Zoom: a arte do sabor

Por Diogo Sponchiato

Sabe aquele prazer ao degustar seu prato favorito? Ele só vem à tona quando você aciona o botão, ou melhor, os botões gustativos (as formas arredondadas e em azul-claro da foto). Reunidos nas papilas gustativas, estruturas que ficam sobre a língua, esses microscópicos sommeliers é que nos permitem distinguir do doce ao salgado, passando pelo ácido, o amargo e aqueles sabores indescritíveis. 4 mil botões gustativos: se encontram dentro da nossa boca, 75% deles nas papilas da língua. 5 gostos: foram reconhecidos pela ciência: doce, salgado, ácido, amargo e umami — este vem do glutamato.

Essas estruturas são fundamentais para a alimentação (e ainda garantem prazer para esse momento!)

Zoom: a arte do sabor

publicado em Veja saúde

Microfósseis de 4 bilhões de anos podem ser evidência mais antiga de vida na Terra

Cientistas acreditam ter em mãos a evidência mais antiga de vida na Terra. São de microfósseis de até 4,28 bilhões de anos, que indicariam a existência de bactérias por aqui apenas 300 milhões de anos após a formação do planeta.

Os supostos fósseis vêm do Cinturão de Rochas Verdes Nuvvuagittuq, um sítio geológico localizado em Quebec, no Canadá, que contém algumas das rochas mais antigas conhecidas na Terra – um bom lugar para cientistas procurarem por formas de vida primitivas.

O pesquisador Dominic Papineau, da University College of London (Inglaterra), coletou amostras dessas rochas em 2008 e publicou uma análise delas em 2017 junto com outros pesquisadores. Na época, eles já indicaram que os pedaços de pedra continham os antigos microfósseis (fósseis microscópicos), de idade estimada entre 3,75 e 4,28 bilhões de anos.

Agora, a equipe voltou a estudar as rochas canadenses em um novo estudo, publicado no periódico Science Advances. E o que eles descobriram foi uma estrutura muito maior e mais complexa do que as encontradas anteriormente.

Fósseis encontrados em amostras de rocha podem indicar a existência de bactérias apenas 300 milhões de anos após a formação do planeta.

Microfósseis de 4 bilhões de anos podem ser evidência mais antiga de vida na Terra

publicado em superinteressante

Assista a “Como saber se a Serpente é Venenosa? Biólogo EXPLICA!” no YouTube

Quem aí têm medo de cobras?

Vamos descobrir um pouco mais sobre essas amiguinhas .

Biólogo Henrique aqui!

imagens do WordPress

Diabetes em transformação: o que está mudando no tratamento

Por Diogo Sponchiato

A cena, cada vez mais corriqueira, é a seguinte: o paciente com diabetes descontrolado entra no consultório com um diagnóstico e sai de lá com outro. Muita atenção agora: ele continua com diabetes, mas a investigação médica, depois confirmada com exames laboratoriais, indica outro tipo da doença. Não era à toa que a glicemia nunca ficava na meta. O sujeito não tinha diabetes tipo 2, mas uma versão conhecida pela sigla LADA — que vem do inglês e significa “diabetes autoimune latente do adulto”. É como se fosse um diabetes tipo 1, aquele mais comum em crianças e adolescentes e caracterizado pela agressão do sistema imune ao pâncreas, só que se manifestando tardiamente. E o que essas nomenclaturas mudam na prática? Ora, o tratamento. Nosso paciente, para o qual a combinação de vários comprimidos não vinha surtindo o efeito esperado, passa a usar insulina e, bingo!, a glicose finalmente é domada. Episódios assim costumavam corresponder a 5% dos casos rotulados inicialmente como diabetes tipo 2. Mas novas estimativas apontam que o LADA, sorrateiro, está presente em um em cada dez desses cidadãos. Pouca gente? Não mesmo. O diabetes como um todo afeta mais de meio bilhão de pessoas pelo planeta, pelo menos 15 milhões no Brasil. Se considerarmos que 90% desse público possui o tipo 2, fazendo as contas veremos que o LADA é mais significativo do que se imagina. Os números do último atlas da Federação Internacional de Diabetes escancaram que o problema, em suas diversas formas, compõe uma das equações mais complexas da saúde pública — sem falar no incalculável impacto na qualidade de vida das pessoas e das famílias. E o horizonte não é dos mais animadores. “Vivemos em um cenário de ganho de peso, sedentarismo e dieta inadequada. Cerca de 15% da nossa população tem pré-diabetes, com grandes chances de desenvolver a doença em si. E o que mais me assusta é a quantidade de indivíduos com diabetes que nem sequer sabem que têm a doença”, expõe o endocrinologista Levimar Araújo, presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD)+ Leia também:  Você tem pré-diabetes? Não se engane com esse nome Para lidar com o desafio de hoje e de amanhã, precisamos de uma mobilização em 360 graus, amparada em muita ciência e tanto ou mais esforço de profissionais de saúde, autoridades públicas e pacientes. E um ponto de partida é entender que nem todo diabetes é igual e como a personalização do tratamento — acompanhada de algumas estratégias padronizadas, por mais paradoxal que isso soe — será determinante para usufruir do que o avanço da medicina e a inovação tecnológica estão prestes a oferecer. 

