxa” – em que um número excessivo de ramos crescem próximos uns aos outros (como você pode ver na imagem acima).
Esse crescimento anormal acontece porque os fitoplasmas impedem que a planta se reproduza normalmente e cumpra seu ciclo de vida. Ficando jovem para sempre, o hospedeiro zumbi pode atender continuamente às necessidades do parasita.
Os fitoplasmas são capazes de manipular o organismo de seus hospedeiros e impedir que cumpram seu ciclo de vida natural. Um estudo identificou como isso acontece – e como pode ser evitado.
Em uma época de avanços notáveis na ciência, centenas de milhares de brasileiros ainda adoecem todos os anos por falta de acesso ao saneamento básico. Um novo levantamento do Instituto Trata Brasil aponta que, em 2019, foram 273 mil internações e 2 734 mortes provocadas por doenças de veiculação hídrica.
A categoria abrange as mazelas transmitidas por meio da água contaminada. É uma lista longa: diarreias, dengue, malária, hepatites, cólera, esquistossomose… Quase 35 milhões de pessoas vivem em locais sem acesso à água própria para consumo e 100 milhões sem coleta de esgoto. Portanto, estão em maior risco de ter uma dessas infecções.
Há anos, a incidência dessas doenças, que são um problema desaúde públicaantigo, vinha diminuindo. O estudo, que usou dados do Ministério da Saúde e do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS) indica uma reversão de tendência. Houve incremento de 30 mil internações entre 2018 e 2019.
Levantamento do Instituto Trata Brasil aponta ainda que, em 2019, mais de 2,3 mil pessoas morreram por não terem acesso à água tratada
Os físicos já conseguem prever o futuro. Desde que seja um futuro muito comportado, que se desenrole dentro de parâmetros cuidadosos. Pegue o lançamento de um foguete, por exemplo. Se um grande tubo de metal for impulsionado para cima com uma certa força, em um certo horário, em uma certa latitude, onde ele estará daqui alguns dias?
A maior parte das missões espaciais, tripuladas ou não, passa a maior parte do trajeto sem qualquer piloto, seja automático ou manual. A nave se move na direção desejada simplesmente porque os físicos calcularam que ela faria isso sozinha desde que fosse lançada do jeito ideal.
Mais complicado é prever o futuro de coisas caóticas, como as moléculas de gás que compõem a atmosfera da Terra. Não é à toa que a previsão do tempo não é 100% confiável.
Estamos falando de uma quantidade de partículas de oxigênio, nitrogênio e dióxido de carbono bem maior que o número de estrelas do Universo visível, interagindo umas com as outras para fazer chuva, vento, neve ou um céu azulzinho. Eis um exemplo típico do que se chama, em várias áreas das ciências naturais, de “sistema complexo”.
Prêmio homenageia paizões da área de sistemas complexos, um ramo pouquíssimo pop da física que está por trás da meteorologia e permite as simulações da atmosfera que embasam o relatório IPCC.