Eu me sinto tolo como um viajante Pela tua casa, pássaro sem asa, rei da covardia E se guardo tanto essas emoções nessa caldeira fria É que arde o medo onde o amor ardia Mansidão no peito trazendo o respeito Que eu queria tanto derrubar de vez Pra ser teu talvez, pra ser teu talvez Mas o viajante é talvez covarde Ou talvez seja tarde pra gritar que arde no maior ardor A paixão contida, retraída e nua Correndo na sala ao te ver deitada Ao te ver calada, ao te ver cansada, ao te ver no ar Talvez esperando desse viajante Algo que ele espera também receber E quebrar as cercas com que insistimos em nos defender Eu me sinto tolo como um viajante Pela tua casa, pássaro sem asa, rei da covardia E se guardo tanto essas emoções nessa caldeira fria É que arde o medo onde o amor ardia Mansidão no peito trazendo o respeito Que eu queria tanto derrubar de vez Pra ser teu talvez, pra ser teu talvez
Amou daquela vez como se fosse a última Beijou sua mulher como se fosse a última E cada filho seu como se fosse o único E atravessou a rua com seu passo tímido
Subiu a construção como se fosse máquina Ergueu no patamar quatro paredes sólidas Tijolo com tijolo num desenho mágico Seus olhos embotados de cimento e lágrima
Sentou pra descansar como se fosse sábado Comeu feijão com arroz como se fosse um príncipe Bebeu e soluçou como se fosse um náufrago Dançou e gargalhou como se ouvisse música
E tropeçou no céu como se fosse um bêbado E flutuou no ar como se fosse um pássaro E se acabou no chão feito um pacote flácido Agonizou no meio do passeio público Morreu na contramão atrapalhando o tráfego
Amou daquela vez como se fosse o último Beijou sua mulher como se fosse a única E cada filho seu como se fosse o pródigo E atravessou a rua com seu passo bêbado
Subiu a construção como se fosse sólido Ergueu no patamar quatro paredes mágicas Tijolo com tijolo num desenho lógico Seus olhos embotados de cimento e tráfego
Sentou pra descansar como se fosse um príncipe Comeu feijão com arroz como se fosse o máximo Bebeu e soluçou como se fosse máquina Dançou e gargalhou como se fosse o próximo
E tropeçou no céu como se ouvisse música E flutuou no ar como se fosse sábado E se acabou no chão feito um pacote tímido Agonizou no meio do passeio náufrago Morreu na contramão atrapalhando o público
Amou daquela vez como se fosse máquina Beijou sua mulher como se fosse lógico Ergueu no patamar quatro paredes flácidas Sentou pra descansar como se fosse um pássaro E flutuou no ar como se fosse um príncipe E se acabou no chão feito um pacote bêbado Morreu na contramão atrapalhando o sábado
Por esse pão pra comer, por esse chão pra dormir A certidão pra nascer e a concessão pra sorrir Por me deixar respirar, por me deixar existir
Deus lhe pague
Pela cachaça de graça que a gente tem que engolir Pela fumaça e desgraça que a gente tem que tossir Pelos andaimes pingentes que a gente tem que cair
Deus lhe pague
Pela mulher carpideira pra nos louvar e cuspir E pelas moscas bicheiras a nos beijar e cobrir E pela paz derradeira que enfim vai nos redimir
Vocês que fazem parte dessa massa Que passa dos projetos do futuro É duro tanto ter que caminhar E dar muito mais do que receber E ter que demonstrar sua coragem À margem do que possa parecer E ver que toda essa engrenagem Já sente a ferrugem lhe comer
Êh, oô, vida de gado Povo marcado eh Povo feliz
Êh, oô, vida de gado Povo marcado eh Povo feliz
Lá fora faz um tempo confortável A vigilância cuida do normal Os automóveis ouvem a notícia Os homens a publicam no jornal E correm através da madrugada A única velhice que chegou Demoram-se na beira da estrada E passam a contar o que sobrou!
Eh, oô, vida de gado Povo marcado eh Povo feliz
Eh, oô, vida de gado Povo marcado eh Povo felizOh oh oh
O povo foge da ignorância Apesar de viver tão perto dela E sonham com melhores tempos idos Contemplam esta vida numa cela Esperam nova possibilidade De verem esse mundo se acabar A arca de Noé, o dirigível Não voam, nem se pode flutuar Não voam, nem se pode flutuar Não voam, nem se pode flutuar
Eu não aguento mais ouvir o que você diz O teu jeito de profeta lá da praça paris Esse jeito de ser o que você queria ser, mas não é Me olha como folha e pensa como raiz É o teu jeito de bancar um cara rico e feliz, mas não é
Mete o pau na água e compra um chafariz Acha que é um rei e ri dos meus bem-te-vis Acha que é o dono dessa bola que eu não quis, mas não é
Eu não suporto mais tua simpatia de giz O teu jeito de saber do vento mais que o nariz Esse jeito de ser o que você queria ser, mas não é Me olha como ET e pensa como perdiz É o teu jeito de bancar um cara rico e feliz, mas não é
Querendo me ensinar aquilo que eu sempre fiz Usando o que é dos outros pra sonhar e não diz Fundando a filial querendo ser a matriz, mas não é
Eu não aguento mais ouvir o que você diz O teu jeito de profeta lá da praça paris Esse jeito de ser o que você queria ser, mas não é Me olha como folha e pensa como raiz É o teu jeito de bancar um cara rico e feliz, mas não é
Querendo me ensinar aquilo que eu sempre fiz Usando o que é dos outros pra sonhar e não diz Fundando a filial querendo ser a matriz, mas não é
Eu não aguento mais ouvir o que você diz Do teu jeito de profeta lá da praça paris Esse jeito de ser o que você queria ser, mas não é O que você queria ser, mas não é Mas não é