Descobertas sobre o elo da doença com a imunidade e o peso e novos tratamentos redefinem o controle do diabetes — e ele vai muito além do açúcar no sangue

Diabetes em transformação: o que está mudando no tratamento

publicado em Veja saúde

A epidemia de FOMO

Por Maria Clara Rossini

Peguei covid em 2022, dois anos e três doses de vacina depois do início da pandemia. O quadro foi leve graças à imunização, mas não teve como fugir da quarentena: dez dias de isolamento. Na sexta à noite, aproveitei para zerar aquele videogame que eu já estava jogando há semanas, mas nunca tinha tempo de terminar. Seria um bom final de semana.

E estava sendo, até eu entrar nas redes sociais. A cada story do Instagram, uma festa, um happy hour, um jantar, um rolê diferente. Parecia que todos os meus amigos estavam se divertindo sem mim.

Foi o suficiente para estragar uma noite que seria agradável para mim também, ainda que de outra forma. Não consegui me concentrar no jogo e dormi mal. No final de semana seguinte, perguntei se meu amigo iria para determinada festa. “Ah, nem queria muito. Mas se eu não for, o meu FOMO vai atacar.”

Bingo. Foi o que senti naquele fim de semana. Não era ansiedade ou depressão. Era FOMO: Fear of Missing Out. Significa “medo de ficar de fora”. É o nome inventado para descrever aquela sensação ruim que você tem quando perde o happy hour da empresa, uma viagem em família ou encontro entre amigos. Em suma, um estresse súbito por estar perdendo alguma experiência valiosa.

Segundo uma pesquisa de 2012 feita pela agência de publicidade J. Walter Thompson, sete em cada dez millennials (pessoas que nasceram entre 1981 e 1996) dizem que já sentiram FOMO. Naquela época, apenas 8% dos entrevistados conheciam o termo, mas se identificaram com a sensação após a explicação da sigla. Quatro em cada dez admitem que o sentimento é frequente.

E não é só o medo de perder eventos sociais. O FOMO também tem reflexos no mercado financeiro, é usado como estratégia de marketing e pode até explicar o vício em videogames. Entenda o que está por trás do sentimento – e o que fazer para amenizá-lo.

Fear of Missing Out é um termo novo para algo que sempre existiu: o medo de ficar de fora. As redes sociais, porém, elevaram esse estresse a um patamar inédito. Entenda melhor o FOMO, e veja como não cair nessa armadilha.

A epidemia de FOMO

publicado em superinteressante

Estudo inédito sobre esquizofrenia relaciona mais de 100 genes à doença

Por Fabiana Schiavon

Um estudo publicado em 8 de abril na revista Nature por um consórcio internacional de cientistas revelou que existem pelo menos 120 genes envolvidos com a esquizofrenia. A partir de dados do DNA de cerca de 300 mil pessoas, o grupo, que inclui pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), demonstrou uma relação causal entre esses genes e quadros da doença. Trata-se do maior estudo do tipo já realizado sobre a esquizofrenia, condição que afeta cerca de 24 milhões de pessoas no mundo, mais de 2 milhões no Brasil. “A esquizofrenia tem uma contribuição poligênica [de múltiplos genes] maior do que se imaginava. A pesquisa encontrou 120 genes associados à doença, todos eles atuando nos neurônios. Isso mostra o papel crucial dessas células para a doença e abre caminho para o desenvolvimento de novas terapias”, conta Sintia Belangero, professora da Escola Paulista de Medicina (EPM-Unifesp) e co-autora do trabalho, apoiado no Brasil pela Fapesp. A pesquisadora e os outros autores do artigo fazem parte da divisão de esquizofrenia da Universidade Cardiff, no País de Gales. O time brasileiro inclui ainda os professores da EPM-Unifesp Ary Gadelha, Rodrigo Bressan, Quirino Cordeiro e Cristiano Noto, além dos pesquisadores Marcos Santoro e Vanessa Ota.

