Anos de intenso trabalho de documentação renderam provas únicas de grupos indígenas isolados desconhecidos e mapearam os limites de seus territórios . A vasta e intocada área de floresta tropical está sob crescente pressão , colocando em risco a sobrevivência dos grupos isolados.
Por: Kristin Rødland Buick para a Rainforest Foundation Norway Lima / Oslo, 9 de dezembro de 2021
“As propriedades desta área de floresta tropical contíguas são simplesmente de proporções de património mundial, com culturas e natureza únicas. Portanto, é fundamental que esta área e as pessoas vulneráveis que dela dependem […] […]
Nos últimos trinta anos, a Antártida aqueceu três vezes mais rápido do que o resto do mundo. Em fevereiro de 2020, bateu os 20°C. Um recorde.
Essa desordem é causada pelas mudanças climáticas e influencia diretamente no comportamento de algumas espécies. É o caso dos pinguins-gentoo, que estão migrando para se reproduzir em regiões mais ao sul do continente, como pesquisadores da Stony Brook University (Estados Unidos) verificaram em uma expedição da ONG Greenpeace.
Os cientistas descobriram uma colônia de pinguins na Ilha Andersson, no lado leste da Península Antártica – região montanhosa e próxima da América do Sul. Até então, essa área era muito gelada para os pinguins, que preferem temperaturas mais amenas para criarem seus filhotes. Antes, só um ninho havia sido encontrado em um local tão ao sul. Agora, os pesquisadores contaram 75 filhotes.
Pela primeira vez, os cientistas exploraram a pé partes da península onde colônias de pinguins haviam sido detectadas via satélite. Segundo Heather Lynch, pesquisadora que liderou a expedição, mapear essas áreas ajuda a entender como os animais estão respondendo às mudanças climáticas:
“Estamos encontrando pinguins-gentoo em quase todos os lugares para onde olhamos – mais evidências de que as mudanças climáticas estão mudando drasticamente a mistura de espécies na Península Antártica”, disse Lynch.
Tanto o aumento de temperatura quanto as condições do gelo marinho influenciam diretamente no comportamento dos pinguins. Por isso, eles são considerados indicadores importantes da saúde dos ecossistemas antárticos.
Mar de Weddell
Durante a expedição, os cientistas descobriram que as colônias de pinguins-de-adélia permaneceram estáveis na última década na região do Mar de Weddell, a leste da Península Antártica.
Essa espécie costuma se deslocar bastante à medida que o gelo marinho diminui, e parece encontrar no Weddell um refúgio climático. Segundo Lynch, o local não está imune às mudanças climáticas, mas parece apresentar condições melhores do que o lado oeste da península.
“Nossa compreensão da biologia desta paisagem inóspita continua a crescer a cada ano, mas tudo o que aprendemos até agora aponta para seu valor para a conservação.”
Desde 2011, existem discussões sobre o Mar de Weddell se tornar uma área marinha protegida (MPA, na sigla em inglês). Mas em 2021, pela quinta vez, os membros da Comissão para a Conservação dos Recursos Vivos Marinhos Antárticos (CCAMLR) não chegaram a um acordo sobre novas medidas de conservação que protejam a biodiversidade do local.
Os pinguins-gentoo estão migrando para se reproduzir em regiões mais ao sul do continente – uma consequência do aumento de temperatura na região.
“Podemos passar a vida terrena inteira buscando sabedoria e respostas aos enigmas do Universo, sermos nobres e justos, ponderados e diplomáticos. Mas acredite, se não nos conhecermos a fundo, tranpormos nossos limites internos e investirmos em aprofundamento espiritual, nada fará sentido quando chegar a hora de retornar ao nosso verdadeiro lar .”
A vacinação mudou o perfil dos hospitalizados por Covid-19 no Brasil e também das pessoas que morrem em decorrência da doença. Um estudo conduzido em São José do Rio Preto, no interior de São Paulo, registrou o início desse processo.
Nessa época, a variante gama (P.1) do Sars-CoV-2 predominava no estado, e os idosos eram maioria no grupo de brasileiros com o esquema vacinal completo (duas doses, até então).
Todos os internados com Covid-19 no período foram divididos entre vacinados e não vacinados. E os pesquisadores compararam as características dos integrantes de cada grupo – desde idade, sexo e presença de comorbidades até os sintomas que apresentaram, as condutas clínicas adotadas durante a internação e os desfechos (recuperação ou óbito).
Os dados completos foram divulgados este mês no Journal of Infection.
“Nosso objetivo era descobrir qual é o melhor preditor de mortalidade entre os vacinados”, conta Maurício Lacerda Nogueira, professor da Famerp e autor correspondente do estudo, que contou com apoio da Fapesp por meio de três projetos.
Entre os 2 518 participantes não imunizados a idade média era de 51 anos e 71,5% apresentavam uma ou mais comorbidades, sendo as mais comuns cardiopatia, diabetes e obesidade.
Já entre os 259 hospitalizados que haviam recebido duas doses de vacina, a idade média era de 73 anos e 95% tinham doenças de base.
Na análise estatística, os fatores que se correlacionaram com risco aumentado de hospitalização e morte entre os não vacinados foram idade superior a 60 anos e a presença de uma ou mais das seguintes condições: cardiopatia, distúrbios no fígado ou neurológicos, diabetes, comprometimento imunológico e doença renal.
Já entre os imunizados, somente idade acima de 60 anos e insuficiência renal se configuraram como preditores de mortalidade.
“Essa é uma evidência clara de que a vacina protege muito bem e salva vidas”, afirma Nogueira.
Na avaliação de Cássia Fernanda Estofolete, primeira autora do estudo e integrante do Laboratório de Pesquisas em Virologia da Famerp, o avanço da vacinação mudou “drasticamente” o perfil do paciente internado por Covid-19 e também a história natural da doença, ou seja, a forma como ela evolui.
“Hoje, com a volta das cirurgias eletivas, o avanço da vacinação e a emergência da Ômicron, temos visto um panorama diferente nos hospitais. Muitos pacientes são internados para fazer uma cirurgia agendada ou por trauma e acabam descobrindo que estão com Covid-19, ou seja, não é o vírus que leva a pessoa ao hospital. E também há muitos idosos com comorbidades que acabam sendo internados porque a Covid-19 exacerba a doença de base – descompensa o diabetes ou a insuficiência renal, por exemplo. A maioria já não é internada por SRAG [síndrome respiratória aguda grave], como era na época em que o estudo foi feito”, conta.
Levantamento com mais de 2 500 pessoas deixa claro como as vacinas protegem muito bem e salvam vidas
A Antártida é um bom lugar para encontrar meteoritos. A vantagem de procurar por essas rochas no continente gelado é que elas ficam presas no gelo quando caem por lá. O problema é que eles medem alguns centímetros, e a tarefa de coletá-los é como procurar uma agulha no palheiro. Agora, pesquisadores da Delft University of Technology, na Holanda encontraram uma solução para os caçadores de meteoritos.
Eles usaram inteligência artificial para desenvolver um mapa do continente que identifica áreas com maior chance de localizar as rochas. O processo foi detalhado em um estudo publicado na revista Science Advances. Você pode visualizar o mapa clicando aqui.
Cerca de 62% dos meteoritos já recuperados caíram na Antártida. A explicação é ambiental. Às vezes, os ventos fortes da região transportam a neve ou a transformam em vapor, deixando áreas expostas de gelo azul. Os meteoritos são sempre encontrados nessas regiões, que podem atuar como “zonas de encalhe”. Condições de temperatura, movimentação do gelo, cobertura e relevo da superfície definem quais áreas são mais ou menos prováveis a abrigarem meteoritos.
Embora as áreas de gelo azul sejam identificadas a partir de imagens de satélite, os meteoritos não são. Os cientistas exploram o gelo sem rumo à procura dos meteoritos – e essa brincadeira não é barata. Ter um “mapa do tesouro” em mãos poderia orientar as buscas.
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Para desenvolver o mapa, os pesquisadores reuniram dados de satélites sobre os aspectos que definem a concentração dos meteoros no gelo azul. Então, a equipe usou aprendizado de máquina (machine learning) para gerar o mapa do tesouro.
O mapa, que tem 80% de precisão, mostra que ainda restam muitos meteoritos para serem coletados nas áreas de gelo exposto. A boa notícia é que muitos estão relativamente próximos de estações de pesquisa já existentes.
A estimativa é que apenas 15% dos meteoritos presentes no continente tenham sido encontrados até agora. Os pesquisadores acreditam que ainda podem encontrar 300 mil escondidos por lá. Para efeito de comparação, existem apenas 70 mil meteoritos conhecidos e catalogados segundo o Meteoritical Bulletin.
Estima-se que apenas 15% dos meteoritos caídos na Antártida foram encontrados até o momento. Pesquisadores usaram dados de satélite e inteligência artificial para ajudar na caça.