A Maldição do Farol…Sempre tem um lugar ( final)

  • Boa noite, mas…como sabe meu nome? Já nos conhecemos?
  • Digamos que uma gaivota me contou…em que posso ser útil?
  • Bem, eu estava pescando quando um nevoeiro intenso me fez perder a rota, há uns dois dias tenho ficado a esmo na lagoa, e hoje, por sorte, vim dar em sua praia. Gostaria de passar a noite, se não for incoveniente.
  • De maneira alguma, estávamos a sua espera…sempre têm um lugar para um amigo em busca de abrigo.
    Quando Matias terminou a frase, de várias portas surgiram outras pessoas… três casais e uma moça.
  • Deixe-me apresentar os outros hóspedes : minha noiva Mirtes, os casais Lionel e Rita, Beto e Nando, e Estela e Jorge. Eles o cumprimentaram com um sorriso, e voltaram aos aposentos.
    Faustino estava de boca aberta e queixo caído, eram muitas pessoas para um simples farol…um prédio que apesar de alto era extremamente estreito. O faroleiro notou a curiosidade dele e com um gesto, convidou- o acompanhá-lo…cada porta lateral que ele abria, dava acesso a uma nova ala, quarto ou aposento, era uma coisa espantosa e Faustino ficou estarrecido, isto estava cheirando a bruxaria, ou assombração…
  • Creio que apesar de sua gentileza vou recusar a guarida… tentarei achar o caminho para casa…
  • Temo não ser possível, caro amigo… Já é chegada a hora. Aqui é seu lar, acredite, o Farol exige tua presença.
  • Não, não… há algum engano Matias, preciso voltar a vila com os peixes, é meu compromisso, estão encomendados.
  • Faustino, nesses últimos dias algumas situações mudaram o rumo da sua antiga vida, me acompanhe .
    Os dois saíram à praia, e agora não havia mais nevoeiro, dava para enxergar perfeitamente o barco ao longe. Eles foram andando até lá, e enquanto caminhavam o pescador começou a lembrar o que havia acontecido. O pedido dos peixes, a saída da vila…e então sua mente trouxe à tona o que havia acontecido…seu irmão Ismael , que jamais o havia perdoado por ter ido embora, depois de procurar por anos a fio, havia o encontrado finalmente. Na época em que deixou a família, esse irmão era bem menino e muito apegado com ele, a tristeza e ódio que sentiu nunca o deixaram.
  • Durante uma distração de Faustino enquanto preparava o barco para partir, Ismael envenenou sua água e seu pão…um veneno potente, insípido e mortal. Depois, de longe, sorriu satisfeito, sua mãe estava vingada. A pobre senhora havia sido morta pelo pai deles , largada a própria sorte por Faustino…pelo menos essa era a visão de Ismael, que na época era muito pequeno. Faustino então, tomou a água, comeu o pão e provou toda sua agonia novamente, o veneno corroendo suas entranhas, derretendo todo seu corpo por dentro, ele no meio da lagoa sem ter como pedir socorro, o medo, a dor , a solidão, o desespero. Ele viu a bruma densa da morte caindo sobre ele e o fazendo adormecer e sonhar com a família…ele observou o barco à deriva por dias, a festa das gaivotas em seu cadáver e depois finalmente enencalhando na praia do Farol da Enseada.
    O faroleiro e ele chegam ao barco, ali dentro está o corpo já decomposto de Faustino com os olhos arrancados, talvez pela gaivota que avisou Matias.
    Seja como for, agora temos mais um hóspede no farol, mais um personagem que o destino estigmatizou, e que o Farol acolheu…ali sempre tem um lugar…

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