 + LEIA TAMBÉM: Saúde mental de crianças e adolescentes piorou na pandemia, alerta Unicef

 Os 120 genes identificados na pesquisa estão localizados em 287 regiões do genoma humano só agora associadas à doença. Um estudo anterior do mesmo grupo havia apontado apenas 108 regiões associadas ao transtorno. O trabalho atual contou com métodos de análise mais modernos e um número maior de amostras do que qualquer outro. Foram analisados dados do DNA de 76.755 pessoas com esquizofrenia e 243.649 sem a doença, a fim de compreender melhor os genes e os processos biológicos que sustentam a condição. Mais de 600 voluntários compuseram a coorte brasileira, contribuindo para a diversidade de amostras do estudo. Levantamentos mundiais do tipo raramente incluem pessoas de ancestralidade não europeia, tornando os resultados obtidos agora mais próximos de beneficiar latinos e afrodescendentes. Nos próximos cinco anos, a Unifesp, sob a liderança do pesquisador Ary Gadelha, pretende coletar mais 20 mil amostras que serão incluídas em futuros estudos do tipo.

Brasileiros fazem parte de uma pesquisa que envolveu 300 mil pessoas de diversos países e dá novas pistas sobre o transtorno

Estudo inédito sobre esquizofrenia relaciona mais de 100 genes à doença

publicado em Veja saúde

Abril Azul: a alimentação pode ajudar no tratamento do autismo?

Por Fabiana Schiavon

Pessoas que fazem parte do transtorno do espectro autista (TEA) têm, entre suas características, repetir padrões e ter interesses bastante específicos. Esse comportamento pode ser levado à mesa por algumas crianças, o que é chamado de seletividade alimentar. Essa escolha limitada pode levar a deficiências nutricionais. “Como há crianças autistas que vão se interessar muito por um único assunto, sabendo tudo sobre navios de guerra ou sobre metrô, há quem prefira apenas um único alimento. Já tive um paciente que só comia brócolis”, relata Erasmo Barbante Casella, neurologista da infância e adolescência do Hospital Israelita Albert Einstein. Algumas só gostam de purês, outras não aceitam a densidade da carne ou decidem que só comem o que for de uma cor específica. Tudo isso pode ser resposta a uma hipersensibilidade, tanto para paladar, quando para sons, cheiros e texturas, deixando a alimentação monótona, relata Patrícia Consorte, pediatra especialista em nutrição materno-infantil, de São Paulo. “Com o passar dos anos, se não houver uma intervenção correta, isso irá contribuir para o déficit proteico, de vitaminas e minerais que podemos encontrar nesses pacientes, além de ser um dos motivos de maior angústia dos pais”, completa a pediatra. Como há uma diversidade grande de manifestações clínicas dentro do espectro, há outros fatores que podem interferir na boa alimentação. Entre eles, o atraso no desenvolvimento motor oral, que impactam na fala e no processo de mastigação. Claro, não é toda criança autista que terá problemas desse tipo, mas eles são mais esperados nesse cenário. Um estudo realizado pela University of Massachusetts Medical School, de 2010, já estimava que 41% dos pequenos com TEA apresentam mais recusa alimentar do que os com desenvolvimento típico, 18%. Já uma revisão publicada no Journal of Autism and Developmental Disorders no ano passado aponta que a seletividade na alimentação é algo comum na infância, mas essa prevalência aumenta entre 51% a 89% na população que convive com o TEA.

No mês da conscientização do transtorno do espectro autista (TEA), entenda por que a alimentação pode ser um desafio para essas crianças

Abril Azul: a alimentação pode ajudar no tratamento do autismo?

publicado em Veja saúde

Robert Watson-Watt, o meteorologista considerado “pai do radar”

Grã-Bretanha, julho de 1940, Segunda Guerra Mundial. Ali dava-se início a uma grande batalha entre as forças aéreas inglesa e alemã. O exército nazista, que já havia dominado Bélgica e Holanda, estava também do outro lado do estreito Canal da Mancha, controlando portos da França. A invasão do Reino Unido era iminente.

