A Maldição do Farol…A Espera Acabou ( parte dois)

A comida parece deliciosa, mas quando ele coloca na boca, de imediato uma dor insuportável lhe turva as ideias, pontadas feito facas o atacam por dentro, é como se uma lança o rasgasse inteiro…ele acorda aos gritos, levando as mãos à barriga. Estão batendo na porta, e Onofre demora uns segundos para se atinar da situação.

  • Abre Onofre, preciso falar contigo!
    É o Zé, o dono da fruteira, ele entra apressado para se livrar da chuva.
  • Então, é hoje? Vai lá a noite, e tira uma dúvida pra mim. Te pago dois mil.
  • Olha, Zé… aquele dia eu tava muito doido, não vai dar, não… prometi pra minha finada mãezinha que nunca ia botar meus pés lá de noite, nem de dia …na verdade. Vou agradecer e recusar.
  • Contava contigo pra me dar essa mão, Onofre.
  • Vai ficar pra próxima…
    O Zé foi embora nem um pouco satisfeito, e o Onofre pegou a bicicleta para dar uma desbaratinada na mente. Umas pedaladas iam ajudar a passar o pileque, e ele precisava ir fazer um bico na casa de um vizinho. Já tinha vencido bem uns dois quilômetros, quando lá pras bandas da lagoa viu formar-se um nevoeiro denso. Mas que coisa esquisita, nesta época do ano… então viu a sua frente um vulto, e a escuridão caiu como um breu.
    A mesa estava posta, e a luz dos candelabros dava ares de mistério aquela sala antiquada. Onofre viu a garrafa de vinho e não pensou duas vezes para dar um farto gole…nem reparou na mulher que em um canto o observava, a mesma do seu sonho, ou visão?
  • Olá, meu querido. Finalmente você veio, há muito o esperávamos. Este farol não é o mesmo sem você…
    Onofre sentiu arrepiar da cabeça aos pés, e virando o rosto pôde ver a mulher, que com um sorriso amistoso o saudava. Não a reconheceu de imediato, mas alguma coisa nela era familiar, isso ele tinha certeza. Aquele lugar, o ambiente, tudo parecia conhecido para ele, porém não podia recordar de onde. Ela convidou-o a sentar, e quando ele se acomodou na cadeira, tudo ficou muito claro para ele…
    …O farol havia ficado pronto há pouco, e agora que os escravos tinham acabado o trabalho, ele e a esposa iriam ficar sozinhos ali por um bom tempo. Francisco e Tereza estavam casados há cinco anos e a oportunidade de morar no farol caiu como uma luva em seus planos de economizar para comprar um pedaço de terra. O lugar era isolado e ermo, mas havia a lagoa para pescar e a cidade era um passeio que faziam uma vez ao mês para comprar mantimentos.
    Tudo correu bem nos primeiros anos, apesar das dificuldades da época, o conforto precário e as intensas tempestades que pareciam o fim do mundo, açoitarem o lugar com mais frequência que o desejável. Foi em um dessas noites que Isabel nasceu, Francisco auxiliou no parto, pois a menina resolveu chegar exatamente em uma dessas tenebrosas noites, e foi impossível buscar ajuda da parteira na vila. Apesar de sofrido, tudo deu certo, e agora a família completa habitava o isolado Farol da Enseada…

… continua

imagens do Pinterest

2 respostas para “A Maldição do Farol…A Espera Acabou ( parte dois)”

✨🌻

%d blogueiros gostam disto: