O ano de 2021 marcou um novo recorde: pelo sexto ano consecutivo, as temperaturas dos oceanos aumentaram. Esse fenômeno é um dos protagonistas quando se fala em mudanças climáticas e tem uma porção de consequências preocupantes. Uma das principais é o aumento do nível dos oceanos, que acontece a partir da expansão térmica: à medida que as águas absorvem calor, elas aumentam de volume.
O aquecimento também pode levar ao derretimento mais acelerado das geleiras e a mudanças nos padrões de ventos e chuvas ao redor do planeta (que podem intensificar furacões e tufões), além de dificultar a absorção de carbono da atmosfera pelos oceanos.
Mas não para por aí. As mudanças de temperatura podem alterar diretamente o comportamento de espécies marinhas e, assim, bagunçar ecossistemas ao redor do mundo. Um exemplo recém-descoberto é o caso dos tubarões-tigre (Galeocerdo cuvier) no Oceano Atlântico – próximo à costa nordeste dos Estados Unidos.
Uma equipe de pesquisadores combinou quase dez anos de dados de satélites com 40 anos de dados de rastreamento desses animais. Assim, descobriu que as mudanças de temperatura das águas provocam mudanças nos padrões migratórios da espécie. As descobertas foram publicadas na última quinta-feira (13), no periódico científico Global Change Biology.
Para realizar o estudo, os cientistas capturaram 47 tubarões entre a Flórida (nos Estados Unidos) e o norte de Bahamas, para equipá-los com dispositivos de rastreamento por satélite e monitorar as migrações dos animais – algo que rolou entre 2010 e 2019.
Pesquisadores combinaram dados de satélites com dados de rastreamento dos tubarões e descobriram que o aquecimento das águas provoca mudanças em padrões migratórios.
Imagine ter um sangue tão transparente quanto vodca. Os peixes da família Channichthyidae – conhecidos em inglês como icefish ou “peixes do gelo” – não carregam uma única molécula de hemoglobina no sangue. Em humanos, essa proteína presente nas hemácias é responsável por transportar oxigênio e dar a cor avermelhada ao sangue.
Os “peixes de gelo” não precisam de hemoglobina ou hemácias, já que toda sua pele funciona como um grande pulmão, absorvendo oxigênio diretamente da água ao redor. Isso permite que eles suportem temperaturas em torno de 1 ºC – apenas o suficiente para a água não congelar. Nessas temperaturas, os glóbulos vermelhos se tornam mais difíceis de bombear, e poderiam congelar facilmente.
O hack adaptativo deu certo. Esses peixes vivem relativamente escondidos dos humanos no mar da Antártida. Pesquisadores do Instituto Alfred Wegener, na Alemanha, descobriram um berçário de icefish no fundo do Mar de Wenddell, próximo à península antártica. Estima-se que a área esteja coberta com mais de 60 milhões de ninhos – caracterizando-o como o maior berçário de peixes já descoberto. A pesquisa foi publicada no periódico Current Biology.
A colônia de peixes foi encontrada pela primeira vez em fevereiro de 2021. A embarcação RV Polarstern filmou o fundo do Mar Wenddell enquanto enviava as imagens à equipe de pesquisadores. A embarcação encontrou mais de 16 mil ninhos durante quatro horas de navegação. Após mais duas pesquisas de campo, os cientistas estimaram uma área de 240 quilômetros quadrados coberta por ninhos – separados por apenas 25 centímetros entre si.
Cada ninho tem 1,7 mil ovos e é protegido por um peixe adulto. Até então, pesquisadores só haviam encontrado berçários com, no máximo, 40 ninhos dessa espécie. Os cientistas acreditam que a abundância de ninhos tenha a ver com a temperatura da água no local, que é 2 ºC mais alta do que os arredores. Essa porção de água também tem muitos plânctons, que servem de comida aos filhotes quando os ovos racham.
Localizado no Mar de Wenddell, esse pode ser o maior berçário de peixes já descoberto. Entenda como esses animais sobrevivem às temperaturas congelantes.