Mas, depois de muitas baixas e aeronaves perdidas, os ingleses levaram a melhor. E a vitória contra os nazistas é atribuída, em grande parte, a uma tecnologia que tinha acabado de ser desenvolvida: o radar. O responsável por isso? Sir Robert Watson-Watt, nascido há 130 anos na Escócia.

Watson-Watt era um meteorologista. Descendente de James Watt, inventor da máquina a vapor, formou-se em engenharia aos 20 anos e passou a trabalhar usando ondas de rádio para detectar trovoadas. Mais tarde, em 1935, ele foi convidado pelo Air Ministry inglês (“Ministério Aéreo”, em tradução livre) a desenvolver um “raio da morte”.

Nascido há 130 anos na Escócia, o cientista desenvolveu um sistema de radar que ajudou a Grã-Bretanha em uma vitória contra a Alemanha Nazista. Conheça sua história.

Robert Watson-Watt, o meteorologista considerado “pai do radar”

publicado em superinteressante

A nova mensagem que cientistas querem enviar ao espaço

Em algum canto do Universo, talvez exista uma civilização alienígena com a qual poderíamos estabelecer contato. Se existir, essa conversa pode parece improvável, mas a hipótese não é só enredo de ficção científica: alguns cientistas se dedicam à missão de dar um alô aos ETs, mesmo antes da detecção de qualquer inteligência em algum lugar do infinito. 

O mais recente projeto nesse sentido é o Beacon in the Galaxy (BITG) – em tradução livre, “farol na galáxia” –, planejado pelo grupo de pesquisa Messaging Extraterrestrial Intelligence (METI), “mensagens para inteligência extraterrestre”.

A BITG é uma mensagem formulada por uma equipe internacional de cientistas, com informações diversas sobre a vida na Terra, escrita em código binário – sequências de 0 e 1 que constituem, por exemplo, a linguagem a partir da qual seu computador exibe e processa os textos e imagens desta página.

BITG tem informações detalhadas sobre a vida na Terra e nossa localização. Conheça essa e outras tentativas de comunicação com inteligência extraterrestre.

A nova mensagem que cientistas querem enviar ao espaço

publicado em superinteressante

Nitazoxanida: o que é, para que serve e quais são os efeitos colaterais

Por Fabiana Schiavon

O que é a nitazoxanida e para que serve?

A nitazoxanida tiazolida (NTZ) é um medicamento antiparasitário, que inibe o desenvolvimento e a proliferação de uma variedade de protozoários, vermes, bactérias e vírus agressivos ao organismo. No caso das infecções virais, o remédio combate as causadas pelos rotavírus e norovírus, que provocam as gastroenterites – inflamação que pode atingir o estômago e o intestino. Age, ainda, contra parasitas como os nematódeos (a lombriga e o bicho-geográfico são dessa categoria), os cestoides (a solitária entra na lista) e os trematódeos, classe que afeta vasos sanguíneos, pulmões e fígado, além do trato gastrointestinal. O fármaco é também eficaz contra os parasitas que provocam diarreia como Giardia lambliaEntamoeba histolytica e Cryptosporidium Parvum. [abril-whatsapp][/abril-whatsapp]

Como ela age no organismo?

A nitazoxanida destrói a ação dos protozoários ao inibir uma enzima indispensável à vida desses micróbios, chamada de piruvato-ferredoxina oxidorredutase, segundo Rosana Paiva, médica e professora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). É também agindo diretamente na estrutura de alguns vermes e vírus que o medicamento impede que esses inimigos continuem habitando o organismo.

Nitazoxanida funciona contra a Covid-19?

Essa substância não tem a mesma efetividade contra vírus que provocam doenças respiratórias, como o Sars-Cov 2 e o influenza. Foram realizados estudos, no passado, na tentativa de utilizar o medicamento contra a Covid, porém sua eficácia não ficou comprovada. O máximo de efeito produzido foi uma discreta redução da carga viral em um estudo brasileiro, mas sem diferença na evolução da doença. Ou seja, o remédio não acelerou a recuperação das pessoas ou foi capaz de evitar o agravamento do quadro. Mesmo assim, por causa dessas hipóteses, ele chegou a fazer parte do polêmico “kit Covid” contra a doença. 

Medicamento é utilizado para infecções gastrointestinais, como antidiarreico, e também combate diversos tipos de bactérias e vermes

Nitazoxanida: o que é, para que serve e quais são os efeitos colaterais

publicado em Veja saúde